quarta-feira, 2 de junho de 2010

Mercado de São Miguel Paulista


O Mercado está passando por reforma e ganhando cores alegres
Verduras e legumes do Ceagesp

Produtos nordestinos. Menos que no Mercado da Lapa

Carnes secas e linguiça Sadia

Dona Djanira, de roxo, freguesa fiel há mais de quarenta anos, ganha mexerica de brinde da dona Matilde Porcinelli Tomaz, permissionária no Mercado desde a inauguração, em 1967

Na banca da Dona Matilde, atemoias direto do produtor, em Santa Isabel-SP, e romãs de fundo de quintal

Mandiocas já descascadas, na água

Frutas frescas no pote

Comprei pamonhas fresquinhas, aprovadíssimas
Já estava no trem com sacola na mão rumo ao Mercado da Lapa, uma estação depois da minha. Antes de descer, mudei de intenção e decidi comprar cabeças de galinha em outra freguesia. Mais uma estação e já estava no Metrô Barra Funda, de onde parti para o Brás. Desci e fiz baldeação novamente para um trem que seguia para a zona leste. Cerca de meia hora depois já estava em São Miguel Paulista. Fazia tempo que queria conhecer o Mercado Municipal daquele bairro (Mercado Municipal Américo Sugai) e não teria sido tão fácil se houvesse programado, como já fiz algumas vezes sem sucesso.
Estou acostumada com o Mercado da Lapa e no começo estranhei as cores, os boxes, as pessoas. É um mercado limpo, organizado, sem grandes novidades em matéria de produtos, pelo menos para mim que tenho um bom mercado por aqui, mas certamente é uma ótima alternativa aos hipermercados.
Algumas bancas são como lojas, onde se podem entrar, escolher. Há loja de vinho, de pão, de frios e até livraria (no Mercado da Lapa também está acontecendo isto, de se instalarem lojas estranhas ao objetivo destes estabelecimentos públicos). Além dos clássicos açougues, peixarias, bancas de frutas e verduras. E tem até pamonha, cural e frutas cortadas e embaladas para comer na hora ou levar pra casa.
Alguns boxes são como entrepostos das lojas da zona cerealista ou do Ceagesp. E os vendedores se vangloriam disso. Quando perguntei no box de verduras se havia algum produto local, já que São Miguel não está longe do cinturão verde de São Paulo, a resposta foi "não, são todos do Ceagesp", como se isto fosse uma credencial de legalidade.
Da mesma forma, quando perguntei a outro permissionário de onde vinha aquele arroz da terra, que é aquele arroz vermelho difícil de se encontrar por aqui, ele disse que não tinha a menor ideia, que comprava tudo na zona cerealista.
Já a simpática Dona Matilde, que tem o box de frutas desde a inauguração do Mercado, em 1967 (só mais um box, o de verduras, permanace com o mesmo dono desde o início) ainda tem umas atemoias que não vem de longe - de Santa Isabel. Embora ela ressalte o fato de virem direto do produtor, inclusive colocando plaquinhas, a mesma importância é dada para a procedência das uvas do Chile (não tenho nada contra as uvas chilenas por aqui .... mentira, tenho sim), exibindo-as para mim. Enquanto isso, as romãs locais, imperfeitas e lindas, estavam lá meio escondidas, sem identificação alguma, embora tenham vindo do quintal de alguém de perto, segundo ela.
Acho que ainda demora para que vendedores e consumidores brasileiros percebam o valor dos produtos locais, que não tenham viajado muito. No Mercado de Florença, na Itália, comerciantes chegam a abusar dos termos caseiro, artesanal, local, regional, direto do produtor ou típico em plaquinhas com forte apelo de marketing. E o consumidor entende e valoriza.
Aqui, infelizmente, na cabeça de muita gente, tudo isto é sinônimo de alimento ilegal, que pode colocar em risco a sua saúde. Então, é preferível um caminhão levar abobrinhas de Itaquaquecetuba para o Ceagesp, onde são classificadas em tamanhos padronizados, para só então voltarem ao Mercado de São Miguel Paulista, ali do ladinho do produtor.
Os Mercados Municipais deveriam ser estes pontos de referência (e hoje resistência) para a venda de artigos direto do produtor, como já foram um dia. De qualquer forma, a esperança é a última a perder os sentidos e eu recomendo que, se tiver oportunidade, vá ao Mercado de São Miguel, ao da Lapa ou a qualquer outro e que demonstre interesse em saber de onde veio o produto que vai comprar ou que mostre seu apreço quando se tratar de um produto local, artesanal, de pequenos produtores. Afinal, a gente não quer só coisa Sadia. Eu não quero.
Mercado Municipal Américo Sugai
Avenida Marechal Tito, 567
Centro Comercial de Sâo Miguel Paulista
Tel. 11-2297-0549
Funciona de segunda a sábado, das 8 às 19 horas

6 comentários:

Jane disse...

Do outro lado da avenida, em frente ao mercado está o Colégio Dom Pedro I.Lá fiz o ensino médio e o magistério na década de 80.No intervalo eu e minhas amigas íamos ao mercado comprar o doce ralawi.Em São Miguel existe uma comunidade árabe forte e muitas da minhas amigas eram descendentes.Não sei se você encontrou a barraca que além do doce tinha geléias coloridas cortadas em pedaços.

Neide Rigo disse...

Oi, Jane! Não vi o Colégio nem a geleia (no mercado da Lapa também tem e minha mãe sempre levava pra casa um pedaço quando voltava das compras). Mas esta foi apenas a primeira visita ao Mercado. Pretendo voltar.
Um abraço,N

Dricka disse...

Neide infelizmente a grande maioria do nosso povo aindão não aprendeu a valorizar o que é produzido sem agrotoxico, na horta onde busco minhas verduras, é tudo produzido sem defensivos, o preço é camaradissima, mais barato até que na feira, mas não vejo o "o povão" por lá, preferem o sacolão da esquina, não é numa zona muito residencial e acho que as pessoas não valorizam tais produtos o suficiente pra andar alguns minutos com uma sacola com residuos de terra. É uma pena, porque se não acordarmos, talvez essa terra que tanto nos orgulhamos de dizer que em se plantando tudo dá, canse, afinal de nos ser tão gentil.
Bjs

Tatiana disse...

Oi Neide. Se precisar de mais alguem para levantar a Bandeira dos mErcados eu ajudo. Sempre fui apaixonado por mercados municipais. Sou de BH e o Mercado de la e (era) excelente, hoje ja esta ficando descaracterizado por outros comercios q nao os de alimentos. enfim, mesmo assim ainda amo!!! Amo o cheiro, as cores,a movimentacao...
Agora vai um pedido...moro em SP a 1 ano e ainda nao encontrei um lugar para comprar produtos organicos vc pode me ajudar? Moro no morumbi. Alguma coisa perto ajudaria muito. beijos e obrigada pelo site maravilhos

Neide Rigo disse...

Dricka,
infelizmente você tem razão.

Tatiana, obrigada. Eu não conheço muito o Morumbi, mas acredito que a melhor opção pra você seja comprar estes alimentos delivery - há várias empresas que fazem entrega de produtos orgânicos.

Um abraço, N

Anônimo disse...

Fui nesse mercado e achei ele sem graça ... o que mais gostei foi abanca de produtos naturais do japonês, que deve ser onde você viu o arroz vermelho. Que tem muita coisa. Mas como estava com pressa e achei feio o bairro, queria ir embora rapido ... risos ... Mas nessa banca achei flores de alfazema secas por módicos 2 reais o pacote, comprei vários pacotes e tenho até hoje, para tomar banho. E uns biscoitos integrais gostosos. Mas fiquei menos de 2 minutos lá, devia ter ficado mais e visto todos produtos. Do lado tem uma banca de produtos japoneses também, mas nem entrei.