Como adiantei no post anterior, fui para Minas Gerais, especificamente para Serra da Canastra, passando por Belo Horizonte. E como não podia deixar de ser, no razoável do esperado, voltei com a mala abarrotada e o corpo, digamos, cheinho.
Mara Salles e eu nos hospedamos em três casas diferentes. Do amigo Luiz, em Belo Horizonte, na ida e na volta e, em São Roque de Minas, na casa de duas famílias de produtores de queijo que aparecem no filme O Mineiro e o Queijo, de Helvécio Ratton: a do Zé Pão e Romilda e do Zé Mário e Dete. Quem pensa que tomamos muita chuva, engana-se. Quase nenhum pingo, só alguns escorregões no barro liso. A chuva veio chegando no nosso rastro ou no nosso anúncio, mas quase nunca não na nossa presença - sorte, sei lá. Enquanto isso, só uma pinguinha aqui, outra ali, uma caneca de alumínio areada com leite espumoso e quente direto da teta da vaca sobre café docinho acolá, muita comida boa feita na banha, prosa esparolada com repertório apreciável e pão de queijo da melhor qualidade. Mas prometo contar tudo com calma. Chegamos ontem à noite e hoje pela manhã tive um curso, de modo que não pude ainda organizar as fotos. E os relatos vão ficar muito mais interessantes acompanhados das imagens, que, a despeito da falta de técnica de quem vos fala, são fantásticas pela própria natureza.
Na mala prenhe, muita história. De compra na Canastra, só os queijos de três diferentes produtores, um melhor que o outro. O resto é presente pra plantar em Piracaia: da Romilda e do Zé Pão, os alhos que repousam amarrados em buquê sobre a fumaça do fogão de lenha, bons pra replantar e também pra comer - algo defumados, o broto de bambu verde-e-amarelo, as sementes de cabaça e os coquinhos macaúba; da Dete e do Zé Mário, as manivas de uma mandioca branca e cremosa, muda de banana três-quinas, feijão rajado protegido com argila e rizomas de cúrcuma. Fora isso, algumas compras no Mercado de Belo Horizonte: ninhos de passarinho, requeijão de raspa, doce de mocotó, frutos de pequi e pimentas. Mas, vamos lá, tudo ao seu tempo, amanhã começo a contar.
