quarta-feira, 19 de maio de 2010

Delícias de Silveiras. Parte 3 - O Sítio do Pinhal




Quando João me deu as duas indicações de onde ficar hospedada em Silveira, entre uma pousada e uma hospedagem escolhi visitar primeiro o site do Sítio Pinhal. Quem me atendeu na sexta à noite foi a Marina. Ela foi tão simpática que não pensei em procurar outro opção. A gente é simples, mas você vai se sentir em casa, ela disse. Fiquei de ligar mais à noite, mas o Marcos chegou tarde e só liguei para confirmar, no sábado cedinho, enquanto o Marcos ainda dormia. Pode vir, que o chalé está reservado pra você, disse ela, como se fosse minhã mãe falando, no sentido de carinho. E deixa ele dormir pra descansar. Já estou botando o feijão no fogo, mas pode vir com calma. Quando vocês chegarem, vai ter comida, não se preocupe.
A estrada de Silveira até lá vai entrando e rodeando a Serra da Bocaina e mostrando uma paisagem de tirar o fôlego, um mar de morro verde de formas orgânicas que vai longe emendar com o céu. Gosto quando posso repousar os olhos assim, no horizonte distante.
Chegando lá, a paisagem continua envolvendo o sítio e todas as janelas são como quadros. O contraste com o verde faz com que tudo o que cresce ali pareça mais colorido e viçoso. Amarelo pra chuchu de cerca, vermelho vivo para o urucum, flores de todas cores. Galinhas criadas soltas, pinhões caídos sob araucárias centenárias, um friozinho bom para namorar e a lenha crepitando no fogão de gostosuras.

Chuchu amarelo, limão zamboa e urucum. Crescem coloridos vigiados por montanhas
O sítio é tocado pela família e todos são de uma simpatia não ensaiada cativante. Os filhos, Elizeu e Marcos, entendem de carpintaria e edificação e foram eles que construiram os chalés. Mas entendem de outros assuntos também. Não lhes falta repertório para uma boa conversa sobre uvas viníferas e de mesa, cortes de vinho, tipos de mandioca, fungos e brocas, peixes, aves, árvores, frutas e até de cozinha (foi Elizeu quem me deu a receita do pudim de pinhão hoje ao telefone e me explicou detalhes técnicos, como por exemplo que tem que desenformar enquanto o pudim ainda está quente para que o caramelo não resfrie e solidifique novamente - apesar do leite condensado, era a melhor sobremesa junto com o doce de abóbora). O casal Marina e Roque trabalham em sintonia e nos tratam como se fôssemos mesmo da casa. Nada de sorrisinhos treinados, só risadas sinceras.

Pudim de pinhão: segundo Elizeu, é feito como um pudim de leite condensado comum, porém com pinhão batido junto. Bate no liquidificador 1 lata de leite condensado, a mesma medida de leite, outra de pinhão cozido e 3 ovos. Joga mais ou menos meia lata de açúcar numa forma de buraco no meio, leva ao fogo e deixa caramelizar. Depeja a mistura de pinhão por cima, cobre a forma e assa em banho-maria até ficar firme. Desenforma enquanto ainda está morno e serve gelado.
Quase tudo o que a gente come sai do próprio sítio. As verduras são cultivadas de forma orgânica, as frutas viram sucos e doces, sempre presentes no cardápio farto e variado.

Quem quer luxo e conforto não vai encontrar ali, pois é tudo muito simples. Nada de piscina, sala de jogos, sauna, massagem, sala zen, meditação ou pedras aquecidas. Mas não se passa tédio, fome nem frio, as instalações são limpas e a cama, confortável. E felizmente não pega celular nem internet, que é para não ter distração além da paisagem, do barulhinho da água corredeira e do canto dos passarinhos. Tem TV na sala de comer e pude até assistir ao Globo Rural no domingo (aliás, uma equipe do Globo Rural que foi para documentar a Festa da Broa, também estava hospedada lá). Já nos quartos, nada de TV muito menos frigobar.
É um lugar para quem quer acalmar a alma, sem nenhuma terapia envolvida, e descansar um pouco os olhos, desacelerar e lubrificar os motores. E você pode ficar ali só na contemplação (R$ 140,00 a diária para casal com pensão completa; só com café da manhã sai a R$ 80,00). Ou tratando de ajudar a ordenhar a vaca, fazer o queijo. Quer coisa melhor?

Para ver fotos do lugar, das comidas, ouvir a Marina falando dos tipos de mandioca do sítio e, de lambuja, ainda ouvir o som do Grupo de Folia do Morro dos Macacos, que esteve no sítio para um projeto do João Rural, veja o vídeo.
Sítio Pinhal: Tel. (12) 3102-7179 ou 9600-6836

8 comentários:

Anderson disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anderson disse...

Muito bom o post Neide!

As vésperas das férias, dá até vontade de ir prum lugar desses...

Many Thx!

Anderson

Mariângela disse...

céus! vou fazer este pudim,Neide,ele não fica muito denso?beijo!

Zita disse...

Neide, eu estudei com você na Faculdade e já estive no sítio Pinhal. Tenho um irmão que mora em Silveiras, por acaso se chama João Camillo. O atellier que tem na entrada da estrada que vai para os Macacos é dele. O Sítio Pinhal é muito bom mesmo e com certeza saimos de lá pesando uns quilinhos a mais.

Um abraço,
Zita

Neide Rigo disse...

Anderson, tenho certeza de que vai gostar.

Mari, não fica denso, não. Fica uma delícia!

Zita, que surpresa vê-la por aqui!! O que anda fazendo? Escreva para o meu email (neide.rigo@gmail.com). Conheci seu irmão. Estava com João Rural quando estive lá. Ele deve se lembrar porque tirei foto de umas peças dele para o banner de um outro blog. Veja lá: www.piqueniquepertodecasa.blogspot.com

Beijo grande, N

Roberta disse...

Há muito eu e meu marido, Ari, procuramos por um local como este. Vi recentemente um programa do Olivier em que ele visita o Sitio do Pinhal.
Vamos nos programar para vistarmos.
Obrigada pela dica.

Carlos disse...

Nossa amei as comidas feitas no fogão de lenha dai, quero voltar em breve.

roberto leone disse...

Assisti a edição do Globo Rural deste domingo (28/12/2014) e fiquei encantado com a família e simplicidade e beleza do local. Espero poder conhecer em breve, com minha esposa.