quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Quinta sem trigo 7: triguilho vira risilho. Tabule

Como acontece com todo mundo que gosta de cozinhar, acordei outro dia com um sonho ou um pós-sonho na cabeça e uma ideia que nem sei se é original. Digo isto porque estas postagens tem o objetivo apenas de apontar outras alternativas para o uso do trigo usando recursos fáceis de encontrar, diminuindo assim nossa dependência a importações. De quebra, ainda servem àqueles que por intolerância ou alergia não podem consumir trigo, como acontece na doença celíaca na qual o impedimento é glúten, que é uma proteína encontrada no trigo - e também no centeio, na aveia e na cevada (não, os legumes não têm glúten - nem cará, nem batata, nem inhame, nem mandioca etc).
Então, como a comunidade dos celíacos tem se mobilizado para criar alternativas alimentares a pães e outros derivados do trigo (há sites e vários blogs que se dedicam exclusivamente a isto), não é de duvidar que haja por aí opções similares e, no mercado, algum produto idêntico. Mas, sinceramente, faltou tempo para ir atrás. Se alguém souber, me conte. Sei apenas que dá pra fazer bolinhos de carne com formato de quibe usando vários tipos de grãos como sarraceno ou quinoa.
Mas queria que estes grãos tivessem cara de triguilho, que fossem pré-cozidos, que pudessem ser guardados e que se prestassem aos mesmos usos. Foi aí que sonhei com o o arroz integral como solução - deveria ser cozido, assado e triturado, da mesma forma que como se fazia artesanalmente o triguilho ou trigo búlgaro (burghul, bulgur). Hoje, todo o processo de cocção, secagem e trituração é feito industrialmente, claro.
No sonho era arroz cateto vermelho. Mas em casa só tinha do agulha e comprido e resolvi testar assim mesmo, como uma primeira experiência. Deu certo, inclusive para fazer quibe frito - antes de dar a receita deste, porém, quero testá-lo com o arroz vermelho cateto, mais cremoso e liguento, importante para o quibe, mas não para o tabule. Na próxima semana, já terei mais certezas. Mas se quiser ir se adiantanto, é só usar o mesmo processo que se segue para fazer o triguilho de arroz que batizei aqui de risilho.
1. Cozinhe o arroz integral normalmente em água, até que fique macio. Comece com uma xícara para experimentar. Espalhe os grãos sobre uma assadeira, de modo que não fiquem amontoados - ou não secarão. De preferência, use cateto vermelho (no Mercado da Lapa, nas lojas da Liberdade e em casas de produtos naturais é fácil de encontrar).

2. Leve ao forno em temperatura média e asse por cerca de 1 hora ou até que os grãos estejam bem tostados e secos.

3. Passe os grãos pelo liquidificador ou processador. triture rapidamente até que a maioria fique quebrado como trigo de quibe.
4. A granulometria dos grõas você pode controlar com peneiras de furos de diferentes tamanhos, depois de triturados. Enquanto houver grãos inteiros você pode ir batendo novamente no liquidificador sem sacrificar os demais que já estão no tamanho desejado - como trigo de quibe. Se preferir, você pode também guardar separados estes grãos - os maiores para sopas (lembrando que os grãos já são pré-cozidos), os médios para tabule e os menores para quibe. Restará ainda alguma farinha bem fina que pode ser usada para engrossar sopas, mingaus ou para empanar.
5. Nas fotos, seco e hidratado. Para hidratar basta cobrir o risilho com água fria deixando cerca de 1 centímetro acima da superfície dos grãos. Depois de meia hora os grãos estarão entumescidos, macios, prontos para usar no tabule.
Tabule com risilho - tabule de arroz, sem trigo, sem glúten
60 g de risilho (nome que dei ao "triguilho" de arroz)
100 ml de água para hidratar
Meia cebola roxa (70 g) cortada em cubinhos bem pequenos
1/4 de xícara de salsinha picada bem fino
10 fohas de hortelã picada finamente
2 tomatinhos-pera cortado em cubinhos
Suco de 1 limão galego
2 colheres (sopa) de azeite
Sal e pimenta-do-reino a gosto
Deixe o risilho numa tigela com a água por cerca de meia hora ou até os grãos absorverem toda o líquido. Se sobrar água, escorra bem, apertando os grãos numa peneira até que fiquem apenas úmidos e macios. Junte os demais ingredientes e sirva (se preferir, espere uma meia hora para os grãos absorverem melhor os temperos).
Rende: 2 porções

O quibe ficou bom, mas acho que vai ficar muito melhor com o risilho de arroz integral cateto vermelho. Na próxima quinta eu conto.

17 comentários:

Marmita disse...

Ficou lindo mesmo, eu adoro tabule mas normalmente costumo comprar já preparado. Adorei a tua receitinha

beijos
Marmita

Isis disse...

Oi, Neide!
Adorei a alternativa!!!
Seu blog é uma inspiração pra mim!!!

Abraço!

Anônimo disse...

Oi Neide, adorei a ideia não apenas pela ausência de gluten mas tb pela praticidade, e gostaria de saber a respeito do armazenamento e tempo de validade.
Um gde abraço
Marisa

Margot disse...

Neide, que ideia genial!!! Vou passar sua receita pro povo lah de casa (somos de origem libanesa pelo lado do meu pai), que vai adorar a alternativa. E tambem, indicar pros meus clientes, que tem intoleracia ao trigo, com o seu nome no credito, claro!!! Minha avoh, as vezes, usava o arroz integral como substituto pro tabbouleh, mas ele ia inteiro (mas era mais uma salada do que o proprio tabbouleh. Agora essa de fazer quibe com o arroz vermelho...eh maravilhoso!!! To doida pra experimentar. Obrigada!Bjs

Neide Rigo disse...

Marmita,
é só para o caso de querer variar usando o de arroz em vez do trigo. Obrigada.

Obrigada, Isis!

Marisa, se os grãos estiverem bem secos, podem ser guardados num vidro ou saco plástico, de preferência na geladeira. Por quanto tempo, não sei exatamente, mas imagino que dure até um mês ou mais.

Um abraço, N

CACAU disse...

Além de bonito, super saudável diga-se de passagem. ameiiii.

Joel de Sousa Carvalho disse...

Olá a todos os que vão ler este comentário neste blogue ou noutro muito bom como este. Pois é, estou encantado com todos estes pratos tão bem confeccionados. Pois, eu gostava de fazer igual, mas não consigo. A vida é dura e obrigou-me a morar sozinho, e a cozinha não é de todo o meu local favorito. Mas estou a tentar conhecê-la, mas as aventuras têm sido imensas. Fiz um blog humilde para colocá-las em forma de crónica pouco extensas. Gostava muito que todos vocês o visitassem e se possível o seguissem. É que tentar cozinhar e depois não ser ajudado, é algo muita mau.
Cumprimentos a todos!

http://tenhosalfaltamecolher.blogspot.com/

arte da sadhia disse...

oi neide que delicia adoro kibe ainsa assi natural hummmm ..também amo arroz integral eu e meu ilhotinhod e 2 aninhos comemos bem
passa lá no meu blog que tem receitinhas ...promoção mococa e um porta docinhos lindos
um grande beijo sadhia
www.artesdasadhia.blogspot.com

Dricka disse...

Neide! Neide!
Seu blog é insuperavel! Essa quinta sem trigo é muito enriquecedora.Utilidade publica.
Bjs

Gilda disse...

Ah Neide! Só você mesmo poderia inventar o risilho. Que interessante saber como é feito o triguilho, que sempre pensei ser apenas o grão cru, triturado. Tenho feito todas as receitas das quintas, por serem tão inusitadas e ficam maravilhosas. Assim que puder quero tentar esta também, que com certeza vale o trabalho. Um abraço

Chirley Maria. disse...

Neide, vc q é nerde, que inventa na cozinha! será que poderia me dar uma dica?
Fiz sagu com suco de uva integral, fiz 500gr de uma vez!!! mas de ontem p hj virou uma papa e ninguém tá querendo mais! Será q posso aproveitar p fazer o q? vc teria uma boa ideia?
Ah... amei a ideia do risilho!M.Bom!

Priscila disse...

Idéia genial!

Anônimo disse...

Neide, vc. realmente é genial!
O tabule está com uma cara deliciosa, e quando vi o "risilho" hidratado lembrei do couscous... acho que dá pra usar também dessa forma, não dá?
Beijos, Cris Yumi

RUTE disse...

Neide,
só agora é que entendi que o risilho é a alternativa sem gluten ao triguilho! Vim do post trigo 8 e lá estáva meio confusa. Agora estou deslumbrada com suas experiências.
Te admiro demais!
É tão bom encontrar pessoas assim, que passam a vida testando ideias.
Me revejo nessa qualidade.
Deixo mais um beijo além-mar.
Rute

LEila disse...

Neide, sempre que venho ao teu blog aprendo algo a mais. Adorei o risilho e vou testar com o arroz vermelho.
beijinhos e obrigada por mais uma excelente dica.

Kelly Dias Peixoto disse...

Olá Neide.
Estou procurando aonde comprar peneiras com diferentes graduações e na minha pesquisa achei o seu blog.
Desculpa incomodar, mas você poderia me indicar aonde você comprou as suas. Obrigada. Kelly

Neide Rigo disse...

Kely, comprei numa loja de cozinha, tipo Camicado, mas não me lembro mais.
Um abraço, n