quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Oficina sobre plantas comestíveis não convencionais e ervas espontâneas na Horta das Corujas


Foi assim:  Cláudia Visoni me perguntou se eu poderia dar uma oficina pra comemorar o aniversário na Horta das Corujas no dia 27 de setembro. Não, não podia. Só se for agora. E assim combinamos uma oficina na horta de uma semana para outra. O Marcos faria uma cirurgia de joelho na sexta à noite e então estaríamos em São Paulo no sábado.  E como eu adoro improvisos, adoro a Claudia, adoro matinhos, adoro a horta das corujas e adoro aulas ao ar livre, adorei também a experiência. Só não gostei de deixar o amor sozinho, mas ele entendeu. 

Minha vizinha Ana Campana me ajudou, a amiga Ana Perin e muitos voluntários da horta também. E lá fomos nós andar caçando matinhos de comer para depois cozinhar. Claro, levei a massa do spatzle de mato pronta. O molho de tomate também. Foi só aquecer a água, demonstrar como fiz (usando bertalha-coração, trapoeraba, folhas de capuchinha e de batata-doce)  e cozinhar os nhoques, que servi com molho de tomate e queijo da Canastra. Levei também refresco de hibisco com folhas de gerânio-de-cheiro. E muita gente levou comidas e frutas que encheram uma mesona.   

No sábado de manhã o dia estava lindo e ensolarado e as pessoas animadas, descansadas, iluminadas. Meu amigo Guilherme Ranieri me acudia quando esquecia um nome científico ou deixava de notar um matinho escondido. Eram dentes-de-leão, capuchinhas, buvas, serralhas e serralhinhas, mentruzes e tantas outras espécies não convencionais (afinal as hortas urbanas são as guardiãs destas espécies esquecidas).  

Não fiz fotos, mas não faltaram colaboradores. Recebi fotos da Pops, da Júlia e do Sérgio.  Vejam aí embaixo, com devidos créditos. 

Foto: Sérgio Shigeeda

Foto: Sérgio Shigeeda
Foto: Júlia Kuk

Spatzle de mato 

Quanto à receita do spatzle, que todo mundo está pedindo, nem achei que precisasse de tanto que já fiz aqui este nhoque. Mas seguem aqui alguns links onde explico passo-a-passo, onde mostro improvisações para a nhoqueira, um jeito de fazer com a frigideira, um spatzle vegano, spatzles coloridos etc. 


De qualquer forma, a receita exata do que foi feito na horta é assim: numa xícara de 250 ml coloque 1/4 do volume de folhas verdes cozidas  (trapoeraba, folhas de batata doce, de ora-pro-nobis e de bertalha coração). Coloquei um ovo e completei com água. Bati no liquidificador, temperei com sal e noz moscada e juntei farinha até ficar uma massa bem pegajosa. O resto é igual aos spatzle que mostro nos links acima. Ou como ensinei no dia da oficina; 

O molho de tomate fiz assim: Cozinhei os tomates sem a pontinha no vapor (na cuscuzeira) até que ficassem bem molinhos, soltando a pele. Esperei esfriar, tirei as peles, bati todas as peles no liquidificador e juntei aos tomates cozidos e picados ou esmigalhados. Reservei. Fritei alho e cebola no azeite. Juntei os tomates e as peles batidas, temperei com sal e páprica doce defumada. Deixei cozinhar uns 10 minutos (lembrando que os tomates já tinham sido cozidos no vapor), só até ficar com uma consistência boa de molho, juntei folhas de manjericão-cravo, corrigi o sal e pronto. 

Refresco de Hibisco com gerânio. Foto: Sérgio Shigeeda
Refresco de hibisco com gerânio-de-cheiro e manjericão-cravo

Ferva tudo junto, hibisco, gerânio-de-cheiro e alfavacão ou manjericão-cravo.  As ervas, em porções de tempero. Adoce, espere esfriar, deixe gelar e sirva. 

Uma outra receita já dei aqui: e aqui uma geleia.
Bem, fica aqui o registro da iniciativa dos hortelões da Horta das Corujas como ideia para oficinas deste tipo, ao ar livre, grátis, sem frescuras nos campos frescos da cidade. Um bom jeito de celebrar as hortas comunitárias urbanas. Simples assim. 

As fotos que me mandaram estavam tão legais que não consegui escolher poucas.  Se quiser ver mais, entre no blog da Horta das Corujas ou no facebook dos Hortelões Urbanos. Tem mais fotos do Sérgio, que é colaborador da horta da Saúde, nestes links: https://www.facebook.com/groups/hortadascorujas/?fref=ts
 https://www.facebook.com/groups/467181830063730/?fref=


 



 
Fotos acima: Pops Lopes

Epazote

Bertalha coração

Fotos acima: Pop Lopes



















Fotos acima: Sérgio Shigeeda. Clique e amplie

terça-feira, 16 de setembro de 2014

O que é, o que é que você vai comer de almoço hoje? Me mande uma foto?

Pois é, caros leitores, a questão sobre nosso jeito de comer ainda não acabou. No sábado, as chefs Ana Soares e Mara Salles e eu vamos dar nossa palestra no Paladar Cozinha do Brasil (do jornal Estadão). Parece que já estão esgotados os ingressos, mas vou dando notícias por aqui. Por enquanto já adianto que tudo aquilo que os leitores responderam sobre mistura tem sido para nós um verdadeiro estudo de caso. Agora, queria mais. Será que conseguiria me mandar foto do que vai comer hoje? Foto do prato montado ou da mesa posta ou ainda da comida no fogão ou do jeito que costuma ser. Foto de celular, sem produção mesmo, a vida como ela é. Se quiser mandar por whats app, escreva para o email neide.rigo@gmail.com que eu mando meu número. Se não, mande por email mesmo. Diga seu nome e de onde é (cidade e estado). Poxa, vou adorar se conseguir algumas fotos do almoço de hoje. Manda, vai?  Depois eu publico tudo aqui no Come-se.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Como fazer um minhocário para compostar o resto do que você come. E oficina de minhocário no Sesc

O humus pronto foi há pouco tempo para este espaço na calçada 
Que agora está assim 
Como muita gente tem me pedido para ensinar a fazer minhocário, vou mostrar o que sei, como fiz e manuseio o meu, mas já aviso que não sou expert no assunto.  Isto significa que qualquer pessoa pode ter o seu sem medo.

A prefeitura de São Paulo lançou recentemente o programa "Composta São Paulo", que contemplou 2 mil moradores com minhocários. Embora tenha me inscrito, não ganhei o meu, pois disse a verdade, que já tinha um improvisado com baldes.  De qualquer forma, fiquei feliz com o projeto piloto para tentar  reduzir o lixo orgânico doméstico e torço para que a iniciativa impulsione mesmo uma política pública de compostagem.

Porém, enquanto isto não chega, podemos ir fazendo nossa parte. Há quem diga que para a terra o húmus de minhoca não serve pra nada. Ainda que não sirva, as minhocas decompõem grande parte dos restos de frutas e verduras que iriam para os lixões gerando chorumes contaminantes e toda sorte de malefícios para a comunidade.

Bem, minha hortinha da calçada não reclamou. Em plena seca, com húmus (o material decomposto) e água de lavagem de verduras, ela vai bem, obrigada!  Temos em casa o minhocário e um balde fechado onde guardo todos os restos que não vão no minhocário, como cascas de laranja, de limão, cebola, alho e restos de alimentos cozidos. E também restos maiores que fico com preguiça de cortar menor para colocar para as minhocas. Este balde vai para o sítio, cobrimos com palhada de braquiária e em cerca de 4 meses ele virou terra.

Bruno mostrando o minhocário na FSP-USP
Como disse,  não sou especialista em minhocário, tipos de minhoca, tempo certo para ficar pronto etc. Só sei que fiz como aprendi lá na horta da Faculdade de Saúde Pública da USP, com o Bruno e com o Vinícius (do Humanaterra). Você pode usar baldes de açaí, de margarina, desses grandes.

Vinícius, na USP, mostrando como fazer usando baldes usados de margarina
Já vi também muitos vídeos no You Tube (qualquer dúvida, vá lá e verá quanto tutorial há).  Ganhei um pouco de minhoca californiana, que se reproduz mais rapidamente, mas acho que pode ser qualquer uma - comece com um punhadinho.

Veja como fiz:

Arrume três baldes e corte duas das tampas, tirando um círculo, mantendo
as laterais para apoiar o balde que vai por cima 


Na lateral dos baldes, faça furinhos para arejar - com uma agulha quente ou
broca bem fininha, só pra ventilar mesmo (os meus ficaram grandes, por
isso, colei por dentro um pedacinho de tecido). 



Faça furos com a furadeira em dois baldes (broca 10).
No terceiro balde, instale uma torneirinha de filtro para recolher o chorume


Este bosque, atrás da minha rua, me fornece as folhas secas necessárias
para cobrir os restos orgânicos no balde

Se quiser deixar tudo organizado, arranje 4 baldes e deixe um só para
guardar a palhada, assim não precisa ficar buscando toda hora - recolha
em praças, onde sempre há folhas caídas e varridas nos cantos

Um balde cheio dá para algumas semanas

Coloque restos de legumes e frutas no fundo do balde (quanto  mais picado,
mas não empastado, melhor). Valem guardanapos de papel,  saquinhos
de chá e coadores de café (não uso nada disso), mas não cebolas, cítricos
como laranja e limão, alho e alimentos cozidos

Cubra com palhada - de preferência bem esmigalhada 

Aqui, ele pronto. Quando o primeiro balde encher, passe  para o meio e encha
o de cima - as minhocas migrarão para cima pelos furinhos (eu prefiro pegar um
pouco delas e já colocar pra cima). Em três meses, mais ou menos, o composto
já estará pronto para ser usado - escuro, seco, sem cheiro 
Acabei instalando no balde uns pezinhos de geladeira - vedados com massa
plástica, mas não precisa - é só deixar sobre um apoio para dar espaço para
tirar o chorume  
Se os restos estiverem sempre cobertos com palhada, você não precisa se preocupar com cheiro. Se começarem a aparecer drosófilas, passe um pano em volta dos baldes umedecido com óleo de nim diluído. 
O chorume pode ser tirado sempre que acumular um pouco - se tiver cheiro ruim é porque minhocas estão morrendo. Neste caso, há alguma coisa errada com o processo. Se estiver com cheiro neutro - é assim que tem que ser, é só diluir 1 para dez em água e usar na terra e para pulverizar nas folhas como fortificante folhear. Só evite deixá-lo em garrafas de coca-cola ou de shoyu... 

Pretendo ainda pintar meu minhocário, pois minhocas preferem escurinho, mas não tive tempo (ainda assim, elas estão se reproduzindo bem). Se puder, escolha baldes escuros (o de açaí é bom). 

Oficina de minhocário grátis
Aliás, neste sábado, o Bruno Helvécio vai estar no Sesc Belenzinho, dentro do projeto Comer é Mais, ensinando a fazer seu próprio minhocário. Veja se ainda tem vagas.

Sobras e Restos nos Interessam – Compostagem Urbana
COM BRUNO HELVECIO
SESC Belenzinho ver no mapa compartilhar
20/09SAB
11H ÀS 13H*
Grátis
*inscrições antecipadas
R. Padre Adelino, 1000
Disponível

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Macarrão com dente-de-leão

Quem disse que as plantas ruderais são tão indomáveis assim? No sítio em Piracaia não havia dente-de-leão. Já falei dele aqui: http://come-se.blogspot.com.br/2009/01/tempo-de-dente-de-leo.html. Levei sementinhas daqui, espalhei por lá e agora não fico sem. Aproveitei o último fim de semana para colher sementes e trazer, desta vez, para cá, para aumentar a plantação na horta comunitária. Com as folhinhas, fiz este macarrão que fica delicioso, com a linguiça combinando com o ligeiro amargor do dente-de-leão. Coloque as folhinhas à vontade se tiver muitas delas.  


Fritei uns pedaços de linguiça fresca esmigalhada. Juntei um pouco de cebola e folhas de dente-de-leão picadas, refoguei um pouco, temperei com sal e pimenta. Juntei um pouco de feijão cozido, um pouco de macarrão e tomatinho cortado ao meio, misturei e nhac! 

E nhac! 


Amanhã estarei na Horta das Corujas dando uma oficina sobre as plantas alimentícias que nascem espontaneamente por lá. Veja no site da horta. Será às 10 hs. Depois, vou fazer uma comida pra todos provarem. É grátis. Apareça!