quarta-feira, 5 de maio de 2010

Sabores de Paraibuna. Parte 4: Feira de produtores rurais


O mangarito é cultivado pelo Gilberto. Não sabe se vai continuar porque dá muito trabalho (são 9 meses para colher, precisa de irrigação etc). Aconselhei-o a vender também as folhas para ajudar, afinal são gostosas como a taioba.
No domingo cedinho fomos à feira de produtores rurais, que acontece ao redor do Mercado Municipal de Paraibuna. Marcos, Suzana e Darly aproveitam os primeiros raios de sol que chegam à porta do mercado para me esperar na escadaria, pois dizem que pareço toco em enchente que vai se enroscando aqui e ali.
Mas é impossível não parar em cada banquinha discreta, que num primeiro momento se mostra tão sem beleza ou novidade. Pois a que chama mais atenção da feira pelo colorido e arrumação das frutas não é a que me motiva a exploração. Frutas de clima temperado como nectarinas, uvas, maçãs, ameixas e peras são realmente lindas mas saem todas aqui do Ceagesp e são iguais às que vemos a todo momento.
O difícil por aqui é encontrar um saquinho de mangarito perdido entre folhas fresquíssimas. Ou um peixeiro que traga piabinhas e mandis pescados por ele de véspera na represa, já limpos e congelados. Ou um produtor que mostre uns chuchus alvíssimos no meio de outros verdes de variedade espinhuda. Ou que nos diga que aquela laranja com casca feia e inferrujada, que esconde uma suculência e doçura sem igual além das inúmeras sementes, vem sendo cultivada pela família há décadas. Ou que nos traga do sítio os queijos frescos ainda em seus moldes, e frango caipira limpinho que ontem ciscava no terreiro, e pamonhas bem quentes enroladas em folhas de caetê, e amendoim cavalo de casca rosada, e limão-rosa de todo tamanho ou bananas de todo tipo, são domingos, figo, nanina, maçã, prata, verde e madura.
Mas como tudo isto fica logo ali, de vez em quando compensa sair num domingo cedinho de São Paulo, pegar a Carvalho Pinto vazia, fazer a feira, comer o pastel de milho do Manezinho, almoçar um fogado e voltar no fim da tarde.
O que gostei de ver por lá:

As pamonhas da Tina - em folhas de caetês (já mostrei pamonhas feitas assim entre os Guarani e em Redenção da Serra, também no vale do Paraíba) e em palha de milho. Trouxe para comer em casa com café, são deliciosas.

Queijos frescos e requeijões
Limão-rosa
Legumes variados
Vem o que tem: fruta do conde, bananas e abobrinhas do sítio do Dito

Do sítio do Dito também vem chuchu branco e verde do tipo espinhudo (não se vê dele por aí)

Talo de couve cortado com capricho como ervilhas partidas. As irmãs Maria e Benedita fatiam a couve, mas não descartam os talos (que aqui viraram sopa com canjiquinha)

Fubá integral do sítio do Gilberto, o mesmo dos mangaritos
Couve couve e couve de brócolis, a mais escura, que normalmente é descartada na lavoura, porém é mais rica ainda em betacarotenos
Wilma inclui no seu cheiro-verde outros aromas do sítio, como alfavaca, tomilho e manjerona
Bananas para escolher

Padrão pra quê? - abobrinhas-brasileiras de todo jeito e tamanho

Amendoim cavalo

Crianças da terra e laranjas-do-céu: a Andreia leva os cinco filhos de olhos verdes para ajudar (e se divertir) a vender sua pequena produção de laranjas. Parecida com a seleta, recebe por lá o nome de laranja-do-céu, que é de um doce marcante, diferente daquela de mesmo nome dos gaúchos (que é a nossa laranja-lima).

Laranja-do-céu: frutos assim, cujo maior inconveniente é o excesso de sementes, infelizmente tendem a ser substituídos por laranjas com pouca ou nenhuma semente. Mas a família da Andrea e de seu marido seguem plantando e colhendo a variedade há décadas. Boas para chupar, são suculentas, perfumadas e muito doces. Para escapar das sementes que se localizam no meio do fruto, é só cortar uma tampinha em vez de fazer duas metades. E se ainda vierem à boca sementes, cuspa no seu jardim ou faça mudas e dê a quem tem terras.

Parte da feira, no páteo interno do Mercado

9 comentários:

Margot disse...

Esse lugar eh o paraiso! bjs

Leiliane disse...

Nossa, que lugar maravilhoso. Deu vontade comer pamonha agora. A variedade de artigos impressiona. Deve ter sido um passeio e tanto.

Marcia H disse...

Neide,
até a CE já extinguiu a maioria das normas pertinentes a produtos agrícolas, por ter percebido que os produtos locais estavam sumindo dos mercados. A esperança não morre!!!!

Quando eu vejo estes teus postings, dá uma saudade grande da minha terra. Nunca vi chuchu verde escuro, o espinhento crescia no quintal de minha vó e da nossa casa também. O da Holanda é sem espinho.

Meus maxixes estão crescendo, dentro de casa ainda pois estamos numa primavera mais parecida com um inverno - 6°C positivos hoje durante o dia! brrrrrrrr

Nina disse...

Tem chuchus iguais a esse agora mesmo lá em casa... Trazidos por um senhor que vende de porta em porta, gritando "verdureiroooooooo".

Esses seus posts sobre o Vale do Paraíba são ilustrações dos sabores da minha infância. E, ainda bem, muitos deles me acompanham até hoje!

Beijo!

Gina disse...

Aprendi a olhar com mais atenção para os produtos simples encontrados nesse tipo de feira. A gente acha preciosidades.
O talo da couve é ótimo para vários pratos, só não tinha visto vender já cortadinhos.
Essa laranja tem uma cor linda.
Bjs.

Neide Rigo disse...

Margot, qualquer lugar com um mínimo de raizes preservadas é sim o paraíso nesta mesmice que a gente vive, não é mesmo?

Leiliane, a pamonha estava mesmo muito boa. É um passeio bem gostoso, sem dúvida.

Márcia, pois é, Marcia, porque abobrinhas têm que ser todas do mesmo tamanho? Felizmente, pelo menos para nós consumidores, os chuchus ainda não foram alvo de melhorias, então as variedades ainda estão às soltas. Que alegria ter maxixes na Europa!

Nina, feliz de você!

Gina, a gente sempre aprende nestas feiras. Eu sempre uso o talo junto com a couve, também nunca tinha visto assim, separado.

Um abraço, N

eduardo lopes disse...

Tua viagem a paraibuna me enche os olhos, não so de desejo mas de lagrimas, vendo essa riqueza existente logo ai , pertinho de casa!!quanto já se perdeu!!mas ainda bem que existem caçadoras de tesouros como voce!!
abraços

Neide Rigo disse...

Eduardo, felizmente temos ainda uma grande biodiversidade alimentar. É só olhar ao redor. Obrigada. Um abraço, N

Fabiano disse...

Boa noite!

Aguem sabe onde consigo comprar alguma mudas de mangarito amarelo?

Meu email é fpontes14@hotmail.com