quinta-feira, 7 de julho de 2011

Tapioca molhada na folha de bananeira. Quinta sem trigo 27


Este tipo de tapioca, molhada no leite de coco, sempre me impressionou. Em Castro Alves, na Bahia, foi meu primeiro contato. Estava dentro de uma panela de alumínio carregada pelo vendedor num carrinho. Não tinha folha de bananeira, mas certamente um dia teve. Lembro-me delas amontoadinhas e, se não me engano, foi embalada em plástico quando comprei. Ou num saquinho de papel, já não me lembro, faz tempo. No entanto, o sabor ainda é vivo na memória, sabendo a coco fresco com uma textura mais macia que elástica.

Em Soure, na Ilha do Marajó, come-se desta tapioca, bem branquinha, nas barracas junto ao mercado. Lá, um retângulo de folha de bananeira cortado displicentemente vem embalando a tapioca que chega se desfazendo, para se comer de colher, deliciosa. Minha amiga Adriana Lucena, disse que em Natal também tem. Pode ser mais grossa, mais fina, mas a folha é indispensável e o leite de coco, sempre fresco, com pouco açúcar.

Hoje decidi fazer a mesma variando um pouco. Diminuí o tamanho, juntei coco fresco ralado com um pouco de açúcar e erva doce como recheio, cortei a folha em círculo e, para que não ficasse desbeiçada fixei com um espeto de bambu. Sou suspeita para falar porque me derreto por uma tapioca molhada. Mas você não precisa fazer nada disso, nem recheio nem frescuras, pode fazer do seu jeito desde que molhe bem a tapioca com o leite de coco fresco e use uma folha com invólucro. A vantagem é que é uma tapioca que pode ser comida fria, no outro dia, a qualquer hora, diferente da tapioca seca, que fica muito melhor quando está quente.

O jeito de fazer tapioca já mostrei aqui e acolá (com filminho). Nos dois posts mostro como hidratar o polvilho doce (goma seca) e fazer na hora (500 g de polvilho para 250 a 300 ml de água), mas exige muito mais prática para chegar ao ponto certo.



Para fazer tapiocas pequenas,  use um aro ou uma frigideira menor
Ultimamente ando preferindo o método de hidratar o polvilho com bastante água até encharcar totalmente (coloque quanta água quiser desde que cubra e sobre ainda uns dois dedos de água. É muito mais fácil, não tem erro. Deixe em repouso por cerca de 2 horas ou até de  um dia para outro. Despeje fora a água da superfície que o amido ficará sedimentado no fundo. Agora coloque um pano bem limpo e seco por cima e deixe assim por mais uma hora, para que toda a umidade excessiva seja absorvida pelo pano. Quando o torrão estiver bem duro e seco na superfície, pode desmanchar e passar por peneira. Tempere com um pouco de sal e esta farinha úmida está pronta para ser usada. Enquanto trabalha, deixe o recipiente sempre coberto com um pano úmido para não ressecar (se não tiver umidade suficiente, os granulos não se juntam e se transformam numa farinha solta na frigideira).

As folhas de bananeira você pode colher no vizinho - no meu caso, na Veronika -  ou  numa praça perto de você. A que tenho perto de mim e que me abastece não posso dizer onde é, mas agora arrumamos um fornecedor destas folhas, cortadas ao gosto do freguês. É o Enio - tel. (11) 7288-6769.




As folhas foram cortadas usando como molde o mesmo aro.  Dobre-as ao
meio enquanto estão quentes. Facilita o trabalho depois.


Bem, mas se você vai tratar as próprias folhas, lembre-se de lavar bem, secar e passar pela chama do fogão só para amolecer. Ela vai mudando de cor, ganhando mais brilho, à medida que é aquecida sobre o fogo. Só não pode se empolgar e desidratar as folhas, que elas ficam quebradiças.

Depois que as tapiocas estão prontas, é só  passa-las rapidamente pelo leite
de coco, colocar o recheio e apoiar nas folhas

As folhas ainda quentes foram dobradas para facilitar o trabalho depois. Antes de fazer as tapiocas, juntei  um pouco de sal no polvilho. Quando estavam todas prontas, fiz o leite de coco, adocei minimamente (para uma xícara de leite, 1 colher de sopa de açúcar) e fiz um recheio rápido misturando coco ralado fresco com açúcar e erva-doce. Levei ao fogo só para derreter o açúcar, que também era pouco -  a mesma proporção usada no leite.


Com folha de sete-copas cortada em círculo - também passada no fogo para
amolecer



Se você não tiver folhas de bananeira, use qualquer outra folha própria para alimentos como caeté ou folhas de sete-copas.
                                  

21 comentários:

Anônimo disse...

Fantástico, Neide!

Já comi muita tapioca na minha vida, mas essa combinação de coco com erva doce é perfeita! NHAC!
A folha redonda também caiu como uma luva, literalmente.

Enio Rodrigues
enio.mkt@uol.com.br

YES we Cooking disse...

Que coisa mais linda! Olha, vou a Recife desde criança, sou fã de tapioca, mas nunca tinha visto dessa maneira! Adorei!!! Beijos, Cecilia

Ive Luciana disse...

Ahhh, a tapioca molhada fez parte da minha infância. Um sabor inesquecível para mim, bem úmida, vendida por vendedores ambulantes que passavam de rua em rua no meu bairro e como não podia deixar de ser, envolvida na folha de bananeira. Sou de Natal mas não moro mais lá há 9 anos e há tempos não como uma tapioca molhada. A tapioca eu sei fazer (e não vivo sem ela), mas vou tentar fazer a molhada em breve pois este post encheu s boda de água. :)

Mariangela disse...

traz uma destas para mim?

Andréa Potsch disse...

Que lindas Neide! Acho que comidas feitas em folhas de bananeira são super charmosas...
bjs

eme_amaral disse...

Neide, moro em Belém do Pará e estou acostumada a comer tapioquinha de coco. Mas uma tão bem arrumada e caprichada assim como a sua eu nunca vi não. Meus parabéns! Tô aqui com água na boca. Ah uma dessas com uma xícara de café... Acho que vou lá no Ver-o-Peso comprar goma pra fazer umas. :)

Roberto Falcão disse...

Ah, que saudades da minha infância em Belém, quando se comia tapioca na rua e o vendedor passava com o tabuleiro na cabeça e todas as tapiocas estavam na folha de bananeira. Hoje, mato a saudade comendo a tapioca feita pelo Luciano na boca da Broduei, aqui em Arraiald'Ajuda... Gostei muito!

EduLuz disse...

Pelo visto os invólucros estão a mil por hora, né não?
Bjs

Gilda disse...

Taí! Da proxima vez que eu for levar alguma coisa para a vizinha provar, vou arranjar um modo de embrulhar em folha. Aqueles pratinhos lindos de folha de palmeira que você ensinou, eu aprendi, e já uso. Nunca vi embrulhos feitos com tanto capricho como estes aqui, parecendo de festa.

Flor de Sal disse...

Nossa muito legal!!! Super criativo, bonito e deve ter ficado uma delícia! Parabéns!

Claudia disse...

Neide, que maravilha... uma coisa de louco.

Sem palavras para descrever essa tapioca linda que você exibe na postagem. Maravilha mesmo.

Bj,

Claudia

Anônimo disse...

Adooooreiii Neide!!

Sempre comi esta tapioca em minha terra e tinha curiosidade de como se preparava. Amei, mas fiquei com uma dúvida; só depois que passo o polvilho no fogo, dou o formato de disco e tiro é que posso molhar com leite de coco né. Meu email é deaqs@hotmail.com

Obrigada

Andréa Queiroz

Anônimo disse...

Liana Raquel...
Essa era a tapioca dos meus sonhos,ainda menina,comia dessa tapioca que era feita por uma amiga de minha mãe,nunca encontrei quem soubesse fazê-la,além dela.Mas hoje,vasculhando na internet a procura dessa receita,esbarrei em você,e que achado!Me apaixonei pelo seu blog.Estou planejando vender tapiocas,como as minhas ficam sempre secas com essas massas já prontas eu ficava me lembrando destas molhadinhas,e você caiu como uma luva,muuuuuuuito obrigada por você existir.Vistas assim na folha,bem enfeitadinhas,ficam bem atraentes,as idéias estão fervilhando na cabeça.Agora mãos a obra,pra aprender a ser uma tapioqueira de verdade.Um forte abraço e parabéns.

Neide Rigo disse...

Liana, que bom saber. Desejo muita sorte na empreitada. Um abraço, N

daniel disse...

Essa comida é tipica de aracaju.
Chama-se Beiju molhado :)

** Wand's ** disse...

Nooossa!!! Amo essa tapioca!! Como em Manaus é comum encontrar à venda nos terminais de ônibus, eu a apelidei de "tapioca de terminal". Molhadinha e com coco ralado fresco jogado por cima. Delícia! Aqui tem também a versão com o leite de castanha do Brasil (mais conhecida pelo nome antigo de castanha do Pará) e com a mesma ralada por cima também. Persigo essa tapioca em todos os lugares, fui a tapiocarias em várias cidades do Nordeste mas não conseguir encontrar. E eu que nunca aprendi a fazê-la, somente da forma "seca", agora vou me arriscar!! Obrigada!

gilma ranieri disse...

Estive recentemente em Belém do Pará, pois sou natural de lá, e moro no Recife. Gente, vocês não imaginam o que passou pela minha cabeça quando me deliciava com uma delas, lembranças de um tempo que não volta mais, de domingos em que o tapioqueiro, trazia na cabeça uma caixa cheinha delas e minha mãe comprava para nosso café da manhã. Bem molhadinha, uma delicia. Hummmm!!!!! E a dita cuja, foi feita especialmente para mim e minha filha por um amigo da familia que cozinha pra lá bem.Maravilha.

Unknown disse...

Então um dia vc tem conhecer Belém, vc vai comer a melhor tapioquinha da sua vida. eltoncosta33@gmail.com

Elton Costa disse...

Então um dia vc tem conhecer Belém, vc vai comer a melhor tapioquinha da sua vida. eltoncosta33@gmail.com

JONATAS disse...

isso é beju, nao é tapioca. mas ficou bom.

Neide Rigo disse...

Jonatas!
Tapioca é um beiju. Beiju de tapioca. Quando é feito com a goma pode ser chamado de beiju de tapioca ou simplesmente de tapioca, seja seca ou molhada. Mas, claro, cada local tem seu jeito próprio de nomeá-las e não existe certo e errado quando se trata de termos locais. Um abraço,n