sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Dente-de-leite na cozinha


A Rose, vizinha e também nutricionista, me ligou logo depois de termos nos encontrado no portão, no fim da tarde, durante meu passeio com a Dendê - que gosta muito do gramado da calçada dela. É que a filhinha Amanda ficou brava por não ter falado comigo e, como um dia eu havia dito que ela poderia ficar aqui enquanto eu trabalhava, estava cobrando agora o convite.
Está certo que eu estava atolada de trabalho e não poderia me distrair de jeito nenhum, mas a presença de uma criança é sempre um refresco para um dia estressante. Expliquei que não poderia conversar, que tinha que me concentrar e que ela teria que ficar quietinha. Duvidei que conseguiria. Mesmo assim ela topou - veio de banho tomado, cheirosa e já com pijaminha, ficar só um pouco antes do seu jantar. Nas mãos, um caderno de desenho e um estojo de princesa estofado de lapis de cor.
Depois de um tempo desenhando em silêncio numa mesa do escritório, ela finalmente falou: "eu tô quietinha, não tô?". Por sorte precisei esperar um telefonema para terminar um trabalho e resolvi adiantar as coisas na cozinha, de modo que a meninha agora poderia sair do "vaca-amarela" e se divertir um pouco. Afinal, qual criança não gosta de botar um avental e uma touca e ajudar na cozinha?
Botei na vitrola um vinil de músicas infantis do Toquinho e Vinicius, arrumei pra ela um canto na mesa e vamos ao trabalho. Comecei dando as formas de pão para untar e o trabalho foi feito rapidamente. Em seguida, uma tábua, uma faca cega e uns vegetais já cozidos e macios para cortar. No começo estranhou as mãozinhas melecadas, mas após o terceiro ou quarto pedaço pegou jeito e, como qualquer cozinheira com prática, empurrava os pedaços de inhame e mandioquinha de uma só vez para a palma daquela mínima mão e colocava todo o conjunto na tigela. Depois que elogiei ela aperfeiçoou ainda mais o gesto. E pensei, poxa, o gesto! Coisa bonita no cozinheiro é o gesto, alguns aprendidos, outros descobertos com a repetição para facilitar o trabalho.
O natural para uma criança desta idade, penso, seria pegar pedaço por pedaço e colocar na tigela. Já vi gente que não leva jeito pra cozinha (e às vezes pensa que leva) agir assim. Coisas do tipo picar um pimentão milimetrica, demorada e maniaticamente, para que todos os pedacinhos saiam do mesmo tamanho, antes de bater tudo no liquidificador. Puro desperdício de energia, coisa que provavelmente esta menininha já aprendeu a evitar. E cortou tudo rapidinho. Um pedaço de queijo e um ralador aguardava na fila da exploradora do trabalho infantil, mas a mãe a veio resgatar antes.

9 comentários:

Dricka disse...

Neide, tambem sou das que adora criança na cozinha, se tem alguma delas aqui em casa e vou cozinhar, a cozinha é sempre liberada.
E você sabe que eu tambem já percebi esse negocio do gesto? Meu sobrinho de 7 anos, tambem tem gestos precisos demais quando está ajudando na cozinha, eu me encanto.
Bjs

Anônimo disse...

Linda, essa menina!
E acho que ela vai voltar.
Manuela Soares

Mariângela disse...

Neide,que fofura!!!

Marcia H disse...

que touca linda, que menina linda, que pijama lindo

espero que ela seja agora parte integrante da equipe do come-se e tenha várias participacoes neste blog

bom fim de semana

Anônimo disse...

Coisa liiiiiiiinnnnnndaaaaaa!!!!!!!!! pura poesia. Meu sonho era ter uma menina e tive um menino Deus sabe , o que faz a coitadinha iria viver emperequetad e de avental.Beijos Denise.

Georges disse...

Neide, já ouviu isso?
http://www.ted.com/index.php/talks/birke_baehr_what_s_wrong_with_our_food_system.html

Birke Baehr: What's wrong with our food system

Um abraço e parabéns pelo excelente Blog
Georges

Silvia Vieira disse...

Neide, Criança na cozinha é pura poesia, e com uma touca linda como essa fica melhor ainda. Meu Lucas adora me ajudar na cozinha, e eu sempre permito, porque quero que ele saiba se virar, quando quiser e ou precisar. No blog dele tem fotos nossas na cozinha, depois nos faça uma visitinha: lucas-vieira-fernandes.nafoto.net.
Abraço.

Roselei Strassburger Volpe disse...

Querida Tia Neide, postamos uma mensagem que acabou não aparecendo. Hoje, a Amanda pediu para ver as fotos dela novamente, no site. Aproveitei para ler todo o texto que havias escrito e expliquei o conteúdo. Ela ficou sorridente e acompanhou tudinho.
Nós duas, acabamos de sair da cozinha e fizemos biscoito de Natal. Contamos, até, com a ajuda da Vovó Mercedes. No RS, nesta época, costumávamos fazer bolacha pintada para o Nataltoda pintada e com confeitos coloridos. Nestes últimos anos, percebi que estas delicias estão sendo feitas o ano todo.
Agradecemos toda a tua gentileza para com a Amandinha. Beijos de todos nós.

RAYANNE LESSA NEVES DE LIMA disse...

Eu nunca vi você levantar um dedo para ajudar ninguém, você só pensa em si mesma. Eu não me esqueci quando há 3 anos atrás, você se juntou com a Gabriela Santana Andrade para ficar me humilhando por causa de iniciação científica no grupo de analítica 1, eu estava doente naquele dia, o que você fez comigo não se faz nem com um bicho. Você passou em assistência farmacêutica graças à cola que a Maria Miceli (namorada do Fabrico Pereira dos Santos Maia) deu para você.

Você fez iniciação científica com bolsa e agora você é bolsista TCT da Faperj pelo Laboratório de Síntese Orgânica e Prospecção Biológica (LaSOPB), eu já mandei uma mensagem para a professora Sabrina contando o que você fez comigo, pedindo que ela te expulsasse do LaSOPB e parasse de ser sua orientadora de TCC, mas infelizmente ela ignorou a minha mensagem.

Rayanne Lessa Neves de Lima já defendeu o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e o título do TCC foi Síntese de Novos Análogos Triazólicos da Lonidamina como Potenciais Agentes contra o Câncer de Pulmão e de Próstata.

Eu sei tudo sobre você, eu achei o seu perfil no Instagram e no Linkedin:

https://www.instagram.com/lessa.ray/



https://br.linkedin.com/in/rayanne-lessa-b99347190



Mas você também amiga da Beatriz Ribeiro de Oliveira, que é incapaz de passar em qualquer disciplina sem colar na prova, a Beatriz Ribeiro de Oliveira fica falando na faculdade para todo mundo ouvir que escondeu a cola da professora, ela falou tão mal da Lages, rodou todos os professores de química orgânica e só consegui passar em orgânica 1 graças a Lages agora a Beatriz está falando bem da Lages, a Beatriz inclusive publicou esse artigo científico:



https://www.mdpi.com/2072-6643/17/17/2763



É isso o que acontece com quem cola na prova e fala mal dos outros, publica um artigo científico. A Beatriz Ribeiro de Oliveira representa tudo o que há de errado na faculdade, ela é a prova que vale a pena colar na prova, ela é a prova que a coordenação da farmácia da UFRJ fecha os olhos para quem cola na prova, ela fica se fazendo de santa, mas no fundo ela não presta. Eu sinto vergonha de ser obrigado a ser da mesma turma de um ser tão desprezível como a Beatriz Ribeiro de Oliveira.





Pode mandar o seu amigo o Guilherme de Sousa Barbosa que me ameaçou mesmo sem eu ter feito nada contra ele, me matar. Manda o Guilherme de Sousa Barbosa aparecer na boca de fumo que tem aqui perto de casa e mandar os traficantes me matar, aqui do lado da minha casa funciona um ferro velho clandestino que fornece material furtado para os traficantes construírem barricadas.



Eu não tenho nada a perder, a vida é boa para quem faz iniciação científica, para quem não faz só resta à morte. Eu não vou perder a minha bolsa de iniciação científica.