quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Prato de palmeiras


Tudo começou com os pratinhos que ganhei da Fernanda, do blog Chucrute com Salsicha, quando ela esteve no Brasil. Ela me explicou que era de uma empresa de Nova Iorque, a Verterra, que vendia estes pratinhos descartáveis feitos na Índia com folhas caídas de palmeiras. Sem uso de produtos químicos, são totalmente biodegradáveis, de produção sustentável e não agridem o meio ambiente já que são usadas apenas as folhas caídas.
Tanto Fernanda quanto eu concordamos que além de lindos e corretos não são tão descartáveis assim. Basta ter cuidado para não deixar muita umidade e secar rapidamente que são até que duráveis. Já lavei os meus várias vezes. Ele deforma um pouco com a umidade, mas tudo bem. E se tiverem que ir para o lixo depois de uma festa, que vão sem nos deixar com culpas. São ótimos para alimentos secos ou só um pouco úmidos, ideais para piqueniques.

Já fiquei imaginando aqueles pratinhos horrorosos de plástico ou isopor substituídos por estes muito mais elegantes e ecológicos. E lembrando das tantas utilidades das palmeiras (arecas, sycas). As folhas de algumas são usadas para cobrir casas, de outras, para fazer rolhas e caixinhas de doce, sem falar das amêndoas e das polpas comestíveis e dos óleos e farinhas, dos amidos (sagu), dos açúcares (palm sugar) etc.

Presentes da Fernanda
Desde este dia fiquei de olho em todas as folhas de palmeiras caídas - na verdade, só as bainhas são usadas. Não sosseguei até que consegui produzir meus próprios pratinhos, com cores mais outonais e verniz próprio da espécie, que já estreiaram no piquenique de domingo servindo de suporte e até quipá na brincadeira das crianças.
Não foi difícil coletar as bainhas, que caem espontaneamente das palmeiras à medida que envelhecem e são vistas facilmente nas calçadas - as minhas vieram da calçada da vizinha Rose. Aí foi só encontrar meu próprio jeito de fazer, como se vê abaixo. Quem sabe não se anima também.


Estas palmeirinhas são comuns em calçadas

Veja no chão uma bainha caída - as folhas velhas às vezes são cortadas restando apenas a bainha. Às vezes a folha está completa - folha com bainha.


Se já estiverem alaranjadas, prontas pra cair, pode também dar uma ajuda.


Leve-as ao tanque e lave uma a uma com escova de cerdas firmes.


As folhas úmidas ficam bastante flexíveis - use um molde para riscar no formato que quiser - como vamos ter que usar uma tigela como molde, é melhor que seja redondo. Risque com uma ponta seca ou caneta.

São fáceis de cortar com tesoura

Agora basta ferver em água por 10 minutos para esterilizar

Com esta parte mais dura você pode esculpir uma colher usando uma faca. Também muito fácil

Tentei vários moldes, pois a ideia é deixar que os pratos sequem sob pressão para que mantenham o formato depois de secos ao sol. Este método, usando várias tigelinhas e um apoio por cima não funcionou porque é difícil de secar. Veja o que fiz para dar uma curvatura à colher - este jeito funcionou.

O melhor método foi este. As folhas foram moldadas individualmente em pequenas tigelas, pressionando com pedras, que embrulhei com plástico para não precisar lavar. Pode ser algo parecido. Vale o improviso. O ideal seria uma prensa de ferro como a empresa Verterra usa.

Foi assim que sequei as sobras de bainha que não puderam virar prato e viraram argolonas e argolinhas para usos diversos - não descobri bem ainda, mas as fotos abaixo mostram duas ideias.



Argolona para guardanapo e argolinhas para enfeitar a colher.


Que você também pode enfeitar com gavinhas de chuchu

29 comentários:

Jan disse...

Sou sua fã cada dia mais! Adorei o post!
Beijo

Anônimo disse...

Mas você não é mole não, mulher!
Uma ideia melhor que a outra...
Há alguns anos vi uma embalagem feita com casca da palmeira indaiá, onde havia 3 bombons dentro. Fiquei meio obcecada por descobrir onde encontraria a tal casca do fruto. Como não encontrei por aqui, tive que desistir...rs!
Bjs.

Gilda disse...

Ora, se me animo a tentar! Inclusive tenho umas baínhas enormes recolhidas aqui em casa, de uma seafortia, e estava bolando uma forma de fazer um cachepot. Já decidi fazer uma travessa enorme. Agora é ver se dou conta. Obrigada pela aula. Um abraço

Mimirabolante disse...

Voce é genial !!!!!!

Juliana Valentini disse...

Neide,
tão bom tão bom tão bom seu post que tomei a liberdade de "roubar" sua foto e postar sobre o Come-se e mais especificamente sobre os pratos de palmeiras no meu blog, o De Verde Casa.
Queria te convidar a ir lá ver, e, como fiz a publicação antes de te pedir licença, prometo que se você não gostar de alguma coisa eu mexo, edito ou apago.
www.deverdecasa.com
Um beijo,
Juliana.

Dricka disse...

Neide as vezes, eu mesma, acho que pareço uma puxa saco, mas me diz tem como não ser? Você é fenomenal! Não é a toa que, como você já postou, seu marido a elogie rasgadamente aos outros. É merecido com certeza. Esse post foi tudo! Fico imaginando que se grande parte dos nossos governantes tivessem seu entusiasmo e dedicação, o nosso pais seria lindo de viver.
Um beijo no coração, sua linda!

wair de paula disse...

Estou literalmente passado com sua capacidade de criar a partir de elementos prosaicos. Tenho uns sous-plats deste material, que teoricamente seriam descartáveis, mas comprei há uns 4 anos e continuam legais. E a empresa italiana Seletti fazia uns garfinhos e colheres para festa, em madeira balsa descartável, oridunda de resíduos. Ainda devo ter umas 10 unidades, de 24 que comprei em 2008. Parabéns Mesmo!.abs

chirleymaria2@gmail.com disse...

Amei! Vou repetir esta postagem no meu blog Reciclando Madeiras!Boa ideia tem q ser divulgada! Parabéns!

Anônimo disse...

Oi, Neide! Tudo bom?
Li uma matéria sobre vc na Revista Vogue. Achei super legal! Estou começando um blog com poesias e coisas que escrevo, espero conseguir manter, hehe
Parabéns pelo seu trabalho!
Vou te seguir! ^^
Beijos

alice disse...

muito bom! adorei!!!! parabéns!!!!

Inês Correa disse...

genial! beijo

remall disse...

já vou adotar esse final de semana na minha vida da roça.
amei ! ! !

Nadia Marrach disse...

Neide, amei este post! Mais uma vez você me abre os olhos para coisas que estão bem aqui do meu ladinho!!!! Tenho umas 7 arecas bem antigas aqui em casa, então imagina só o tanto de folhas que caem! Já usei as bainhas no seu formato original e tentei corta-las secas, o que não deu muito certo. Muito legal a idéia de molha-las e molda-las. Vou tentar na próxima folga que eu tiver...depois te conto.
Bjs.

Angela Escritora disse...

Fico olhando para os subprodutos das bananeiras imaginando serventias. Já vi virarem jogo americano, muito lindo. Mas tenho certeza de que servem para mais coisas.. há de tudo!
Lendo o livro Comer rezar a amar aprendi que em Bali se usa um caldo de uma banaeira cortada para acabar com a calvice. Só não industrializaram pois precisa ser fresco..

rose disse...

neide teu blog é maravilhoso,sinto muito em dizer que"roubei" umas tres receitas suas,mas com creditos seus e link do seu blog, mas se vc não gostar posso tirar, está no cantinho dos vegetarianos no(vidasimplesenatural)procuro viver da forma mais saudavel possivel,por isso criei o vida simples e natural sou nova no pedaço rsrs bjos rose.

rose disse...

OI NEIDE VAMOS ARRISCAR
ACHO QUE É ARNICA E ARRUDA.
AS FOLHINHAS SÃO BEM PARECIDAS MAS O CHEIRO? ....

Slowbe disse...

Alucinante.
Cada vez me apaixono mais pelo Brasil, e percebo, porque tenho por aí tanta familia( são do maridão, mas isso dá igual)
Não sei se é do clima, mas as mulheres(humhum xicos tb pronto) são super ingenhosos, mil e uma ideias e todas super "verdes", que é o que mais me apaixona...ainda só li dois Post seus e já sou fã( venho do blog deverdecasa, qua tb me deixa alucinada com tanta imaginação.
Bem ajam.
Sónia

Neide Rigo disse...

Sónia, obrigada. Fico feliz de saber que pensa assim de nós, brasucas. beijos, n

Flora Maria disse...

Sensacional !!!

Estou absolutamente encantada com seu blog !

Sonho em aproveitar coisas do mato, mas não sei como...

Sabe aquelas "baínhas" de bambu, que parecem madrepérola ? Tenho um bambuzal aqui em casa que me deixa "sofrendo" por ainda não ter conseguido pensar num uso para as lindas baínhas !!!
Elas não são flexíveis, quebram com facilidade e tem uns pelinhos espinhudos no verso. Mas deve existir alguma coisa que possa ser feita com elas...

Beijo

Margareth disse...

Amei, simplismente amei. Tenho palmeiras aqui e vou já já fazer igual.

Miau Caldas disse...

Estou encantada por seu blog! Nao sei como,ainda nao conhecia!!! Parabéns!

Criz disse...

amei ! obrigada, obrigada, ! beijos em seu verde coração!

marcia furlaneto disse...

vou fazer hoje mesmo,obg pela dica!

Lillian Gasperi disse...

Ja era fã. Fiquei mais...

Balse Maria disse...

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auto disse...

Para moldar a fibra ,com a fibra ainda verde ,acho que facilitaria

Unknown disse...

Amei!Já tinha até feito artesanato com folha de palmeira!Mas esses pratinho ficaram lindos demais!!!

Anônimo disse...

Boa noite será que se secar no forno fica moldado?
E as industrializadas podem ser lavadas e essa depois de moldadas podem ser lavadas ou tem que ser envernizadas?

MARIA LUIZA SANTOS SILVA disse...

Quer dizer, puxou um monte de disciplinas durante o EAD, colou à beça na prova e agora se formou como farmacêutica, graças à cola, graças ao Photomath. Você ainda foi monitora de química analítica experimental 1 e 2, será que você ensinou os outros alunos a colarem a prova usando o Photomath também?

Você nem deve se lembrar de mim, eu sou uma das pessoas que você abandonou em orgânica 1 durante o EAD, você passou colando em cálculo para a farmácia usando Photomath, me fez acreditar que eu podia passar na faculdade sem estudar, quando chegou no semestre seguinte em orgânica 1, você decidiu que não iria me dar cola, então eu fiquei reprovado em orgânica 1. Por sua culpa, eu estou com a minha graduação toda atrasada. Fez o que fez comigo e nada aconteceu com você.

Será que o pessoal do Laboratório de Análises Avançadas em Bioquímica e Biologia Molecular, onde você fez iniciação científica, sabe que o seu CR era 7, graças a você ter colado em cálculo para a farmácia usando o Photomath?

 

Você é a prova que vale a pena colar na prova, que a coordenação da farmácia da UFRJ fecha os olhos para as pessoas, que colam na prova feito você.

 

Por causa da sua queixinha que você foi fazer na coordenação da farmácia junto com o Gabriel Vasconcelos de Lucena, Camilly Enes Trindade e a Julia Tavares de Azevedo, algum FDP da coordenação da farmácia vazou as minhas informações pessoais para uma pessoa que nem me conhece e nem estuda mais na UFRJ.

 

Pode mandar o seu amigo, o Guilherme de Sousa Barbosa que me ameaçou, mesmo sem eu ter feito nada contra ele, me matar, manda o Guilherme de Sousa Barbosa aparecer na boca de fumo que tem aqui perto de casa e mandar os traficantes me matar, aqui do lado da minha casa funciona um ferro velho clandestino que fornece material furtado para os traficantes construírem barricadas.