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| Mari colhendo framboesas |
Assim que cheguei em São José dos Pinhais, no Paraná, onde meus pais moram, minha mãe já ligou para a amiga Valdite se convidando para ir visitá-la na chácara quase dentro da cidade, "para levar minha filha que gosta destas coisas". E tem como não gostar?
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| Valdite e Olga, minha mãe, sob a parreira de uva Terci |
Minha mãe tem uma capacidade incrível de se adaptar a lugares novos e fazer amizades. Valdite, conheceu numa loja de departamentos e tão pouco tempo depois já parece que são amigas de anos. Por isto, fui recebida com carinho de afilhada pelo casal e sua filha, Mari.
Valdite é baiana e seu Zé Kriwouruska, polaco. Aliás, no sul do Paraná, polaco ou polaca é qualquer ser branquelo, seja polonês ucraniano, húngaro, alemão ou italiano. Mas seu Zé é descendente de polonês mesmo e muito do que se vê ali é resultado da miscelânea das duas culturas, tanto nas soluções engenhosas na propriedade, quanto na mesa. Num espaço pouco maior que um hectare, cultivam de tudo. E, o melhor, aproveitam tudo o que sai daquelas terras e águas - um laguinho com peixes. O mel produzido em cem caixas de Apis espalhadas perto dali é consumido pela família e o excedente é envasado e disposto para venda numa estante improvisada na varanda, "mel do Seu Zé". Há também algumas caixas da meliponínea Mirin, abelha sem ferrão que produz mel ralo e ácido de excelente sabor. Nem a água doce, resultado do enxague das colmeias durante a extração do mel, é desperdiçada. Vira melado de mel, que também é vendido. Muito bom, doce com um quê de amargor. Trouxe para mim um vidro de cada e ainda de geleia de framboesa, feita pela Valdite. Muitas frutinhas são necessárias para se fazer um vidro de doce denso de vermelho forte, por isto tenho economizado como ouro a que trouxe. E a cerveja de mel? Sorte que sobraram duas garrafas das festas de fim de ano e pude degustar. Deliciosa. É clara, mas lembra cerveja escura, um pouco adocicada, alcóolica, superborbulhante. Mari, a filha, disse que muito descendente de polonês por ali ainda faz esta bebida e prometeu que vai me ensinar a fazer. Só precisava de comprar mais lúpulo para o próximo lote e aí me mandaria fotos e receita. Aguardemos! O maracujá do mato vira polpa conservada para a entressafra, a nata vira biscoito, o torresmo triturado com alho transforma-se em "manteiga" para o pão, a uva é cozida para fazer suco engarrafado. E tudo feito com tanto capricho, que recomendo muito a quem estiver entre Curitiba e São José dos Pinhais que compre o mel, a geleia e os produtos de momento, sempre únicos, exclusivos, já que a atividade principal dos dois não é a de venda mas a de produzir por prazer para consumo próprio.
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| Cerveja de mel |
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| "Manteiga" de torresmo. Como é mesmo o nome? |
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| Mel de mirin |
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| Maracujá do mato |
Para quem quiser comprar o raro mel de mirim, mel de Apis, melado de mel ou geleia de framboesa: Mel do Seu Zé, telefone: 41 3282-3408 ou 41 9906-8092