Há algum tempo estava folheando meu livro de pães da Coleção Time Life (Cozinhar Melhor/ Técnicas e Receitas) e uma receita me chamou a atenção "a picnic loaf" ou Pão de Piquenique. E, mesmo sem foto, mesmo sem que eu tenha entendido direito a montagem, "forme rolinhos finos como lápis com a massa restante e empregue-os para fazer um padrão xadrez, que prenderá o ovo e a linguiça à base da massa", resolvi fazer o pão para o nosso último piquenique - ele está lá nas fotos e fez sucesso. Não segui a receita da massa, mas gostei da ideia de levar ovos crus com casca para cozinhar junto com o pão. Depois fui procurar na internet e descobri foto para o italian picnic loaf num site do Slow Food. Veja aqui - só 10% das pessoas clicam link, mas este vale a pena. No piquinique anunciei como pão da páscoa, já que estávamos às vésperas dela e os ovos a anunciavam.
Aí, coincidentemente, na semana passada o caderno Paladar falou dos pães de Páscoa pelo mundo e, num texto à parte, falava dos folares portugueses, pães doces ou salgados, que sempre levam ovos na massa, símbolo da ressurreição, e algum tipo de carne nas entranhas, como diz o título do texto. Junto com a massa são cozidos linguiças, toucinhos, bacon, salpicões, lombinhos, frango etc, com muitas variações a depender do local ou se aldeias ou grandes cidades. E ali, no meio da matéria, havia uma foto pequena do folar de Chaves, com um ovo no centro. Infelizmente o assunto não é aprofundado sobre os ovos, se vão crus ou cozidos, ou sobre a tradição de se dar folar aos afilhados na Páscoa - o número de ovos deve ser o mesmo de anos da criança presenteada. No dicionário Lello Popular, estar lá: "Folar: fogaça; bolo ou presente que os padrinhos que os padrinhos dão aos afilhados ou os paroquianos ao pároco, pela Páscoa; direito paroquial de receber esse bolo ou esse presente".
O fato é que não tenho afilhados muito menos párocos a quem dar folares com ovos, então, por aqui, será Pão de Páscoa pelo simbolismo, mas mais ainda pão de piquenique, pois você já leva o sanduíche completo.
Na semana passada fui a um piquenique da minha sobrinha Tarsila e levei o tal do pão. Todo mundo achou muito louco aquilo de ter um ovo com casca no meio da massa. Dá um pouco de trabalho para comer porque tem que tirar o ovo e descascá-lo. Já o labrador que apareceu correndo de sua dona e roubou duas fationas do pão do piquenique parece não ter se importado com isto. Num segundo engoliu o pão e o ovo com casca de tudo. Mas pensar que nunca mais vou cozinhar ovos para levar ao piquenique quando fizer pão é um alento pois economizo gás, panela, tempo, água e recipiente para levar os ovos. Basta levar também um pouco de sal e, talvez, pimenta-do-reino.
Neste, cada rolo da trança foi recheado com queijo ralado grosso misturado com claras em neve e manjericão (claras, para o recheio não sumir grudando na massa, formando um oco. Pincelei com ovo inteiro batido com mesmo volume de leite. Usei a massa de pão que dei no último post.
Para este, fiz a mesma massa de pão branco citada acima, só que desta vez juntei à massa, depois de levedada, 1 xícara de azeitonas verdes e maduras picadas, 1 xícara de salsinha picada e 1 cebola grande picada em cubinhos e dourada em azeite. Fiz uma rosca (a massa dá duas), mas a forma era pequena e o buraco quase fechou. Por cima, um gomo de linguiça calabresa dividido em quatro pedaços, além dos ovos crus. Para disfarçar o buraco quase sepultado, joguei por cima mais cebolas douradas em azeite e temperadas com sal. Foi nosso jantar ontem.
E por pouco não foi também o café da manhã de hoje da Dendê!
Para comer, é bom cortar o ovo ao meio, desgrudá-lo da massa, escavá-lo da casca com uma colher e voltá-lo para a cavidade deixada no pão. Tempere com sal, pimenta e Nhac! Agora, tente você a sua própria versão.
Por esta semana chega de trigo, porque amanhã tem quinta sem gluten. E, para quem já está de folga de tudo, já desejo Boa Páscoa!










