terça-feira, 25 de outubro de 2011

Camusclim, kamusquim, Camusklim, Camusquim quem quem?

Sabe o que é? Segundo Dona Jerônima, lá do Marajó, a mãe dela dizia comer este prato quando era criança e olhe que dona Izabel já tem seus noventa anos.  No repertório das comidas típicas do Marajó, e talvez de todo o Pará, o camusclim, escrito assim ou nas várias formas que vi por lá, é figura estranha (sempre deliciosa, é claro). Em alguns pratos a gente até enxerga a influência portuguesa. Outros são claramente indígenas. Mas e o camusquim?  Ninguém sabe de onde vem. Alguns dizem ser lusitano. Mas há prato parecido em Portugal? E o nome, não é meio árabe?  Feito com aletrias e adaptados para vários outros tipos de macarrão, pode ter sido um dos legados dos libaneses que chegaram naquela parte da Amazônia. Mas quem confirma?  Hoje é prato caseiro, servido em dias festivos. Para quem não sabe, é feito com macarrão alternado com molho de camarão e molho branco e gratinado com queijo. As variações são muitas: macarrão cabelo-de-anjo ou o que se tem à mão, camarão fresco e/ou camarão seco, queijo parmesão ou queijo marajoara, pimentinhas locais, alfavaca, chicória-do-pará, cheiro-verde.  O fato é que preciso saber mais sobre o prato. Se puder contribuir, agradeço. Na internet, já tudo vasculhei - preciso de informações mais precisas e mesmo pessoais sobre o nome certo, a origem, os jeitos de fazer etc. Obrigada! 

9 comentários:

Pequi disse...

Não conheço este prato. Você já comeu o Pequi?Adorei o seu blog

Anônimo disse...

Oh Neide, minha querida...
Infelizmente não posso te ajudar muito. Sou paraense, natural de Belém e conheço muito bem o Marajó, meu padrinho tinha uma xácara lá... mas isso foi há muito tempo. Bem, quando eu morava em casa, minha mãe fazia o camusquim - foi assim que me acostumei a ouví-la - para nossos almoços festivos. Por muitos anos ela foi empregada doméstica de uma tradicional família portuguesa que morava em Belém e aprendeu a fazer o prato por lá. Só posso te dizer que é muito gostoso! Normalmente fazem o molho branco com amido de milho, camarão regional frito - é assim que o chamam no Norte - coentro, cebolinha, cebola branca, alho, etc. O camarão é comprado com casca nas feiras livres e depois descascado e demolhado, para suavizar um pouco do sal. Um detalhe, na receita do camusquim ão vai corante algum - o aspecto do macarrão depois de pronto, é bem branquinho. Espero ter ajudado de alguma maneira.
Um abraço e parabéns por todos esses posts bem-contados, digamos assim, sobre minhas origens. Amooo!!
Noemia Lázari, paraense, casada há 18 anos com um barriga verde e, morando em Macapá (AP) há 15. Sempre às ordens!!

Anônimo disse...

Me desculpe pelo xácara... acho que estava pensando em xícara, é chácara - por favor! Obrigada.

Neide Rigo disse...

Pequi,
sim, já comi pequi. Obrigada!

Noemia! Obrigada pelas informações. O camarão frito a que se refere é o camarão seco? O que comi era feito com camarão fresco.

Um abraço, N

Josi disse...

Olá Neide, sempre visito o Come-se e acho maravilhoso(no meu blog, ele está na minha lista de favoritos, embora ele seja sobre crochê e outras artes). Gosto muito de cozinhar e de vez em quando a faço alguma receita diferente. Gostaria de saber se há alguma diferença entre alfavaca (que você cita neste prato) e o manjericão, pois fiquei em dúvida, minha mãe apereceu com um pé do que eu conheço por alfavaca dizendo que era manjericão. Aguardo sua resposta.

Beijos,

Josi

Mari disse...

Neide, andei dando umas “googladas“, pois fiquei curiosa com o tal do camusclim. Achei umas referências que apontam para a comida portuguesa, que originalmente levava bacalhau e que foi substituido pelo camarão. Mas e esse macarrão? Teria havido migração italiana na amazônia? Então achei isso http://www.orm.com.br/oliberal/interna/default.asp?codigo=382564&modulo=439. Houve, sim, italianos por lá. Esse camusclim tá me parecendo uma dessas misturebas tipo o sushi california roll, que foram sofrendo tantas adaptações, ficando tão diferentes do que os originou, que a tarefa de determinar seu “pedigree“ ficou impossível. Mas é só um palpite, tá?

sergio disse...

Morei em Belem nos anos de 1980 a 1982 e tinhamos como amigos uma familia tradicionalíssima, com alguma ascendencia portuguesa, e por várias vezes almoçamos no domingo na casa deles. Numa das vezes fui apresentado ao "camusquinho" que me foi passado como uma comida adaptada de algum prato da colonia alemã que morava no Pará.É composta de uma travessa de macarrão com um molho de camarão fresco e que leva tambem um pouco de leite de coco no molho, tambem contava com generosa quantidade de pimenta que conheço como pimentinha de cheiro, (um pimentão pequeno)vendido em qualquer mercado de Belem. A travessa era levada ao forno com queijo por cima para gratinar e servido em seguida bem quente.

Neide Rigo disse...

Josi, obrigada!
Quanto à alfavaca, ela é também um tipo de manjericão com sabor mais à cravo.

Mari, também achei esta informação na internet, sobre ser um prato de origem portuguesa, mas não me convenceu. Obrigada pelo outro link. Também acho pouco provável, mas mas pode ser.

Sergio, obrigada pela informação. Isto é interessante. Adorei conhecer este outro nome.

Um abraço,
N

Pedro Ivo disse...

Neide,

Sou paraense, de Santarém. Minha família tem ascedência lusitana, e minha mãe de vez em quando prepara Camusquim (não sei a grafia correta, mas a pronúncia dela é essa mesma). É bem o que você falou: um macarrão com molho branco acrescentado de camarão. A massa pode ser qualquer uma que estiver a mão, normalmente espaguete ou talharim. Em relação ao camarão, acho que não vou ajudar muito nas tuas dúvidas: já vi minha mãe usar dos dois tipos, as vezes ambos ao mesmo tempo. Pra mim tem fica melhor com o seco, cujo sabor mais pronunciado marca bem o prato. Além disso, bastante tempero: cebola, pimentão picado, alfavaca, coentro, pimenta de cheiro. Lá em casa não entrava leite de coco não, e mesmo a quantidade de molho branco era mantida no mínimo, suficiente apenas pra umedecer a massa e ser veículo pros outros ingredientes.
Estou gostando de ver a valorização cada vez maior dos produtos do norte aqui no teu blog! :)
Abraço,
Pedro Ivo