segunda-feira, 19 de abril de 2010

Cruá, continuação. Doce pastoso de cruá

Para tirar as sementes, é mais fácil ir pegando pedaços pequenos e ir separando com as mãos
Aquele mesmo cruá (também aqui), continuou rendendo. Usei o caldo para fazer refresco; a polpa externa, para o purê e o escondidinho e as sementes tostadas viraram tira-gosto. Já o miolo aquoso, cheio de fibras e sementes viraram doce. E, incrível, aquela presença forte de melão caipira perfumado desaparece e dá lugar a um sabor agradável de doce de abóbora. Quem come não diz que o fruto é outro.
Comecei cozinhando só a polpa com água para ver o que acontecia. Provei e achei o sabor meio amargo. Esperei amaciar, bati com mixer e juntei açúcar. Faltava acidez. Juntei, então, suco de limão rosa e, depois de cozido, não havia nada de amargo e, se tivesse acrescentado uns 2 cravinhos, teria ficado mais parecido ainda com doce de abóbora. Mas, mesmo só com limão, ficou perfeito para comer com um naco de queijo macio. Se tivesse apurado mais ou adicionado mais açúcar, teria conseguido consistência de corte, como marmelada. Mas quis assim, pastoso, para comer com requeijão de leite de búfala, da Ilha do Marajó. À receita:
Doce pastoso de cruá
3,5 xícaras de polpa de cruá (a parte central, onde se alojam as sementes), sem as sementes
1 xícara de água
2 xícara de açúcar cristal
4 colheres (sopa) de suco de limão rosa
Coloque a polpa e a água numa panela e leve ao fogo. Cozinhe por cerca de 20 minutos ou até a polpa ficar bem macia, se desmanchando. Bata com o mixer (ou espere esfriar um pouco e bata no liquidificador) até ficar um creme bem liso. Junte 2 xícaras de açúcar e o suco de limão. Deixe cozinhar em fogo baixo, mexendo sempre para não pegar no fundo da panela, até o doce ficar pastoso.
Rende: 3 xícaras de doce
Agora só falta achar utilidade para a casca que, mesmo depois de cozida, secou ao sol e virou quase uma cerâmica. Cortei em pastilhas com torquês. Tão duras, que me valeram bolhas nos dedos e me fizeram parar o trabalho na metade. Talvez invente alguma arte em mosaico. Ah, e não adianta fritar, que não funciona, viu?

6 comentários:

Sandra G disse...

Neide em primeiro lugar muito obrigado pelas palavras de carinho.

Cruá, não conheço, mas faz lembrar abobora, será que tem o mesmo sabor?

Bjs

Gina disse...

Encontro cruá facilmente no Mercado Municipal. Sempre fiquei curiosa com ele, apesar de saber que pode ser consumido ao natural. Mas você nos trouxe tantas opções de preparo, que só aguçou ainda mais minha vontade de prová-lo.
Esse doce ficou com um aparência ótima.
Publiquei hoje seu sagu de acerola. O azedinho da fruta confere um sabor muito bom.
Boa semana!

Larissa disse...

Neide, incrível sua capacidade de explorar os ingredientes. voc~e quase os disseca. Parabés! Abraço, Larissa

Anônimo disse...

Neide,
ganhei ontem 2 frutas que me foram dadas como melão, e vim a descobrir que eram croá ou cruá, como não sabia como prepará-las (nem me atrevi a abri-las) vim aqui procurar ajuda e encontrei. Muito obrigada, vou experimentar uma delas ainda amanhã.
abraços

Elaine - Rio Casca/MG

Anônimo disse...

Neide,
ganhei ontem 2 frutas que me foram dadas como melão, e vim a descobrir que eram croá ou cruá, como não sabia como prepará-las (nem me atrevi a abri-las) vim aqui procurar ajuda e encontrei. Muito obrigada, vou experimentar uma delas ainda amanhã.
abraços

Elaine - Rio Casca/MG

Laerte J Silva disse...

Muito legal o blog. Provei o suco e doce de cruá hoje! Nota 10! Pena que achamos mais frutas exóticas (estrangeiras) nos mercados que frutas nativas, e às vezes, tão caras!