sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Abóboras. Polenta com abóbora

Estas ainda eram de Fartura. Estava com dó de parti-las pois partiriam pra sempre. Mas agora que tenho onde reproduzi-las, abri para tirar sementes. Cozinhei no vapor e congelei os pedaços para fazer pães, sopas, doces etc. O betacaroteno, em abundância neste vegetal, se conserva mesmo no alimento cozido e congelado.  


Incrível, foram colhidas em maio e ainda estavam perfeitas. Estes alimentos nutritivos e duráveis me emocionam. Tive que desabafar com a Eliane. - Poxa,  isto não é uma dádiva, Eliane?  A pessoa pode plantar abóboras, comer as flores, as folhas novas, os brotos,  as abobrinhas verdes e ainda guardar as maduras até a próxima safra. Por que será que elas são tão pouco exploradas? Poderiam acabar com parte da fome deste brasilzão.  Ai veio o discurso. 


"Não é explorada aqui, dona Neide, pois no sertão da Bahia, quando dá abóbora, dá muita abóbora. É abóbora cozida com sal no café da manhã; quando tem vaca leiteira, vai numa tigela com leite; depois no meio dia é comida com feijão.  Se tem carne, é com carne. Ou picadinha com maxixe e quiabo. Se não tem nada disso, é abóbora com feijão e aquelas crianças que trabalham no sizal feito que eu trabalhava, que se dêem por satisfeitas, que tem gente que não tem nem isso, que é só farinha. Pelo menos pra gente nunca faltou  feijão nem abóbora. Cada quem temperava ao seu modo, com sal ou açúcar.  Lá pra tardinha, ainda tem abóbora com açúcar. Cozinha os pedaços e naquele resto de água amarelinha da panela bota um pouco de açúcar cristal.  Mas a senhora pensa que é pouca abóbora? Não, quando é época,  andar na roça é como andar tropicando em pedras, de tanta abóbora. E também a senhora pensa que é só a gente que passa bem? Os bichos também se fartam. Cozinha pra dar aos porcos que não gostam de abóbora crua, joga picada pras vacas e lança no terreiro as já passadas pras galinhas que têm fome canina e passam o dia ali comendo abóboras de bicadinhas e sementes. A carne delas fica boa que só.  Mas chega uma hora que abóbora é igual ao cuscuz, o perseguidor, onde a gente vai, ela tá junto, todo mundo tem, todo mundo come, dia e noite, ninguém aguenta mais. E dizem que tem que comer com a casca que é pra não dar azia."  


- E ninguém faz mais nada de diferente com abóbora, Eliane? "Lá em casa ninguém sabia fazer mais nada, só isso mesmo."  


Bem, está na hora do almoço, estamos sem tempo,  vamos inventar.  Que tal dar uma incrementada na polenta? 








Polenta com abóbora 


1 xícara de sêmola de milho ou fubá 
2 xícaras de abóbora madura bem picada 
1 colher (chá) de sal 
5 xícaras de água 


Misture tudo, leve ao fogo e mexa só até ferver e engrossar. Abaixe o fogo e deixe cozinhar sem mexer por 50 minutos. Está pronta. Se quiser, junte 1 colher (chá) de banha ou 1 (sopa) de manteiga. Ou não junte nada e coma com folhas de capuchinha refogada,  carne de lata e molho de tomate cereja com cheiro-verde do quintal. 

Rende: 4 a 6 porções a depender dos acompanhamentos.  



Estou sem liquidificador, mas você pode bater a abóbora com a água,
se quiser. A cor vai ficar linda. Com feijão, carne, verdura, nhac!



15 comentários:

Gabi disse...

Amo abóboras e nem tinha como não amar esse post :)

Entendo que qdo tem demais, o tempo todo enjoa um pouco. Mas melhor ter e escolher não comer do que não ter escolha.

Eu ainda vou em um piquinique!

Anônimo disse...

Das "receitinhas" que a Eliane deu eu conheço todas e ainda acrescento uma: abóbora assada na fogueira ou no fogareiro,docinha e quentinha hmmm... eu adorava quando era criança e morava no interior do Maranhão.
Abraços!
Hildeny Medeiros

Isis disse...

Adoro abóboras. No sítio dos meus avós tem um monte, eu tirei uma foto e fiz um post no blog sobre a grande variedade delas! São muito lindas =D

Teste disse...

A Eliane sabe tudo!

laila disse...

Neide nao sabia q duravam tanto as aboboras... fiquei encantanda com o post. e a polenta...sou fa de polenta vou testar essa sua versao. bjs

angela disse...

Quando é época de abóbora aqui, como diariamente, adoro em fatias finas só na chapa, no azeite e sal. Resultado> minhas mãos ficam cor de abóbora! Quando estive aí não sei se você notou, minha amiga até achou que eu estava com problemas de fígado.

Gleyse Campos disse...

oi... receita maravilhosa!... também, amo abóbora e sou doida por tudo do milho... farei em breve aqui em casa! valeu e bjos...

Priscila Silva disse...

eu tambem acho a abóbora um vegetal divino. entrei no link sobre a carne de lata, me lembro do meu pai falando sobre a carne preparada assim, mas minha avó desistiu dela, achando que era um péssimo hábito que só fazia mal a saúde, justificável apenas pelo fato de não haver geladeira por perto. Um dia tentarei fazer essa carne de lata. Mas não encontrei a receita do pão de torresmo, já tem aqui no Come-se?abraço

Anônimo disse...

Afe, eu amo abóbora! Como desde a cambuquira até o quibebe, rsss. Minha mãe, que morava no sítio, não comia quibebe, acho que de tanto dar abóbora madura cozida para os porcos :) Concordo com você, a abóbora poderia (ajudar) a salvar o mundo da fome!

bia rangel disse...

Oi, Neide!
Vi uma informação que me fez lembrar de você. A etnolinguista Yeda Pessoa de Castro cita a palavra moranga – da abóbora-moranga – como exemplo da influência das línguas africanas no português falado no Brasil. Moranga tem origem banto, embora, segundo ela, o dicionário Aurélio coloque origem tupi. O mesmo com a palavra mocotó (não consegui verificar no Aurélio, mas o Houaiss fala em origem banto para o termo moranga e tupi para mocotó). E a lista continua: cochilar, xingar, caçula, cachaça... e por aí vai. Talvez você já saiba disso e eu, que não sabia!, achei muito bacana. Porque, realmente, há uma riqueza cultural enorme fruto dessas assimilações, como seu blogue tb apresenta, e muitas vezes não temos consciência. um beijo!

Nhanduti de Atibaia disse...

Neide

Experimente também abóbora com feijão branco. Combinação divina. Pode ser sopa ou só abóbora no feijão. Com umas carninhas defumadas pra dar um gostinho ... Ô trem bão sô...
Por que será que a gente usa tão pouco feijão branco? sempre que penso nele acho que é uma receita "das Ôropa" (vide o cassoulet) Será que ele veio delá?
Sou leitora assídua do blog há anos, admiro seu trabalho e gostei de saber de seu sítio em Piracaia. Estou na região, seremos vizinhas.
Elizabeth

Pequi disse...

Adoro abóboras, você já comeu o doce de abóbora? e torta salgada?Adorei o seu blog.

Neide Rigo disse...

Gabi, também acho! Venha, sim. Você mora por aqui, não?

Hildeny, só o nome já apetece: abóbora assada na fogueira! Hum...

Isis, vou lá ver.

Teste, sim, ela sabe muita coisa.

Laila, a Eliane me contou que na casa dela as abóboras - bem maduras e com o cabinho, duravam até um ano.

Um abraço, N

Neide Rigo disse...

Angela, sim, eu reparei. Quase voltei quando você apareceu cor de cenoura na minha frente - vai que pega! Brincadeira, não reparei, não. Mas sei que o betacaroteno se acumula mesmo na pele.

Gleyse, depois me conte se deu certo.

Priscila, realmente não dei a receita do pão - achei que tivesse dado. Mas é só misturar o torresmo na massa de um pão branco, que dá certo.

Anônimo, muita gente tinha este preconceito, de que abóbora é comida de porcos. Ora, ora, porco gosta de tudo que dão a eles. E se sobra abóbora, abóbora aos porcos, por que não?

Bia, obrigada pelas informações.

Elizabeth, vou experimentar com feijão branco. Deve mesmo ficar muito bom. Pois é, seremos vizinhas. Quando tiver tudo ajeitadinho, combinamos de você ir la´conhecer.

Pequi, já comi doce, sim, e adoro, tanto daquele de pedacinhos quanto o pastoso. Com coco, sem coco, tanto faz. Adoro. E torta salgada, não. Qual é a receita?

Um abraço, N

Yoko disse...

A abóbora kabocha dá uma ótima sopa, que pode ser congelada. Foi o nosso jantar, anteontem.
É também gostoso como tempura, cortada em fatias de mais ou menos 5 milímetros.
E num restaurante de Chigasaki, Japão, há um pudeim de kabocha maravilhoso. Nunca comi igual em outro lugar...