sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Pequi é um perigo. Festa Gastronômica Nossa Pitada em Goiânia

Na feira
Na Festa Nossa Pitada
Na estrada: pequi e jabuticaba
Durante o festival de gastronomia em Goiânia (Nossa Pitada), os bastidores faziam parte da atração. Ir à feira, comer no Panela Mágica, se encantar no Restaurante Popular (Neka que o diga) etc. Tudo isto,  junto com as aulas que pudemos acompanhar, é assunto para um livro. 

Demos muita sorte de estarmos em Goiânia numa época de muito caju, jabuticaba, cúrcuma,  cajuzinho do Cerrado e a alegria do goiano: pequi. Eles estavam nas aulas, nas ruas, nas feiras e restaurantes. Por toda parte.  


Na feira

Neka compra um tanto e aproveita para esfregar na pele, na boca. - Deve
ser bom pra deixar a pele bonita, não? O vendedor achou estranhíssimo
Quem nunca provou pequi (Caryocar brasiliense) saiba que há no caroço apenas uma pequena espessura de polpa comestível. No cerne há uma castanha, mas entre uma coisa e outra há um campo minado. É fruta que não se morde, que não se chupa. É fruta de roer com cuidado, segurando com as mãos e nunca com o garfo - a não ser que já chegue em lascas (como é vendido aqui em São Paulo, geralmente em conserva). Quando o dente sente que a polpa já não está macia deve-se parar ou terá um desagradável encontro com o que há de mais fino e atrevido em matéria de espinhos minados, já que abaixo da fina barreira mais firme eles são soltos e ávidos por uma língua macia.  Tudo bem, goiano sabe, mineiro sabe e toda tribo do Xingu.  Mas e os estrangeiros desavisados? 


No restaurante Popular
Bem, num dos dias em Goiânia voltamos ao restaurante Popular, onde havia pequi de panelada. Nunca tinha visto pequi assim, refogado e cozido com sal, purinho,  sem frango ou arroz, uma delícia, pra comer como batata, guardadas as particularidades.  

Comemos muito, rimos, bebemos e nos descuidamos de orientar Alex, o sobrinho italiano do Don Fabrízio, chef de Arraial d´Ajuda - BA, sobre as particularidades do pequi.  E logo estava o moço do lado de fora do restaurante em posição constrangedora com a língua de fora e duas mulheres com pinças em cima dele. Todo mundo achou graça e confesso que eu também. Fui a primeira a chegar à cena com a câmara para fotografar. Antes, perguntei se ele permitia. Se estivesse bravo ou constrangido, não fotografaria, mas ele estava encarando aquilo com certo humor. Depois de mim, outros fotografaram e o moço virou sensação e motivo de chacota.  A própria Dona Lourdes, muito preocupada, retirou quase todos os espinhos.  Um ou outro sempre resta mas o organismo dá um jeito de eliminar ou, quem sabe,  absorver para sempre. 


Alex com a língua semeada de espinhos. Que situação... 
Situação mais ou menos resolvida, dona Lourdes super sem-graça, Don Fabrizio se culpando por ter descuidado do sobrinho que não falava português e eu continuando a roer um e mais outro, dos pequenos, de polpa finíssima. Comendo e comentando com a chef Rose De Lena sobre o perigo dos espinhos, me gabando de saber comer pequi, que nunca me deparei com espinhos e blabla e,  tibum, cheguei à zona proibida. Tarde demais. Senti pontadas na língua como se tivesse mordido uma almofada de agulhas, com as agulhas presentes e descoladas agora para a almofada de músculo. É um incômodo tremendo. Sorte que foram só uns dois ou três espinhos teleguiados. Quem estava por perto tentou me convencer a ir lá fora na fila da pinça da dona Lourdes. Mas, não, não, deixa pra lá, não foi nada, amanhã passa.  Vi no espelho e os espinhos não estavam aparentes. Parece que entraram, se esconderam sob a mucosa só pra me azucrinar. Mas eu os sentia. De qualquer forma, é basta dar tempo ao tempo, pois eu, ali, na vista de todos e de câmeras fotográficas em punho, com a língua de fora, nananinanão, nem pensar.  Quatro dias depois não havia mais sinal deles.  


Rose De Lena mostra como roer pequi



11 comentários:

Anônimo disse...

quase morro de rir da linguá com espinhos ninguém avisou que maldade. Neide tu anda muito pela minha terra cajuzinho do cerrado em compota que delicia.(Diulza)

Guilherme Ranieri disse...

Neide, aqui em casa, das poucas vezes que conseguimos uma colheita farta de pequi pra fazer com arroz e frango, ninguém se atreveu a roê-los. Todos caipiras da cidade, com certo medo e nenhuma experiência com eles. Foi cozinhar o arroz, gaspar apelinha com um garfo e jogar fora as bolotinhas. Uma pena. Mas o sabor é maravilhoso.

Me lembra um vez que fui num bar aí em São Paulo, no centro, e tinha ligar de pequi no cardápio. Pensei, oba! Qual a surpresa? Tentaram fazer um licor de pequi genérico que.... não levava pequi. Era uma mistura de suco de maracujá, pinga e leite condensado! Tão cara-de-pau que via-se as sementinhas trituradas mal peneiradas no fundo da garrafa! Mas pequi que é bom, não tinha!

beijos!

(aliás, sabe como se faz muda de pequi? nunca consegui fazer uma muda com as sementes, quando as encontro caídas no chão, que o fruto rachou em dia quente. Já tentei de tantos modos.... tem algum segredo?)

Dricka disse...

Neide sou doida por pequi, mas como odeio me machucar e sou medrosa por natureza, vocação e opção sempre perco um pouco da polpa para evitar os famigerados espinhos. Agora ri muito, mas fiquei com dó moço italiano, imagine só um gringo sentindo o sabor delicioso do nosso pequi, pensando que poderia aproveita-lo tal qual uma manga e no final a decepção.rsrsrsrs.
Agora as amendoas de dentro já comi, são deliciosas, D. Tereza uma cearense que já correu o Brasil todo e morou conosco uma epoca era mestre em tira-las, nem lembro como, mas acho que envolvia facas e martelos e nenhum dedo espetado. Misterios!!!

Anônimo disse...

Hum...que delícia.Sou de Belém e moro em Brasília a mais de 10 anos.Aqui em casa consumimos bastante pequi na época de colheita do fruto.Refogado com açafrão, no frango ou no arroz é muito bom.Aqui no cerrado temos também o liquor de pequi,sorvetes e picolés.

Abraços,

lidiane.gomide@gmail.com

Naomi disse...

Neide, está tendo pequi em SP? Quero um sacão de 50 kg kkk. :)

bicho disse...

oi Neide ! hoje descobri que meu vizinho tem um pé de pequi no quintal . Ganhei alguns e estou com a cozinha toda perfumada . A família não curtiu muito o aroma . Corri aqui pra ver o que fazer com eles.
Você sempre me aponta soluções .Grande abraço.

Andréia Marques disse...

Amo meu Goiás!Aqui tem bastante pequi na época de Agosto à Novembro.É uma delíiicia.😍😍

Unknown disse...

Nossa Neide!E não precisa ir ao médico remover os espinhos não? Meu marido comeu hoje e tem um na garganta...Ele está preocupado... será que o organismo absorve mesmo?

Unknown disse...

Nossa Neide!E não precisa ir ao médico remover os espinhos não? Meu marido comeu hoje e tem um na garganta...Ele está preocupado... será que o organismo absorve mesmo?

Anônimo disse...

Oi sabe aquela massinha meio alaranjada que fica grudada na casca do pequi onde a semente do pequi fica colada? Quero saber se tem utilidade ,ou se pode ser consumida?

Anônimo disse...

Lembrei de um cidadão q veio do lagoaçu Bolívia. Ele comprou 12 pequi e foi comer no arroz. De repente bateram na porta: ele foi atender e não era ninguém.
Voltou pra cama e continuou assistir o globo rural.
Logo em seguida bateram na porta novamente; dessa vez ele não foi atender. Continuou a bater c força. Ele pegou uma arma e foi pelos fundos.
Não viu ninguém.
Voltou pra rede. Deitou e dormiu.
Os 12 pequi no fogo com arroz no fogo baixo.
Depois de uns 30 minutos ele levanta da rede e resolve ir na rua comprar uma carne de sol... pegou seu Passat e foi...
Qd voltou foi direito para a cozinha. Chegando lá com muita fome foi no fogão. Cadê o arroz e o pequi? Não estava mais no lugar.
Esse homem ficou verde de raiva. Pegou sua arma e foi ao redor da casa, procurou por toda parte, de repente ele sentiu o cheiro do pequi. Correu pra cosinha fechou a porta e ficou sem saber o que fazer.
Resolveu assar uma carne de sol pra comer com farinha.
Ficou o tempo todo na cosinha. Já estava c muita fome.
De repente ele lembrou da filha q tinha q ir buscar na escola Charles The. Abaixou o fogo do fogão e foi...
Qd voltou já com muita fome com sua filhinha de 17 anos, resolveu almoçar. Qd ele foi na cosinha pra pegar a carne e o arroz, ele sentiu uma tontura. A filha correu deu aguardente pra ele e colocou ele na cadeira e foi colocar o almoço. Os 2 ali almoçando e a filha perguntou: papai, eu estou c vontade de comer pequi.
Ele respondeu: amanhã o papai vai comprar pra nós almoçar.
Chegou o outro dia... ele foi cedo na feira comprar. Dessa vez ele comprou 24 pequi.
Qd chegou em casa encontrou uma carta da filha; papai, tenho uma coisa para lhe dizer, mas eu não sei se falo agora ou depois... o pai curioso foi no quarto e a filha estava dormindo. Esperou a filha acordar.
Depois de uma hora ele foi no quarto e a filha chorando muito. O pai desesperado petguntou pra filha o q era: ela falou; papai eu joguei 10 cartões na mega sena, eu fui conferi e no último cartão eu só acertei um número. O pai falou: e os 9? Ela disse nenhum. Os dois se abraçaram e foram pra mesa almoçar.
Ambos voltaram para a Bolívia