E se é alimento vegetal, bem cultivado, é certo que trará muitos benefícios à saúde. Pode até ter mesmo muitas qualidades nutracêuticas, mas se o alimento não é gostoso, a moda não pega. Se o alimento precisa ser importado, então, terei a curiosidade de experimentá-lo mas dificilmente vou incorporá-lo à minha dieta ainda que seja o alimento mais milagroso do mundo.
O problema é que, quando o pobre do alimento é tachado como panaceia, ele mal tem chance de se apresentar como um bom ingrediente na cozinha. À primeira expectativa frustrada como salvador da pátria, em especial como emagrecedor, ele é relegado ao esquecimento e substituído pelo próximo da fila. Muita gente não quer se implicar minimamente na mudança de hábitos de alimentação mas acredita em todos os modismos como quem espera por um messias.
O preço começa nas alturas e vai baixando conforme aumentam as ofertas e diminui a procura. Já aconteceu com tantos outros - falei do hibisco aqui. Tanto que outro dia vi no mercado uma farinha de nome "Seca Barriga". Tudo o que caiu de moda e deve ter encalhado estava ali: feijão branco, farinha de maracujá, hibisco, linhaça, açaí, quinoa etc. Devia ter uns 20 ingredientes a tal farinha. E sempre tem um que cai nessa.
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| Ainda caro no supermercado: 210 reais o quilo |
Logo que surgiu por aqui, comprei um pouquinho para experimentar. Adorei de cara. Não pelo sabor, que lembra um pouco algas, mas pela crocância e pela mucilagem que se forma em volta das sementes quando hidratadas.
Comi um pouco e joguei um pouco pro santo - pra terra, digo. Espalhei pelo quintal da casa aqui e também no sítio em Piracaia. Passou um tempo, nem me lembrava mais, afinal jogo tantas sementes pro santo, e comecei a notar aqui e ali umas flores roxinhas em espigas quase como lavandas. Não liguei uma coisa com outra e fui deixando. Quando as flores secaram no pé, colhi alguns ramos e chacoalhei pra ver que tipo de semente caía. Levei um susto. Eram chias. Pronto, acredito em tudo o que disserem sobre ela. Não no milagre, mas na bondade genuína da semente. Agora posso usar à vontade. Nem que ela não fosse esta potência toda, mas só pelo fato de eu ter semeado e colhido já estava valendo. Agora tenho dela já florindo em pleno inverno na horta comunitária da minha rua.
A planta Salvia hispanica é anual, de verão, e originária das áreas montanhosas que se estende do oeste central do México até o norte da Guatemala. Além de ter uso culinário como alimento básico das civilizações pré-colombianas, era também usada como oferenda pagã aos deuses aztecas. Foi este um dos motivos para que os espanhóis tentassem eliminar a cultura e substituir por grãos do velho mundo.
Pesquisas atuais revelam que a chia tem boa quantidade de proteínas de alto valor biológico, com aminoácidos essenciais (carente, no entanto, em lisina) e é importante fonte de ácidos graxos poliinsaturados ômega-3. Isto, e mais o fato de conter fibras, mucilagens e antioxidantes, pode contribuir para seu efeito hipoglicemiante quando inserido na dieta. E quando misturada a algum líquido forma um gel gostoso de comer que dá alguma saciedade.
No México, a chia é usada em águas frescas - acrescente uma colher de sopa dentro do copo da limonada e espere hidratar por 10 minutos. As sementes podem ser consumidas cruas, apenas hidratadas, ou na forma triturada e aí pode entrar no preparo de tortillas, pães, biscoitos etc.
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| Água fresca de chia com limão rosa |
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| Como sagu, feito com hibisco: viciante |
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| Kefir de leite com chia, banana, melado, fúba e chia tostada |
Como eu uso: para colocar na limonada ou água fresca (do mesmo jeito que se colocam as sementes de manjericão) e para fazer um falso sagu de hibisco (apenas coloque umas 2 colheres de sopa de sementes num copo de refresco de hibisco e espere hidratar). É uma opção também aos mingaus de leite ou para espessar o kefir.
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| Chia absorveu a água do jiló |
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| Recheio cremoso, sem caldo |
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| Batata doce cozida na calda de hibisco com crocante de chia |
E os grãos podem ser cozidos junto com arroz. Esta mistura já deixei pronta com os grãos secos: arroz, quinoa, ervilha, feijão fradinho, trigo, amaranto e chia











