http://come-se.blogspot.com.br/2012/01/na-casa-do-ze-pao-e-da-romilda.html
Mas sempre há um pouco mais a dizer. Zé Pão é uma figura quieta, gentil e trabalhadeira que quando a gente acorda já está no curral tirando leite, ainda escuro. Se vai a um compromisso à noite na cidade, uma reunião por exemplo, pede desculpas, se despede mais cedo que todo mundo e vai pra casa dormir porque no outro dia tem que acordar às 4 e meia, às vezes até antes, se não não dá conta de terminar a ordenha até a hora do almoço. Sorte que tem uma companheira que acompanha. A forma como trata a mulher Romilda - são casados há mais de 30 anos - deveria ser um exemplo a muitos marmanjos destemperados que se dizem educados na cidade grande. É Bem pra cá, Bem pra lá. Se ela pede qualquer coisa, mesmo que ele esteja no meio de um trabalho, reconhece na hora a urgência da empreita e se apressa na execução, com cara boa, sem reclamar, com gosto. Pode acender o fogo pra mim, Bem? É pra já, ele responde e sai em passo apressado. Acabou a água? Lá vai ele conferir as conexões do cano. A recíproca é igual. Zé Pão se senta num banco ao lado da mesinha onde ficam o filtro de água e o pequeno tonel de cachaça. Dá umas bicadas, mas só depois que terminou tudo, no fim da tarde, sem contudo perder a sobriedade. Se o menino faz qualquer comentário maldoso sobre o hábito, Romilda é a primeira a ralhar para defender o marido, "respeita seu pai, menino". Para o menino, ele faz todos os gostos.
De vez em quanto Romilda pega um copinho de café e vai até a janela enquanto bebe e pensa na vida olhando longe. Zé Pão se aproxima, a abraça acompanhando o olhar dela e fala "vai chover" ou "a serra tá bonita". Uma vez ela já ficou muito chateada com ele com a frase dita numa hora de irritação de um dos dois: "Vai cangar grilo" teria xingado Zé Pão como quem diz vá pentear macaco, catar coquinho na ladeira ou enfim não enche. Ela virou as costas ofendidíssima e o deixou só. Logo deram os dedinhos certamente. Ela diz que não moraria no Senegal porque não ia aceitar dividir seu homem com nenhuma mulher, não, como é a prática islâmica por lá. E que não gostaria de ter morado na cidade porque não encontraria em lugar algum homem como aquele seu Zé Pão da Canastra. Enfim, eles se amam de verdade e se tratam com carinho e respeito.
Quando dá oito e meia, nove horas, Romilda para o que está fazendo no curral, vai até a casa, coloca café doce até metade de uma caneca de alumínio areado, uns pedaços de bolo e pão de queijo numa vasilha e volta para junto do marido que completa a caneca com leite esguichado direto da teta da vaca. E ele sabe qual delas tem o melhor leite. Sai quente, espumoso, cheiroso, como nenhuma máquina ou estabilizante são capazes de produzir. Zé Pão se acocora sobre o banquinho de um só pé e vai despejando leite aos pouquinhos sobre a bocada de pão a ser mordida. Molhar o pão de queijo no leite seria o esperado, mas talvez não o faça para não comprometer a pureza. Da próxima vez pergunto.
Descobri que ele toma o lanche quando chegou à metade das vacas ordenhadas. São quarenta e tantas, na mão. Quando o recipiente de 60 litros está quase cheio ele para, coloca aquele peso todo no ombro e anda até a casa de queijos. No intervalo para o almoço, senta-se à mesa e se serve de arroz bem branco, ainda saindo vapor dos furinhos formados na superfície, feijão de caldo grosso perfumado a alho e cozido a baixa temperatura durante longas horas da manhã no fogão de lenha, carne de porco ou frango caipira na panela de ferro e legumes refogados (é disso que eu gosto, ele diz). Depois do almoço não dá pra parar muito, não. Logo é hora de voltar ao trabalho na casa de queijo. Os dois trabalham juntos e quietos e quando se falam é com sorriso no rosto. Reviram o queijo do dia anterior, separam o pingo, fazem novo queijo, higienizam tudo e deixam o ambiente em ordem para o outro dia.
E eu ali com meu braço espichado empunhando uma canequinha com pouco café para completar com leite. E como gostamos destes queijos canastras tão trabalhosos. Quem quiser provar o queijo do vizinho e parente Zé Mário, sobre o qual falo depois, tem lá na A Queijaria. Do Zé Pão, tem pra vender não.
Umas fotinhas de lá (e, por favor, autor do https://www.facebook.com/vendadaroca, não roube as fotos para postá-las sem crédito como se fossem suas, não, que é feio e eu posso ficar brava)
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| Zé Pão tira leite |
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| Enche minha caneca e a dele |
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| Toma seu lanche molhando o pão de queijo com leite |
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| A casa de queijo |
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| Os panos usados para escorrer o soro lavados secando ao sol |
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| Minha bagagem da viagem: queijos do Zé Pão e do Zé Mário (o com pano branco é meu: fiz com pingo da Canastra e leite de Piracaia) maturando naquela queijeira improvisada feita pelo Zé Marcos aqui de casa |







12 comentários:
Belo retrato!
Oi Neide! Essa é a primeira vez que paro pra comentar, mas quero que saiba que acompannho teu blogue desde o ano passado... mais precisamente desde o texto sobre algo que fizeste com ovo de tracajá! (sou muito curiosa ecresolvi ler para saber que bicho era esse) e depois do primeirotexto nunca mais parei...
Parabéns! És a única pessoa que meu marido aceita que eu leia o blogue para ele! (nem o meu o interessa...)
Adoramos o jeito como descreve tuas viagens e tuas excursões culinárias, és formidável!
Meu marido é do interior do Rio Grande do Sul, de Giruá e é um saudosista mais que assumido, vive o presente sempre contando os causos de outrora...
Que viagem bela pela Serra da Canastra!
Temos no momento cinco gatos e adorei a tua receita caseira de comida para eles, tá na minha lista de possibilidades para esse ano.
Desculpa um comentário tâo espichado mas é que hoie foi o dia que resolvi sair da passividade de leitora e admiradora para o de comentadeira!
Bjkas
Mila e Eduardo
Acompanho seu blog mas na espreita. Lindo relato! Parabéns sempre.
hehe like in my village
Aveloh, obrigada.
Mila e Eduardo, leitores assim dão ânimo pra gente continuar escrevendo. Obrigada. Poxa, cinco gatos? Que disposição! Por favor, continuem comentando. Nem sempre tenho tempo para responder, mas leio todos com carinho.
Roselaine, obrigada! Fique só na espreita, não. O espaço está aberto para colaboração dos leitores, com quem tanto aprendo.
Um abraço, n
Agradeça sempre por conhecer gente ansim...deu saudades de muitos que conheci nessa vida e que sei não voltarei a ver.
Precisamos de um virus de boagentisse pra esparramar nesses urbanoides. A vida é facil gente...é nóis que complica tudo despejando mau humor.
AAAAAAAAAAAAA que inveja de ti Neide.
Forte abraço.
A gente fica jururu quando você viaja e ficamos sem novidades, mas quando você volta, minha nossa! Vale a pena ter esperado. Formidável seu relato, fotos encantadoras.
Amei sua matéria , gostaria de saber o se o zé do pão e a Romilda vende queijo vc pode passar o telefone para mim meu mail . hednatomaz@hotmail.com obrigada
Amei sua matéria , gostaria de saber o se o zé do pão e a Romilda vende queijo vc pode passar o telefone para mim meu mail . hednatomaz@hotmail.com obrigada
oi
Passou na prova de mestrado do IPPN, será que o pessoal do IPPN sabe que você não presta?
O IPPN está uma porcaria ultimamente para aceitar você como aluno de mestrado.
Será que o IPPN sabe que você se juntou com a Gabriela Santana Andrade para me humilhar por causa de IC?
Eu estou esperando o pai policial da Gabriela Santana Andrade me matar, pelo menos morto eu não vou precisar ver gente cruel feito você se dando bem na faculdade.
Você não vai me calar, morando aonde eu moro. Você ainda fala, que vai fazer algo de ruim contra mim?
A sua amiga deve ter falado para você, que ela me viu noutro dia em frente ao semáforo, ela só te esqueceu de te falar, que aqui na minha rua tem uma boca de fumo, que em frente a minha casa funciona um ferro velho clandestino, que vende material furtado para os traficantes fazerem barricada. Você não é perigoso, perigoso é morar aonde eu moro.
Eu já descobri que a sua namorada, a Maria Miceli que está cadastrando o meu nome em sites de funerárias só para o meu telefone ficar tocando o dia inteiro.
Eu ainda me lembro o que aconteceu na disciplina de assistência farmacêutica.
O meu objetivo na disciplina assistência farmacêutica era estudar bastante, tirar nota maior que a Julia Agnes Souza da Silva, provar que eu sou mais inteligente que ela e que eu só não passei em orgânica 1 porque ela não me deu cola.
Então eu estudei bastante para essa disciplina, porque eu achei que se eu conseguisse tirar nota alta numa disciplina que eu não gostava, eu provaria que eu era mais inteligente que a Julia Agnes Souza da Silva.
Na P1 da disciplina assistência farmacêutica, a professora Isabela Ramos Silverio imprimiu prova a menos, então a professora pegou as provas de volta, foi imprimir mais prova, a sua namorada a Maria Miceli não devolveu a prova dela, enquanto a professora Isabela estava imprimindo mais provas, todo mundo da turma ficou tirando foto da prova que a Maria Miceli não devolveu para a professora, todo mundo da turma colou na prova menos eu.
A cola da Maria Miceli me impediu de provar que eu era mais inteligente que a Julia Agnes Souza da Silva e que eu só não passei em orgânica 1 porque ela não me deu cola.
O pior é que a professora Isabela Ramos Silverio ainda me obrigou a fazer trabalho em grupo com você e com a Maria Miceli, o pior é que eu não podia falar nada, porque você fazia parte do meu grupo da aula prática de farmacotécnica II, se eu me recusasse a fazer aula prática com você, a professora iria me colocar para fazer parte do grupo da Leticia de Sousa Albuquerque
Eu sei muito bem que você filmava o que eu falava na aula sem a minha autorização e mandava o vídeo para a Ana Beatriz de Lima, a Jéssica Mel Da Silva Faria, a Gabriela Santana Andrade e a Ana Luiza Vidal Pimentel Santos.
O pior é que você e a Maria Miceli fazem iniciação com bolsa e você ainda publicou esse artigo científico:
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11771759/
Eu descubro tudo, assim como eu descobri o seu Instagram:
https://www.instagram.com/fabriciopdsmaia/
Mas você também amigo da Beatriz Ribeiro de Oliveira, que é incapaz de passar em qualquer disciplina sem colar na prova, a Beatriz Ribeiro de Oliveira fica falando na faculdade para todo mundo ouvir que escondeu a cola da professora, ela falou tão mal da Lages, rodou todos os professores de química orgânica e só consegui passar em orgânica 1 graças a Lages, agora a Beatriz está falando bem da Lages, a Beatriz inclusive publicou esse artigo científico:
https://www.mdpi.com/2072-6643/17/17/2763
A Beatriz Ribeiro de Oliveira representa tudo o que há de errado na faculdade, ela é a professora que vale a pena colar na prova, ela é a prova que a coordenação da farmácia da UFRJ fecha os olhos para quem cola na prova, ela fica se fazendo de santa, mas no fundo ela não presta. Eu sinto vergonha de ser obrigado a ser da mesma turma de um ser tão desprezível como a Beatriz Ribeiro de Oliveira.
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