terça-feira, 22 de maio de 2012

Acrelândia 2012. Caril de banana-da-terra com leite de castanha

Talvez não devesse chamar de caril a este prato que nas oficinas que dei em Acrelândia chamei de refogado. Mas refogado diz pouco de um cozido vegetal que leva alguns temperos típicos da culinária indiana e que, suculento, aromático e saboroso, não nos deixa sentir falta de preparos com carne.  Caril, curry, kari, são nomes para o mesmo prato temperado com uma mistura de especiarias, também chamada de massala, que se pode combinar na hora do preparo ou comprar já pronta - é o pó de curry, invenção dos ingleses. Leva também folhas de caril, folhas de curry, kari pata, das quais já falei e mostrei aqui. Mas não quis complicar, porque não seria ingrediente fácil de encontrar em Acrelândia, então não usei. Se você tiver, use, vai ficar gostoso.   Bem, mantendo o espírito do prato, achei que poderia fazer um caril local mais simples, bastante adaptado aos ingredientes fartos de Acrelândia, que fica a cem quilômetros de Rio Branco, AC. Talvez um acril em vez de caril.  



Castanhas frescas, um luxo para nós, são tão comuns em Acrelândia quando é época, que não são encontradas no mercado. Acaba que todo mundo tem porque ganha do vizinho ou vai à coleta, ninguém compra. E embora estivéssemos já no fim da safra, pudemos encontrar algumas, não ganhadas mas compradas na pequena quitanda do Seu João. As castanhas, ainda inteiras, ficavam em um saco, longe dos olhos dos clientes. Só descobri porque desconfiei que ali poderia ter.  Um real um saquinho, bem leitosas e crocantes.  Maria e Fernanda tiveram a paciência de quebrar todas e tirar as castanhas, que usamos no pão e para o leite usado nesta receita (bate-se no liquidificador com um pouco de água morna e coa-se numa trouxinha de pano).


Quanto às bananas compridas (já falei destas enormes bananas amazônicas aqui), são fartas e baratas e eu só quis mostrar que podem ser usadas de outras formas, além de fritas. Cozidas, elas se mantém firmes com doçura realçada, o que faz muito bem para este prato. Já a leve e desejável acidez, consegui usando em vez de pó de manga verde ou pasta de tamarindo, que combinariam com a banana, um pouco de suco de cupuaçu,  numa quantidade suficiente apenas para temperar, sem impor seu perfume. E, em vez de folhas de coentro, as de chicória (não aquela parente do almeirão, por favor), que é como são chamados por lá os coentros de folha larga, ou coentro-da-índia, do qual já falei aqui, que fazem o mesmo papel e que crescem lá feito inço. 


Pois aqui está pra quem quiser se aventurar com a fórmula que pode ser adaptada ao que se tem por perto. Mas é bom manter o cominho, o gengibre e a cúrcuma, encontrados  em todo o Brasil,  algum leite vegetal (de coco, babaçu, licuri etc) e um dos dois tipos de coentro. Coma com arroz e depois me diga se não fica bom.  



Foto: Fernanda Cobayashi

Caril de banana-da-terra com leite de castanha 

2  bananas-da-terra (compridas)  maduras, mas firmes
1 colher (sopa) de óleo 
½ colher (sopa) de grãos de cominho
1 cebola grande picada
1 colher (chá) de gengibre ralado
2 dentes de alho socados
1 colher (sopa) de cúrcuma (açafrão-da-terra) fresca ralada ou 1 colher (chá) do pó
1 tomate picado
1 pimenta-de-cheiro ou 1 pimenta dedo-de-moça picada
1 colher (chá) de sal ou a gosto
1 xícara de água quente
1 xícara de leite de castanha
1 colher (sopa) de suco de cupuaçu (bata o cupuaçu com um pouco de água e use este suco – ou use suco de limão se não tiver cupuaçu)
2 colheres (sopa) de folhas de chicória (coentro-da-índia, coentrão, coentro-de-pasto) picada

Cozinhe as bananas com casca, em pedaços, com água que cubra, e um fio de óleo. Escorra e deixe esfriar. Descasque, corte em fatias de um centímetro e reserve.
Numa panela, aqueça o óleo junto com o cominho e deixe até os grãos começarem a pipocar. Junte a cebola, o gengibre, o alho e deixe começar a dourar. Junte a cúrcuma. Mexa bem e junte o tomate, a pimenta, as bananas, o sal e a água quente. Tampe a panela e deixe cozinhar em fogo baixo até o caldo ficar encorpado. Acrescente o leite de castanha e a polpa de cupuaçu, mexa devagar e deixe ferver. Confira o tempero e corrija se necessário. Junte e as folhas de coentro e sirva com arroz. 

Rende 4 porções

3 comentários:

Anônimo disse...

Oi Neide!

Não me canso de te elogiar pelo seu trabalho. É Lindo! Parabéns!
beijo

Nara

Anônimo disse...

De fato, o prato está lindo e tem cara de "Acril". Deve ter ficado gostoso, até gostaria de experimentar, Neide, mas na minha família só eu gosto de coisas que misturam doce/salgado, azedo/doce, leite/salgado e coentro. E, você sabe, o gostoso é cozinhar para muitas pessoas. Abç. Izabel

angela disse...

Não existe banana da terra onde moro.. buá!!