segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Fazendo o próprio pão no próprio forno

As flores e folhas frescas são só pra fazer graça - e deixar a impressão, talvez 
Faz tempo que ando querendo construir um forno a lenha lá no nosso sítio em Piracaia, mas nunca dava certo de encontrar alguém que topasse ir lá fazer. Enquanto isto ia pesquisando técnicas de feitio no youtube. Até que nos ocorreu de organizar a construção para quando meu pai viesse nos visitar, o que aconteceu no carnaval. Na minha família, por parte de mãe, todo mundo sabia fazer forno. Minha avó Zefa, meu avô Joaquim e minha mãe já se foram sem me ensinar. Mas meu pai aprendeu com eles, já fez alguns quando eles moravam no sítio e agora me ensinou - não vou esquecer nunca mais. E que fique aqui registrado para minha filha e os filhos dos outros. 

A tela e estas travessas de baixo não eram necessárias uma vez que o
forno é redondo. A distância entre estas travas é de 80 cm, portanto
o diâmetro do forno é a medida da transversal. Na hora de fazer, tiramos
as travessas de baixo e a tela. Só os arcos já ajudam 
É claro que no sítio, quando meus pais faziam, usavam menos recursos do que usei. A armação, é claro, não precisa ser de ferro.  Há várias formas de se montar um forno. Pode-se fazer um monte de areia, cobrir de barro e quando este seca basta tirar a areia. Pode ainda fazer a estrutura de bambu para suportar os tijolos e/ou barro. Mas eu preferi desenhar um esqueleto com medidas da minha cabeça e pedir para um serralheiro fazer já deixando fixa a porta com tramela e a chaminé, tudo numa estrutura só. Nos modelos mais rústicos, há outras formas de bolar uma chaminé e uma tampa - geralmente um pedaço de chapa fecha a portinhola, usando como trava um toco apoiado ao chão.  

Daqui foi tirada a terra de formigueiro
Com açúcar cristal 

Até a irmã Fátima entrou na dança 

O pai assentando os tijolos - antes eu encontrei o centro da bancada,
fiz um compasso de barbante e giz e risquei o círculo 

Já com a estrutura do telhado 

O Doc agora também sabe fazer forno 

Para aproveitar a massa que sobrou, fiz um fogãozinho para o disco de arado
O pedreiro fez uma bancada forrada com plaquetas hidráulicas, de modo que quando meu pai chegou, foi só fazer a massa e assentar os tijolos - desses de barro normais para construção, sem necessidade de ser tijolo refratário. 

Bem, com meu pai fiz todo o processo e agora posso dizer que também sei fazer um fogão de barro - se bem que é melhor esperar pra ver se vai funcionar mesmo. Mas, segundo meu pai, não tem porque dar errado. Provavelmente só vou ter dificuldade para acertar a temperatura. 

Botei um pouco de alecrim na massa pra disfarçar o cheiro de esterco -
não adiantou nada, mas o cheiro passa rápido. 



Pronto! E já com telhado! 



Neste final de semana estávamos sós, Marcos e eu, pois meu pai já tinha voltado pra casa. Então, sobrou para nós a tarefa de rebocar o forno. Fizemos a massa conforme orientação dele e parece que deu  tudo certo - a massa ficou super flexível, maleável. O esterno de vaca é um ingrediente que faz a massa ficar menos dura e portanto menos passível de rachaduras. O açúcar deixa a massa mais grudenta, elástica. 

Para a massa de assentar os tijolos, usamos: 3 carrinhos de terra de formigueiro (isto não falta lá no sítio) e 5 kg de açúcar cristal ou mascavo.  Se a terra estiver empelotada, peneire. Mas a terra de formigueiro soltinha não precisa - a saliva da formiga, acredito, deve servir para deixar a massa mais liguenta. Misture tudo e vá juntando água e mexendo com a enxada, até ficar uma massa grudenta que se junta ao tijolo. 

Para a massa de reboco - fizemos 5 dias depois: 3 carrinhos de terra de formigueiro peneirada, 1 a 1,5 lata grande de tinta de esterco fresco de gado e de 1 a 2 litros de cinza. Misture tudo e vá juntando água até virar uma massa como massa de reboco. 

Depois de os tijolos assentados, rebocamos com as mãos, jogando a massa contra os tijolos e depois alisamos com as mãos. 

Agora é esperar secar, acender a lenha e fazer o pão.  Quero ainda fazer algumas oficinas do PãoNaCity lá. Aí será PãoNoSítio. 

Como sobrou massa, quis fazer uma experiência usando outra técnica
de construção de forno - faz uma montanha de areia molhada, cobre com
o barro, espera secar e tira a areia. 

Forninho de lenha de experiência 





9 comentários:

Mari Gondo disse...

Neide, você é incrível! Obrigada por compartilhar esses ensinamentos conosco :)

Unknown disse...

Bom dia Neide.
Sou de Piracicaba/SP e sempre que posso acompanho/visito seu blog.
Descobri ele pesquisando uma vagem que aqui chamamos "orelha de padre".
Tenho uma pequena chácara que vou nos finais de semana e ver os seus dotes com frutos pouco conhecidos é uma inspiração para que eu lide com a terra.

Abraço.

Flávio.

Luciana Zimmermann disse...

Faço muito gosto de participar da sua primeira oficina

Gilda disse...

Que lindo o trabalho em equipe e o resultado final. Mas o melhor foi ver o seu pai tão bem. Há tempos venho querendo perguntar por ele, sem me achar no direito de invadir sua privacidade.
Obrigada por compartilhar tudo isto conosco.

manualidade pepa disse...

gracias por visitarme y me ha encantado la forma de hacer en barro un horno aqui en españa hace muchos años que no existen y ha sido un descubrimiento y la verdad muy interesante, gracias por compartir, bessssss

Profª Lourdes Duarte disse...

Boa noite Neide, amei seu blog, suas dicas, essa vida natural do campo da saudade da minha infância. Meu pai tinha um forno para bolos, pães, bolachas... muito bom! já estou seguindo, fique a vontade para conhecer os meus será um prazer ter você como seguidora. Abraços

FILOSOFANDO NA VIDA Profª Lourdes Duarte disse...

Bom dia!
Mais uma vez deixando o convite para o POETIZANDO E ENCANTANDO que já é um sucesso graças a sua linda participação, comentando com muito carinho.
Hoje a temática que sugeri está muito agradável e dá margem a imaginação poética. Seja mais uma vez participante, para nos deliciar com sua maravilhosa postagem e poesia.
Tenha um fim de semana iluminado e feliz, com muita saúde e paz.
Abraços da amiga Lourdes Duarte.

Elza Interaminense disse...

Olá Boa noite!
Parabéns pela bela postagem , dá gosto de vir aqui apreciar.
Hoje tem postagem nova no blog, uma aluna nossa que inspirada em suas leituras, escreve lindas e românticas poesias, dentro do Projeto Alunos leitores e Escritores.
Seu incentivo no comentário será muito importante.
Abraços

Adriana Helena disse...

Neide, olá, que prazer vir conhecer o seu cantinho maravilhoso!!
Vim aqui através de um post da KR Eliane no Google, pois adoro o blog da Eliane: ela faz um artesanato incrível e lindo!!

E você também é adepta dos trabalhos artesanais, mexer com a terra, criar opções e preparar o próprio forno!
Nossa, como ficou lindo!!
E ainda decorado com florzinhas!! Amei!!
Parabéns!! Eu simplesmente adorei!!
Um grande beijo e uma semana incrível!!