segunda-feira, 14 de junho de 2010

Cunha. Mercado Municipal, paisagem, frio


Fachada do Mercado e cerâmicas da Casa do Artesão
Neste fim de semana fizemos uma viagem rápida a Cunha, cidade na Serra da Mantiqueira famosa pelos inúmeros ceramistas e seus fornos, mas também pela paisagem fria e deslumbrante. Fomos à fazenda do Danilo, irmão do meu cunhado Darly, e mal tivemos tempo de visitar as cachoeiras, as trilhas e os ateliês.
Fomos direto para o entorno do fogão de lenha numa cozinha enorme separada da casa. E é ali que tudo acontece, bebericando boas cachaças. Já estavam à espera dos cozinheiros (já que os anfitriões não gostam de fogão), um pernil de leitãozinho, dois peixões do lago da fazenda e um pato canadense recém-abatido ali mesmo, prontos para preparar.
O pernil ficou por conta do Darly e o pato sobrou pra mim. Nem deu tempo para os peixes. Temperei o pato com o que tinha na cozinha pouco usada - alho, sal e pimenta da horta. Refoguei em um pouco de óleo até dourar. Juntei um pouco de água, um copo do pinot noir que beberíamos, mais folhas de louro, pedaços de cebola e só. Cozinhou em panela de pressão até ficar bem macio. Desengordurei o caldo que voltou pra panela com cheiro-verde. O arroz branco ficou pronto ao mesmo tempo e a couve picada finamente foi apenas assustada no óleo com alho. Então, nhac, tudo quentinho com o vinho. O pernil, deixamos cozinhar lentamente sobre o calor fraco da lenha até a noite, quando devoramos com pão. De sobremesa, muita mexerica direto do pé ao alcance das mãos.
E foto, quase não tirei das comidas pois minha máquina está tendo tremeliques cada vez mais frequentes, às vezes verdadeiras convulsões que não passam nunca. Mas conseguimos ao menos ir ao Mercado e à Casa do Artesão, onde comprei um saleiro e uma panela que já estreei no jantar de ontem.
Algumas fotos se salvaram.
Banca com panelas de ferro, botinas, chapeus, canivetes
Taros (inhames) gigantes

Pinhões
Pastel do Veloso, tradicional
Canjicas e canjiquinhas
O Mercado foi inaugurado em 1913 sobre as ruínas de uma capela. Parte dele está ocupado com outras atividades da prefeitura, de modo que só resta um salão pequeno para uns poucos boxes (três de verduras e frutas, uma de panelas, botinas e chapéus, outra de cachaça, uma banca de pastel e um açougue, que é aberto para a rua). De qualquer forma, é ali que se compram hortaliças da região - abóboras, batatas-doces, cebolas, chuchus, taros (inhames), além de canjiquinhas e, quando é época, pinhão, muito pinhão. Frutas costumam vir do Ceagesp.
Precisamos voltar no domingo cedinho porque era dia de piquenique perto de casa, e saimos de lá quando o sol estava chegando para aquecer aquela paisagem coberta pela névoa gelada. Fora do carro, dois graus!
Lá fora, dois graus. E a névoa parece um oceano macio invertido, com colinas ilhadas

10 comentários:

Nina disse...

ah, não creio que vc esteve aqui, do ladinho!

Adoro Cunha e sua concentração de fusquinhas por m²! A família do meu avô era de lá, inclusive. Não perco a Doceria da Cidinha, ao lado da Matriz, nunca. E tem uns restaurantes BEM BONS por lá, viu? Para todos os gostos. do PF ao mais sofisticado.

Mas nada se compara a perder horas conversando com a população local, de intricadas e complicadas histórias, ao lado de um fogão de lenha.

E, ah, Cunha ainda está sofrendo os efeitos das chuvas de janeiro. A cidade,que é um dos maiores municípios do Estado em área, com uma zona rural imensa, teve destruídas mais de 70 pontes e a ajuda oficial está chegando muito lentamente.

Beijo

Marcia H disse...

nossa, que fotos lindas, apesar de sua câmera estar tendo uns piripaques.

nao sabia que se come bucha, quando verde, agora vou ficar de olho lá no mercado chinês

Neide Rigo disse...

Nina, até pensamos em entrar em Guara, mas ia ser com pressa. Quero ir qualquer hora com mais tempo.

Mesmo em Cunha, desta vez foi quase como se não tivesse ido, porque foi muito rápido. O tempo há de vir. E vou guardar as dicas.

Márcia, será que encontra por aí?

Um abraço, N

Angela disse...

Aqui a paisagem, volta e meia, é assim. Lençóis de algodão fingindo que são nuvens.
Neide, você já preparou marolo de alguma forma? No mercado de são paulo apresentam marolo como coisa mineira. Meu amigo de Boa Esperança disse que na fazenda dele tem demais. Fazem com doce de leite.
Aqui, no sul de minas, não tem. Queria saber mais dele através de você.

Neide Rigo disse...

Angela,
deve ser linda sua região, hem? Posso imaginar. Quanto ao marolo, não tenho a mínima intimidade com ele. Só conheço araticum, biribá e estas outras anonáceas mais comuns no mercado. Mas acho que não pensaria em fazer nada além de comê-lo in natura.
Um beijo, N

Nina disse...

Ah, deixe-me caprichar mais nas dicas, então:

http://www.portaldecunha.com.br

Aí no portal tem um roteiro gastronômico bem bom. Eu adoro o

www.quebracangalha.com.br

E bem ao lado do Mercado, tem o restaurante da Rosa com um PF que acho que vc bem ia gostar!

E da próxima vez, não esqueça de pasar no Tudo da Roça

www.tudodaroca.com.br

(e me avise quando estiver por aqui!)

Bjo

Neide Rigo disse...

Nina, obrigada! E você já tinha falado do "Tudo da Roça"... De qualquer forma, eu não tive tempo mesmo. Vou lembrar de todas as dicas quando for pra lá novamente (com um fusca ou 4 x 4!).
beijos, N

Klaus Weiss disse...

Há muito tempo leio seu blog, sempre com carinho e crescente admiração. Cada vez mais acabo incorporando hábitos que leio aqui a minha vida culinária, como aproveitar talos e caules desprezados, e buscar o simples nas comidas do dia-a-dia. Te dou os parabéns e vejo que essa cidade que já me deu muito (hoje moro em Florianópolis) ainda dá um caldo, quando há gente como você que sabe onde encontrar. Beijo!

Tatiana O A disse...

Ola, vou passar minha lua de mel em Cunha, gostei muito dos comentários da Nina, "bem bom" eles....srrs..... fiquei feliz com a propaganda que ela fez de Cunha. Eu gosto muito de artesanatos, acho q vamos passar dias felizes la, obrigada pelas dicas.

Joao Victor Oliveira disse...

Correção: Cunha não fica na serra da mantiqueira, e sim no Vale do Paraíba, é a cidade mais alta do vale e a segunda mais alta da região. Muito bom mesmo lá, o melhor de tudo é cedo quando levantamos e vemos as ruas brancas parecendo neve, isso da vontade de até comer um pinhão.