
Uma dentada pra abrir. O resto é pura diversão
Às vezes minhas grandes descobertas cabem no bolso. Foi o que aconteceu desta vez, no 2º Laboratório Paladar de Cozinha Brasileira , quando fui apresentada a esta frutinha trazida no bornal do Beto Pimentel. Consegui não comer uma de cada variedade – eram duas, de uma se comia a casa e da outra, de casca travosa, não. Vou plantar a semente e quem sabe um dia possa ter um caminhão cheinho. Lá, na hora, chupei um montão, mas não deu pra saciar. O jeito foi procurar saber mais, enquanto não a tenho. Jurava ser uma Mirtácea, mas é da família Clusiaceae, a mesma do bacuri, bacuripari, bacurizinho. O achachairu ou Garcinia sp é azedo e doce na exata medida do equilíbrio, misto de jabuticaba, araçá, ciriguela e bacuri. É muito apreciado na Bolívia e na região amazônica de um modo geral. Mas parece já haver cultivo comercial há algum tempo nas regiões norte. E o Beto, na Bahia, deve ter um pomar inteiro, pelo jeito. Sorte de quem pode ir sempre ao Paraíso Tropical, seu restaurante em Salvador. A casca da frutinha é amarelo-alaranjado e falo da variedade maior, com casca dura, coriácea, como a da jabuticaba, que tem que ser estourada no dente. Como o bacuri e o mangostão, a polpa é solta da casca. Branquinha, suculenta, saborosa e pouca. Muito caroço pra pouca diversão, diria, mas a natureza tem lá seus porquês e seja como for é boa demais. A outra variedade, miúda, tem casca mais molinha e pode ser comida inteira, que não amarra a boca.
Que venha achachairu para sorvetes, sucos, geléias e recheios. E uma bacia cheia pra chupar à toa.
Que venha achachairu para sorvetes, sucos, geléias e recheios. E uma bacia cheia pra chupar à toa.