quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Coluna do Paladar. Edição de 08/08/2013. Folha de abóbora come-se

Hoje tem coluna Nhac no Paladar. Todo o conteúdo está lá no blog do Caderno, incluindo este que reproduzo aqui com algumas coisinhas a mais além das fotos que gosto de tirar: http://blogs.estadao.com.br/paladar/abobora-prove-so-a-folha/

Acho que todos nós conhecemos ao menos umas três variedades de abóboras. Elas pertencem à família de plantas com maior número de espécies usadas como alimento pelo homem, a das Cucurbitáceas, a começar pelo gênero Cucurbita que engloba as de frutos achatados ou de pescoço, as de rama ou de touceira, as lisas e rajadas. Algumas são melhores maduras, outras verdes. Umas para doce, outras com sal.  Todas com folhas comestíveis.

Sim, temos algumas folhas na cambuquira, uma síntese de toda a planta composta de  ramos novos com pequenas folhas, brotos, projetos de flores e gavinhas, deliciosa na sopa de milho verde feita no fogão de lenha e temperada com gordura de porco, para lembrar da tradição rural.  Mas não são destas que quero falar. São as  folhas mesmo, as adultas, grandes e sadias, porém ainda tenras, de um verde uniforme, às vezes rajado. Quem se lembra que elas são boas de comer? E são tão nutritivas e gostosas como espinafres.   

Acontece que as plantas vão se especializando para produzir melhor uma parte ou outra. Acredita-se que as Cucurbitáceas, por exemplo, foram cultivadas ancestralmente não pela polpa que era exígua, mas pelas sementes abundantes, ricas em gorduras e proteínas.  As espécies cultivadas hoje seriam resultado de mutações naturais e seleções artificiais privilegiando a polpa carnuda que passou a ser a parte mais apreciada.

Domesticadas no novo mundo, as abóboras hoje são cultivadas e consumidas em vários países, mas são poucos os lugares onde as folhas são consumidas como verdura. Não é  o caso da África. Na Namíbia e países vizinhos, por exemplo,  as folhas macias com superfície penuginosa são cozidas e servidas como acompanhamento do prato principal, a exemplo de outras folhas menos convencionais entre nós, como as de mandioca e de batata-doce.

Quem já viu o projeto Delicatessen with love, do fotógrafo italiano Gabriele Galimberti (www.gabrielegalimberti.com), que retrata avós do mundo inteiro apresentando seus ingredientes e a comida  preparada com eles, deve ter notado que um dos pratos de resistência da avó de Zimbabwe é feito com grandes folhas de abóbora. A verdura, pré-cozida e refogada em manteiga de amendoim é servida com uma espécie de polenta branca chamada de Sadza.  Foi a deixa para que eu tentasse fazer algo parecido com as folhas que colhi da minha aboboreira bicolor.  Todos que provaram, aprovaram. Combina muito com o sabor forte do amendoim. Porém, mesmo refogada simplesmente com alho, cebola e tomate, fica gostosa e macia, com leve sabor de abobrinha verde.

Uma das vantagem das folhas de abóbora em relação àquelas mais comuns no mercado é que podem resistir a intempéries de todo tipo. Enquanto as folhas de alfaces são castigadas pelo vento, pela estiagem, pela chuva forte ou frio intenso, as folhas de abóbora se suportam firmes aos galhos rastejantes.

Uma pena que ainda não encontremos para comprar destas folhas, pois o foco ainda está no fruto, mas está aí um caso em que uma finalidade não exclui a outra, e o fato de arrancar algumas folhas não enfraquece a planta nem diminui a qualidade da abóbora, pois a planta é vigorosa e rústica. Seria uma fonte de renda a mais para o pequeno produtor.  É claro que exigiria um cuidado maior no uso de defensivos, por exemplo. No entanto, as plantas de cultivo orgânico e aquelas que  podemos ter no próprio quintal ou do vizinho – que não deem grandes frutos, mas as folhas sempre aparecem - não carregam esta preocupação e poderiam se multiplicar em diferentes ofertas, afinal temos também as flores machos ou fêmeas -  com abobrinhas grudadas ou não, estas, sim, ingrediente cobiçado.  E não custa perguntar por elas para o seu quitandeiro de confiança, para um produtor orgânico ou mesmo para o feirante, afinal a demanda traz a oferta.




Folhas de abóbora refogada na manteiga de amendoim

200 g de folhas de abóbora com talo (escolher as folhas mais macias) 
1 tomate pequeno picado 
1 pimenta dedo-de-moça madura picada 
1 cebola pequena picada
1 colher (café) de pó de caril (curry)
1/2 colher (chá) de sal - ou a gosto 
1 xícara de água 
2 colheres (sopa) de pasta de amendoim pura, sem sal (ou triture 4 colheres de sopa de amendoim  torrado sem casca e dilua em um pouco de água)  

Antes de picar as folhas já lavadas, tire as fibras do talo, puxando com uma faca como se limpasse um aspargo ou talo de taioba. Tire também as fibras das nervuras da parte  inferior das folhas  – elas saem facilmente como umas linhas. Enrole as folhas e pique em fatias de meio centímetro, quase como couve.
Coloque numa panela as folhas lavadas e picadas, o tomate, a pimenta, a cebola, o caril, o sal e a água. Misture, tampe a panela e cozinhe em fogo baixo por 15 minutos ou até a verdura estar macia, mas não seca (deve restar um resíduo de caldo - se não, junte mais um pouco de água quente). Junte a pasta de amendoim e misture. Prove o sal e corrija, se necessário. Deixe voltar a ferver e desligue o fogo. Sirva com polenta de milho branco ou arroz. É um bom acompanhamento também para peixe frito. 

Rende: 2 porções 

Nota: para fazer a polenta, leve ao fogo numa panela 3 xícaras de água com meia colher (chá) de sal. Quando ferver, junte 1 xícara de fubá de milho branco misturada com 1 xícara (chá) de água. Misture bem e cozinhe em fogo baixo por 30 minutos, mexendo de vez em quando. Despeje ainda quente em tigelas pequenas ou xícaras untadas com óleo, espere amornar e desenforme.

Nota 2: há uma receita de manteiga de amendoim aqui no come-se.  Aqui numa loja da Lapa tenho comprado uma excelente, purinha, sem sal, açúcar ou qualquer outro ingrediente,  da marca INAM. 

 
Abóbora colhida lá no sítio, em Piracaia. Tudo e em qualquer
estágio se come



A abóbora e suas partes  

Para o fruto não faltam usos já consagrados. Versátil,  a abóbora madura se presta para o preparo de cozidos  salgados e doces em pasta ou compotas em pedaços. Com a polpa se faz ainda sopas e mingaus doces, purês, recheios para torta doce e salgada.  E qualquer abóbora ainda jovem pode ser chamada de abobrinha e usada como hortaliça, cozida, refogada, recheada, ralada crua em saladas e até em bolos doces.

As sementes podem ser secas,  salgadas, torradas e comidas como aperitivos ou trituradas e usadas como farinha para engrossar molhos e sopas.  Já as flores, machos ou fêmeas (estas, com uma abobrinha não desenvolvida ainda grudada), são consideradas iguarias e podem ser temperadas, passadas em farinha e fritas ou usadas como uma erva em tortas, risotos e sopas. 

E tem ainda a cambuquira, que é a  integralidade da aboboreira com todo o seu frescor. São ramos terminais tenros com as folhas novas, os brotos  e as gavinhas,  que fazem delicados refogados para acompanhar carnes assadas ou no preparo da sopa de milho com cambuquira, prato bem  brasileiro, comum no interior de São Paulo, Paraná e Minas, principalmente na zona rural onde podem ser colhidos direto da planta.


A abóbora bicolor 
Esta variedade é resultado de cruzamento feito pela Embrapa, entre duas abóboras de pescoço, uma predominantemente verde rajada e a outra, alaranjada. Foram selecionadas ainda para serem mais resistentes. E são, pois consegui plantar e colher várias no meu sítio sem uso de nenhum artifício. 


16 comentários:

lili disse...

A cada post do come-se, fico mais impressionada com a quantidade de alimentos saborosos que jogamos no lixo por pura ignorância, preguiça ou falta de curiosidade.

Anônimo disse...

Neide querida adoro seus textos suas palavras são guloseimas para a alma.
Acho que vc se confudiu, a data de hoje é 08/08/2013 oui???
Abraço
Pierre

Neide Rigo disse...

Lili, pois é, eles estão por aí aos montes.

Pierre, obrigada pelo elogio e pelo alerta - foi tentativa inconsciente de ganhar tempo. Já arrumei, obrigada.

Um abraço,n

Anônimo disse...

EXCELENTE MATÉRIA! ESTAMOS SEMPRE APRENDENDO COM VOCÊ! UM ABRAÇO, RAQUEL.

Unknown disse...

Neide: adorei saber que pode se comer folhas de abobora, pena que ainda não tive sucesso em plantá-las. Acompanho e admiro seu trabalho há bastante tempo e queria te perguntar se folhas de bardana também poderiam ser comestíveis.É que o pé que eu plantei, de tão grande, as folhas servem para fazer sombra. Um abraço direto de Porto Alegre. Fernando

Neide Rigo disse...

Fernando,
as folhas de bardana são comestíveis, mas muito amargas. Os talos, tirando os fiapos que o recobrem - como os aspargos, são bem gostosos. Cozidos e passados em azeite ou manteiga, por exemplo. Um abraço,n

Unknown disse...

Obrigado Neide. Vou fazer os talos para experimentar. Um abraço

Unknown disse...

Oi Neide!
Obrigada por tão valiosas informações!!! Sou fã de abóbora, de todo tipo, por ser bem versátil, fica bem com tudo.
Um abraço!!!
Inês Fusinato

Neide Rigo disse...

Obrigada, Ines!
Também sou fã.
Um abraço,n

Unknown disse...

Foi ótimo saber das propriedades da abóbora como uma todo. Melhor ainda, foi saber que as folhas e flores são servidas como um prato fino e nutriente por que descobri por curiosidade e gostei. As cultivo no meu quintal e sirvo para minha família.

Unknown disse...

Sua matéria é completa. Me deixou feliz, sou consumidora de folhas de abóbora, agora não perco nem as flores, um vês que são cultivadas no meu quintal.

Unknown disse...

Nossa não sabia q dava pra fazer tantas coisas boas com as folhas de abóbora 😋😋

Anônimo disse...

Bom dia Neide , eu comi muita salada de broto de abóbora brasileira na infância, minha mãe cozinhava com sal e a gente comia com sopa de fubá , eu gostava muito,falei pro meu marido e ele achou estranho, único lugar que achei sobre isso foi aqui, obrigada por não me deixar mentir!

BEATRIZ RIBEIRO DE OLIVEIRA disse...

Você é incapaz de passar em qualquer disciplina sem colar na prova, eu me lembro um dia, que eu estava no ponto do ônibus e ouvi você falando com o seu amigo que tinha escondido a cola da professora.

Você falou tão mal da Lages, rodou todos os professores da disciplina de química orgânica 1 e só conseguiu passar em orgânica 1 com a Lages, agora você está falando bem da Lages.

Eu sei muito bem que você fica debochando da faculdade no Twitter.

Agora você publicou esse artigo científico:

https://www.mdpi.com/2072-6643/17/17/2763

 

É isso o que acontece com quem cola na prova, publica um artigo científico. Eu sei tudo sobre você Beatriz Ribeiro de Oliveira. Eu achei inclusive o seu perfil no currículo Lattes:

http://lattes.cnpq.br/2103682075284143

 

Você também é amiga da Camilly Enes Trindade que passou colando em cálculo para farmácia usando Photomath. Diga-me com quem tu andas, que eu te direi quem tu és.

Eu estou esperando o amigo da Camilly Enes Trindade chamado Guilherme de Sousa Barbosa vir na boca de fumo que tem em cima da minha casa mandar o traficante me matar. Em frente a minha casa funciona um ferro velho clandestino, que fornece material furtado para os traficantes fazerem barricadas. Já que o Guilherme de Sousa Barbosa teve a capacidade ameaçar me bater mesmo sem eu ter feito nada contra ele, ele também tem a capacidade de mandar o traficante me matar. A vida é boa para quem faz IC, para quem não faz, só resta  morte. Eu não vou perder a minha bolsa.


Beatriz Sara Anelli Ribeiro disse...

Você escolheu ficar reprovada em analítica 2. Você poderia ter passado em analítica 2 estudando para a prova ou podia ter passado em analítica 2 colando na prova, mas você não fez nenhum dos dois. Você escolheu ficar reprovada.

 

Nem questão da lista de exercícios, você fez já que tinha 2 questões na prova final que estavam identificas a lista de exercícios. 

 

Você está fazendo iniciação científica no ModMolQSAR, você ainda participou do EMMSB 2026.

 

Eu vou pedir ao professor para me reprovar com zero em analítica 2, para ver se eu consigo fazer iniciação científica, porque passando não está dando para fazer iniciação científica e participar do EMMSB 2026.

 

Talvez se eu ficar reprovado em analítica 2, eu consiga fazer iniciação científica e participar do EMMSB 2026.

 

Eu sei tudo sobre você, eu inclusive achei o seu perfil no currículo lattes:

 

http://lattes.cnpq.br/1296907041260344

 

Mas também você é amiga do Jakson Barros Bonfim. O Jakson pagou outra pessoa para fazer a prova online de orgânica 1 da Lages. O Jakson abriu a empresa Bonfs Home Center com o dinheiro da bolsa de IC, dinheiro esse que ele conseguiu graças à cola. O professor substituto chamado Luis Phillipe Nagem Lopes é o orientador de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do Jakson Barros Bonfim. O título do TCC do Jakson Barros Bonfim é Sistematização de casos clínicos do HUCFF e desenvolvimento de website como ferramenta pedagógica: um relato de experiência.

Você também é amiga da Jéssica Mel da Silva Faria, A Jéssica ficou me humilhando em analítica 1 por causa de iniciação científica, quando eu perguntei a ela, porque ninguém estava me defendendo da humilhação, ela falou que eu estava no fundão e que a faculdade de direito ficava lá no centro, ou seja, como ela fazia farmácia e não direito, ela não precisava me defender da humilhação. O orientador de TCC da Jéssica Mel da Silva Faria também é o Luis Phillipe Nagem Lopes e o título do Trabalho de Conclusão de Curso dela é Desenvolvimento de um ebook para orientação da equipe de enfermagem sobre administração de medicamentos de alta vigilância em UTI neonatal/pediátrica: relato de experiência.

Vitor Lucas Bedhun Brito Santana disse...

Eu achava que eu iria me dar muito bem com você, quando eu te visse pessoalmente. Eu achei isso porque uma vez, eu vi uma aula gravada de físico química, onde você era muito participativo durante as aulas, assim como eu também sou durante as aulas. Eu fiquei tão feliz quando eu soube que eu seria da mesma turma de você de economia farmacêutica. Eu pensei que assim eu teria a oportunidade de te conhecer melhor, eu nunca falei com você durante a disciplina, porque quando eu chegava na sala, a aula já tinha começado e você saia da aula antes da aula terminar, eu não iria sair mais cedo da aula só para conversar com você.

Eu me lembro que uma vez você não foi à aula de economia farmacêutica e ainda pediu a sua amiga chamada Mariana para assinar a lista de chamada no seu lugar. Foi nesse momento, que eu notei que nós dois somos pessoas completamente diferentes, eu nunca pediria outra pessoa para assinar a lista de chamada no meu lugar.

Depois eu descobri que você, foi monitor por vários anos da disciplina técnicas de injetáveis, eu nunca recebi um e-mail para ser monitor dessa disciplina, será que a Maria Isabel sabe quem você é de verdade?

Só gente que não presta vira monitor da Maria Isabel.

Eu sei tudo sobre você, eu achei o seu perfil no Instagram e no Linkedin:

https://www.instagram.com/bedhun/

 

https://br.linkedin.com/in/vitorbedhun

 

Mas você também amigo da Beatriz Ribeiro de Oliveira, que é incapaz de passar em qualquer disciplina sem colar na prova, a Beatriz Ribeiro de Oliveira fica falando na faculdade para todo mundo ouvir que escondeu a cola da professora, ela falou tão mal da Lages, rodou todos os professores de química orgânica e só consegui passar em orgânica 1 graças a Lages agora a Beatriz está falando bem da Lages, a Beatriz inclusive publicou esse artigo científico:

 

https://www.mdpi.com/2072-6643/17/17/2763

 

É isso o que acontece com quem cola na prova e fala mal dos outros, publica um artigo científico. A Beatriz Ribeiro de Oliveira representa tudo o que há de errado na faculdade, ela é a prova que vale a pena colar na prova, ela é a prova que a coordenação da farmácia da UFRJ fecha os olhos para quem cola na prova, ela fica se fazendo de santa, mas no fundo ela não presta. Eu sinto vergonha de ser obrigado a ser da mesma turma de um ser tão desprezível como a Beatriz Ribeiro de Oliveira.

 

 

Pode mandar o seu amigo o Guilherme de Sousa Barbosa que me ameaçou mesmo sem eu ter feito nada contra ele, me matar. Manda o Guilherme de Sousa Barbosa aparecer na boca de fumo que tem aqui perto de casa e mandar os traficantes me matar, aqui do lado da minha casa funciona um ferro velho clandestino que fornece material furtado para os traficantes construírem barricadas.

 

Eu não tenho nada a perder, a vida é boa para quem faz iniciação científica, para quem não faz só resta à morte. Eu não vou perder a minha bolsa de iniciação científica.