sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Convite: Entre Estantes & Panelas voltou. Entrada Gratis

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Pois é, o bate papo sobre comida e afins, na Livraria Cultura, voltou. Na próxima segunda-feira , Helena Rizzo,  Valderly Kinupp e esta Neide Rigo que vos fala,  vão conversar sobre as PANC, plantas alimentícias não convencionais. 

Quando: dia 26 de agosto de 2013, das 19h30 às 21h, no Teatro Eva Herz - Livraria Cultura do Conjunto Nacional  (esquina da avenida Paulista com Augusta - Metrô Consolação), aqui em São Paulo. É gratuito e as senhas devem ser retiradas a partir das 19 horas (duas por pessoa).  

Para você que é conectado,  o encontro tem página do facebook. www.facebook.com/entreestantesepanelase um perfil no Instagram (@estantesepanelas). Para saber sobre os próximos eventos, é só acompanhar. E compartilhe a imagem acima no seu feisibuqui

Espero ao menos um leitor ou leitora lá, por favor. 

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Presentes de inverno

Antes de eu viajar, foi engraçado, pois estava sem tempo algum para ir pra cozinha e, de uma só leva, chegaram presentes daqueles que exigem da gente certo esforço para não botar tudo a perder. E perder preciosidades, nem pensar. Nem que tenha que sacrificar algumas horas de sono para dar um encaminhamento mínimo. 

Da Bahia, chegaram em dias seguidos dois pacotes. Um por sedex, outro pelas mãos da amiga Sofia Carvalhosa. No Sedex, presentes da minha amiga Silvia Lopes, que mora em Salvador. Docinhos de banana, biscoitos, cocadas, tabletes de chocolate artesanal, daqueles duros sem gordura, que eu adoro. E ainda colherinha de madeira e tigelas de cerâmica. O outro pacote trazido por Sofia, coincidentemente foi mandado pelo ex-marido de Silvinha, Alcino, dono da Pousada Estalagem do Alcino, em Lençóis, na Chapada Diamantina. Sem que um soubesse do outro. Por coincidência, a caixinha de cocada era exatamente da mesma marca. Ele mandou ainda ingredientes da feira de lá: hibiscos, licuri e batata da serra. Estas,  ainda me aguardam na geladeira. Os hibiscos já estavam começando a querer amolecer, mas consegui salvar a maioria. Lavei, tirei as sementes para plantar, e coloquei pra secar, aproveitando o tempo de sol e secura. 

Toranjas e limões sicilianos, do Embu
Já na hora de ir para o aeroporto, chegou aqui o amigo Jerônimo Vilas Boas trazendo meles de abelhas nativas do Xingu, além de toranjas e limões sicilianos, bem rústicos, do sítio dele, em Embu. Ainda estão na geladeira à espera de um destino.  Certamente vão virar compota e geleia.  

Limões zamboa, de Piracaia
E um pouco antes, ganhei dos caseiros Carlos e Silvana, um tanto de limão zamboa que foram deixados de molho por uma semana e foram para a calda de açúcar, mas deles falo depois. 

Ah, como é bom ter amigos! 


Feijão Guandu. Coluna Nhac do Paladar, edição de 22 de agosto de 2013

Hoje tem coluna Nhac no caderno Paladar. Na edição impresa e no blog: Um feijão bom de briga, e Receita de arroz com feijão guandu e linguiça. O caderno também traz um completo manual de como fazer boas tortas. 

Aqui também, a versão completa do texto: 
Toda minha colheita de guandu fresco deste ano congelada  (graças à ajuda
do Carlos e da Silvana, os caseiros do sítio) 


FEIJÃO GUANDU

Feijão de comer nem sempre é a semente daquela planta anual, frágil, quase rasteira, às vezes trepadeira, como nos parece o feijoeiro comum. A planta do guandu ou andu (Cajan cajan) é rústica, arbustiva e perene. De  origem indiana, chegou ao Brasil com os mercadores de escravos e hoje é considerado um verdadeiro aliado na agricultura,  pois além de fixar nitrogênio na terra como qualquer outra leguminosa,  funciona também como um arado vegetal, pois suas raízes conseguem penetrar a terra dura em busca de água, tornando o solo mais permeável.  Sem falar que é rústico, permanece verde mesmo na seca, suas folhas servem de adubo para solos pobres e as flores são lindas, perfumadas e melíferas.

Na panela, no entanto, a semente ainda é pouco utilizada. Ele não é como estes feijões de gosto suave. Quando seco, tem um sabor herbáceo pronunciado que combina com temperos fortes como bacon, cominhos, pimentas e ervas. Fica mais gostoso quando a primeira água de fervura é desprezada, atenuando um leve amargor.

Enquanto no Brasil este feijão ainda é visto com certo preconceito como alimento – não sei porque já que é gostoso e nutritivo, na Índia são feitos deliciosos dalhs e outros pratos vegetarianos com os grãos pelados conhecidos como split pigeon pea. Em Porto Rico temos o popular Arroz con Gandules, em que o feijão se junta ao arroz cozido com cebolas, alhos, louro, tomates e carne de porco – minha inspiração para o arroz com lingüiça. E aqui no estado de São Paulo, na cidade de Piedade, onde o guandu preparado com carne de porco já foi mais comum, há hoje um movimento de saudosos para trazê-lo à tona.

O feijão seco, mais comum nos estados do Nordeste, a gente até que encontra por aí, em mercados municipais ou casas do norte.  Porém, o fresco é mais difícil, embora já tenha visto à venda em feira livre da periferia.   Agora, bom mesmo é plantar seu próprio guandu. Se conseguir ter uma pequena árvore na calçada, no quintal de sua casa ou mesmo num vaso, poderá ir colhendo as vagens frescas ou secas, conforme o uso,  durante anos.  Para plantar é só enfiar o grão na terra e regar. E não importa se o grão é marrom uniforme ou creme rajado e a vagem,  lisa ou camuflada – são muitas variedades, já que o sabor não muda muito no feijão seco e o imaturo será sempre verde e delicado como ervilha fresca.

Uma dica que vale para todos os feijões, especialmente quando não sabemos há quanto tempo foram colhidos,  é sempre deixar os grãos secos de molho em água por umas 8 horas para hidratar. E, no caso do guandu, é bom aferventar em água limpa, escorrer e cozinhar em outra água com temperos como um feijão comum. O fresco pode ser pré-cozido em água salgada por 5 minutos antes de qualquer uso.


ARROZ COM GUANDU E LINGUIÇA

300 g de linguiça de porco fresca, aberta e esmigalhada 
2 colheres (sopa) de óleo
1 cebola pequena picada 
1 tomate picado 
1 xícara de feijão andu verde pré-cozido
1 1/2 xícara de arroz (300 g) 
1 colher (chá) de páprica defumada (se não tiver, use ao menos colorau para dar cor) 
1 colher (chá) de sal 
1 colher (sopa) de folhas de orégano fresco 
2 colheres (sopa) de salsinha picada 
3 xícaras de água fervente

Coloque a linguiça numa panela junto com o azeite. Deixe dourar. Acrescente a cebola, o tomate, o feijão andu e misture. Junte o arroz, a páprica, o sal, o orégano e metade da salsinha. Refogue, mexendo, por 1 minuto. Acrescente a água, tampe a panela e deixe cozinhar em fogo bem baixo por cerca de 20 minutos. Espalhe por cima a salsinha restante e sirva como prato único


Rende: 4 porções

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Jeitos de adquirir comida. Ou orgânicos no Patronato de S. J. dos Pinhais


Horta orgânica no Patronato, em S.J. dos Pinhais
Muita gente reclama comigo,  que eu sou esquisita, que falo de ingredientes estranhos que ninguém acha pra comprar, que não pode ser encontrado nas feiras livres ou supermercados. Acontece que um mundo paralelo de trânsito de mercadorias flui por aí indiferente aos modos convencionais de aquisição. 

Quando me distancio um pouco dos meus pais e volto a revê-los, me descubro ali nos pormenores de um jeito de conseguir comida um pouco diferente do praticado pela maioria. Supermercado é só para uma coisa ou outra. O resto,  a gente vai compondo. 

Em Fartura meus pais plantavam, colhiam e processavam o próprio café, tinham pomar, horta, criavam galinha e tiravam quase tudo do sítio. O arroz, cateto, compravam em Carlópolis, no Paraná. Mas quando moravam aqui, na periferia de São Paulo, onde nasci, o mocotó tinha que vir do Mercado da Lapa; a galinha boa era da japonesa, que eu ia buscar e trazia pelos pés amarrados com tiras de pano que eu cortava e levava pra ter desconto; o  pão de todo dia quando não era caseiro era da venda do português Seu Salvador, mas a broa de milho bem quente com erva-doce era da padaria de baixo, pois saía do forno justo na hora do nosso chá da tarde. 

E agora, em São José dos Pinhais, onde estão morando, não é diferente. O leite cru vem de uma propriedade lá perto, de uns poloneses. Meu pai vai a cada dois dias buscar leite integral ainda morno. É com este leite que minha mãe continua fazendo seu queijo. Mas quando querem um queijo já maturado,  vão comprar no Patronato, que vende também hortaliças orgânicas.  O mel, compram da Vandite e Seu Zé.  A galinha continua vindo do quintal, assim como o chuchu, a taioba, etc.  Quando querem uma carne de fumeiro, instalam o acém de açougue salgado sobre a fumaça do fogão de lenha.  Cheguei lá com umas linguiças artesanais feitas em Piracaia e meu pai foi logo colocando num varal sobre o fogão. No terceiro dia estavam deliciosamente defumadas e boas. Não fiquei pra ver o preparo, mas já sei que minha mãe vai fazer com favas brancas ou talvez grão-de-bico. 


Soprando a lenha 

Outro dia,  foram viajar os dois e, no caminho, compraram um saco de café em grão, do Norte do Paraná, para torrar e moer em casa,  pois, dizem, por ali ainda não encontraram café bom, não conseguem tomar café comprado em supermercado, não encontram café com boa torração. Pelo menos não ao preço razoável que aceitariam pagar por um café decente - nada que tenha anexado a palavra gourmet, pois nem sabem o que isto quer dizer, mas que seja bom, só isso. Meu pai torra no ponto que considera o correto. Do jeito que eles gostam, um café bem caipira.  Trouxeram também na mesma viagem um saco de arroz cateto. E assim vão indo, assim vão comendo e bebendo com prazer.  


Desta vez eu estava muito desligada de fotografias ou experiências para o blog e deixei de registrar  muita coisa interessante, como o passeio que se segue e do qual só tenho estas duas fotos. Numa saída com meu pai para comprar leite nos poloneses, passamos também no Patronato Santo Antônio de S.J.dos Pinhais, uma instituição filantrópica que atende a crianças e jovens, tocada por freiras - para comprar, colaborar, visitar, veja o site:  http://www.patronatosantoantonio.org.br/. O lugar é lindo, todo florido e bem cuidado. Há ali não só uma horta com produtos orgânicos (a gente não pode nem entrar pra não contaminar), com preços muito baratos, mas também uma farta produção de queijo de leite cru. Parece redundância dizer isto, de leite cru,  para quem produz queijo artesanal por aí, mas o fato é que todo queijo de supermercado é feito com leite pasteurizado e quase todo queijo feito Brasil afora, nas casas e queijarias pequenas, e não é pouco, é feito com leite cru.  E vêm nos dizer que devemos evitar queijo de leite cru, que pode transmitir doenças... balela. Meus bisavós paranaenses já faziam queijos e deixavam maturar para prolongar a vida útil do leite que não davam conta de beber e não tinham pra quem vender. Os mineiros fazem isto melhor que ninguém. E por aí todo mundo sabe, queijo bom é feito de leite cru que tem imunidade para maturar sem estragar.  Mas é isto, no Patronato pode-se comprar queijos e verduras.  E o recado é que você também pode compor seu prato com alimentos do supermercado, da feira, do seu quintal e também com aqueles comprados direto dos produtores - eles estão por aí. É só ficar atento ao que quer comer.   

Dona Aparecida, de Piracaia, vende cocada de fita na
porta de casa





terça-feira, 20 de agosto de 2013

Site Cerratinga e frango caipira com umbu


Cerratinga



Tenho o maior orgulho de ter dado uma pequena contribuição para o conteúdo do Cerratinga, site que une informações sobre o Cerrado e a Caatinga, mostrando e valorizando seus produtos e as comunidades que os produzem. Não se trata de um site de vendas, mas você encontra lá o contato de vários produtores que vendem produtos super especiais que a gente não vê nos supermercados. É só contatá-los e combinar como comprar (ou consulte o site da Central do Cerrado e Bodega da Caatinga).  Não é uma enciclopédia gastronômica, mas é uma ótima fonte de consulta sobre as frutas dos Gerais e da Caatinga. Embora não seja um site de assuntos rurais, se seu interesse é plantio e informações técnicas sobre as culturas, o Cerratinga lhe dará acesso a publicações gratuitas na forma de manuais sobre boas práticas e manejo sustentável de várias espécies, como buriti, babaçu e pequi entre outras, além de especialidades como mel de abelha nativa etc. Tampouco é um site de comida, mas você poderá ter muitas ideias de como usar os ingredientes apresentados a partir das receitas ali descritas. É o caso do  frango caipira com umbu, que desenvolvi para a Coopercuc, lá de Uauá, na Caatinga da Bahia. 

Ah, quem fez, pra quê e por quê? O site é um projeto do Instituto Sociedade, População e Natureza - ISPN, que trabalha com povos tradicionais e agricultura familiar, viabilizando soluções ecossociais para suas necessidades. E isto em parceria com a Cooperativa Central do Cerrado (um dos sites onde podemos comprar produtos de outras cooperativas), a ong Agendha e a Bodega de Produtos Sustentáveis do bioma Caatinga. E basta ver o desenho do site para saber que foi feito pela equipe da Dodesign-s - sempre tão lindos os sites feitos pela Anna e pelo Marcelo. 

Sites de interesse
Instituto Sociedade, População e Natureza: www.ispn.org.br
Cooperativa Central do Cerrado: www.centraldocerrado.org.br
AGENDHA – Assessoria e Gestão em Estudos da Natureza, Desenvolvimento Humano e Agroecologia: www.agendha.org.br
Bodega de Produtos Sustentáveis do bioma Caatinga: www.agendha.org.br/bodega.php


E a receita do frango - lá no Cerratinga você pode encontrar outras tantas com umbu, baru, cagaita etc



Frango ao molho verde com umbu

1 frango caipira com cerca de 1 quilo
3 colheres (sopa) de óleo
3 dentes de alho socado
2 colheres (chá) de sal1 frango caipira com cerca de 1 quilo, limpo e cortado em pedaços
3 colheres (sopa) de salsa picada

Para o molho
6 umbus
1 ou 2 pimenta dedo-de-moça verde, sem sementes
3 pimentas cumaris inteiras
1/2 cebola picada em rodelas
2 dentes de alho
4 colheres (sopa) de coentro picado
1/2 xícara de cebolinha verde picada
2 quiabos

Numa panela de ferro aqueça o óleo e doure o alho. Junte os pedaços de frango e o sal e refogue até dourar, mexendo de vez em quando, com cuidado. Coloque água quente, aos poucos, à medida que for secando, até a carne ficar macia (40 minutos ou mais, dependendo da idade da ave).
Enquanto isso, prepare o molho: coloque o umbu numa panela junto com as pimentas, a cebola e o alho. Coloque 1 xícara de água e deixe cozinhar por cerca de 10 minutos ou até o umbu começar a soltar a pele. Desligue o fogo, espere esfriar um pouco e tire a pele e os caroços do umbu. Despeje o conteúdo da panela no liquidificador junto com a polpa de umbu, o coentro, a cebolinha e os quiabos. Bata até ficar macio. Se precisar, junte um pouco mais de água. Acrescente o molho à panela do frango quando ele estiver macio e só restar um pouco de caldo. Cozinhe por 10 minutos, juntando mais água se for preciso para corrigir a espessura do molho. Desligue o fogo e acrescente o cheiro-verde. Sirva com arroz.

Rende: 4 a 6 porções
Mais fotos sobre modo de preparo desta receita você encontra no blog Umbuauá, que criei só pra receitas com umbu. 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Volta de Curitiba e Foz do Iguaçu


Eu sei, você vai dizer que eu poderia ter visto isto ou aquilo, comido aqui ou acolá,  em Foz do Iguaçu e Curitiba. Mas desta vez me recolhi. 

Dei o recado que tinha que dar no Congresso da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição em Foz do Iguaçu, passei uma tarde comendo shawarmas e faláfels em botecos (Foz tem a maior colônia árabe do Brasil, dizem), e sopa paraguaia de supermercado. Além de um big búrguer no hotel Mabu (foi o que achei mais confiável no cardápio - fujo de massas, risotos e canjas de quarto de hotel). Em Curitiba,  dei minha palestra na Feira Mundo Gastronômico e voltei para a casa dos meus pais, em São José dos Pinhais, do ladinho de Curitiba, de onde quase não saí pra nada.  O problema de ir pra Curitiba, cidade que adoro, é que a concorrência com qualquer outro programa é desleal quando tenho a opção de ficar com meus pais, enrolada em coberta, ao lado do fogão de lenha, jogando conversa fora e comendo comida boa. 


Para não dizer que não saí, fui ao sítio do Seu Zé e Dona Val comprar geleia de framboesa e mel. E ao Patronato, comprar queijo e verduras orgânicas. Ah, e também comprar tecidos no centro, pois de fato não passei as tardes enrolada em cobertor, que isto não é do meu feitio, mas sim costurando. Coloquei a máquina ao lado do fogão de lenha e passei três dias, até o silêncio da meia noite, costurando, com a cabeça se acalmando inconsequentemente (sim, sabia que teria esta semana na pauleira, com trabalhos a resolver). Mas foi bom. 


Minha mãe continuou fazendo a comida de sempre, quase a mesma que fazia em Fartura, já que em vez de jardim, adorna a casa uma horta que se estende para a calçada. Ainda tem espaço para um galinheiro, já que de ovo e galinha de granja ninguém quer saber. No dia em que cheguei tinha mocotó, couve, arroz com mandioca e feijão. Depois teve peixe que trouxeram da praia,  frito num dia, em molho no outro. E a rabada com agrião e polenta estava um escândalo de boa. Teve ainda arroz doce e gelatina de mocotó (sempre tem quando tem o mocotó de mistura). 

E não pense que terminei de falar sobre Goiás. De lá ainda tenho muito o que falar, já que não tive por perto pai e mãe pra competir. 










domingo, 11 de agosto de 2013

A primeira flor de ipê

Estarei fora nesta semana. Não sei se daqui a 15 dias terei tempo de ver o pé de ipê da chácara carregado como promete, mas ao menos a primeira flor pude ver e fotografar. Ao Come-se retorno no dia 19. 

Vou primeiro para o Congresso da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição - Sban, em Foz do Iguaçu (http://www.meetingeventos.com.br/site/inicio.asp?action=PC&congresso=SBANXII - 
http://www.sban.org.br/congresso2013/index.php ) e depois para o Mundo Gastronômico, (http://mundogastronomico.up.com.br) em Curitiba. Em ambos vou falar de plantas alimentícias não convencionais. 

Inté! 



sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Cozinhando com hortelãs e hortelão

Tudo começou com um anúncio no jornal de bairro. Era um curso de hortas oferecido pela prefeitura de São Paulo no Centro de Memória e Convívio da Lapa “Cecília Meireles”, mais conhecido como Biblioteca Cecília Meireles. Nesta hora, quando posso usufruir de um bem público, tenho aquela boa sensação de pertencimento, especialmente por estar junto com outras pessoas do meu bairro. 

Nas primeiras aulas foram chegando uns, saindo outros, até que a turma se firmou. Ao final das 12 aulas prometidas, sempre às segundas-feiras pela manhã, nos reunimos para fazer um almoço coletivo de despedida na casa de uma das colegas, Márcia, fonoaudióloga. 


No jardim da biblioteca
Vivian em ação

Cada um com sua profissão, seu trabalho, e a gente ali, plena segundona, conseguiu se reunir pra cozinhar. E foi tão bom. Cozinhar é ótima brincadeira, ato que alegra, estreita relações, descontrai e irreleva diferenças. Vivian Ferreira Franco, engenheira agrônoma e entendida de permacultura e agricultura biodinâmica, nos ensinou muita coisa e nos fez botar as mãos na massa, ops, terra  - fizemos uma hortinha no jardim da biblioteca.  E já marcamos uma vivência para setembro. 







Durante o curso, trocamos sementes e experiências. E Vivian foi paciente e gentil com nossas questões de jardim pessoal, incentivando todos a mexerem na terra sem medo, mas com conhecimento. No último dia, combinamos de levar ingredientes sem combinar quais,  sem saber o que faríamos com o que chegasse. E eu adoro isto. Acho que todos gostaram. Márcia ofereceu sua casa, que fica ao lado da biblioteca.  Carlos, o único homem da turma, levou uma massa pronta para fazer um biscoito de família, tipo cantucci. Foi nossa sobremesa com café. 

Sonia fez um arroz integral cremoso com legumes e cogumelos que estava divino. Saiu também uma salada de folhas colhidas da nossa hortinha, que todos ajudaram a preparar. Tinha mandioca cozida de duas cores. E eu fiz uma fritada de cará com folhas de bertalha-coração e um virado com feijão guandu fresco com ovo, queijo e farinha com pequi. Foi uma tarde deliciosa - mesmo tendo deixado um turbilhão de coisas por fazer. 

Claro que cozinhar tinha tudo a ver com nosso curso, mas mesmo num evento qualquer, de engenharia ou informática, que tenha uma turma pequena, cozinhar junto pode ser um bom marco de encerramento, pois parece estimular a continuidade. 







Expedição Pitadas: Milhos e pamonhas em Goiás

Se quiser, leia as postagens anteriores sobre esta viagem a Goiânia: 

http://come-se.blogspot.com.br/2013/08/expedicao-pitadas-restaurante-porto.html
http://come-se.blogspot.com.br/2013/07/mala-cheia-de-goiania.html

http://come-se.blogspot.com.br/2013/08/expedicao-pitadas-em-goias-restaurante.html
http://come-se.blogspot.com.br/2013/08/expedicao-pitadas-feira-do-ateneu-em.html

Quer ver um goiano expressar toda a sua goianidade é colocá-lo ao lado de uma espiga de milho. Ele já a enxerga nua em pelo, sem palhas ou cabelo, cortada rente ao sabugo, cozida em rodelas, raladinha, em bolinho, curau, pamonha com linguiça, pura, com queijo, pimenta de cheiro, malagueta. Os olhos brilham. 

A percepção é clara quanto este é o assunto. Já sentimos o apreço sem tamanho quando almoçamos no Restaurante Popular. Havia vários pratos com o ingrediente. Depois, na feira do Ateneu, a paisagem era dominada pelo verde e amarelo do milho tão brasileiro antes de goiano. 

As palhas estão sempre presentes e são tratadas com respeito para ser invólucros de pamonhas. E a melhor pamonha que comemos na cidade foi na feira do Ateneu.  Junto com seus filhos, Ilma, Volney e Valdir, dona Valentina Cipriano do Nascimento mantém há 21 anos as panelonas areadas e lotadas de pamonhas que vão sendo cozidas na hora. Eles fazem cerca de 300 pamonhas por dia com 1200 espigas. Outros dados incluem estes números: 1 mão de milho são 60 espigas que rendem de 24 a 40 pamonhas. Dependendo do milho, vai mais ou menos óleo quente para escaldar. Em média, 12 litros de massa leva 1 lata de óleo. E este é o segredo para a pamonha goiana ter uma textura tão boa, não massuda. Não comi a doce, que acaba logo, mas a salgada era uma coisa de louco, tão boa, cremosa, perfumada. E todos, feirantes e comprantes, comem pamonha. Até crianças, no lugar de papinha (espertas, estas mães). 

Uma coisa que se percebe é que quando o negócio é grande, ninguém fica ralando o dedo em raladores manuais - quem merece? Imagine ralar 20 mãos de milho. Vão-se os dedos, ficam os ossos. Por isto, o que mais se vê é o ralador elétrico. Claro que ele não faz o trabalho sozinho. Precisa forçar e rodar a espiga para ficar bem ralada. De qualquer forma, ameniza o trabalho sem desmerecer o esforço e abalar a qualidade (diferente das pamonhas de liquidificador).  E tem máquina elétrica até pra tirar o cabelo do milho. 

Além da pamonha, sou capaz de trocar qualquer prato por uns bolinhos fritos feitos com a massa da pamonha. Minha avó e mãe sempre faziam, mas nunca pensei em chamá-lo de pamonha frita como o fazem os goianos. Pamonha frita para mim é outra coisa. É a pamonha fria, cortada e dourada com óleo na frigideira. Isto é também uma tentação. Mas como o bolinho frito, não tem igual. O calor do óleo ressalta o sabor e perfume do milho. Pena que não dá pra comer muito, pois a fritura satura logo a gula. E também não é prudente, diga-se. 

Seguem umas fotos: 

Facilitando a vida do cliente
Ralando o milho
Tirando o cabelo
Picadinho para refogado
Picadinho ou ralado, para bolinho e curau
Palha para pamonhas
Picado para refogado, ralado para bolinho e pamonha

Pamonha frita ou bolinho de milho

Bolinho e curau. Comi sempre que pude, o bolinho

Totalmente artesanal
Perfeita

A embalagem

Nhac
Volney e dona Valentina (entre as meninas)
Garoto de sorte (que papinha de vidro que nada!)