
Mesmo durante os cerca de 30 anos em que viveram aqui em São Paulo, onde os filhos nasceram e se criaram, os dois conservaram costumes caipiras. E agora, no Paraná, não é diferente. Está certo que eu tinha muito mais histórias pra contar sobre Fartura, mas eles se adaptam bem a qualquer lugar desde que lhes sobre um pedaço de terra para plantar, ainda que seja uma faixa estreita da calçada. No jardim não há só cosmos, begônias, adálias, rosas e aleluias, mas também pés de almeirão roxo, tomate, limão, jabuticaba, pimenta, jiló, quiabo, orelha de padre, chuchu, tudo junto e misturado. Meu pai Toninho cultivava café em Fartura e agora não desperdiça os poucos grãos que amadurecem no quintal da casa de minha irmã Fátima, de muro colado. Já dá pra matar a saudade do café torrado por ele e moído na hora. Por outro lado, Dona Olga adora galinhas e ovos recém-postos de gemas quase vermelhas e, enquanto vizinhos não reclamam, uma meia dúzia delas cacareja num canto do quintal, se alimentando com sobras do hortifruti do bairro. Na calçada, cúrcuma, rosas, taioba, almeirão, jasmim, espinafre. Sentem-se em casa. E a comida de Dona Olga continua gostosa como seu Toninho sempre diz, seja no sitio ou na cidade. "Não sei que tanto você fica querendo pegar receita dos outros, os outros é que tem que aprender com você", diz ele quase que ranzinzamente querendo elogiar.
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| Calçada com flores e espinafre |
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| Calçada com cúrcuma e flores |
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| Calçada com taioba |
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| Jardim com tomate, couve, pimenta, galinheiro |
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| Dona Olga com ovo quentinho |
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| Seu Toninho colhendo café |





