quarta-feira, 11 de junho de 2008

Peixe agulha em crosta de ovas de pescada



Nesta época do ano, às vezes ele aparece nas peixarias. E super barato, uma das melhores relações custo/ benefício, pois o peixinho é danado de delicioso. Embora tenha muitas espinhas, é fácil tirá-las e o resultado é uma carne clara/escura parecida com a da sardinha, mas, por incrível que pareça, suave, delicada e de cheiro muito bom (não que eu não goste de sardinha, muito pelo contrário, adoro).
Imagino que este que comprei seja o agulha-preta (Hemiramphus brasiliensis), pelo dorso azul-esverdeado, laterais prateadas e ventre mais claro, conforme a descrição do Marcelo Szpilman (no livro Peixes Marinhos do Brasil). A razão do nome é o tamanho e forma da mandíbula preta, fina, pontuda, formando uma agulha. Ele é atraído pela luz da lanterna nas pescarias artesanais noturnas. Então, imaginem um cardume destes peixes pulando pontudos, em flechadas, em sua direção. Não, não. Melhor na peixaria.
No Japão, são muito apreciados na forma de sushi - sem a pele, em filetes translúcidos. Tentei, seguindo as dicas da Shizuko Yasumoto no livro Peixes e Frutos do Mar – Saboreando e Conhecendo, mas acho que me faltou a mestra ao vivo. De qualquer forma, senti a carne, belisquei-a crua e achei que os peixinhos ficariam deliciosos com várias formas de preparo – assados, crus, grelhados, no vapor ou fritos. Optei por empaná-los e fritá-los. Havia comprado também umas ovas no Mercado da Lapa e decidi misturá-las à farinha. Comi com arroz de grelos – falo dele quem sabe amanhã.
Como lidar: lave bem os peixes, tire as escamas debaixo d´água para não sujar sua cozinha (descobri por acaso, mas me pareceu tão óbvio ...), abra pela barriga e tire entranhas e guelras. Lave bem com água limpa e corrente o interior para tirar vestígios de sangue e vísceras. Corte a base da espinha no rabo e na nuca, se quiser preservar a cabeça – senão, corte-a fora. Com uma faquinha ou com os dedos, vá soltando a espinha que se prende à carne em três direções. Agora é temperar e preparar. Se quiser, mantenha a espinha inteira que sairá facilmente depois de preparado o peixe.

Tire as escamas embaixo d´água para que não pulem pela cozinha

A espinha sai inteira, restando o filé limpinho. Pode ser frito espalmado ou inteiro.
Ova de tainha, a primeira à esquerda. E as outras, de pescada. Boas companhias.

Para empanar: misturar a farinha com as ovas e peneirar

O filé pode ser grelhado em frigideira antiaderente, só com um fiozinho de azeite, mas a carne é frágil. Tem que trabalhar rápido.
Filé de agulhas em crosta de ovas de pescada

6 unidades de peixe-agulha
1 colher (chá) de sal ou a gosto
½ xícara de farinha de trigo
1 colher (sopa) de gergelim preto
1 colher (chá) de pimenta vermelha em flocos finos
2 ovas de pescada (usei uma de tainha e uma de pescada, mas pode usar uma ou outra)
Azeite ou óleo de milho pra fritar

Tempere o peixe agulha com metade do sal e reserve. Numa tigela, coloque a farinha de trigo, o gergelim, a pimenta, o sal restante e as ovas de pescada. Com um garfo, esmigalhe as ovas, misturando-as com a farinha. Passe tudo por peneira quantas vezes forem necessárias para homogeneizar e formar uma farofa úmida, mas soltinha. Passe os peixes nesta mistura, pressionando para aderir bem. Frite em 2 centímetros de óleo quente. Sirva com arroz de grelos ou de brócolis bem molinho.

Rende: 2 ou 3 porções

9 comentários:

Laurinha disse...

Olha aí as ovas..... meu desconhecimento era total, nem sabia como se apresentavam ao natural, não sei pq (ou sei!), mas achava que devia ser algo parecido com o montinho que vemos nas torradinhas, de salmão ou de estrujão... :DDD
Na próxima vez que for ao mercado vou sapear!
Beijinhos,

Pedrita disse...

eu não curto esse peixinho. tenho tanta implicância com espinhos que não como. bejios, pedrita

Anônimo disse...

indico este blog a todos muito bom!!!

Anônimo disse...

gostei da tua dica para retirar a espinha,nunca fui muito jeitosa nestas limpezas e a carne acaba ficando danificada,passo a bola então ao marido. Gostei do pratinho ali de baixo,beijo!

Marcia H disse...

Neide,
e o lado ecológico das ovas?
eu pesco, mas só em época fora da desova ;-)

Anônimo disse...

Essa Agulhinha é a prata a preta é de de rio e a prata do mar. Aqui nós só limpamos as viceras, batemos na farinha de trigo e fritamos, pois ao ser frita puxando um lado do filé a espinha solta inteira. Para acompanhar somente umas gotinhas de limão. Iris

Unknown disse...

Vou fazer agora!Sou sushiman e será minha primeira experiência com esse peixe que foi pescador aqui no ES!

Anônimo disse...

Oi

CAMILLY ENES TRINDADE disse...

Quer dizer, passou colando em cálculo para farmácia usando o Photomath, me fez acreditar que eu poderia passar na faculdade sem estudar, quando chegou na disciplina de orgânica 1, você decidiu que não iria me dar cola e não me avisou nada. Estava fácil passar na Fernanda em orgânica 1, eu só não estudei, porque eu achei que você iria me dar cola, se você não iria me dar cola, podia ao menos me avisar.

Eu ainda me lembro quando eu descobri que você estava fazendo iniciação científica na Fiocruz, no Laboratório de Pesquisas em Leishmanioses (IOC- Fiocruz), será que o pessoal da Fiocruz sabe que você passou colando em cálculo para farmácia usando o Photomath?

Você ainda publicou um artigo científico chamado Correction: Gene deletion as a possible strategy adopted by New World Leishmania infantum to maximize geographic dispersion:

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40875641/

 

Será que você escreveu esse artigo usando o Photomath?

Por causa da sua queixinha que você foi fazer na coordenação da farmácia da UFRJ junto com o Gabriel Vasconcelos de Lucena e a Julia Tavares de Azevedo, algum FDP da coordenação da farmácia da UFRJ vazou as minhas informações pessoais para uma pessoa que nem me conhece e nem estuda mais na UFRJ.

Pode mandar o seu amigo o Guilherme de Sousa Barbosa que me ameaçou mesmo sem eu ter feito nada contra ele me matar, manda o Guilherme de Sousa Barbosa aparecer na boca de fumo que tem aqui perto de casa e mandar os traficantes me matar, aqui do lado da minha casa funciona um ferro velho clandestino que fornece material furtado para os traficantes construírem barricadas.