segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

É tempo de cabeludinha

Sorte que entre as respostas da charada do post anterior apareceram uma uvaia e uma guaquica, pois de resto todos acertaram: cabeludinha. Não fossem estes errinhos, qual a graça? Portanto, mesmo que não saibam, respondam. Pelo menos os dois palpites eram de mirtáceas, família à qual pertencem todas estas frutinhas, incluindo a pítanga, a jabuticaba, a feijoa, a goiaba, a gabiroba e tantas outras. É que esta realmente estava fácil - só pra quem já teve a sorte de estar frente a frente com esta frutinha, é claro.

Em São Paulo, só vi cabeludinha (ou guapirijuba, Myrciaria glazioviana) em um lugar: na Faculdade de Saúde Pública da USP, que fica entre a Dr. Arnaldo e Teodoro Sampaio. O espaço é público, portanto é só entrar e observar as pequenas árvores à direita logo depois de passar a guarita. Ficam escondidas. Poucos alunos sabem que elas estão ali.

Achamos abandonada
Plantamos 
E colhemos
Outro lugar de São Paulo onde já vi a planta foi no meu bairro, a planta seca num vaso abandonada à própria sorte. É esta que está no nosso sítio hoje e que já me deu duas safras de frutos.

Bem, a fruta é conhecida também como jabuticaba amarela e apesar da pele aveludada da casca de cor amarela e da polpa pouca, lembra bastante aquela fruta. Ela pode ser usada em pratos, mas não achei ainda nenhum preparo em que o sabor da fruta ficasse perceptível ou que mostrasse alguma vantagem em relação a comer a fruta ao natural - é uma delícia, impossível de comer uma só.  Hoje fiz geleia com ela, mas nem vou mostrar aqui porque não ficou grande coisa (cozinhei os frutos inteiros, peneirei e usei o caldo - deu ponto de geleia, mas sem sabor de cabeludinha e ainda um tanto amarga por causa da casca).

O jeito certo de comer é quebrar na boca e sorver a polpa dispensando a casca e a semente que, aliás, constituem a maior parte do pequeno fruto. Ou seja, resta-nos uma pequena gosminha perfumada e saborosa pra engolir. Devo dizer ainda que a fruta está liberada para qualquer tipo de dieta, afinal você gasta mais calorias para quebrar, chupar, dispensar casca e semente, que aquelas contidas na polpa minguada. Uma pena, tão gostosa que é!

Neste final de semana tive a sorte de visitar o Sítio do Belo, em Paraibuna, como parte das atividades do projeto Comer é Mais, do Sesc Belenzinho e do qual sou curadora. Ele cultiva 10 hectares de frutas, principalmente as da Mata Atlântica. Então, nos esbaldamos de cabeludinha, que é tempo delas.

Doublas Belo comendo a fruta

No Sítio do Belo, a árvore carregada 


Já mostrei a saga das mirtáceas, incluindo a cabeludinha achada, aqui.

Obrigada aos leitores que participaram da brincadeira.

11 comentários:

thatiana Bandeira disse...

Que saudade da minha infância! Engraçado que sonhei com o sítio do meu avó (falecido há uns 20 anos) cheio de cabeluda e abro seu blog e sinto até o gosto na boca!!! Pena que em BH não encontrarei em lugar nenhum!!! Beijos

Fernando Goldenstein Carvalhaes disse...

Leide Neide,

Adoro!
Olhe a receita do meu pai de licor de cabeludinha, que cita jaboticaba também!

Fê,

Aqui, como fiz o licor com a frutinha amarela...

1 kg da cabeludinha,

Lavar e selecionar as maiores, cortar com faca para expor o caldo, sem retirar o caroço.

colocar em recipiente de vidro com 1l de cachaça descançada ( não pode ser envelhecida em toneis ), ou 1l de alcool de cereais a 45 %;

Deixar por cerca de 2 semanas mexeendo todos os dias, uma ou duas vezes e retirar as que possam apresentar coloração preta;

Preparo da calda com 1l de água sem cloro (mineral) e 700 gr de açucar refinado ( calda mais transparente );

Água e açucar no fogo até formar calda leve ( +/- 30 min ) ( Obs: um pouco a mais de 1l de água para se obter 1l de calda );

Deixar a calda esfriar para após proceder à mistura com a cachaça/frutas;

Filtrar a cachaça/frutas em algodão ou pano de algodão antes de procedera mistura;

Agitar bem e armazenar em garrafas de vidro;

Maturar por pelo menos 30 dias.


Voilá,

Semelhante fiz com a jabuticaba da horta da Rua Fidalga!


David Kim disse...

Neide, tem alguns pés de Cabeludinha junto da quadra esportiva do Parque do Povo. Aliás, tem também várias outras plantas nativas ali: araçá, uvaia, caju, dentre outras.
Tenho um pé pequeno dele na casa dos meus pais em São Paulo, que planejo trazer para Campos do Jordão em breve. Será que aguenta o frio?

Guilherme Ranieri disse...

Tem cabeludinha no Ibirapuera, no bosque em frente ao manequinho, comi um monte lá mesmo :)

Catarina disse...

Olá Neide tudo bem com vc...desde que conheci seu blog por onde ando vivo procurando matinhos e frutinhas não convencionais e sempre encontro belas surpresas...uma delas foi esta tal de cabeludinha dentro do campus da usp aqui no Butantã que aliás de tudo um pouco vc encontra por aqui...,o pé ainda está pequeno mas tive o prazer de experimentar a fruta...uma delicia esta tal de cabeludinha...Ainda espero encontrar um pé de jaracatiá por estas bandas ,mas ai.... seria emoção demais para esta mulher tão curiosa...kkkkkkkk Bjs Neide.

Catarina disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Neide Rigo disse...

Tathiana, então trate de plantar uma muda dela por aí. Há muito viveiros que tem e mandam por correio. Como o Ciprest, em Limeira, por exempo. Tem link aí na barra lateral.

Fernando, que delícia deve ficar. Vou tentar fazer. Obrigada por compartilhar a receita aqui.

David, obrigada pela informação. Eu acho que vai bem no frio também.

Catarina, quando eu morei no Crusp plantei algumas coisas por aí. Já nem sei mais o quê e se sobreviveram - até café. Tomara que encontre um dia o jaracatiá - este não plantei, com certeza.

Ótimo saber, Guilherme!

Um abraço,n

Cecília Nogarotto disse...

Olá Neide! Por pouco tempo tenho seguido seu blog, mas já virei fã! Tenho um quintal e há uns 2 anos comecei um pomar, nele já tem pés de jabuticaba (de semente, eu sei que vai demorar, mas um dia comerei seus deliciosos frutinhos), pitangas vermelhas, da graúda e da miudinha pros passarinhos, butiás, laranja, ponkan, limão-galego, mamão (pena que o primeiro não chegou a madurar, deu uma peste que deixou a casca encrostada e preta), cerejas do mato, amorinha preta, abacate (que estou pensando se deixo crescer ou não, pois vai ficar muito grande, quando ganhei a muda e até hoje tenho dúvidas quanto a deixá-lo crescer ou não, e o pior é que eu nem cuido dele e ele pegou e está lá, firme e forte como se dissesse: me deixa! haha) e café! Aí aqui na casa do meu namorado tem uva-japão, e ele sempre me dizia que era de comer, uma vez cheguei até a provar, mas não lembro do gosto... agora to com muita vontade de experimentar todas as frutinhas e coisas diferentes que vejo no seu blog! haha Bem, hoje fiquei inspirada e fomos dar uma voltinha aqui na rua da casa dele, e olha que encontrei as hortelãs mais lindas e grandes que eu já vi, que me renderam um chãzinho bem gostoso! E lá tem muiiita hortelã bonita, fiquei pensando se tem alguma outra forma de utilizá-la em alguma receita, porque dá dó de deixar tanta hortelã sozinha no meio do mato! hehe um grande beijo e parabéns pelo blog!!!

Andréa disse...

Neide vc teria alguma receita com a cabeludinha, geleia, um doce, qualquer coisa pois tenho uma enorme arvore aqui no meu quintal e todos os anos como e fico pensando o que opoderia fazer com os kilos colhidos.. obrigada

Neide Rigo disse...

Cecilia, que bom saber do seu gosto. Boa sorte!

Andréa, infelizmente também nunca fiz nada com elas. Por enquanto só comi. Mas na próxima safra, hei de aproveitá-las melhor.

Um abraço,n

Ana Beatriz Oliveira Dantas disse...

Oi, David, aguenta o frio sim, pois meu sítio fica nas montanhas do Estado do Espírito Santo, em Marechal Floriano, faz muito frio e o Pé de cabeludinha está carregadinho.