terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Jaca verde pra moqueca e jaca-louca




Jacas verdes são consideradas legumes e tratadas como tal, especialmente em países do Sudeste Asiático. Uma pena que no Brasil só se dê atenção a elas quando estão no ponto de cair, sendo que poderiam ser aproveitadas em todos os estágios de maturação. A ponto de a árvore asiática tão bem adaptada por aqui ser tratada como invasora em alguns locais como no Recôncavo Baiano onde pode ser cortada pra fazer de gamelas a mesas de jantar, camas e sofás. Sei lá se isto é certo ou não, deve haver algum estudo de impacto ambiental para que a atividade seja feita à luz do dia, na beira da rodovia, mas que jacas são desperdiçadas no Brasil, ah, isto são.


A primeira, a jaqueira da minha rua, mais encardidinha por causa da poluição, talvez. A segunda, mais viçosa, no nosso sítio de Fartura
Jaqueiras são derrubadas no Recôncavo Baiano para fazer móveis e gamelas
Para saber mais sobre as jacas e como preparar os frutos verdes ou maduros, veja este outro post. Mas repito também aqui. Sobre grude etc, melhor ir mesmo ao outro post, bem mais completo.
Antes de cozinhar - parta a jaca em quatro. A minha tinha 1,2 kg. Se fosse menor, seria melhor cozinhar inteira. Cubra com água e leve ao fogo. Deixe cozinhar por cerca de 1 hora ou até que fique bem macia (ou menos tempo se for menor).

Tire primeiro a casca e depois o miolo e descarte-os.

1 jaca verde com cerca de 1,2 kg rende aproximadamente a metade do peso em polpa cozida e limpa, para usar em moquecas, refogados, recheios etc.
Resolvi picar a jaca cozida no processador, porque ando com mania de processador, mas você pode também fatiar bem fininho na faca se preferir. E como ficou com aparência de frango desfiado, achei que ficaria boa na forma de carne-louca, que a gente costuma servir com pão. Achei que ficou. Levei ao piquenique de domingo e mesmo quem não suporta jaca comeu, não reconheceu a fruta, e gostou. O restante da jaca cozida e picada dei a Eliane para que fizesse uma moqueca do jeito que quisesse. Ficou uma delícia que comemos com arroz quentinho e mais pimenta.


Receita de jaca louca ou jaca verde para comer com pão
4 colheres (sopa) de óleo de urucum - ou use azeite comum + 1 colher (sopa) de colorau
4 dentes de alho fatiados
250 g de pimentão (1/3 de pimentão amarelo, 1/3 do vermelho e 1/3 do verde), fatiado
1 pimenta dedo-de-moça picada
1 cebola média fatiada
4 xícaras de polpa de jaca cozida e fatiada (450 g)
1 colher (chá) de sal ou a gosto
Pimenta-do-reino a gosto
4 colheres (sopa) de azeite
1/4 de xícara de vinagre
1 xícara de cheiro verde picado
Coloque o óleo de urucum numa frigideira e leve ao fogo. Junte o alho e deixe começar a dourar. Acrescente o pimentão, a pimenta e a cebola e refogue até que a cebola comece a ficar macia. Coloque a jaca, tempere com sal e pimenta-do-reino e misture. Deixe no fogo, mexendo, até a jaca ficar bem quente. Prove o sal e corrija, se necessário. Deixe esfriar e tempere com azeite, vinagre e cheiro-verde-picado. Sirva com pão. No outro dia estará ainda melhor.
Rende: de 8 a 10 porções


Moqueca de jaca verde. De Eliana Santiago
2 colheres (sopa) de óleo de dendê
2 dentes de alho picados
1/2 cebola picada
3 colheres (sopa) de pimentão verde picado em cubinhos
3 colheres (sopa) de pimentão vermelho picado em cubinhos
1 tomate picado em cubinhos
2 colheres (sopa) de coentro picado
1 pimenta dedo-de-moça vermelha picada
1 colher (chá) de sal ou a gosto
2 xícaras de jaca verde cozida e fatiada
1 xícara de leite de coco
Suco e limão e coentro a gosto para finalizar (ela usou coentro-de-pasto ou chicória-do-pará, mas com qualquer um ficará bom)
Numa panela de barro, coloque o óleo de dendê e doure o alho e a cebola. Junte o pimentão e o tomate e mexa. Em seguida, junte o coentro, a pimenta, o sal e a jaca verde cozida. Misture bem e deixe cozinhar brevemente ou até que fique bem quente. Junte o leite de coco e deixe ferver. Prove e corrija o sal e corrija se necessário. Junte umas gotas de limão e mais um pouco de coentro picado para finalizar. Sirva com arroz
Rende: 4 porções

Veja tambem

Chove lá fora e aqui tá tanta vida. Flor e cogumelo


Tem cara de que é de comer. A confirmar
Numa manhã como esta agradeço sempre por morar no alto, por não dirigir, por trabalhar em casa, por ter um teto bom com quintal permeável, por poder andar e porque a dentista Yara que me atenderá às oito e pouco mora ao meu lado e tem consultório em casa. Isto com a maior tristeza pelos que sofrem no caos depois da chuva da madrugada que deixou São Paulo intransitável com gente à beira de um ataque de fúria. Ananda que trabalha no hospital da Aeronáutica não conseguiu chegar ao trabalho. Eliana certamente não virá e tudo na cidade estará de pernas pro ar.
Enquanto isto, outros tipos de vida seguem seu rumo. Dendê continuou precisando do seu passeio matinal, os peixes da vizinha e amiga Rose esperavam pela minha visita e ração enquanto a família viaja e o gladíolo solitário no meio da grama continuou exibindo suas flores sem danos nas pétalas de seda rosa, agora emoldurando um pico do Jaraguá encoberto ao fundo. Mais chuva a caminho.
Umas folhas de palmeiras cairam nas calçadas com a força do vento, e já trago pra casa pra aproveitar as bainhas e fazer uma arte que mostro nos próximos posts. E na calçada da gaúcha Rose cresceram uns cogumelos parecidos com os que comprei em Porto Alegre - mas acho que são um tipo de orelha-de-pau, a classificar. E que tenham um bom dia leitores e paulistas pois já me atraso para a dentista.





Fotos do Gladíolo em três dias de humores diferentes. Na primeira, com pico do Jaraguá ao fundo, há cinco dias. A última, de hoje.
A flor de cogumelos e as bainhas de palmeiras que continuarão na chuva pra ficar molinhas

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Resposta à charada: Fruto do mandacaru

Respondendo à charada da sexta-feira, aproveito para me desculpar por ter suposto que seria fácil demais. Julguei mal (assim como outras vezes em que achei que ninguém saberia e todo mundo acertou), mas a foto pode ter enganado. Fora a Lídia, o Faustino e dois outros leitores que chegaram perto, afinal pitaia e figo-da-índia também são frutos de cactáceas, a maioria apostou no maracujá, cuja casca é muito mais firme e a polpa mais suculenta que a do mandacaru. De qualquer forma, agradeço a todos os que responderam.


Estes da foto são de Fartura. Meu pai é daqueles que sempre espera a filha com uma novidade comestível ainda no pé, geralmente uma fruta. Desta vez deixou para colher os mandacarus, que rachavam de maduros, quando eu chegasse. Alguns se esborracharam no chão, mas uns poucos sobreviveram intactos. E eu os comi de colherinha.
São doces, gelatinosos e as sementes conferem crocância interessante. Não tem sabor marcante nem acidez como a pitaia, por exemplo. Mas são bons de comer gelados, comida de passarinho, de criança.


O Cereus jamacaru DC é uma Cactaceae conhecida popularmente como mandacaru, mas recebe outros nomes como jamacaru, jamaracuru, mandacaru-facheiro, jumucuru, jumarucu, mandacaru-de-boi, mandacaru-de-faixo entre outros. Embora possa ser encontrado aqui e ali, e até em Fartura, faz parte da paisagem típica da região semiárida do Nordeste, onde tem vários usos: alimentação e hidratação dos animais na seca, extrato da polpa como remédio para gastrites, cistites e outras ites, lenha incendiária para começar fogo, fruto para pássaros de gaiola etc. E até como anunciante de chuva.
No sertão, quanto o mandacaru se enche de flor na seca corre-se para comprar sementes. É hora de plantar que a chuva já vem, como já dizia o compositor e folclorista Zé Dantas (pra matar a saudade, aqui vai um Luiz Gonzala que importalizou o mandacaru do compositor:
Xote das Meninas - mandacaru quando fulora na seca é um sinal que a chuva chega no sertão.. .)
Como a planta não é cultivada pelos frutos, que não têm interesse comercial, raros são os trabalhos sobre os aspectos nutricionais, mas achei o resumo de um, "Avaliação da composição química do mandacaru advindo da Caatinga Semi-Árida", da Universidade Estadual da Paraíba, para quem quiser começar a se aprofundar, já que no final há muitas referências bibliográficas que podem ser útil. Mas se quiser apenas comer o fruto, há mandacarus no Parque do Ibirapuera, por exemplo, e quintais por aí (tenho um num vaso grande na frente de casa, mas ainda não frutificou).

Nota pós post: Vale a pena deixar aqui a observação do leitor Anestor, estudioso de espécies vegetais e em quem eu confio: "Olá, Neide: Pelas suas fotos, salvo engano, não se trata do mandacaru nordestino, mas de um cactus nativo da região sul, que poderia ser chamado de mandacaru do sul. Ele difere do nordestino, que produz frutos vermelhos, por produzir frutos amarelos. Seus frutos são saborosos. Lorenzi o lista no seu vol. 3, de Árvores Brasileiras. Eu o fotografei em Caçador - SC. Vejahttp://picasaweb.google.com/lh/view?q=cereus&uname=anestor.mezzomo&psc=S#5457456485911472882. Botanicamente chama-se Cereus hilmannianianus." Anestor Mezzomo

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O que é, o que é?

Uma charada facinha, pra começar o ano sem estresse. Mande seu palpite, que a resposta darei na segunda-feira. Bom fim de semana e até lá!

Pão de batata doce

Comprei batata doce no supermercado, aquela com casca rosada, e estava preparada para uma polpa branca, já que roxa não era. Mas quando cortei para cozinhar, surpresa, era alaranjada. Aqui em São Paulo as batatas alaranjadas não são muito comuns. Deve ser coisa da Embrapa, que está envolvida no resgate de variedades de batatas mais nutritivas, com mais beta-caroteno. Cozinhei, amassei e fiz um pão, economizando trigo. Não sem antes experimentar um naco, super macia e doce.

Pão de batata doce
750 g de batata doce em purê (3 xícaras e 1/4 aproximadamente)
1 envelope de fermento biológico seco ou 1 colher (sopa) - 10 g
2 colheres (sopa) de água
3 colheres (sopa) de óleo
1/2 colher (sopa) de sal
650 g de farinha de trigo (um pouco mais ou pouco menos dependendo da umidade da batata)
Leite e fubá, opcionais, para a cobertura
A batata doce com casca, cortada em rodelas e coberta com água, deve ser cozida até ficar bem macia e, em seguida, deve ser descascada e amassada para purê. Pese 750 g e deixe esfriar. Misture o fermento com a água e espere dissolver bem. Junte ao purê de batata-doce numa bacia e misture bem. Adicione, então, o óleo, o sal e a farinha de trigo aos poucos, misturando bem com as mãos. A farinha deve ser adicionada aos poucos até que a massa não grude mais nas mãos. Se preferir, faça todo este processo no modo "massa" da máquina de pão. Deixe a massa crescer, coberta, até dobrar de volume. Divida-a em duas partes, molde os pães e coloque-os em assadeira untada. Cubra com pano e deixe crescer novamente. Pulverize leite e polvilhe fubá na superficie. Faça cortes e leve ao forno pré-aquecido quente. Deixe assar por 10 minutos. Abaixe o fogo e asse por mais 50 minutos ou até que fique dourado.
Rende: 2 pães

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Quinta sem trigo 7: triguilho vira risilho. Tabule

Como acontece com todo mundo que gosta de cozinhar, acordei outro dia com um sonho ou um pós-sonho na cabeça e uma ideia que nem sei se é original. Digo isto porque estas postagens tem o objetivo apenas de apontar outras alternativas para o uso do trigo usando recursos fáceis de encontrar, diminuindo assim nossa dependência a importações. De quebra, ainda servem àqueles que por intolerância ou alergia não podem consumir trigo, como acontece na doença celíaca na qual o impedimento é glúten, que é uma proteína encontrada no trigo - e também no centeio, na aveia e na cevada (não, os legumes não têm glúten - nem cará, nem batata, nem inhame, nem mandioca etc).
Então, como a comunidade dos celíacos tem se mobilizado para criar alternativas alimentares a pães e outros derivados do trigo (há sites e vários blogs que se dedicam exclusivamente a isto), não é de duvidar que haja por aí opções similares e, no mercado, algum produto idêntico. Mas, sinceramente, faltou tempo para ir atrás. Se alguém souber, me conte. Sei apenas que dá pra fazer bolinhos de carne com formato de quibe usando vários tipos de grãos como sarraceno ou quinoa.
Mas queria que estes grãos tivessem cara de triguilho, que fossem pré-cozidos, que pudessem ser guardados e que se prestassem aos mesmos usos. Foi aí que sonhei com o o arroz integral como solução - deveria ser cozido, assado e triturado, da mesma forma que como se fazia artesanalmente o triguilho ou trigo búlgaro (burghul, bulgur). Hoje, todo o processo de cocção, secagem e trituração é feito industrialmente, claro.
No sonho era arroz cateto vermelho. Mas em casa só tinha do agulha e comprido e resolvi testar assim mesmo, como uma primeira experiência. Deu certo, inclusive para fazer quibe frito - antes de dar a receita deste, porém, quero testá-lo com o arroz vermelho cateto, mais cremoso e liguento, importante para o quibe, mas não para o tabule. Na próxima semana, já terei mais certezas. Mas se quiser ir se adiantanto, é só usar o mesmo processo que se segue para fazer o triguilho de arroz que batizei aqui de risilho.
1. Cozinhe o arroz integral normalmente em água, até que fique macio. Comece com uma xícara para experimentar. Espalhe os grãos sobre uma assadeira, de modo que não fiquem amontoados - ou não secarão. De preferência, use cateto vermelho (no Mercado da Lapa, nas lojas da Liberdade e em casas de produtos naturais é fácil de encontrar).

2. Leve ao forno em temperatura média e asse por cerca de 1 hora ou até que os grãos estejam bem tostados e secos.

3. Passe os grãos pelo liquidificador ou processador. triture rapidamente até que a maioria fique quebrado como trigo de quibe.
4. A granulometria dos grõas você pode controlar com peneiras de furos de diferentes tamanhos, depois de triturados. Enquanto houver grãos inteiros você pode ir batendo novamente no liquidificador sem sacrificar os demais que já estão no tamanho desejado - como trigo de quibe. Se preferir, você pode também guardar separados estes grãos - os maiores para sopas (lembrando que os grãos já são pré-cozidos), os médios para tabule e os menores para quibe. Restará ainda alguma farinha bem fina que pode ser usada para engrossar sopas, mingaus ou para empanar.
5. Nas fotos, seco e hidratado. Para hidratar basta cobrir o risilho com água fria deixando cerca de 1 centímetro acima da superfície dos grãos. Depois de meia hora os grãos estarão entumescidos, macios, prontos para usar no tabule.
Tabule com risilho - tabule de arroz, sem trigo, sem glúten
60 g de risilho (nome que dei ao "triguilho" de arroz)
100 ml de água para hidratar
Meia cebola roxa (70 g) cortada em cubinhos bem pequenos
1/4 de xícara de salsinha picada bem fino
10 fohas de hortelã picada finamente
2 tomatinhos-pera cortado em cubinhos
Suco de 1 limão galego
2 colheres (sopa) de azeite
Sal e pimenta-do-reino a gosto
Deixe o risilho numa tigela com a água por cerca de meia hora ou até os grãos absorverem toda o líquido. Se sobrar água, escorra bem, apertando os grãos numa peneira até que fiquem apenas úmidos e macios. Junte os demais ingredientes e sirva (se preferir, espere uma meia hora para os grãos absorverem melhor os temperos).
Rende: 2 porções

O quibe ficou bom, mas acho que vai ficar muito melhor com o risilho de arroz integral cateto vermelho. Na próxima quinta eu conto.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

É tempo de manga 2. Salada, bolo, picolé


Manga e abóbora, abóbora e manga. Manga com kefir, manga na salada, no sorvete, no picolé, manga mole no bolo, firme e grelhada, manga suco e improvisos possíveis. O cardápio aqui em casa tem sido assim, no almoço e jantar. Abobrinhas, falo depois. Agora sobraram as mangas do tipo Haden - há um só pé no sítio em Fartura, mas neste ano carregou para toda a familia. São firmes, macias, enormes, boas para comer verde ou madura na salada doce ou salgada.
Aproveitei que estava com o processador em uso para uma salada de cenoura e resolvi ralar uma manga ainda não muito madura. Misturei as duas coisas, temperei com cebolinha do quintal, sal, limão, pimenta, azeite e ficou muito boa e refrescante. Hoje fui fazer pela segunda vez, mas a manga já não estava muito firme e tive que reservar a manga ralada e molenga para outra coisa. Primeiro fui terminar a salada usando outra manga mais verdolenga. Desta vez deu certo. Temperei com pimenta vermelha e cebolinha do quintal (hoje, da fininha). E usei também cebola roxa, que combinou com o limão galego que trouxe do sítio. Nem precisava de azeite, mas juntei um pouco.
Voltei para a manga ralada cremosa que não serviu pra salada. Poderia fazer suco, mas o de ontem ainda sobrava - e parte dele teve que virar picolé porque ninguém aguentava mais beber. De modo que suco seria demais. Então, aproveitei o mesmo processador em uso e bati ali um bolo simples, todos os ingredientes de uma só vez, com kefir no lugar de leite e aromatizado com raspas de um limão tahiti, que também trouxe do sítio. Juntei a manga ralada à massa, no final, sem bater. Assei uma parte numa forma pequena de anel e o restante na assadeira para muffins, forradas com forminhas de papel. E olhe que ainda tem pano pra manga.

Pra salada, tem que ser assim: madura, mas bem firme. Quanto mais verdolenga, melhor


Aqui, só manga, cenoura, cebolinha, sal, pimenta, limão e azeite


Neste, com cebola roxa e cebolinha fina
Salada de manga com cenoura
1 cenoura grande ralada
1 manga haden verdolenga ralada (1 manga de 750 g rende aproximadamente 500 g de polpa)
1 cebola roxa fatiada
1/2 xícara de cebolinha fina picada
2 pimentas dedo-de-moça sem sementes picada em tirinhas
Suco de 2 limões galegos
Sal a gosto
Azeite, se quiser

Misture todos os ingredientes, prove e corrija o tempero. Se tiver processador, use-o para ralar a cenoura e a manga, e para picar a cebola. Se não, use um ralo grosso comum.

Rende: 4 a 6 porções

A manga ralada molenga entrou no bolo

Bolo com manga

Misture 2 ovos, 1 xícara de açúcar, 2 xícaras de farinha de trigo, 1 xícara de kefir (ou iogurte, ou leite), 1/4 de xícara (50 g) de manteiga e 1 colher (sopa) rasa de fermento. Bata tudo numa tigela com colher de pau, na batedeira de bolo ou no processador. No final, junte 1 xícara de manga ralada (pode ser mais firme ou mais macia, mas que conserve a aparência de ralada e não de purê) e raspas de 1 limão tahiti. Misture delicadamente e leve para assar em forma untada com manteiga e enfarinhada. Se preferir, asse em forminhas de muffins.
Rende: 20 porções

Para os picolés é só usar um suco de manga bem docinho e levar ao freezer em forminhas.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

É tempo de manga. Será? - chutney de manga


Coquinho e bourbon de Fartura. Trouxe também da haden e da espada, que colhi depois
A bourbon, menos fiapenta e mais gordinha que a espada virou chutney
No tempo em que manga dava no tempo de manga o mangueiral frutificava entre o final e o começo do ano. Em pomares para subsistência e nas árvores de fundo de quintal ainda se dá assim. E este ano foi bom pra Fartura, onde tenho temos um sítio. Mas quem frequenta feiras, supermercados e sacolões sabe que não é o que acontece nas plantações comerciais que abastece o mercado nacional e internacional durante o ano todo. Seja na lavoura de Lins-SP ou nas do semi-árido irrigado, as árvores tem que estar sempre produzindo. Time is money, mesmo que este tempo seja o ciclo produtivo natural de cada espécie.
Claro, alguns tipos de manga não despertam nenhum interesse comercial, seja pela falta de atributos mercadológicos (rentabilidade, aparência, resistência no transporte, durabilidade) ou por excesso de fiapos ou tamanho de caroço, por exemplo. A manga da vez já foi a grande, doce e macia Haden, já foi a resistente Tommy, mas agora parece ser o momento da Palmer (e a ácida e doce Keitt continua sendo a primeira escolha para sucos industrializados), com mais valor de mercado por ser mais doce e ter menos fibras que a Tommy - a ponto de os produtores estarem substituindo as variedades no campo.
Mas, coquinho, bourbon, ouro, rosa, espada...., quem liga pra elas? Cremosas, melequentas, perfumadas, doces e fiapentas. Irresistíveis, mas que não vão à sala de jantar. Em compensação, costumam frutificar no próprio ritmo, à sua bel vontade, se esborracham no chão sem dramas, são comidas por abelhas ou vacas no pasto ou chupadas por crianças e adultos até o caroço, até o fiapo ficar branco, deixando um fio amarelo escorrer pelos braços. Tudo sem o estresse imposto às primas ricas. É que para que produzam o ano inteiro, e como produzem!, as mangas comerciais são submetidas a torturas físicas e quiçá psicológicas para que se sintam à beira da morte e assim floresçam, frutifiquem, deixem descendentes.
São duas as principais artimanhas para indução de frutificação nas mangueiras. Uma é o estresse hídrico, nos pomares irrigados. Basta parar de irrigar para bloquear o crescimento vegetativo. Depois de uns dias a planta floresce que é uma beleza. Outra é simular o mesmo efeito só que inibindo o crescimento através da aplicação no solo de um agrotóxico super danoso para o meio ambiente, o paclobutrazol (PBZ). E quem chama a substância de agrotóxico e diz que é danosa não sou eu, mas o próprio fabricante. Se você tem medo de bula de remédios, comece a ler a dos agrotóxicos para sentir verdadeiro pavor. Veja aqui a bula do PBZ da Syngenta.

A coquinho virou suco perfumado: a polpa, água, gelo e açúcar. Se quiser, coe.

A bourbon virou chutney - piquei no processador em fatias finas
Adoro chutney de manga e com tanta manga em casa era uma boa opção, já que dura vários dias na geladeira. Usei uma versão bem simples e dei apenas uma pequena incrementada para ficar do meu gosto. Usei a bourbon que não tem muita fibra e pode ser cortada em fatias no processador. A receita:
Chutney de manga
4 colheres (sopa) de óleo
1 colher (chá) de cominho
1 colher (chá) de grãos de mostarda marrom
1 colher (chá) de grãos de coentro
2 pauzinhos de canela
4 grãos de pimenta-do-reino preta
3 pimentas malaguetas picadas
1 colher (chá) de sal
3 colheres (sopa) de açúcar demerara ou mascavo
2 colheres (sopa) de suco de limão
1 kg de polpa de manga picada ou fatiada fina
1/2 colher (chá) de flocos de pimenta calabresa (usei 1 colher e gostei, mas talvez você ache muito)
3 colheres (sopa) de vinagre branco
Coloque numa frigideira o óleo, o cominho, a mostarda, o coentro, a canela e a pimenta malagueta. Leve ao fogo e mexa. Quando as especiarias começarem a pipocar, junte o sal, o açúcar e o suco de limão. Em seguida, junte a manga e os outros ingredientes. Mexa, abaixe o fogo, tampe a frigideira e deixe cozinhar por cerca de 10 minutos ou até a manga ficar bem cremosa. Prove e corrija o tempero se achar necessário. Coloque ainda quente num vidro aferventado e também ainda quente. Deixe esfriar com a tampa aberta. Tampe e guarde na geladeira por até 1 semana, para comer com carne assada - de porco, principalmente. Ou no recheio de sanduíches com defumados.
Rende: cerca de 800 gramas

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Ovos de ano novo


Limpos e secos pra encher a matula de viagem de volta pra casa
Não sabia de véspera o que iria comer no Natal, embora minha mãe tenha sempre a certeza do almoço de hoje e o de amanhã. O que ela servisse em Fartura estaria de bom tamanho, fosse o que fosse, embora sejam sempre o mesmo pernil de leitoa, a mesma salada de maionese, o mesmo frango de sítio recheado. Todos muito bons mesmo. Ainda assim, prefiro continuar na dúvida se terá ou não alguma penosa além. Tem ano que tem peru caipira, mas nesta temporada foram todos vendidos muito antes. Só sobraram os patos, que ninguém fez questão de comer. As angolas, muito menos. E foi bom assim. Gosto de natal e reveillon porque tiro uns dias de férias e a família se reúne, mas a obrigação de comidas assim e assadas me cansam.
Sorte que no sítio as coisas são um pouco diferentes. As únicas frutas secas que chegaram por lá foram as do panetone que fiz e levei. E únicos também foram estes panetones, que adoro preparar. Fora isto, nada de cereja chilena (que se me derem eu como, mas não compro), peru temperado com termômetro ou bacalhau da Noruega. Em compensação, muita lichia, que o pé carregou novamente. Banana, muita como sempre. E manga, que na última safra mingou e agora apareceu de montão, da coquinho, da bourbon, da espada e da haden (se eu fosse dentista iria ficar rica mandando fazer capas de plástico personalizadas para os dentes só pra chupar manga coquinho sem pensar nos fiapos póstumos). Abóboras muitas, da redonda, da pescoçuda, da verde, da madura, da verdolenga. Eu passaria o natal comendo abóboras e abobrinhas sem problemas.
De certezas para este ano novo, quase nenhuma, a não ser as de curto prazo - que estou na Vogue de janeiro, que vou pro Senegal no mês que vem e que preciso aprender francês. E que o pé de taperebá ou cajá manga está coalhado de frutos ainda verdes que hão de amadurecer. Assim como a seriguela. O cacto trepador ensaia duas pitaias grandonas enquanto cactáceas mais velhas chegam à frente - mandacarus já trincando de maduros e figos-da-índia amarelando espinhudos. O jambeiro deu a primeira safra e os jambos vermelhos e crocantes hão de resistir às bicadas dos sabiás até minha próxima ida ao sítio. Toda tarde minha mãe, sem tirar o avental, continua pegando seu chapeu e saindo de mansinho pelo jardim enroseirado para voltar em seguida com ovos de pata ou angola nas mãos, toda sorridente. E todo meio do dia, com sol a pino, o boi continua lá parado fingindo se proteger sob uma árvore que deixa vazar mais luz que sombra. E a família segue falando de pimentas enquanto o almoço não chega à mesa.
Desta vez o ano novo chegou tranquilo por aqui, como uma simples virada na folhinha do calendário. Aproveitei o tempo em São Paulo para limpar gavetas, jogar tralhas fora, fazer faxina na casa, costurar cortinas novas, passear com o marido, ir ao cinema. Dias sem ver email, sem ligar o computador, sem saber o destino do celular. Tantos dias que quase desacostumei de fazer blog e morri de preguiça de responder emails. Mas calma que vou chegando de mansinho.

Flores, galinhas e ovos são a paixão da dona Olga
Taperebá ou cajá-manga
Duas pitaias (que plantei de semente num vasinho há anos)
Primeira safra de jambo vermelho

Boi na meia-sombra

Abóbras e abobrinhas, mangonas e manguinhas, para a matula
A receita do panetone é aquela mesma, só que usei o dobro de frutas para aproveitar todos os restinhos que tinha na geladeira