sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Jambo vermelho faz compota

Compota de Jambo 

Este doce, dona Jerônima Barbosa Brito (da Fazenda São Jerônimo, em Soure, Marajó) fez assim: lavou bem 2 kg de jambo vermelho, tirou as pontinhas e deixou mergulhados numa tigela com água e umas colheres de suco de limão até terminar de preparar todos. Fez, então, uma calda com 1 xícara de açúcar e meio litro de água. Assim que ferveu, juntou o jambo. Cozinhou até a calda ficar grossa como mel (em fogo bem baixinho, demorou mais ou menos 3 horas). Às vezes coloca folhas de cravo e de canela, mas não precisa. Como não é muito açucarado, mantém sempre na geladeira. Com queijo marajoara, um requeijão feito de leite de búfala, fica divino.

Primeira safra. Marcos apreciando e se despedindo, em Fartura - SP

Flores de jambo, em Fartura
Chão tingido pelas flores de jambeiro em Manaus - AM

Os jambos de Fartura, que não comi
O único fruto de Fartura 

Da família das pitangas, grumixamas, gabirobas e uvaias, a das Mirtáceas, o jambo é nativo do leste da Índia e Malásia e é hoje é cultivado em muitas partes do mundo, incluindo o Brasil. Nunca vi tanto jambo como em Acrelândia, no Acre. No Marajó também tem bastante, porém, desta vez cheguei tarde. Aliás, meus encontros com o jambo são feitos de desencontros. Ou estou eu, ou está ele. Às vezes, só um anúncio ou um sinal de passagem.  Em Acrelândia, a safra ainda não tinha começado. Só encontrei um pé precoce, embora quase todo quintal por lá tenha um jambeiro. Ao Marajó, cheguei quando a safra já tinha acabado. E, em Fartura, plantamos uma muda e acompanhamos ano a ano ansiosos pelas flores que tingem o chão. Em maio, a terra ao redor ficou rosa e os primeiros frutinhos despontavam - conseguimos colher um maduro. Quando isto aconteceu, vendemos o sítio e bye bye jambos. Mas, tudo bem, vão-se os frutos frescos, ficam os doces.

Como o marajoara tem frutas diferentes para todos os meses do ano, não há o costume, portanto, de fazer compotas e geleias, prática europeia para garantir provisão no inverno. Mas Dona Jerônima, embora seja uma marajoara autêntica, viveu muito tempo no Rio de Janeiro e em Santos - SP e não desperdiça nada. Tem o freezer sempre cheio de polpas, compotas, geleias e doces em pasta. E deixa no freezer, que é mais garantido, já que não gosta de abusar do açúcar.


Os de cima e os da bacia, são de Acrelândia - AC




Mais sobre a planta: no Brasil são três as espécies mais conhecidas de jambo. O jambeiro vermelho ou jambeiro encarnado (Eugenia malaccensis Linn.) é o mais cultivado para fins comerciais.  O jambeiro branco (Eugenia aquea ou Jambosa aquea) tem frutos pequenos, brancos e quase insípidos. O jambeiro amarelo ou rosado (Eugenia  jambosa Linn. ou Jambosa vulgaris, DC)  tem frutos amarelos matizados de rosa com polpa pouco suculenta, perfumada e algo ácida.  Eu gosto de todos, pela textura, um pouco de pera, outro tanto de maçã, mas especialmente pelo perfume floral que lembra rosas  (para alguns, sabonete).

O jambeiro vermelho, o que encontrei em Acrelândia e em Soure,  é uma árvore grande que pode chegar a 15 metros de altura. Tem copa de formato cônico-alongado e farta ramificação, com folhagem densa e verde lustrosa.  As flores de cor rosa-púrpura são pouco visíveis já que ficam reunidas no interior da copa, porém o chão embaixo de um jambeiro em flor vira um tapete bonito de se apreciar,  tal é o colorido vivo dado pelos estames e pétalas caídos.  O fruto é do tipo drupa de formato ovalado ou arredondado com pele fina e macia, cor-de-rosa forte ou vermelho escuro. Dos três tipos é o mais apreciado por ser carnoso, provido de polpa branca, suculenta e crocante. Pode ter ou não semente. 


13 comentários:

Natália disse...

Quando tenho saudades de jambo, tomo limonada com rosas em restaurante indiano. Lembra muito!

Rita de Cassia disse...

Aaaaaaaaamo jambo. Tem dois pés no quintal. Mas a produção não é lá essas coisas. Aprecio tanto a fruta que, no máximo dá pra fazer um suquinho, porque como todos, todos, todos.
bj bj bj

Rita de Cássia Santos disse...

Neide,
Quando eu era criança comi uma única vez gelatina de Jambo! Lembro-me perfeitamente porque foi a primeira vez que comi gelatina e me apaixonei perdidamente. Apesar da paixão ter continuado mesmo pelas artificiais (argh, eu sei que não devia...), nunca consegui reproduzir a de Jambo. Você tem alguma ideia de como fazê-la? Já experimentei fazer o suco e acrescentar gelatina incolor, mas não ficou boa...
beijo,
Rita

Neide Rigo disse...

Rita, nunca vi gelatina feita com jambo. Mas vou ficar de olho. Deve ter uma aproveitamento maior da pele vermelha. Um abraço, N

Anônimo disse...

É mais bonito de se ver do que se ter. Em minha casa temos um pé de jambo monstruoso. Dá frutos até duas vezes por ano, muitos ,muitos frutos que amadurecem e caem as centenas dentro de uma semana. É um suplicio porque chama muito bicho devido ao perfume. O pior é que não apreciamos. Casa de diabéticos, compotas proibidas. Depois dos frutos é a vez das folhas que caem de uma tacada só, de comum acordo e que tambem tem de ser recolhidas. O fruto é tão frágil que nem doação conseguimos fazer. Enfim é lindo, mas é uma trabalheira descomunal. Aqueles que pensam em ter em casa, reflitam bem.

Rita de Cássia Santos disse...

Você deve ter razão, Neide! Ela era bem vermelha e a minha bem pálida....
Beijo

Anônimo disse...

Interessante oquê você escreveu... Minha família tinha um pé de jambo na casa de praia em Itaparica. Ele só começou a produzir quando vendemos a casa.
Minha mãe sempre falou que o Jambo, quem planta não vê produzir. Por isso não plantou Jambo no sítio atual... Pode ser surperstição, mas vai saber

luciana disse...

Oi Neide,
Era sua vizinha da Lapa, morei durante anos na curupaiti e depois na brentano, mas me mudei para Natal não faz um mês. Estou morando em uma casa com um pe de jambo enorme e carregado! É muito fruto caído, e folha para todos os lados. Tenho 3 cachorros que estão adorando, alem dos dois ninhos de morcego no pé. Parece que eles amam o fruto. Hoje recolhi uma baciada para fazer compota e tb vou experimentar a gelatina. Depois conto como ficou. Adoro seu blog, é uma referencia para mim e esta me ajudando muito a encarar as descobertas de novos hábitos alimentares no começo da minha vida.
potiguar.
Bj
Luciana

Neide Rigo disse...

Luciana, pena que não nos conhecemos aqui. Mas fico muito feliz de saber o que me conta. Boa sorte na gelatina, depois me conte. Um beijo, N

Ana Carvalho disse...

Minha linda. Amei conhecer seu cantinho. Jambo faz parte de minha infância, o cheiro, o sabor, tudo nele é muito bom pra mim, pra minhas lembranças. Vim procurar uma receita e achei você. Obrigada por compartilhar coisas tão lindas. Nasci em Belém, minha casa tinha um jambeiro na porta, mas moro aqui em Unaí-MG a mais de 19 anos. Faço artesanatos em MDF e cabaças, espero uma visitinha sua no meu blog. Artes da Aninha Unaí, beijosss

Neide Rigo disse...

Obrigada, Ana! Que delícia ter um pé de jambo, não? Eu também tinha, não tenho mais.
Vou visitar seu blog. Um abraço, N

Paulandre disse...

Faço doce de jambo, mas resolvi fazer uma espécie de chutney. Coloquei vinagre, cebola de cabeça, sal, alho, açucar e deixei ferver. Fica ótimo.

Foi bom pra você? disse...

Nossa esse jambo vermelho (que eu conhecia por jambo roxo) é a fruta mais gostosa que ja comi na vida!
Ainda mais quando esta bem roxinho!
Conheci essa fruta na casa dos meus vizinhos descentes japoneses.
E eles diziam que a pessoa que plantava essa arvore morria.
Todos vão morrer um dia, claro! Mas eles insistiam que essa planta dava um tipo de "azar".
Não sou muito supersticiosa, mas nunca me deixaram planta-la.

gostaria de saber como eu planto! Existe sementes para vender?
Desde ja obrigada Jessica Mello
jemellocel@gmail.com