segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Comida de rua: deixe-se contagiar


Ontem o dia estava lindo e aproveitei a companhia da minha amiga Silvinha, que vive em Salvador, para andar um pouco pela manhã. Quando apenas o asfalto e o cinza do cimento imperam, a paisagem segue imutável e monótona. Agora, se cedemos lugar à vida, ao verde, a cada dia é uma novidade estimulante. Nesta época do ano é a folha vermelha de sete copas que cai, o brotinho de nêspera ainda em frutos que desponta empurrando folhas velhas, amoras maduras sujando o chão, a mangueira em bolinhas se preparando para o Natal  e tantos projetos de frutas para a próxima estação. Temos aí uma natureza mutante conforme a intensidade das chuvas e duração da seca,  a inclinação do sol, a jornada da luz, a direção do vento. Mutante também graças à polinização das abelhas e o plantio dos pássaros. E à ação dos homens! De um lado já havia um pomar invejável, feito por morador, com macieira, caquizeiro, parreira de uva, pé de lichia e outros que já mostrei aqui. Mas ontem descobri, quase em frente, como um contágio de vizinhos, uma calçada inteira tomada por horta com tomateiro, beterrabas, alfaces e rúculas, sem atrapalhar a passagem de pedestres que podem passar apreciando. Se vizinhos se comparassem menos em relação ao porte de suas casas e carros e competissem plantando hortas e pomares, talvez esta cidade seria um bocadinho mais humana e acolhedora, né não? Se você tem uma calçada grande, que tal fazer o mesmo?

Jacas

Maçã

Tomate

11 comentários:

alexandre e alana disse...

Se vizinhos se comparassem menos em relação ao porte de suas casas e carros e competissem plantando hortas e pomares, talvez esta cidade seria um bocadinho mais humana e acolhedora.
Nossas cidades seriam muito mais limpas, bonitas e felizes.
De onde são estas fotos??

angela disse...

Estou com nesperas, mas aqui tem tanto passarinho que achoque não vai sobrar pra mim, eles gostam das frutas antes de entrarem no ponto de colheita.. aí me ferro! Procurei por aí, aconselham um saquinho roxo de papel manteiga..a qui não tem.

Neide Rigo disse...

Alexandre e Alana, o local está no link, por isto não repeti. Mas é do meu bairro, da Lapa, aqui em São Paulo.

Angela, em São Paulo tem nêsperas pra gentes e pássaros. Ainda bem. O saquinho é uma saída.

Um abraço, N

Carmen disse...

A tomar la calle, ¿cuál árbol prefieres? el de yacas o el de yabuticabas. Habrá que andar con una escalera para poder comer sin tanto esfuerzo.
QUé lindo Neide.
Un beso

Silvia - BH disse...

Neide,
E esta horta fica assim sem ninguem mexer, pegar não uma verdura mas muitas de uam vez sem autorização, sem destruir?

Neide Rigo disse...

Carmen,
Se eu tiver que ficar sentada embaixo da árvore esperando a fruta cair, prefiro as jabuticabas (mas aqui em São Paulo são raras as jabuticabeiras nas ruas - as jacas são mais comuns).
Sim, uma escalera não é má ideia. Obrigada pela visita e comentário!

Silvia, acho que as pessoas se comportam melhor quando se confiam nelas. Pelo menos ali não vi nenhum sinal de destruição.

Um abraço,
N

clau disse...

Neide, eu amei este seu post! E estas suas fotos, que já dizem tudo.
Eu caminho muito, e tb paro e fotografo, extasiada, as belas plantas, com seus frutos e flores, que cruzo pelo meu caminho.
E vc tem razão: uma "competição" de vizinhos neste sentido, faria com que suas as casas ficassem, ai sim, com aspecto de "palácios".
Mas o que se ve é que o grosso do pessoal investe mais no carro na garagem e no rebuscamento da moradia, fazer o que...
Bjs!

Denise de Luca disse...

Mas se você tem uma vizinha igual a minha....
Ela sempre acha que as plantas que eu planto não servem e arranca tudo - de dentro do meu quintal!!
Mas eu não desisto.

Claudia disse...

Que postagem maravilhosa e incentivadora...tenho minha horta no jardim da casa, que produz pouco mas muita variedade...e acredito que já incentivei muitas pessoas que passam por aqui e vêem ela...por insistência...rsrsrsrsr
adorei! http://claudiaroma.blogspot.com

Silvia - BH disse...

Minha experiencia e a de muitos que conheço não pode ser julgada como falta de confiança nos outros, bem ao contrário. Cito apenas um caso em que a pessoa conhecida pediu algumas frutas, uma meia dúzia. Quando o dono do local foi logo em seguida colher alguma pra ele não havia mais nada no pé! Pra não dizer de quantas pessoas que, se o jardim não tiver grades, desistem de enfeitá-lo porque se uns tiram algumas plantas para fazer muda outros o fazem por diversão mesmo.

Neide Rigo disse...

Denise,
meu vizinho não fica muito atrás..

Clau, as garagens tomam o espaço das plantas, especialmente nos bairros mais pobres. É uma triste realidade.

Claudia, insistência é a palavra.

Silvia, sim, há gente de tudo quanto é tipo neste mundo, mas não podemos desistir. Insistir, sempre.

Um abraço, N