sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Carne de Lata ou carne na banha


Já falei de carne de lata neste post: Nosso confit com nossas échalotes ou Carne de lata com charlota-das-cozinhas
Em Fartura, gosto de comprar carne de porco no Açougue Nogueira, que vende porcos caipiras recém-abatidos e suãs carnudos, assim como frango congelado caipira de verdade, do tipo que faz pir pir e corococór. E ainda fazem ali mesmo linguiças deliciosas em ambiente super limpo. Mas nunca tinha visto lá a carne de lata. Desta vez bati os olhos num canto do açougue e vi os potes transparentes mostrando a gordura entremeando as carnes. Tá certo que ninguém mais queira guardar a carne na lata (se bem que o Carne na Lata Xavante vem na lata mesmo), nem precisa do recurso tendo geladeira. Mas o sabor é inigualável até mesmo nestes potes feios e asseados de plástico. Fiquei sonhando com os pedaços cheirando a fogão de lenha e casas de tábua de vós com despensa e grandes latas de carne garantindo mistura até a próxima matança. E pensando naquela carne brilhante de gordura que se parte em fibras suculentas. Comprei só dois potes.
Melhor e mais prático que hambúrguer congelado e aquela massa de carne de galinha em pedacinhos empanados que eu esqueci o nome. Com a carne de lata é vapt vupt, fast food no melhor estilo. É só sair direto da geladeira (prefiro assim já que temos agora uma temperatura ambiente tão instável) para a panela. Não precisa comer muito. Só uns pedacinhos bastam para não empanturrar. A gordura que sobra você ainda pode usar para temperar uma grande quantidade de feijão, por exemplo. Ou fazer farofa para comer no outro dia. Ou então reserve para fazer sabão.
Assim que cheguei de viagem já aqueci uns pedacinhos para comer com arroz e repolho refogado. No almoço de ontem uns pedaços se juntaram a um bom tanto de inhame (taro) cozido em água salgada e ainda cebolas cortadas em cunhas, umas rodelas de pimenta e só. Para comer com couve rasgada e refogada.

Escorri toda a gordura

E nhac com couve rasgada também de Fartura

13 comentários:

david era uma vez... disse...

Gente! faz uns trezentos anos que eu não como carne na lata!
Minha familia não carregou muito essa tradição ja que com o surgimento da geladeira esqueceram rapidinho disso, mas a esposa do caseiro do sitio tinha esses costumes e as vezes eu (criança inxirida) almoçava na casa deles e lembro tão bem disso.... saudades..

Abraços Fêssora

Silvana disse...

Hum que delicia!!!
Tenho uma saudade desta carne ainda sinto o gostinho destas carnes e linguiças que minha mãe fazia.
Perguntinha inde fica esta açougue????
Beijos

Anônimo disse...

Por estas bandas, guardava-se a carne em panelas de barro.
Fazia-se um lanche ou um almoço ou jantar, em menos de um ai!
E, como a Neide diz no outro post, até a banha no pão era boa!
No Alentejo, o tempero da carne leva colorau (pimentão doce seco, moído), e a banha adquire uma cor linda.
Um abraço
Manuela Soares

Joice Santini disse...

Só faltou a vara cheinha de linguiças em cima do fogão de lenha. Tempo bom quando minha mãe guardava as carnes na gordura. Aproveitava todo o porco, e ainda fazia sabão no tacho ao final da matança.

Manoela disse...

Nossa, a cara está óótima! Adorei!

Joice Santini disse...

Neide,
na fazenda quando matávamos porco, minha mãe fazia a tão esperada linguiça de cudiguim. Ela é feita com o courinho da papada do porco, misturada com um pouco da carne. Tudo moido na máquina de dente largo, só para ficar picadinha, dai era bem temperada e ensacada nas tripas. Quando o feijá soltava aquele cheiro de cozido, era só abrir a panela e soltar uma linguiça inteira dentro e acabar o cozimento. Normalmente ela acabava estourando uma banda e o caldo ficava bem grossinho.
Comiamos com arroz branquinho. Só de lembrar me enche a boca de água.
Você conhece, Neide?

rosamaria disse...

gentemmmm, vcs comem essa gordura sem nenhum pesinho na consciência? ninguém pensa em colesterol, triglicérides e afins??? kkkkkk
eu não consigo! vejo imediatamente um HEMOGRAMA na minha frente!kkkkkkk! BOM APETITE!

Anônimo disse...

Que saudades que da.Neide acho que vou a Fartura para comprar o porco caipira, não aguento mais, esta carne de porco cor de rosa,e sem gosto,vc me traz a lembrança de Piri Piri(Pirenópolis-GO).bjs.Diu),

Anônimo disse...

Minha Santa Genoveva, de onde vc tirou isso, meu marido agora deu de fazer torresmos todas as vezes que fazemos churrasco, ja disse que desse jeito vai matar todos os velhinhos aqui ( todos entrando no 60) agora essa carne aí, era uma gostozura, faziamos direto aqui em casa, onde criavamos dois porcos por anos, com direito a chouriço, linguiças defumadas e tudo.Aí que saudadessssssssssss
bjs.

Anônimo disse...

Ai meu Deus q coisa boa so na nossa terrinha mesmo pra se encontrar coisa tao boa na proxima vez q eu for pra Fartura vou ter q fazer o sacrificio de passar neste acougue . Que colesterol q nada isto e pura saude e felicidade q alimenta nossos corpos e nossas almas. mscapolan@ig.com.br beijos Denise .

roseli disse...

Pois eu comi e muito também sinto falta e lembro-me muito bem papai abatia o porco e nos fritávamos toda a carne e colocávamos nas latas para irmos consumindo com o tempo,també faziamos com carne de capivara rsrsrs,também gostava,e tenho saudades também de comer cudiguim...bjs

Anônimo disse...

Oi Neide!!! Seus posts são pura inspiração!!! Onde é o açougue do seu nogueira?
Abraços

Neide Rigo disse...

Anônimo,
o açougue fica na cidade de Fartura-Sp. Todo mundo conhece. Não tenho o endereço, não.

Um abraço,n