terça-feira, 16 de agosto de 2016

Entre pancs e Tupinikins capixabas

Estive nos últimos dias no Espírito Santo, mais especificamente em Aracruz, onde se concentra grande parte do trabalho da Kamboas Socioambiental junto aos índios Tupinikim e Guarani. A ideia era conhecer um pouco da realidade alimentar das aldeias para nas próximas visitas poder ajudar a encontrar alternativas mais saudáveis. Mas, mesmo sem ter preparado nada de especial dada a minha completa ignorância, conseguimos fazer dois passeios para reconhecimento das espécies comestíveis. Por onde andei vi que comem mal como quase todo o resto do Brasil. Muita comida processada, pouca comida com ingredientes frescos e vegetais. Quem participou (mais mulheres, claro), gostou de me mostrar o que tinham de nativo e de plantado especialmente de medicamento. E eu ia apontando o que havia de espécies comestíveis espontâneas e que eles não conheciam ou pelo menos não como comida. No fim, montamos uma mesa com as espécies de comer e de curar.

Fora isto, fizemos um lanche com jovens de 4 aldeias em intercâmbio em uma delas. Usei produtos locais como manga verde, abóbora madura e aipim. Mas falo disso em outro post.

E durante minha estadia em Coqueiral de Aracruz não pude deixar de sair à caça de pancmons (plantas alimentícias não convencionais + mons, a febre do momento) pelas ruas, claro. Descobri que ali há muita árvore de monguba (Pachira aquatica), por exemplo, e pude me deliciar.  E ainda algas comestíveis (só lavei, fotografei, mas não comi, sem saber como andam aquelas águas), bromélia, abricó da praia e ervinhas que a gente encontra em todo lugar.

O dia-a-dia desta estadia capixaba já registrei no Instagram, que você, mesmo que não tenha conta, pode acessar clicando aí do lado direito nas fotos e vendo as legendas.

Aqui, algumas destas fotos:

Fruto da monguba 

Blutaparon portucaloides ou bredo-de-praia. Come-se! 

Gravatá ou caraguatá (Bromelia antiacantha) 

Manga verde. Os pés estão carregados

Ela levou as verduras pra fazer refogadinho pro jantar . Aldeia Areal 

Índias Tupiniquim, Nina e Bona, da Kamboas; e o banco cheio de espécies
úteis - alimentícias e/ou medicinais. Na aldeia Areal.

Urtiga

Caçando pancs na aldeia = pancmons ou pancnaldeia . Aldeia Areal 

Urtiga em flor (usam o chá para próstata)


Aloysia gratissima ou garupá ou alfazema brasileira - ninguém por lá usa
como tempero, mas fica ótima na carne de porco, no abacaxi etc 
Nina colhendo beldroegas para nosso jantar na roça de Dona Dora que
traz as abóboras para o pão do próximo dia.  Aldeia Pau Brasil

Fruta pão, esta maravilha da natureza exótica! Está ali por toda parte. 

A castanha da monguba 

Espécies medicinais

Resultado da nossa caçada pancmon na Aldeia do Irajá

Olhe o galhinho nas mãos da menininha. Ela adorou a caçada panc.

Dona Santina, da Aldeia Irajá, e suas bromélias 


Dona Santina diz que planta comida, planta remédio e planta flores e
folhagens ornamentais para alegrar a alma Aldeia Irajá. 

Nossa turminha da Aldeia Irajá 

Quem diria que encontraríamos tanta espécie comestível no meio deste
capim. 

Só por curiosidade, um cogumelo no cupinzeiro 


Aldeia Irajá 

Bona é o agrônomo agroecológico da Kamboas Socioambiental que faz um
 trabalho lindo de agrofloresta nas aldeias e conhece muito de panc (e adora
crianças!)

Beldroega (Portulaca oleracea)

Algas que colhi na praia 

As castanhas da monguba

Abricó da praia - Mimusops commersonii . Come-se! 

Crepis japonica - no quintal da Kamboas. Come-se! 

Xanana no quintal da Camboas. Come-se!

No quintal da Kamboas. Comem-se!

Resultado do trabalho do Jerônimo Vilas Boas, da Kamboas.  Abelhas
nativas sem ferrão para a produção de mel entre os índios Tupinikim e Guarani
e que em breve estará no mercado (de Pinheiros, por exemplo)


Beldroegas com farofinha de pão no nosso jantar 

Galo com monguba. O Galo e as ervas para sua marinada (alfavacão e garupá)
vieram de aldeia tupinikim, a técnica e a receita com vinho, da Nina Kam,
e a monguba foi intromissão minha. O aipim que também veio da aldeia
complementou. E ficou um prato delicioso. Pode acreditar. Nhac! 



3 comentários:

Patrizia Monti disse...

Oi Neide tudo bem?
Voce conhece o site do farmsquare?
eu vi na internet e achei a plataforma interessantissima, ela linka pessoas que tem hortas em casa para doar os seus produtos. Penso que seja algo muito legal para a turma do come-se e das hortas urbanas poderem trocar seus produtos e doar os que sobram.

www.farmsquare.com.br

não tenho horta, então não tenho o que doar, mas esses dias pedi à uma moça de lá um LEVAIN de pão que ela fez, e ela entrou em contato comigo...fiquei super empolgada com essa "rede social do bem"

beijossss

Francini Xavier Rossetti disse...

neide, perdoe-me a ignorância, mas o que são mons???

Míriam I C S disse...

Neide, estou te devendo a muda do gengibre azul (mais alguma que já não me lembro) e agora que vi que usa a Aloysia gratissima, vou ver se faço muda dela pra vc. Já dei muita muda dela por ai mas minha árvore morreu e só sobrou uma mudinha, mas acho que dá pra fazer estaquia.
Sábado estaremos com uma barraquinha de café no Festival de Agricultura na Praça Victor Civita. Sinto falta de você lá com as pancs e tentaremos fazer um café panc. Claro que não temos metade do seu conhecimento e faremos só coisas simples, mas é um começo.

Mirinha, Míriam Salles (meu blog anda bem parado)