quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Uma penca de cebola colhida e 20 mil toneladas apodrecendo

Justo nesta semana quando comemorava minha primeira colheita de cebola - uma pequena penca -, fiquei sabendo que em São José do Rio Pardo,  a terra do chef Jefferson Rueda que não se lembrou de falar disso ontem na aula dele no Mesa Tendências, 20 mil toneladas de cebolas não serão colhidas por causa dos preços baixos desta safra. No ano passado, a cebola alcançou bom preço, o que motivou produtores a plantarem mais. Conclusão óbvia, o preço caiu e a saca está custando tão pouco que não compensa pagar para colher. Vale um Disco Xepa de chefs só pra aproveitar esta cebola que apodrece no campo. 

Todas as partes são comestíveis. E se você tira o broto, o bulbo cresce mais

Corto cebolas assim: de um lado, de outro, tiro a pele e corto as laterais
Bem, mesmo assim, não posso deixar de me alegrar com minha primeira e insignificante colheita. Para a mim, a coisa mais grandiosa do mundo.  Já tinha mostrado aqui o porque de nunca mais cortar cebolas em rodelas, pelo menos não na época de plantio. Primeiro porque o miolo pode ser replantado e segundo (e talvez isto me motive a continuar cortando assim durante todo o ano),  porque o efeito lacrimejante é quase nulo - talvez a posição em que a faca passe pelas células diminua a liberação da substância irritante. 

Planto  um miolinho e colho uma penca
Se você acompanha o Come-se, verá que plantei as cebolas tem uns dois meses. E aprendi como plantar num curso de hortas. Não tem segredos. É só enfiar o broto na terra.  Por isto, a cebola maiorzona levei de presente para a Vivian, a jovem professora agrônoma que me deu o toque - de cortar a cebola pela metade e deixar na geladeira para brotar. Sou péssima aluna, não fiz nada disso, mas também deu certo. Em vez de cortar ao meio, deixei o miolo inteiro, usando o que havia em volta dele na cozinha. E nem coloquei na geladeira (achei que ia ficar cheirando ruim).  Coloquei direto na terra. Mas deu certo e agradeço pelo incentivo.  Claro, o pessoal lá em São José do Rio Pardo deve ter técnicas mais apuradas para uma colheita mais produtiva (neste ano, não adiantou), mas para plantio doméstico como o meu, funcionou assim.  Uma coisa que desconhecia e só descobri na mini colheita é que de  um miolo nascem várias cebolas, como se fosse um bulbo de alho, só que separado. Nunca tinha parado para especular sobre isto. 

E, bulbos, brotos, talos, folhas, tudo. Nhac! 
Não fiz nenhum uso especial das cebolas que colhi, mas cortei pedaços, incluindo os talos, e assei com outros legumes colhidos no sítio em estágios não convencionais - jilós maduros, por exemplo. A melhor cebola que já comi na vida. Docinha, fresca, ainda impregnada com o perfume de terra molhada, com a vista para a água e as montanhas e com o cantar dos passarinhos que voaram sobre ela. 








10 comentários:

Ana Canuto disse...

Neide: Você também já ensinou, mas ainda não "plantei batatas" com as casquinhas no quintal. Já a cebola, também logo estarei colhendo. Ah, e também nem espero brotar, uso as laterais e logo enterro o miolo. Tem dado certo. Um beijo.

Bombom disse...

Olá Neide. Já há muito tempo que nâo comento aqui no Come-se, mas nâo deixo de passar por cá sempre que posso. Hoje gostei demais das tuas cebolinhas e das dicas que nos ofereces. Vou já aproveitar a ideia para experimentar semear cebolinhas na minha varanda da cidade e quando for à aldeia, replanto-as lá se elas vingarem. Não conhecia essa técnica! E vou já "vasculhar" a das batatas com as cascas. Aqui em Portugal, a diferença está no tempo, pois aqui agora é Outono e o Inverno frio está à porta. Obrigada por tudo o que partilhas generosamente. Bjs. Bombom

Anônimo disse...

Oi, Neide! aqui no Sul de Minas os produtores estão deixando os tomates apodrecerem na lavoura. Segundo eles, também não compensa pagar a colheita, o quilo para o produtor está saindo a R$0,75. Perguntei a um deles porque não doam, ele contou que uma vez deixou uma turma colher para uma instituição e quebraram as estacas e danificaram os fios de arame usados na plantação e que são reaproveitados. Resultado: segundo ele, o prejuízo foi ainda maior. Enquanto isso, pagamos R$2,90 até R$3,36 no quilo do produto no supermercado. Um pena! Abç
Izabel

Sadhia Hage disse...

amei ver suas cebolas mas saber que muitas vão estargar é uma pena mesmo ...o preço relamente não juda né mesmo ?? bjus doces

Anônimo disse...

Neide tai uma coisa que não consigo entender deixar apodrecer, jogar fora, com tanta fome sei lá parece uma maldição um país que nasce plantas nas gretas de calçadas e o maior em desperdício. Mais quero lhe perguntar uma coisa se cortar ela ao meio e plantar não da certo?(Bja. Diulza)

Raquel de Oliveira disse...

É um absurdo deixar a comida estragar no pé. Fico pensando se não teria como montar uma ong que fizesse essa colheita de forma bacana pra doar toda essa comida. Ou que ensinasse sobre hortas caseiras pra pessoas de baixa renda. Mas por enquanto estou só no sonho. Adorei a dica das cebolas. Vou tentar fazer aqui em casa. Um grande beijo.

aguiar disse...

Olá Neide, que colheita maravilhosa!
Quando você ensinou a cortar e plantar a cebola, fiquei ansiosa por ter minha própria experiência. Só que moro em apartamento e não disponho de espaço adequado.Esperei a oportunidade de passar uns dias na casa de praia( da minha irmã),que tem uma horta, e lá então fiz meu plantio de cebolas(duas) e estou aguardando. Já se passaram uns 40 dias e no próximo feriado vou lá, "corujar" minhas cebolas rrsrsrs, aproveitei que tinha um pedaço de gengibre brotando e plantei lá também.Até comprei algumas sementes de ervas e capuchinha e joguei tudo na terra. Gosto assim, jogar as sementes e ver brotando e ir me surpreendendo...maravilha!!!
Ah! lembrei que lá nesta mesma casa tem um pé de biribiri,que usamos na salada,na conserva de pimentas, pra suco... Por acaso você conhece essa fruta Neide? O que sabe sobre ela? Mais uma vez obrigada por compartilhar seus conhecimentos. Bjos

Leticia Cinto disse...

Assim que vi a notícia sobre as cebolas lembrei de vc, Neide. Na minha opinião é a plantação em grande escala que leva a esses absurdos. Precisaríamos ser muito mais organizados para que alguém conseguisse convencer os produtores a deixar colher o que não vai ser aproveitado, com a garantia de não pisotear o que não deve, quebrar, etc. Lembrei também desse vídeo, sobre o assunto (Les Glaneurs et la Glaneuse) http://vimeo.com/37089032. Vou tentar plantar cebolas assim tb :) Bjs!

Humberto Marra disse...

Ahhh Neide... cebola caseira e ainda olhando pra natureza ... é de matar de inveja !


beijao

Isabel Meira disse...

Nada melhor do que colher as próprias cebolas... eu também tenho em casa. mas agora me bateu um arrependimento: não usei tudo o que poderia ter utilizado!
Quanto ao outro assunto... é realmente triste ver essa política de destruir o que se planta só para valorizar o produto, enquanto tantos brasileiros estão precisando de uma alimentação adequada... pior é saber que essa situação acaba sendo incentivada pelo país de forma geral.