quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Debaixo de um puxadinho...

Meu pai é rei dos puxadinhos. E nunca com eternit ou desprovidos de cor. Em Fartura, nem a casinha de cachorro lhe escapou, para abrigar visitas. Aqui, Dendê procurando ossos
Uma vez estava num ponto de ônibus na Lapa, com Ananda criança e a sobrinha Flora, com o dinheiro exato para a condução e sem a mínima vontade de vir a pé. Por sorte ou azar o ponto ficava entre uma padaria e uma banca de jornal e, antes que o ônibus chegasse, saiu uma fornada de pão francês com aquele cheiro bom que invade calçada e nossos desejos mais primitivos. As meninas queriam porque queriam aquele pão quentinho, para mordiscar ali mesmo, saindo fumaça. Não, daqui a pouco a gente chega em casa e faz um lanche. E não adianta querer que eu não tenho dinheiro. Mas nem para um pãozinho? a gente divide. Não, só para o ônibus. Então a Florinha teve a brilhante ideia. Fácil, tia, é só olhar embaixo da banca de jornal, sempre tem uma moeda. As duas se agacharam pelo lado de fora da banca e vieram correndo mostrar a moeda que dava para seis pãezinhos. Não é o melhor pãozinho da Lapa (o da Dara é que é), mas naquele momento foi o melhor do mundo, quentíssimo.
Do mesmo modo, debaixo de uma casinha de cachorro de sítio há sempre de ter um restinho de osso para a cadela da cidade. Dendê passou parte do tempo no sítio assim, procurando o que comer. Nem encostou na ração que levamos. Entre correr atrás de vacas e cavalos (ou correr deles), disputar ossos com a cachorrada e procurar por ossos inéditos, ela voltou pra casa assim:
Estressadíssima!