sexta-feira, 6 de maio de 2011

Tomatinho da roça, o indomável!


Se não me engano, quando comecei a trabalhar com comida, nos anos 1980, os tomatinhos começaram a aparecer no mercado. Antes eram restritos aos matos, tratados quase como praga. Eram chamados, no mercado, de tomatinhos-da-roça ou tomates-cerejas e não havia muitas opções de variedades.  Toda salada chique tinha que ter tomate cereja. Eram mais ácidos e suculentos. Hoje há variedades tão doces e massudas que dá pra comê-las até como fruta. Quem resiste, por exemplo,  aos doces sweet grapes? (não adianta guardar as sementes pra reproduzir na sua horta, eles são híbridos, têm dono, você tem que comprar sementes da empresa que os desenvolveu). 


Mas quem também nunca se deparou com uma moita de tomatinhos na roça ou num mato abandonado?  Esta imagem vai sempre me acompanhar. No Paraná, no sítio dos meus avós ou na casa dos meus tios em Bandeirantes, meus primos e eu passávamos longo tempo agachados sobre uma moita de tomatinhos, devorando todos os maduros.  O arbusto crescia ao seu bem prazer, sem tutores nem cuidados. Ia se enroscando nas cercas, nos tocos velhos, no pé de café, num entulho abandonado. As folhas peludas liberava um perfume delicioso ao simples contato com nossos corpos. Questão de pele.  Não adiantava querer cultivá-los na horta perto de casa, a não ser que ele quisesse.  Era indomável, queria liberdade. E ainda são.


Aqui em casa já tive destes tomatinhos plantados talvez por passarinhos ou de sementes lançadas ao acaso junto com a água da cozinha. Nunca consegui fazer mudas ou fazer vingarem mudas compradas. De vez em quando nasce um pé onde não devia e ali tem que ficar, ainda que seja inconveniente para as outras espécies, como o cará-moela, com o qual teve o prazer de se agarrar aqui na minha cerca - veja as fotos.  Estes são ácidos, porém, mais massudos e maiores, mas igualmente bons como os miudinhos que a Marisa me trouxe




A Marisa Ono, do blog Delícias e do alho negro, se mudou recentemente para esta chácara em Ibiúna e disse que os tomatinhos já estavam lá no meio do mato. Como sabe que eu adoro, me trouxe um monte. São minúsculos, casca fininha, milhares de sementes vingadouras, docinhos e azedos. Na salada onde estão não há necessidade de vinagre ou limão - a não ser um pouco no abacate, para não oxidar. No quiabo, a acidez é suficiente para eliminar a baba. E em qualquer outro prato dá um incrementada incrível.  Veja abaixo como eles foram usados por aqui nesta semana. Depois publico as receitas: 








A salada de abacate ainda ganhou folhinhas de coentro, de quirquinha e de cebolinhas, que também vieram da Marisa.  O chuchu, também da Marisa foi coberto com ovos batidos e assados. Já no quiabo, coloquei os tomatinhos para eliminar a baba e, claro, funcionou. O jiló tostado no fogo e livre das peles foi coberto com o tomatinho picado, pimenta, cebolinha e alho negro (tudo da Marisa). E o que sobrou ficará pra semente. Vou jogar na praça como quem não quer nada, assim como lixo fosse, sem contar a ele que estou querendo que vingue. 

22 comentários:

Isaac Kojima disse...

Dá para plantar sweet grape, sim. Mas resultado é imprevisível. Pode resultar em frutos muito pequenos, poucas flores, etc. Fiz minhas tentativas até conseguir uma planta que carregasse razoavelmente, com frutos parecidos com os comprados no supermercado. O problema é que normalmente essa variedade é plantada na estufa. Como não tenho isso, a casca é ligeiramente mais grossa.

Isaac Kojima disse...

O resultado.
http://www.flickr.com/photos/isaaclicious/5510195171/in/photostream

Neide Rigo disse...

Isaac, que bom saber. Os que você me deu ainda não plantei na praça. Estou esperando ficar maiores, mas as folhas estão com fungo. E agora?
Um abraço,
N
(linda a foto dos tomatinhos - se parecem com os que nasceram espontaneamente por aqui)

Maria Leticia disse...

Adoro tomatinho!!! No sítio da minha avó tinha muito no meio do cafezal. Fica uma delícia no tabule (mas gostoso mesmo é comer direto do pé, na roça). Bjs Leticia

Silvana Cordeiro de Lima disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Heguiberto disse...

Neide,
Minha mãe preparava o melhor refogado de mandis com tomatinhos azedos do mundo! A família toda participava do processo. Eu colhia os tomatinhos no meio do matagal e diga-se de passagem você está certa o cheiro gostoso que as folhas exalavam está aqui armazenado na minha memória. Quando ao peixe esse era serviço executado pelo meu pai e irmãos mais velhos…. nunca mais vi mandis tão amarelos e cantantes como aqueles pescados no então rico e bonito rio Sapucaí. Um rio que supria mercados e famílias carentes da região com enorme quantidade e variedade de peixes (mandi, dorado, lambari, piaba, curimbatá, jaú) na região. Até que as cidades rio acima (e.g. Itajubá, Piranguinho) (no meu caso) começaram a crescer e despejar esgoto escroto no rio. Sem contar das fazendas de batatas mais acima deixando fertilizantes vazar no rio consequentemente contribuindo para a destruição da vida e saúde desse rio. Resultado ele agora está mortinho, mortinho….. Bom tenho certeza que você já ouviu essa estória no passado e o Sapucaí não é o único não verdade? O que será que a gente pode fazer?
Enfim esse seu post bacana é sobre tomates e eu estou aqui viajando na maionese….
Recordar é viver!
Cheers,
Heguiberto
weirdcombinations

aguiar disse...

Nossa esse tomatinho tem muito gosto de infância! Minha mãe usava em quase tudo , pois havia fartura.Ela fazia uma moqueca de ovos com eles, que ficava divino.(não sei fazer igual)
Ainda hoje eles continuam nascendo vez ou outra.
Adorei suas dicas!
Abraços

marta.hoffmann disse...

Oi Neide,
Voltei ontem,e,hoje logo quis dar uma olhada no seu blog.Vc.sabe se eh possivel receber pelo correio no Brasil, sementes de plantas?Aqui tem variedades de tomates cerejas,com varios tamanhos e cores.Se não tiver restrições no correio,mando pacotinhos de sementes para vc. ver se tem diferença com os dai.Passei na loja das épices Roellinger,mas como era segunda, estava fechada,só deu para dar uma olhada pelo lado de fora.,Estava servindo de guia para um casal de amigos, e o tempo ficou curto,mas obrigada pelas dicas.,fica anotado para a proxima viagem.

Neide Rigo disse...

Maria Letícia, no tabule... anotado, obrigada!

Heguiberto, que causo emocionante. Tristeza isto dos rios, não?

Aguiar, moqueca? anotado também. Tudo isto está me dando água na boca!

Marta, que pena que a loja estava fechado. Quanto às sementes, estou proibida de ter sementes enquanto não tiver terra para plantá-las.

Um abraço, N

Anônimo disse...

Olá Neide, na quarta foto, ao lado dos tomates, há uma verdura chamada feijão-de-asa, eu conheço só de pesquisa, mas queria saber o que se pode fazer com ele(gastronomicamente) e se tem bom gosto. Quando vc vai fazer alguma coisa com ele?
Quase não frequento blogs, só o seu(que é especial)!
Um abraço.
Eder Dias - Manaus/AM

carla disse...

Olá neide esse post dos tomatinhos muinto bom qd era pequena colhia no mato com minha vó .Comia co arroz branco bem fresquinho.. ou fazia molhos para comer com angu! o melhor de todos abraços!!

Neide Rigo disse...

Eder, o feijão-de-asa (Psophocarpus tetragonolobus) é uma ótima fonte proteica e suas vagens são bem gostosas. Como não havia muito e eu ainda dividi com minha irmã, cozinheiro no vapor com outros legumes e temperei como salada. Mas pode ser usada como vagem também em refogados, sopas. Quando tiver mais em mãos farei alguns pratos.

Carla, minha mãe também faz molho assim pra comer com arroz. Uma delícia!

Um abraço, N

Anônimo disse...

Querida Neide , minha avo materna morreu eu era menina , mas me lembro o que ela fazia com os tomatinhos que teimavam em nascer na bela horta dela. Ela falava que era molhinho de tomatinho , colocava alho pra dar uma fritadinha agua, sal , pimenta do reino , alfavaca e quando essa agua com esses temperos fervia ela jogava os tomatinhos deixava eles ficarem molinhos e diminuir a agua e pronto que delicia com arroz (de vez em quando faço e me vem as doces lembranças) beijos e um dia das maes cheio de saude !!!!!! Denise

Isaac Kojima disse...

Desculpe se estavam contaminados. Eu mesmo tenho um trabalhão para controlar isso, pois não consigo uma quantidade de insolação ideal. Uso apenas calda bordalesa, mas sem o cal (ou seja, apenas sulfato de cobre).
Vou plantar mais ou se você quiser, posso te mandar sementes.

Neide Rigo disse...

Isaac, tenho quase certeza que os fungos são do meu quintal. Todos tomateiros que nascem aqui ficam assim. Mas não desisti deles, não. Um beijo, N

saborcomletras disse...

Neide, que sabor tem esses tomates. Minha irmã cultiva em um vaso e quando coloca nas saladas eles passam a ter o doce sabor de um carinho fraternal. Abraços, Adriana.

Neide Rigo disse...

Adriana, ele é bem ácido e ligeiramente doce. O aroma das folhas está muito presente e ajuda a compor o buquê. Um abraço, N

Sil disse...

Neide, eu também amo esses tomatinhos. Minha mãe costumava usá-los para fazer um molho delicioso, que comíamos com canjiquinha e costelinha de porco. Dos deuses...
Deu água na boca. Abraços.

Silvia Vieira

Anônimo disse...

feijão-de-asas!!! adorei o nome. entrei aqui nos comentarios justamente para perguntar se era isso mesmoq ue eu estava vendo na foto. sempre imaginei como poderia encontrá-lo por aqui. comia muito disso na asia, chamavam de "four angled beans" ou "kacang botor" e normalmente serviam refogado com sambal belacan, molho forte de pasta de camarão. ou em curries. bem crocante, eu adorava.
será que encontro comercializado em algum lugar, neide?
bjs, Leticia

Carol Guilen disse...

Olá, Neide . Acabei de conhecer seu blog por insdicação do @umlitrodeletras. Deliciosos seus posts! Recentemente, num vaso onde havia planado morangos, nasceu um pé de solanácea. Morangos, necas, mas a solanácea está crescendo e aposto q foi presente de um pássaro gentil. Tomara que seja mesmo tomatinho-cereja pra minha alegria!

Mariana MT disse...

Seu blog é uma delícia, literalmente. Cheguei aqui depois que vi vc no Reporter Eco...e certamente voltarei sempre. Estou começando a ampliar minha hortinha caseira e os tomates seguem indo bem, mal posso esperar para colhê-los do pé e fazer a primeira salada.

Neide Rigo disse...

Marianna, que bom saber. Volte sempre! O bom é que tomates produzem rápido.
um abraço,n