terça-feira, 12 de agosto de 2014

Particularidades do sul do Paraná

O sete do corte "setinho". 
Cheguei sem avisar em São José dos Pinhais, ao lado de Curitiba, no domingo. Ainda do táxi liguei pro meu pai felicitando-o pelo dia. Eram seis da manhã, mas como sei que o pai se levanta cedo não soou estranho dizer que queria ser a primeira filha a cumprimentá-lo "diretamente de São Paulo" pelo seu dia. Menos de um minuto depois eu já estava na porta tocando a campainha para surpresa geral.

Eu ainda estranho um pouco visitar meus pais numa casa urbana depois dos tantos anos que viveram no sítio, em Fartura, interior de São Paulo. Havia ali muito o que fazer, muitas distrações. Agora resta um pequeno quintal com galinha, pequena horta e muitas flores. O importante é que eles se sentem menos sozinhos com minha irmã morando ao lado. E, se faltaram distrações, sobraram algumas horas para ficar ali à toa, descansar, e isto também é bom. As horas foram gastas com atividades corriqueiras como colher chuchu, colocar chuchus brotados na calçada para pedestres pegarem,  ir ao supermercado, ao açougue ou à padaria. E com isto a gente também aprende.

Primeiro descobri que colocar coisas na calçada para que outros usufruam (aqui, vivo colocando mudas e jornal lido do dia, que acomodo todas manhãs num recipiente próprio) não é exclusividade minha na família. Quando achei que estava dando uma grande dica para eles, de colocar chuchus brotados na calçada, minha mãe disse que já faz isto quando tem excesso de produção de qualquer coisa no quintal, especialmente chuchu. Enche uma caixa e deixa na calçada que, por sua vez, está tomada de plantas comestíveis como taioba, almeirão etc.  Já mostrei o quintal e a calçada deles aqui.  Bem, algumas pessoas pegaram dois chuchus e no final chegou uma mulher e perguntou se podia levar a caixa inteira, que iria plantar numa chácara da família. Claro, levou.

Setinho no sanduíche com mostarda

E depois aprendi que o corte de carne vendido ali como "setinho" recebe este nome porque um osso da paleta cortado forma o número sete. E isto minha mãe me mostrou com a carne já na panela pronta para receber a tampa de pressão.  Ela refogou em óleo a grande posta de carne cortada em pedaços e temperada com alho socado com sal  até corar. Juntou um pouco de água quente que cobrisse e cozinhou por cerca de 20 minutos, deixando secar quase toda a água. É um corte delicioso e feito assim, cozido na panela, fica suculento e macio, bom para comer como recheio de pão. Foi isto que fiz. Fiquei pensando nos terríveis lanches de viagem nas paradas de ônibus e me animei em montar dois sanduíches com a mistura do almoço - esta carne, sem o osso, claro, e mostarda refogada.  Não vi a hora de chegar a parada do ônibus para devorar os dois a um só tempo.




Na padaria, para comprar os pãezinhos do sanduíche,  me deparei com uma vitrine com kukes e chineques. Kuke, ok, afinal bolo em alemão é kuchen, a gente sabe o que é uma cuca ou cuque.  Agora, chineques nunca tinha ouvido falar, porém hoje já sei que vem de caracol, que se chama schnecken em alemão, e também nomeia os pãezinhos recheados, cortados e assados com o caracol pra cima.


4 comentários:

aveloh disse...

Neide, já te falei disso, mas não custa lembrar: já experimentou em Curitiba o pepino azedo que os polacos fazem (não leva vinagre)? Quem nunca comeu estranha um pouco o amargor (dado pelo endro, acho). É extremamente digestivo. E o salame cracóvia?

Claudia disse...

Oi Neide!
Adorei a postagem...sou sua seguidora a muito tempo e amo tudo por aqui. adoro a natureza, comidas, novidades...e hoje me encantei com a postagem, pois moro pertinho de São José dos Pinhais, em Blumenau e tudo o que relatas-tes é conhecido aqui. Sou de origem alemã e filha de padeiros...então, tudo conhecido! Um abraço grande e parabéns por este blog maravilhoso!

Gina disse...

Neide,
O setinho não conheço, mas o chineque tenho receita há muitos anos, doação de uma amiga paranaense. Já fiz e publiquei, inclusive. Bom, né?
Em S. José dos Pinhais gostaria de conhecer uma plantação de camomila, que é linda e está mais perto de mim, já que a grande produtora está em Mandirituba, 45 km daqui.
Chegar de surpresa tem um gostinho especial!
Beijos e boa semana!

Neide Rigo disse...

Aveloh, não comi ainda os pepinos azedos.. mas fiquei com vontade. Nem o salame.

Claudia, ainda conheço muito pouco.

Gina, pena que desta vez não tive tempo para os amigos. Mas fiquei com vontade de conhecer a plantação de camomila. Vamos juntas da próxima vez?

Um abraço,n