Chuvas: alguns agradecem 2. Ou Lírio-da-Chuva
No começo da semana molhada já notei um broto verde e vermelho quase estiolado pedindo licença à grama úmida. Fiquei curiosa e ontem resolvi passar por perto novamente para ver no que aquele tubo tinha virado. Incrível, era um delicado lírio-do-zéfiro ou lírio-da-chuva junto à boca-de-lobo e já acompanhado de outro rebento. Incrível porque sabe-se lá como foi parar ali. Um bulbo com a terra da grama? Uma semente com passarinho? Sua origem é México, Guatemala, Jamaica e Cuba, mas por aqui a gente vê de vez em quando em canteiros públicos. Na Lapa, nunca vi. É uma planta frágil, gosta de solos férteis, costuma florescer no fim da primavera chuvosa e é frequentemente atacada por lagartas. E ali no local de passagem, naquela terra improvável, infertil e barulhenta de carros no asfalto, encontrou ao menos o consolo da chuva constante desta semana.
Não, não se come.