sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Terra Madre Day: colheita urbana, alimento local

No ano passado comemorei o Terra Madre Day em Piracaia, com um piquenique. Mas desta vez resolvi voltar àquela celebração que fiz em 2012, quando saímos às ruas para colheita de espécies alimentícias convencionais ou não. Entre as não convencionais, as plantas como beldroega, mentruz, dente-de-leão, pepininho, erva-pepino, serralha, guasca, fruta da pataca,  entre tantas outras. Entre as convencionais,  jaca, manga e pitanga, por exemplo.

Paulo, Eliane, Fernando, eu, Guilherme, Drika e Ana (outros
vieram e já tinham ido embora)
A data, 10 de dezembro,  foi escolhida pelo movimento Slow Food, do qual  faço parte, para incentivar associados e convívios do mundo todo a celebrar a Terra e a reverenciar o alimento que ela nos dá. Por isto, a forma que encontrei de participar foi a de andar pelo bairro reconhecendo as espécies que normalmente nos passam despercebidas.  Simples assim: decidi dois dias antes, convidei as pessoas e pronto, basta andar pelas ruas com cestas, sacolas, máquinas e disposição. Só é triste de ver tantos jardins gramados e calçadas largas e pavimentadas, quando poderiam ter alimentos plantados para abastecer uma família.

Meninos descascaram mangas verdes para o suco e chutney

Meninas desenharam 
Enquanto o encontro de 2012 foi marcado pela cozinha e comilança depois da colheita, desta vez tivemos a participação da Marcela Arantes, artista plástica, que desenhou e incentivou os outros participantes a registrarem o que colhemos. E Guilherme Reis Ranieri, que eu conheci na primeira celebração e virou amigo, agora passou a ser parceiro no reconhecimento, já que ele entende de matinhos muito mais que eu (aliás, se não conhece, visite o blog dele, Matos de Comer).  Depois da colheita pelas ruas ao redor da minha casa, uns desenharam, outros comeram. As pessoas trouxeram comidas para compartilhar e teve até pesto de ora-pro-nobis, trazido pelo Fernando, que é uma ótima pasta verde, boa para rechear ou umedecer sanduíches.

Zona da cozinha. Foto: Drika Bourquim
Embora tenha postado o convite aqui e no instagram, não éramos muitos e só quando estou na minha bagunçada cozinha é que percebo que o número de participantes não pode mesmo ser grande. É o tipo de encontro que qualquer grupo pode fazer, de preferência com número pequeno de participantes - até 15 seria o ideal, para que todos aproveitem e interajam. Sempre há alguém do grupo que conhece as verduras e,  mesmo que não saiba distinguir uma serralha de um mentruz, todo mundo sabe o que é uma manga ou uma pitanga, por exemplo e isto já pode ser um bom começo e pretexto para sair às ruas e fotografar, desenhar, observar.  Então, de mãos e mentes vazias ninguém volta. E, posso garantir, é uma das coisas mais divertidas e prazerosas que podemos fazer na cidade: andar e descobrir o inusitado no espaço urbano.

Entre outas especies: urucum, flor de sabugueiro,  nopal, manga verde, fruta
da pataca, caruru, hibiscos etc

Pitangas, ora-pro-nobis, mentruz, e até caju e jaca





















Veja os eventos espalhados pelo mundo no facebook do Terra Madre Day
E se você ainda não comemorou este dia, ainda dá tempo. Veja a agenda do que ainda está para acontecer e exemplos do que pode criar,  no site do Terra Madre Day.

Veja também o que postou sobre a caminhada a Eliane em seu blog: As Sementeiras.
Aqui vão algumas fotos:

Fernando e Guilherme colhendo fruto da pataca
Fiz beijus de banana, abóbora e sementes de mentruz para comer com mole
de sementes de leucena com manga verde feito pelo Guilherme

A chuva fina veio coroar o final do passeio com cestas cheias


Banc: bicho alimentício não convencional ou saúva limão
(a mesma que Alex Atala usa para colocar em cima do abacaxi,
com sabor de citronela e gengibre)

Taís, Guilherme, Ana, Fernando e Marcela

Doce de goma que fiz com flores da rua e do quintal. Foto: Drika Bourquim 

Doce de goma com manga verde e coco

Fernando e ora-pro-nobis (esquecemos de tirar foto do pesto)

Fernando subiu na árvore para colher flor de sabugueiro

A grumixama sofreu poda de levantamento - a prefeitura não quer que o
cidadão pare para colher frutas, diz que é perigoso ;( 

Pitangas deliciosas, docinhas

Sopa de guasca com batata-doce 

Ana com flor de sabugueiro

O beiju com sementinhas de mentruz 



Flor de cosmus, feijão borboleta, traboeraba e maria-sem-vergonha (disco
feito com goma de mandioca, açúcar e leite de coco)

10 comentários:

Anônimo disse...

Neide, vc como sempre juntando pessoas da melhor qualidade.
Felicidade da aventura do reconhecimento, colher o que a cidade tem de melhor, frutos divididos com os pássaros.
e depois... ah..que delícia, uma comida feita com tantas mãos , comemorando o dia da Terra, consumo com consciência.
Muitos Vivas!!!! para vcs todos.
Pena que fiquei de repouso, não tava bem, mas um dia vou estar bem perto de vcs
Bjos ana.

Leticia Cinto disse...

Ah, que passeio lindo! Pena que tinha prova, senão teria ido tb, esse tipo de passeio é inesquecível. Sempre que faço caminhadas procuro reconhecer e colher as plantas enfrutas do caminho. Aliás, a safra de goiaba da cidade de SP promete, não? ;)

Eduarda Couto disse...

Que máximo! Adoraria participar de um evento assim na minha região, e saber melhor como identificar e usar as PANCs. Aplaudo de pé!

Anônimo disse...

Oi Neide! Que delícia de proposta. Pena eu estar longe... Me tira uma dúvida, por favor. Como chama essa fruta redonda grande, que tem na foto das meninas desenhando? Aqui em Campinas tem muito, e não faço ideia do que é. Obrigada! Sílvia

Vah Netto disse...

Neide, meu comentário é um tanto deslocado, mas vale pela curiosidade.. rs
Estava procurando receitas de papinhas, e encontrei um pdf de "Receitas Regionais para crianças de 6 a 24 meses" do Ministério da Saúde, de 2010, nesse livro tem receitas de papinhas com beldroega e ora pro nobís, legal né? Achei um incentivo pra consumir alimentos não tão comuns desde cedo.
Abraços, Vah

Marília Kelen disse...

Somente pra dizer que teu trabalho é lindo, lindo e lindo! Tenho muita vontade de te conhecer... Se vier palestrar em POA uma hora dessas, avisa pelo Blog.
abraço

Uakari disse...

Ah, que inveja dos que puderam ir! Morando longe e com filho recém-nascido, não dava. Felizmente, pude conhecer alguns no Pic Nic de Trocas de Mudas e Sementes.
David Kim

Allana Gama disse...

Neide, leio seu blog tem tanto tempo e nunca achei que o país poderia ser tão pequenininho...
Esse rapaz, Guilherme era meu ~amigo virtual~ da época do orkut hahaha mesmo sendo de Recife e nunca tendo nos encontrado ao vivo.
Que coincidência.
Espero que estejam todos felizes.

Abraços

humberto disse...

Ah, que massa! pensa em fazer esse passeio novamente quando? pesto de ora pronobis... que idéia boa!
beijo.

Enoque Diniz disse...

Olá, Neide. Desde que conheci o seu blog, sempre "passo" para ler as postagens e aprender alguma coisa, e faço propaganda também, para os amigos procurarem... rsrs
Fiquei impressionado ao ver esse que você menciona ser o fruto da pataca, nunca imaginei que fosse comestível... Fiquei curioso para saber como e para que preparações usar. No campus da Universidade tem muitas dessas árvores. Eu achava que era uma espécie apenas ornamental...