segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Tukhmaria, tukmaria, takmaria, sabja, subja, falooda seeds ou sementes de alfavacão




Muita gente confundiu com chia (Salvia hispanica), última panaceia depois da linhaça. Daqueles alimentos que dizem servir para tudo, para diminuir o apetite, para levar embora toxinas, diminuir taxas de colesterol,  para melhorar a força dos ossos, melhorar a digestão, fornecer proteínas, cálcio, ômega três etc etc. O grão é originário do México, foi muito popular entre os astecas,  hoje custa cerca de R$ 80,00 o quilo no mercado e é a última promessa milagrosa para quem quer emagrecer. É muito rico nutricionalmente, mas milagres não existem, vamos combinar. 


De qualquer forma, a resposta não é chia. Felizmente tivemos acertos entre os leitores que mandaram seus palpites e aos quais agradeço muito  - veja lá nos comentários do post anterior.  Houve também quem arriscasse linhaça, sementes de pitaia e de kiwi. E a disposição das sementes como mapas foi capricho do acaso e não intensão minha. Mas a resposta: são sim sementes de manjericão. Poderia ser de qualquer um, mas foi do tipo alfavacão (Ocimum gratissimum), sobre o qual já falei neste post.



Para separar as sementes é só esfregar as flores secas com as mãos sobre
uma peneira de malha fina. Peneire novamente até que fiquem bem limpas
 

Na semana passada resolvi fazer uma poda nas plantas só para dar uma organizada no pequeno espaço, deixar entrar luz para as plantas rasteiras e liberar o caminho. O pé de alfavacão está enorme e quase sem folhas e estava tomado de cachos de flores secas. Comecei cortando todos, para que viessem folhas novas com mais força. Coloquei em cima da mesa e fui jogando por cima outros galhos de roseira, folhas de chuchu, de uva, capim santo velho, galhos secos de tomate etc. Na hora de juntar tudo para jogar fora, fiquei com dó (eu sofro de um apego crônico por plantas, mudas, sementes), achei que poderia espalhar pelo sítio que viraria uma floresta de manjericão cheirando a cravo e poderia, quem sabe, espantar bichos, insetos. Então separei as flores do manjericão, coloquei numa peneira para tirar as sementes e, embora já houvesse comido para sentir o sabor, não sabia se tinha usos culinários clássicos.  


Vim procurar na internet: basil seeds. Antes, porém, que encontrasse uma infinidade de informações a respeito, descobri que as sementes que havia trazido na boca ganharam volume. Tirei uma delas com o dedo e pude ver que agora era mais que uma bolinha escura. Havia hidratado e ganhado uma mucilagem transparente em toda a sua volta, como aquela que a gente vê naturalmente nas sementes de pitaia ou de kiwano (veja lá embaixo). Voltei pra cozinha e deixei um tanto de molho em água. Logo formou um grande bolo de gel, mas os grãos continuavam crocantes. Em seguida descobri que o ingrediente é usado na medicina ayurvédica na Índia mas também em pratos do sudeste asiático e em drinques como o falooda, mais pela beleza - o gel ajuda as sementinhas a se manterem suspensas por mais tempo.  Se tiver curiosidade, pesquise com os nomes de tukhmaria, tukmaria, takmaria, sabja, subja ou falooda seeds. 


O sabor: sempre experimento sementes pra ver se conservam o sabor da planta. No caso dos vários tipos de manjericão, nunca encontro aquele mesmo sabor das folhas. Aqui, apenas uma ligeira lembrança de cravo. Ainda assim já usei para temperar peixes e ficou interessante. Elas, assim como as sementes de todos os tipos de manjericão, se destacam mesmo é pela crocância e por esta capinha de gel que as recobrem.  Por isto, comecei fazendo apenas uma limonada misturando os três limões que eu tinha aqui: siciliano, taiti e rosa. E resolvi também fazer um xarope com as folhas da erva, que serviria para adoçar mas também temperar a bebida. No final, claro, muito gelo e as sementinhas já hidratadas. 


Xarope de manjericão 


Dois galhos de manjericão do tipo alfavacão ou cerca de 10 folhas 
1 xícara de açúcar orgânico 
1 xícara de água 

Amasse com as mãos as folhas e coloque numa panela com o açúcar e a água. Leve ao fogo e deixe ferver por 10 minutos ou até que vire um xarope ralo. Tire do fogo, espere esfriar e guarde em vidro - coado ou com as folhas. Deixe na geladeira por até uma semana e use em refrescos ou drinques alcoólicos. 

Rende: 1 xícara 

Limonada crocante de três limões com xarope e sementes de manjericão

3 limões de variedades diferentes (rosa, siciliano e taiti)
3 galhinhos frescos de alfavacão 
Gelo a gosto 
4 colheres de xarope de manjericão
3 colheres (chá) de sementes de alfavacão hidratadas por 10 minutos e escorridas

Fatie metade de cada limão e distribua entre os copos. Distribua também os galhinhos de alfavacão ligeiramente amassados com as mãos para liberar o sabor de cravo e complete o copo com gelo. À parte, esprema o suco dos limões restantes, junte o xarope e misture bem.  Despeje o suco nos copos e divida entre eles as sementes hidratadas. E glupt! Depois me conte se não fica bom.

Rende: 3 copos grandes

Abaixo outras sementinhas que você poderá usar: de kiwano ou kino e de pitaia - estas da foto usei para plantar, mas ficam lindas nos sucos. 




11 comentários:

Maria das Graças disse...

Neide, alfavacão é uma praga deliciosa no quintal. E quanto mais se poda mais viçoso fica. Voce acredita que eu tinha um pedaço de cerca viva de alfavacão que quando ventava espalhava um cheiro gostoso que só! Mas, sinceramente, nunca pensei que as sementes do post fosse dele.

Doce Final Feliz disse...

lol..consegui deixar muita gente de boca aberta:)
bjus

Cláudio Gonzalez disse...

E eu tenho um pé de manjericão em casa e nem desconfiei. Uma vez me ensinaram a fazer tempurá de folha de manjericão. Você pega aquele galho que está todo florido, lava e passa numa massinha de farinha e água. Depois frita. Vira um espetinho delicioso. Também aprendi que pro seu pé de manjericão ficar sempre "gordinho" e cheio de folhas é preciso arrancar estes brotos de flores assim que eles aparecem. No meu, dá certo.
Já que não acertei a charada, continuo curioso para saber o nome da frutinha vermelha que tem lá na de casa.

Neide Rigo disse...

Maria das Graças,
gostei da ideia da cerca viva. Vou ter uma também!

Claudio!
Obrigada pelas dicas. Quanto à florzinha, é isto mesmo, mas no caso do alfavacão, a gente não vence tirar flor - agora que já sei como usar as sementinhas vou deixar de me importar tanto com as folhas. Mas fiquei encafifava se estava lhe devendo alguma resposta e vi este email que lhe mandei - mas só agora vi que na verdade mandei a resposta para o noreplay do blogger em vez de responder no próprio comentário do post. Se bem que agora está falando de fruta vermelha e a pergunta naquele comentário era sobre fruta amarela. De qualquer forma, vi que não tenho seu email, por isto reproduzo minha mensagem aqui:


Em 19 de janeiro de 2012 14:43, Neide Rigo escreveu:
Oi, Claudio!
Não seria oiti? http://come-se.blogspot.com/2010/03/come-se-no-parque-lage-ou-e-tempo-de.html
A única coisa que não está batendo é que jatobá tem textura farinhosa e o oiti, mais cremosa como uma manga. Será? (procure oiti no google imagens)
Um abraço,
N

Cláudio Gonzalez disse...

Oi Neide. Você é mesmo uma enciclopédia gastronômica. Pelas fotos é isso mesmo, oiti. Agora já sei o nome da fruta amarela.

A outra fruta vermelhinha que eu achava que era desta charada é a que aparece nestas fotos aqui: http://migre.me/7Uz2p

Um abraço e obrigado pela atenção e carinho que dedica aos seus leitores

Ah, meu e-mail: claudiogonz@gmail.com

Maria das Graças disse...

Neide, o terreno só tinha 1000m² e eu tinha tanta coisa para plantar que aproveitei o perímetro do terreno para fazer a cerca viva bem variada. Acerola, ora-pro-nobis, maracujá, touceiras de lavanda, morango e amora silvestre na sombra das plantas maiores, capuchina que se espalhava sem por todo o lugar. E tinha flores, muitas flores também. Uma beleza!

Claudia disse...

Neide,

Fui uma das que errou, mas a cor já indicava que não eram chias aquelas sementes, vermelhinhas demais, as chias que tenho em casa são cinza escuro, quase pretas, mas o gelzinho é idêntico ao das chias daí a confusão generalizada...

Você colocou as sementes de manjericão na limonada pelo fato de ser a forma mais comum de se consumir chia (semente de salvia) no México? Tenho algumas amigas mexicanas aqui que cresceram bebendo chia na limonada e acham graça do fato dos noruegueses colocarem as chias nos pães... mas nordicos só entendem ser pão a mistura que tem montes de sementes diferentes, me parece.

temos muita salvia no nosso jardim, plantei por acaso, atrás das folhas e não sabia que dariam tão bem e que cresceriam, todos os anos dos pés de salvia brotam flores lindas roxas e depois secam e ficam cheias de sementes que nunca usei... sempre penso em ir colher no final do verão mas aí esfria e eu perco a oportunidade.

aqui na loja vendemos um chá de three tulsi, uma infusão de tres tipos de manjericão (verde, roxo e selvagem) que é boa para tudo, dizem... mais uma espécie de planta sagrada da India... você não encontrou este nome: tulsi nas pesquisas?

Beijos,

Claudia

Neide Rigo disse...

Claudio, respondi para o seu email. Quem sabe algum leitor descobre o nome da frutinha..

Maria das Graças, saber que tinha tanta coisa assim num terreno de mil metros me dá muita esperança de construir um paraíso de subsistência no meu de treze mil. Só precisaria de mais tempo.

Claudia, eu nunca provei a chia, mas sei que tem o mesmo comportamento das sementes de manjericão. Acho que o nome tulsi refere-se ao próprio manjericão, né? E os que mostrei são especificamente para as sementes, usadas no sudeste asiático - mas não sei que país usa determinado nome. E a ideia de usar na limonada não foi por inspiração da chia do México mas das imagens que vi das próprias sementes usadas em drinques no sudeste asiático. Ontem veio aqui uma indiana que me disse que o alfavacão é considerado na Índia um dos manjericões sagrados. Eu tenho aqui três tipos de manjericão. Vou fazer uma infusão e ver como fica. Depois te conto.

Um abraço,
N

Canto da Lu disse...

Oi querida neide, esse alfavacão, inha mãe fazia quando estavamos com muita tosse, ela batia bem uma gema, com o açucar, uma gemada assim dizendo, depois colocava um chá feito com o alfavacão, mistura bem, menina ficava uma delícia, até quem não estava com tosse queria.
coisas da infância.

Marisa Ono disse...

Ah, Neide, outro dia mesmo estava pensando nas sementes de manjericão e na capacidade absurda em formar um gel. E nem tinha pensado em pegar sementes de alfavacão, só você mesmo.

Eloisa Camino disse...

Oi, por favor, meu filho trouxe uns galhos de uma plantinha cheirosa, igual ao manjericao.....mas as folhas são bem peludas....será que posso usar?

Eloisa