segunda-feira, 27 de maio de 2013

Feijão guandu verde

Como previ na postagem anterior, quase todos que comentaram acertaram. Menos a Gabriele, que errou feio, errou rude. Nem precisa mais aparecer, tá? 

Sim, é feijão guandu verde. Ou andu, tanto faz. Agora tenho aos montes no sítio e tenho que ficar inventando moda. O Cajan cajan tem origem indiana e foi trazido pra cá pelos mercadores de escravo. É um verdadeiro arado vegetal e adubo verde sem igual porque além de fixar nitrogênio no solo fornece bastante massa verde.  Sem contar que suas sementes podem alimentar gentes e animais.  E quer mais? As flores são lindas e perfumadas.  Germinam e vingam com facilidade, crescem com rapidez, suportam a seca, refrescam o caminho, embelezam. Por tudo isto, plantei vários pés na trilha do sítio que leva à casa. 

O jeito de preparar os grãos secos está aqui.  É fácil encontrar em casas que vendam produtos do norte e nordeste. No Mercado da Lapa quase sempre tem e custa em geral o mesmo que o feijão, mas há uns três meses vi por 12 reais o quilo por causa da forte estiagem que castiga o nordeste (e olhe que a planta é resistente, mas não há guandu que resista a tanta secura). A marca Retrato do Gosto também está lançando o feijão. O bom é que este feijão é rústico, não precisa de agrotóxicos, então o que encontramos por aí geralmente é um bom feijão crioulo (só veja se não está muito carunchado). Da última vez que comprei (este de 12 o quilo - comprei pra plantar), metade era de grão carunchado, mas como ninguém mais tinha, comprei e escolhi. 

Agora, estes do sítio, pra comer verde,  não têm erro. É colher as vagens já bojudas e debulhar. As vagens são  um pouco grudentas, mas vale a pena, pois são gostosas, com um quê de ervilha e outro de carne de porco. 

Como disse a leitora Kristina e eu citei no post que fiz do guandu, em Porto Rico, o feijão verde, chamado de gandule,  é comum e há até dele enlatado como ervilhas. Kristina menciona o arroz com gandules (uma receita pode ser vista aqui), e há tantas outras a provar (com o nome gandules, procure no google imagens e veja quanta maravilha se faz com ele).  Na índia, pode ser encontrado o grão seco pelado  - split pigeon pea e várias receitas com ele. Aqui perto de São Paulo, em Piedade, o feijão guandu com carne de porco já foi mais comum e agora vem sendo redescoberto - veja aí na foto.  

Bem, tanto faz a vagem ser lisa ou camuflada e decorativa, que o feijão verde é sempre verde. Já depois de secos os grãos serão lisos ou rajados. Ambos muito gostosos. 

Aqui em casa os grãos têm ido pra panela cozidos juntos com o arroz - desde o início do cozimento do cereal. Ou cozido em água salgada fervente por 10 minutos - para ser acrescentado à salada ou a algum prato já pronto. No lobozó de todo dia, ele pode entrar junto com outros vegetais ou já cozido, no final. 

Há muitos pratos ainda a provar - na sopa será a próxima opção. Alguém se habilita a se sentar na varanda com uma cesta na mão e passar horas debulhando aquelas vagenzinhas grudentas? 

O ciclo:

Feijão guandu seco - do rajado
Feijão guandu germinado - do liso, como estes grãos menores
A planta jovem
A planta adulta - bom para arborizar rapidamente caminhos e adubar a terra


As lindas flores são vermelhas e amarelas na variedade rajada ou só amarela
na variedade lisa  - as vagens jovens e plantas são também comestíveis
Debulhando
Grãos verdes como ervilhas 
E nhac no arroz com carne seca
E nhac no  lobozó de abóbora

11 comentários:

aguiar disse...

Ah! que pena,bem que sabia que se tratava de guandu... nossa este grão sempre fez parte da minha vida, pois meu pai sempre plantava.Muitas vezes juntavamos todos para debulhar o guandu.E depois era só esperar mamãe preparar e nhac!Ela fazia com ovos, tomate e bastante cheiro verde.Outras vezes ela fazia farofa...hum delícia!
Um abraço
Neyd

Leticia Cinto disse...

Legal, acertei uma! Eu comia guandu como se fosse ervilha verde, já que esta era muito difícil de encontrar fresca e sempre muito cara. Se precisar de ajuda para debulhar as vagens, estamos aí! :D Bjs

Marisa Ono disse...

Os daqui de casa ainda estão pequenos demais para debulhar, parece que o clima daqui atrasou um pouco em relação daí. Mas em breve terei arroz com feijão guandu verde - coisa que minha mãe dizia ter comido muito na infância.

João Inácio disse...

Nunca tinha visto nem a planta, nem os feijões e nunca vi para vender, nem na feira ecológica de POA. Parece gostoso.

Márcia Carvalho de Souza disse...

Quando eu era pequena, em Goiânia, no quintal tínhamos! Eram uns pés enormes (ou eu que era pequena, sei lá), mas me lembrei desse tempo!

alexandre e alana disse...

Estou utilizando o guandu para adubação verde em alguns sítios em porto alegre. Podem adquirir sementes na bionatur, que faz vendas pela internet.
nunca comi o guandu, mas deu vontade de provar.
abraço

João Inácio disse...

Pois é, não foi à toa que nunca vi o guandu para vender, nem na feira ecológica de Porto Alegre: pesquisando na internet, descobri que em SC e no RS, ele é utilizado apenas como forrageira e mesmo assim, numa escala muito restrita. São os dois únicos estados brasileiros sem cultivo comercial. Bem, pelos inúmeros benefícios da leguminosa, bem que está na hora de isto mudar!

Heguiberto disse...

Neide,

Tudo bem por aí?
Nunca tinha ouvido falar desse feijão até depois que mudei do Brasil. Acho uma delicia. Você já experimentou fazer a sopa indiana Rasam? É típica da região de Goa e leva esse feijão (pegeon pea). Existem muitas variações. Tenho uma no weirdcombinations que não canso de repetir e é sempre sucesso em casa.
Saborosa e ardidinha.
xoxo
Heg

Heguiberto disse...

Neide,

Tudo bem por aí?
Nunca tinha ouvido falar desse feijão até depois que mudei do Brasil. Acho uma delicia. Você já experimentou fazer a sopa indiana Rasam? É típica da região de Goa e leva esse feijão (pegeon pea). Existem muitas variações. Tenho uma no weirdcombinations que não canso de repetir e é sempre sucesso em casa.
Saborosa e ardidinha.
xoxo
Heg

Leonor disse...

Olá Neide, acompanho seu blog há alguns anos, apesar de nunca comentar. Desta vez fiquei super tentada a plantar uns feijões, então aqui vai uma pergunta de leiga total no assunto: quantas vezes um mesmo pé de feijão produz vagens? Após a primeira colheita será preciso replantar para obter novos grãos ou continuará produzindo? Obrigada e Abraço.

alexandre e alana disse...

O ijão Guandu é perene, isto é, produzirá novas vagens todo o ano. não é preciso replantar.ok