quarta-feira, 27 de maio de 2015

Chá de tagetes

Tagetes filifolia (segundo livro do Kinupp)
Voltamos agora tudo ao normal. Estive no último mês com visita do amigo padeiro francês em casa e ainda estava enrolada com trabalho. O blog é hobby e vai sempre sendo deixado por último na escala de prioridades. 

Muitas coisas foram acontecendo nestes últimos dias e uma das mais deliciosas descobertas foi este chá de tagetes. 

Fui com Michel, o amigo francês, à feira de orgânicos da Água Branca e na banca de flores encontrei maços destas tagetes. Não eram vendidas como alimento, mas como espécie decorativa apenas. Lembrei de ter visto no livro do Kinupp e Lorenzi (Plantas Alimentícias Não Convencionais - PANC - no Brasil) esta espécie de tagetes e comprei para experimentar. 

Plantas do gênero Tagetes, de um modo geral, são usadas de vários modos mundo afora. No Leste Europeu pétalas alaranjadas de tagetes são secas e usadas como substituto do açafrão, tanto em fiapos como em pó. As folhas e flores de várias espécies são estimadas na fitoterapia por suas ações farmacológicas como antiespasmódicas, hipotensoras, broncodilatadoras, sedantes e anti-inflamatórias. Sabe-se também que a planta contém substâncias antimicrobianas e inseticidas, por isto muito usada na agricultura orgânica. 

Na Bolívia, várias espécies deste gênero são usadas como tempero. A conhecida como huacatay ou huakataya tem sabor mais suave, entre menta e coentro, e é usada em molhos ou como erva para aromatizar carnes e legumes.  Já minha tagete não consegui guardar para tempero, mas poderia. Fiz chá e tomamos todos os dias até tudo se acabar  - folhas e flores. As folhas na boca são amargas, mas na infusão liberam um perfume incrivelmente bom que lembra tangerina misturada com feijoa ou goiaba da serra, que por sua vez tem perfume de todafruta. Michel gostou tanto que levou sementes para a França - e até umas mudinhas que ganhei da Silvia e da Sabrina do viveiro Sabor de Fazenda.   Quem quiser muda, é só pedir para elas. 

Para fazer o chá, tenho usado cerca de 2 ramos inteiros, com flores e folhas picados para uma chaleira de meio litro de água. Deixo ferver um minuto a água com a erva para extrair o perfume e a cor (se fosse para uso medicinal, apenas abafaria, deixando em infusão). A coloração depende da quantidade de flores, mas você pode clarear ou deixar mais rosado o chá com a adição de gotas de limão, como pode ver na foto. A cor também vai variar conforme a quantidade do suco ácido adicionado. Pense num chá gostoso e viciante. É este. 

Então, se vir esta flor por aí, já sabe.  




3 comentários:

Juni disse...

Oi Neide, que delícia deve ser! Tenho estes cravos aqui e vou experimentar.
Beijos!

Venâncio RA disse...

Neide, esse tagete que você está usando é o cravo de defunto? Tem algum conhecimento desse chá combater os sintomas da dengue? Já vi isso na internet, mas não sei se procede. Abraços!

Regina Nehr disse...

Oi Neide,não sei se você sabe mas estas flores são usadas ,plantadas em torno de plantas ou no meio da horta para evitar ,ou mesmo, eliminar os nematóides que acabam com a planta e a gente não sabe o que está acontecendo.
O engraçado é que comprei uma caixinha de mudas para essa finalidade e esbarrando na folhagem achei o cheiro bem bom. Aí vem você com todas essas novidades!
Bj