quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Pão com trigo integral e pinoli



Feriado prolongado foi bom para colocar algumas coisas do sítio em ordem, lavar vidros, encerar chão, exercitar músculos, aquietar os ouvidos e repousar os olhos no verde das colinas e das águas mansas da represa. Longe da cidade, temos que pensar em tudo ou nos virar com o que a terra nos dá para comer. Como por enquanto não há muito ainda o que colher além de almeirões, uns tomatinhos da roça, flores de abóbora e umas folhas de brócolis (as poucas flores, já comi), o melhor a fazer é levar gêneros de São Paulo. Os pães, os fiz com antecedência e duraram todo os feriado - fatias aquecidas pela manhã no calor do fogão de lenha. 

Parte dos presentes da Mary Valeriano
Meus pães costumam ter sempre o mesmo formado, mas voltei da Itália inspirada nos modelos redondos que vi nas padarias e nos livros que comprei sobre panificação. E moldá-los em cestinhas virou mania desde então. Como não tenho cestas apropriadas, improviso com as que encontrei aqui, além de escorredores. Os pães crescem arejados ganhando o formato do molde.  Estou usando pouco a pouco os produtos que ganhei da Mary Valeriano, durante o Terra Madre. As farinhas de castanha e de amêndoas, ainda não usei, mas a de trigo triturado em moinho de pedra, do Molino Quaglia, venho adicionando devagar nas fornadas do dia-a-dia. Nos últimos dias fiz duas receitas com levain - as mesmas minhas de sempre, adaptadas apenas - usando os pinoli e esta farinha de farelos grossos e amido fino, que chega a ter sabor de pão italiano e cheiro de moinho, gostosa até para beliscar crua.  Fiz também uma fornada com fermento comprado. Aí está a receita preferida com medidas fáceis de decorar: 

Usei cestinhas assim 
Antes de assar, tire da cestinha, claro. Emborque-a de uma só vez sobre a
assadeira untada e enfarinhada 

Pão com trigo integral e pinoli 

400 g de levain reformado um dia antes (bem grosso e aerado - se não tiver, clique o link) 
400 g de farinha de trigo integral 
400 g de farinha de trigo branca 
400 ml de água fria 
40 g de mel 
20 g de sal 
40 g de manteiga 
40 g de sementes de girassol 
40 g de sementes de abóbora (sem pele)
40 g de uvas passas brancas (pode ser da preta)
40 g de pinoli 

Numa bacia, misture bem o levain, as farinhas, a água, o mel e o sal. Sove bastante até ficar uma massa lisa (vá enfarinhando a mão, se precisar). Se quiser, bata na máquina de pão, no modo amassar (ciclo de 1h30m). Acrescente a manteiga e os ingredientes restantes. Cubra e deixe crescer até dobrar de volume. Divida a massa em 3 ou 4 porções, faça bolas, enfarinhe bem e coloque em cestas de palha enfarinhada ou escorredor/ peneiras cobertas com pano - em tamanho suficiente para que o pão ainda cresça outro tanto. Quando a massa estiver crescida, desenforme das cestinhas, emborcando-as de uma só vez sobre a assadeira - com cuidado para não perder volume. Faça cortes com lâmina fina, se quiser. Leve ao forno super quente e deixe assar por 10 minutos. Diminua a temperatura para média e deixe assar até o pão ficar bem dourado (cerca de 50 minutos). 




Opção com fermento granulado: foi o primeiro que fiz, no dia em que cheguei, com fermento comprado, pois o levain precisava de tempo para se recuperar e eu precisava de pão rápido. Ficou bom, mas com levain, claro, fica melhor. Usei também menos farinha do moinho de pedra. 

O jeito de fazer é o mesmo, apenas diluindo antes o fermento na água. Usei os seguintes ingredientes: 3 xícaras (720 ml) de água, 1 colher (sopa) ou 1 envelope de fermento biológico granulado, 1 xícara de farinha de trigo integral e 900 g de farinha branca. Os outros ingredientes se repetem. 

Para comer olhando a paisagem. Piracaia tá ficando assim. 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Choveu içá em Piracaia


Estava eu lá em Piracaia neste final de semana trabalhando no jardim, sob um sol escaldante no domingo, quando começou a chover içá. 

No sábado, ao anoitecer, teve uma invasão de besouros, que se suicidavam queimados no lustre. E agora, sob o sol quente eles eram enterrados pelas formigas, para irem devorando aos poucos. Era isto que observava quando começou a cair içá do céu. No começo,  fiquei assustada com aquelas formigonas e confesso que matei algumas com o enxadão. Aqueles insetos realmente não faziam parte das minhas memórias. Mas me lembrei de ter conversado com a amiga Nana Tucci dias antes. Ela tinha ido à Lagoinha, no Vale do Paraíba,  fazer uma matéria para o Caderno Comida, do Jornal Folha de São Paulo e me mandou a íntegra do texto, que publicou no seu blog Calunga Cor de Rosa. Portanto, antes de continuar lendo, melhor ir lá para saber tudo sobre a caçada e o bicho: Formigou 

Nunca vi uma caçada, mas já comi paçoca feita com elas em Silveiras, também no Vale. E foi sobre isto, sobre o costume e a natureza do bicho que falei no post Delícias de Silveiras.  Compensa dar uma olhada nestes dois links antes de prosseguir.  

Tentei olhar em volta para descobrir de onde vinham, mas o sol estava se pondo e eu ainda tinha muito trabalho na terra antes de voltar para São Paulo.  Depois me arrependi. Devia ter procurado o formigueiro para acompanhá-lo. Não é toda hora que cai içá do céu. Quando resolvi catar algumas, várias delas já estavam com bundinhas pra cima, cavoucando buraco na terra ainda molhada da chuva do dia anterior.  Achei bom porque estavam entrando em terreno duro de terraplanagem. Assim, os novos formigueiros servirão para arejar as profundezas com suas galerias. Só espero que não virem saúvas cortadeiras vorazes que vão acabar com os meus verdes. 



Quando as catei do chão, já estavam sem as asas. Usei uma caneca de pegar grãos como se fosse pá e fui colocando num pote com tampa. Cerca de uma dúzia apenas. Congelei quando cheguei aqui e só hoje limpei. Eliana ajudou, mas é fácil. Estando congeladas, basta quebrá-la pela cintura, aproveitando apenas o abdome e descartando tórax e cabeça. Ela tem mais prática que eu, pois seus vizinhos que vieram de Minas e Pernambuco pegam içás aqui mesmo em São Paulo, quando começam a cair no asfalto. E preparam farofa em banha de porco com farinha de mandioca, para comer com cerveja.  Segundo ela, bastante içá e pouca farinha, diferente do que fiz. Como tinha pouco, fritei na manteiga e juntei farinha suficiente para o meu almoço. Comi com carne e verdura. E estava boa. No começo parece estranho, mas quando se vence o preconceito e começa a prestar atenção ao sabor, ele é bom, muito bom. E a textura,  crocante como pipoca. 



Não quero, não gostei ! Só quero as bolinhas crocantes! 
Dendê também adorou e queria mais. Claro, só as bolinhas crocantes,  o filé mignon da formiga. Já o que sobrou da separação, cabeça, corpo, perninhas, misturei como complemento proteico na comida da vira-lata, que come de um tudo (menos nozes, casca de jabuticaba e outras poucas coisas). Achei que bastava ser proteína para que Dendê devorasse, mas que nada. Não quis saber. Embora tudo bem misturado, ela conseguiu separar todas as cabecinhas. Algumas,  pegou com a boca e cuspiu para fora da vasilha. Outras, deixou no fundo. Não é boba nem nada esta filha de uma cadela. 

E aí, em algum outro lugar está tendo revoada de içá? Vamos pensar outros pratos com ela? 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Pera Abate para se comer em casa e na estação




Se tem um cheiro que reconheço de longe, além daqueles das frutas ou dos meus perfumes preferidos, é o de BHC ou hexaclorobenzeno de cloro, porque faz parte das minhas memórias afetivas, por mais esquisito que isto possa lhe parecer. Era o cheiro do paiol onde brincava, durante as férias,  com os primos no sítio dos nossos avós no Paraná e onde era depositado o agrotóxico usado na cultura do algodão. Durante o restante do ano, tudo o que me fazia lembrar o sítio era bom e pronto, dos barracos de favela com as tábuas branqueadas pela chuva ao cheiro do estábulo e estrume, do perfume das folhas úmidas que margeavam o córrego ao fedor do BHC do paiol. Felizmente o produto cancerígeno foi proibido em 1985 quando meus avós já não estavam mais no sítio e eu já tinha noção do seu perigo.  Aí a associação positiva mudou de lado automaticamente. Certamente muitos agricultores ainda continuaram usando o agrotóxico na ilegalidade ou produtos importados similares.  Mas o que isto tem a ver com a pera?  É que na  última vez que comi uma pera importada foi o cheiro e gosto de BHC que senti. E ele não estava na casca da fruta e sim lá no miolo, junto às sementes, entranhado na polpa e concentrado no cerne.  

Fiquei com medo e evito peras e maçãs viajadas desde então. Isto tudo me veio à lembrança quando vi aquela cesta de frutas no refeitório do Terra Madre, montado para atender aos participantes convidados.  A comida era deliciosa (só não gostei de um hambúrguer num dos dias), sempre muito fresca. Eram centenas de pessoas que comiam ali todos os dias sem congestionamentos. Iam abrindo outras praças de servir conforme o horário e o número de pessoas que iam chegando. De sobremesa, sempre havia tortas doces, que não provei embora parecessem apetitosas, e também uma grande cesta de frutas. Peguei uma pera no primeiro dia, sem muita fé. Provei, parei a conversa e prestei atenção no sabor da fruta. Era tão gostosa que não consegui me concentrar em mais nada enquanto não terminei e peguei outra. E depois outra. Foram três neste primeiro dia e repeti a dose todos os dias (sorte, muita gente preferia os doces). E ainda passamos, Ana Soares, Mara Salles e eu, no Eataly e compramos uma caixa delas para deixar no quarto do hotel. Não sabia que peras não viajadas e comidas na estação delas podiam ser tão boas. É como comer açaí fresco na Ilha do Marajó, recém colhido, que em nada se parece com o açaí terroso que comemos em São Paulo. 

A pera Abate, como é conhecida na Itália, começa a aparecer no mercado no final do verão e está em plena safra no outono. O nome deriva do Abade francês, Abbé Fetel, que desenvolveu a cultivar em 1866. Depois de maduras elas amolecem rapidamente. As que comi eram super firmes por fora e, de tanto comer peras duras e sem gosto, até fiquei desconfiada à primeira mordida, mas a polpa úmida, perfumada, macia e super doce logo desfez o preconceito. A doçura vem do fato de ela ser muito mais rica em frutose que as outras, além de fibras, vitaminas, ácido cítrico e málico, como as demais variedades.  

Os italianos gostam desta pera,  e de tantas outras variedades de pera gostosas que há por lá,  com queijo pecorino (de preferência o toscano ou sardo, menos doce que o romano). Tanto, que há um ditado: Non far sapere al contadino quanto é buona la pera col pecorino. Isto quer dizer que se o camponês fica sabendo o quanto é bom comer pera com pecorino, não sobra fruta para os gulosos que conhecem o sucesso da combinação. 


Imagens do refeitório do Terra Madre,  (o grande evento do Slow Food), que aconteceu em Turim, no fim de outubro. Água fresca na mesa, frutas à vontade, muita salada verde e de grãos e massas boas. E queijos, azeites, tortas. Pratos e talheres, todos biodegradáveis. 

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Terra Madre e o laboratório da mandioca



Foi a maior surpresa saber que a Mary Valeriano registrou algumas coisas do Terra Madre, incluindo minha participação no Laboratório do Gosto - "Mil modos de dizer mandioca" e um pedaço da aula da Roberta Sudbrack, que perdi. Minha participação foi rápida e com tradução simultânea, que faz a gente perder um pouco o ritmo,  mas consegui mostrar como extrair o amido da mandioca e o que se pode fazer com ele - servi tapioca molhada no leite de coco embrulhada em folha de bananeira.  Mary é brasileira, mas depois de tantos anos vivendo na Itália, onde tem um restaurante, fala português com forte sotaque italiano. O gostoso mesmo é ouvi-la parlare italiano, fácil de entender, como verá no vídeo. Aproveite para assistir aos vários outros vídeos da moça, tão interessantes, ela sempre tão simpática  (Por enquanto, sigo enrolando pra começar a contar da viagem ...)

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Terra Madre por Teresa

Estande do Peru
Ainda não entrei em sintonia com o ritmo daqui. Estou lerda, ainda não consegui digerir todo o alimento que me nutriu naqueles dias de viagem e o Terra Madre ainda está em mim, assim como a terra úmida da floresta da Catalunha. Ainda não consegui separar por itens, não sei por onde começar a contar. E ainda teve o Mesa Tendências ontem,  cheia de informações, palestras interessantes, coisas para pensar. E tem as milhares de fotos para selecionar, legendar. E tantos catálogos e livros que ainda quero ler. E a sacola cheia de ingredientes para cozinhar. E o quintal que virou floresta tropical em duas semanas. Vídeos para ver, emails para responder. E ideias, muitas ideias pipocando. Se eu tivesse facebook e twitter, então, acho que já teria enlouquecido. O bom teria sido ir registrando tudo dia a dia, mas não deu. Então, vou no meu tempo. 

Como não quero deixar passar, enquanto não arrumo fotos e fatos, você pode tomar pé do que foi o Terra Madre através dos relatos da Teresa, mineira e colega nutricionista como eu, que tive o prazer de conhecer por lá. Está morando na Itália, mas já voltando ao Brasil. Como minha sobrinha, trabalhou de voluntária e falou de coisas que eu também falaria, como o esforço louvável do Slow Food para conseguir reunir tantos produtores do mundo todo; do atendimento às normas sanitárias do país, que fez com que o Slow Food comprasse os produtos dos produtores e os submetessem à análises; da lotação do espaço do Salone del Gusto como um salão do automóvel comestível - graças à venda de ingressos para o Salone foi possível custear a ida de participantes do Terra Madre do mundo todo; do iogurte do Kenia, do tomatinho do Vesúvio, do umbu do sertão, do  pessoal do Brasil.  Teresa falou de tudo, melhor do que eu falaria. Então, vejam lá no blog dela, Da Horta, que descobri por acaso - discreta, esta moça, nem me contou - , os posts vão até o 03 de novembro de 2012, então é só ir rolando para baixo para ver os anteriores. Pronto, não preciso falar mais nada. Fiquem com a Teresa Andrés. 


Minha foto
www.dahortanaitalia.blogspot.com.br
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Feira de orgânicos no Ibirapuera


Finalmente saiu do papel e teremos mais uma opção de feira de orgânicos na cidade. Com apoio do Slow Food São Paulo, entre outros.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Trabalho pra Flora procura-se

Flora degustando queijos brasileiros no Terra Madre. Crachá de voluntária
Pode parecer estranho usar este espaço para isto, mas se ter um blog próprio não servir ao menos para ajudar os queridos, de que adianta a independência editorial?  Come-se é também utilidade pública. Vai que consigo unir dois interesses. Flora, minha sobrinha, de quem já falei aqui, vive em Paris, estuda geografia na Sorbonne (agora está no mestrado estudando agricultura familiar) e vai passar alguns meses aqui. E sabe como é, bolsa de estudante é curta -  agora, com a crise europeia, reduziram ainda mais, e ela quer trabalhar aqui em janeiro. Pode ser até durante as festas de final do ano, nas festas, não liga, o que quer é trabalhar e ganhar algum dinheiro que lhe pague a viagem. E não é porque sou tia, mas sei que a menina trabalha (já foi minha assistente, sabe fazer cuscuz argelino, e digo que é melhor que muitos estudantes de gastronomia na lida da cozinha). Desde adolescente fazia trabalho de secretária, fala francês e italiano, em Paris às vezes  faz bico de babá e trabalhou de tradutora voluntária no Terra Madre. É carismática, atenciosa e simpática, quem a conhece adora, e disse que pode trabalhar de vendedora, babá ou recepcionista, topa cobrir férias em um escritório ou fazer qualquer outro trabalho honesto que esteja ao seu alcance.  Mas, claro, vai achar o maior mico este anúncio aqui no Come-se. E ainda assim vai sorrir para tia. Bem, eu adoraria tê-la como assistente por um mês para colocar em ordem minha biblioteca, para arrumar o arquivo do blog, para me ajudar na cozinha etc, mas infelizmente não ganho para isto e tenho que me contentar em me multiplicar. Mas talvez o leitor ou leitora conheça alguém que queira contratá-la por um mês em janeiro. Pode indicar sem medo de errar. Ou pode vir reclamar depois aqui nos comentários, que prometo não apagar. Se quiser o currículo ou qualquer informação, escreva para mim,  neide.rigo@gmail.com,  e eu encaminho a ela.


Tomates europeus. Coluna do Paladar de 08 de novembro de 2012



FOTOS: Neide Rigo/Estadão

Não tem o do vulcão? Serve o da roça

  • 7 de novembro de 2012|
  •  
  • 22h53|
Por Neide Rigo
Durante o Salone del Gusto e Terra Madre, os grandes eventos do Slow Food em Turim (Itália), no final de outubro, me deparei com produtos da Arca do Gosto de diferentes países. Um dos que me chamaram a atenção foram os tomatinhos do Vesúvio, com pele grossa, de um vermelho forte e polpa doce e densa, que os fazem resistir até a Páscoa seguinte à colheita no final do verão. Eles são tradicionalmente presos pelo pedúnculo com barbante e unidos em grandes cachos que, pendurados, podem passar todo o inverno se aperfeiçoando nesse arranjo, desfeito na medida da necessidade.
Foi por causa de um primo do tomate, da mesma família das solanáceas, que nasceu o projeto Arca do Gosto, em 1996. Um grupo do Slow Food notou a troca de um pimentão local por um importado e sem gosto no menu de um restaurante em que estavam acostumados a ir. Ficaram sabendo que o produtor passou a cultivar bulbos de flor holandesa, muito mais rentáveis que aqueles pimentões que faziam a alegria dos gastrônomos, mas não garantiam o sustento de quem os produzia. Inconformados, numa só tacada conseguiram listar cerca de 500 produtos que comiam no passado e já não encontravam.
A excelência do ingrediente depende do produtor. Daí nasceu o projeto Arca do Gosto, que identifica, cataloga e divulga alimentos ameaçados de desaparecer, entendendo-se por ameaça a imposição de variedades comerciais padronizadas, a substituição da biodiversidade, monoculturas extensivas, etc. Alguns itens são ainda tutorados e protegidos por outro projeto chamado Fortaleza, que oferece apoio técnico e financeiro para a manutenção desses produtos.
Pois os tomatinhos cultivados no Parque Nacional do Vesúvio estão no Fortaleza, assim como o baru e o licuri, entre outros produtos brasileiros na Arca.
Foi impossível não pensar nos nossos tomates-cerejas que nascem Brasil afora, especialmente na zona rural, enroscados num pé de café ou de milho seco, encostados num entulho de praça ou em qualquer lugar, desde que o deixem ali sem cuidados. As folhas têm penugem e às vezes são feias e amareladas, mas liberam um perfume delicioso ao simples contato.
Não adianta querer cultivá-los na horta perto de casa, a não ser que eles queiram, pois parecem preferir o desprezo ao zelo. Os frutos, que dão em pencas, têm pele fina e muita semente, são suculentos, ácidos, doces e fazem, sem vinagre ou limão, um molho cru combinado com cebola e cheiro-verde para a carne de porco ou entram cortados ao meio na salada de almeirão.
Porque dá na roça, começou a surgir na década de1980 no mercado urbano com o nome de tomatinho-da-roça e virou febre. Tudo levava tomate-da-roça. Ou tomate-cereja, já começando a se afrescalhar. Logo já não era mais aquele azedinho e doce de pele fina que fazia papel de tomate e vinagre ao mesmo tempo e chegava a cortar baba de quiabo quando refogado com alho antes do legume. Foi ficando mais firme, menos frágil, com polpa mais densa, mais vermelho, com menos sementes e mais sem graça. Claro, já não se reconhecia ali o mesmo tomatinho, que se mostrou inviável para o cruel mercado de produtos que durem muito nas prateleiras e saibam viajar, coisa que essa variedade selvagem faz mal. Para as gôndolas, melhor os híbridos com nomes importados e sementes patenteadas. Enquanto isso, o tomatinho-da-roça segue seu estilo capiau como antes da moda. E nós continuamos sem escolhas.
Ainda em Torino, saindo do espaço do Slow Food, levei um susto ao ver a variedade de tomates diferentes e produzidos localmente entre os hortifrútis do complexo gastronômico Eataly. Acho que eram uns 15, grandes, pequenos, vermelhos, amarelos ou negros, esféricos, piriformes, cordiformes, lisos, em gomos. Todos muito frescos, com destaque para a informação de que eram produtos italianos, alguns “quilômetro zero”.
Já em Barcelona, a comoção foi maior e dois olhos foram poucos para tantos tomates. Sem exagero, devia haver numa só banca mais de 30 variedades. Num supermercado comum, onde comprei os tomates sucosos em pencas para passar no pão, contei pelo menos 14 variedades. Está certo que não é difícil produzir híbridos de tomate, mas muitos deles eram os tradicionais, velhos conhecidos do cozinheiro catalão, aos quais recorre para fazer seupa amb tomàquets (veja abaixo).
E pensar que aqui no Brasil estamos muito mais perto da região andina, o centro de origem dos tomates, que temos bom clima e terra para o cultivo de muitas variedades, e que os europeus só conheceram o fruto americano na época dos descobrimentos, dá certa inveja.
Aposto que muitos de nós nos contentaríamos em comer tomates só na época da safra desde que pudéssemos escolher nossos preferidos, entre eles os tomatinhos-da-roça dispostos cuidadosamente em cestas, trazidos de um produtor de perto. Em vez disso, nas feiras ou supermercados, nossos únicos dilemas diante de tomates sem gosto ficam entre os maduros ou nem tanto e os para molho ou salada. E é desolador pensar que quase sempre dá no mesmo.
Pa amb tomàquets
Corte fatias de pão de miolo firme e casca grossa, de preferência feito com levedura natural. Corte ao meio, mas não de comprido, um bom tomate, maduro e macio, e esfregue uma metade em cada fatia de pão – a parte cortada sobre o pão, claro. Um fio de azeite, um sereno de sal… e venga!

Salone del gusto e Terra Madre. Depoimento para o Paladar de 31 de outubro de 2012

O ginásio lotando para a abertura

Está também no blog do Paladar: http://blogs.estadao.com.br/paladar/dos-taxistas-ao-tregaline-so-se-falava-naquilo/ , assim como a cobertura do evento feita pela Cintia Bertolino.  


As últimas horas do Terra Madre são barulhentas, como se espera de um grande mercado. É gente de toda cor de pele e de todo tipo de roupa ajeitando pertences vindos de mais de cem países diferentes.
Malas e muitas sacolas ocupam os corredores. Troca de cartão e de abraços e a promessa de que continuaremos lutando por um mundo melhor, mais justo, em que todos tenham comida boa e diversificada. E só há um jeito de cumprirmos essas promessas: valorizando quem produz o alimento em pequena escala e protegendo os ambientes onde ele é produzido.
Isso tudo foi o que vimos durante cinco dias aos pés dos Alpes italianos – que nos brindou com neve. Foi a primeira vez que estive presente, participando de duas atividades no Salone Del Gusto, uma com as chefs Mara Salles e Ana Soares, sobre frutas brasileiras – falamos de jatobá, pequi, umbu entre outras – e outra sobre mandioca, onde mostrei como extrair o amido e fazer tapioca.
Só do Brasil, para o Terra Madre, éramos quase cem pessoas, entre pesquisadores, chefs, produtores e membros atuantes do movimento Slow Food. De visitantes, milhares por dia. Era tanta gente, que não conseguimos nem mesmo encontrar com a Roberta Sudbrack, que deu uma aula concorridíssima.
Dos motoristas de taxi às vendedoras do Eataly ou aos garçons do restaurante Tre Galine, em qualquer lugar da cidade não se falava de outra coisa que não o Salone e o Terra Madre.
E nossos produtos despertavam curiosidade. Estavam lá a farinha de copioba da Bahia e a polvilhada de Santa Catarina, nosso mel de abelhas nativas, o licuri, a araruta, o pequi, a farinha de jatobá, o baru, o berbigão e, claro, nossos queijos de leite cru. E com tudo isso a gente começa a achar que um mundo diferente ainda é possível. Somos poucos, mas juntos somos grandes.

Uvaia - texto da coluna para o Paladar de 24 de outubro de 2012

Sei, sei, tenho muita coisa pra contar da viagem, mas como saíram dois textos meus no Paladar durante minha ausência, reproduzo-os aqui para quem perdeu a edição. E também para arquivo próprio, claro. Para não reproduzir os vários itens em que o texto foi dividido no jornal, colo aqui o corrido, como o entreguei, que dá quase no mesmo que o editado. De qualquer forma, você pode vê-lo mais ajeitado e com lindas fotos do Felipe Rau lá no blog do Paladar:  http://blogs.estadao.com.br/paladar/nao-tente-domestica-la/ . Volto logo a falar da viagem. 


UVAIA

Havia antes um consenso da nutrição de que deveríamos comer umas cinco variedades de frutas todos os dias, fossem elas maçãs argentinas ou cerejas do Chile, peras europeias com miolo sabor veneno, ameixas conservadas no frio da safra passada ou bananas maturadas à força do etileno.  Pouco importava o custo ambiental ou econômico destas escolhas. Isto vem aos poucos caindo por terra, assim como as uvaias caem de maduras.

Não que o menu variado tenha deixado de ter importância, mas as frutas de estação, produzidas localmente, com todo o seu frescor e nutrientes intactos, tem que ser prioridade.  Se é tempo de uvaia ao nosso redor, que comamos mais uvaias no suco da manhã, no molho para o frango ou peixe do almoço ou no sorvete da sobremesa do jantar.  A variedade de alimentos frescos ao longo do ano já é imposta naturalmente pela própria sazonalidade. 
Tudo, só pra dizer que é tempo de uvaia. Está acabando a safra de amora, começou pitanga e segue uvaia outubro adentro, encontrando grumixamas em novembro.  Frutas não domesticadas são assim, verdadeiras radicais livres, dão no tempo delas e não seguem modelo de comportamento e estética.  Uvaias podem ser redondas (Eugenia uvalha) ou ter formato de peras (E.pyriformis),  são doces ou muito azedas e são chamadas de nomes diversos como uvaia, uvalha, orvalha, ubaia e até ubóia.  

Você pode não ter reparado nas uvaieiras, que são mais altas e discretas que as pitangueiras, mas elas estão espalhadas por todo o país, nos quintais, nas praças e calçadas, mesmo das capitais, especialmente as do Sul e Sudeste, de onde são originárias. Já foram muito mais comuns nos pomares domésticos, mas agora estão voltando à moda. Você encontra em viveiros mudas já produzindo e pode mantê-las até em vasos desde que bem drenados.

Para reconhecer uvaieira, preste atenção nas árvores com folhas que lembram as de pitanga só que mais finas, de cor rósea avermelhada quando jovens passando a verde acinzentado à medida que envelhecem.  O tronco reto também é parecido com o da pitangueira: castanho esverdeado, liso, com escamas que se soltam no começo da primavera.  Aliás, pitangas, goiabas, grumixamas, araçás, jabuticabas  e uvaias são todas da mesma família das Mirtáceas. Em comum, são muito perfumadas, frutas e folhas. Uvaias têm película aveludada da mesma cor laranja que a polpa espessa e suculenta que rodeia as sementes.

Esta é mais uma dessas nossas frutas que não viaja bem, que não se pede de encomenda, que só encontramos fresca na safra e junto à árvore. São frutas volúveis e frágeis e por isto poucos investem no cultivo comercial. Fora do alcance dos galhos das uvaieiras isoladas, as únicas formas de prová-las são na forma de polpas congeladas, ou sucos, sorvetes e geleias.
Uma opção é ir mapeando de cabeça as árvores do lugar onde vive e conhecer a natureza da fruta que produz. Minha uvaieira preferida fica numa praça perto de casa, com frutos de polpa farta, pouca semente e bastante acidez, bons para sucos e caipirinhas.  Aí, basta acompanhar anualmente a floração para não perder os dias de colher.

Claro, a gente pode prolongar um pouco a safra. Se é tempo de uvaia, coma um pouco, faça geleia, congele um tanto - pelo menos para suco ou sorvete a polpa congelada vai funcionar bem.  Há uvaieiras que produzem duas vezes por ano, como as jabuticabeiras, e isto é a alegria de quem tem a sorte de ter uma árvore desta em casa, afinal é uma das frutas mais gostosas que existe, sem nenhum exagero, pois combina acidez e perfume com harmonia. E isto não quer dizer que seja fruta-pronta-sobremesa para se comer no pé. Nem toda fruta de sabor agradável é boa para se comer ao natural. É o caso do limão, perfumado, delicioso e ninguém come puro.  Uvaia é mais amigável, tem certa doçura, mas ainda assim não é fácil encontrar uma super doce que se possa comer pura sem fazer caretas. No entanto, ganha do limão e da laranja por ter mais que o dobro de vitamina C. E no suco, na geleia ou no sorvete a correção da doçura destaca o sabor e o aroma.  Lembra,  numa comparação muito grosseira,  uma mistura de damasco, pitanga e maracujá.   

Quer saber mais? Uvaia é muito mais proteica que limões e laranjas.  Não importa muito, mas posso dizer: esta porção de proteínas vem representada na forma de larvinhas cevadas com o mais puro néctar da fruta. A não ser um certo asco, não há efeito colateral algum no consumo de larvas da mosca da fruta. Claro, torna-se imprópria para vegetarianos. 
Agora, se você realmente tem desprezo por bichos-de-coco,  gongos, tapurus , morotós e outras larvas, há jeitos de desproteinizar a polpa no cultivo ou preparo. Para quem planta, basta colocar iscas para a mosca ou evitar deixar uvaias  maduras no chão para que o bicho não complete o ciclo e reinfeste as frutas.

Já no preparo, um jeito prático que encontrei foi congelar a fruta e, consequentemente, os bichos. Assim, a gente pode cortar lascas da fruta,  que mesmo congelada não chega a endurecer, e desprezar o miolo da fruta junto com as larvas que costumam se concentrar ao redor das sementes. Você pode fazer isto para separar a polpa para a geleia ou para o sorvete. Antes de congelar espalhadas em bandejas, as frutas devem ser lavadas e secas. Depois de congeladas, podem ser guardadas por até um ano em embalagem que feche hermeticamente. Elas ficarão soltas e podem ser retiradas individualmente na medida da necessidade. Para um suco, retire 3 ou 4, corte as lascas e bata no liquidificador com água, açúcar e gelo.



Geleia de uvaia

600 g de polpa de uvaia, sem sementes
1 xícara de água
500 g de açúcar

Bata a polpa com a água no liquidificador. Passe por peneira e junte o açúcar. Leve ao fogo numa panela grande e deixe cozinhar até atingir o ponto de geleia (um dos critérios para saber: ao levantar a colher, a última gota demora para pingar). Coloque em vidros aferventados e secos e conserve na geladeira.


Rende cerca de 800 g

Sorvete de uvaia com pedaços da fruta

Meia xícara de polpa de uvaia picada (120 g)
1 xícara de creme de leite fresco (240 ml)
1/3 de xícara de leite integral (80 ml)
½ xícara de açúcar (90 g)
3 gemas de ovo

Para os pedaços da fruta
Meia xícara de polpa de uvaia congelada cortada em lascas
4 colheres (sopa) de açúcar
4 colheres (sopa) de água

Misture a polpa de uvaia com metade do creme de leite e bata no liquidificador. Reserve.
Numa panela pequena, aqueça o leite e o creme de leite restante, até começar a ferver. Enquanto isso, bata com batedor de arame ou na batedeira as gemas com o açúcar até ficarem esbranquiçadas. Pare de bater e despeje a mistura de leite sobre as gemas, misturando bem com uma colher. Volte tudo à panela do leite e leve ao fogo baixíssimo. Cozinhe, mexendo sempre, só até a mistura espessar como um mingau ralo, que cubra as costas de uma colher. Deixe esfriar e gelar, de preferência de um dia para o outro na geladeira.

Prepare antes também os pedaços de fruta: misture numa panela pequena o açúcar com a água. Deixe ferver até formar um xarope e junte os cubos de uvaia. Cozinhe por 2 minutos, escorra e deixe esfriar e gelar os pedaços.

Bata o creme de uvaia na sorveteira até ficar firme. Junte os cubinhos de uvaias, misture bem e deixe o sorvete no congelador por cerca de 2 horas antes de servir. 

Nota: Se não tiver sorveteira, passe a mistura gelada para uma tigela de aço inoxidável e leve ao freezer, mexendo com colher a cada meia hora, até congelar tudo por igual. Quando estiver quase pronto é que os cubinhos da fruta devem ser acrescentados.

Rende: 6 porções

Para comprar mudas e receber por correio:
Ciprest - Mudas de Plantas - Edilson Giacon 
Telefone: (19) 3451-5824  / 9144-7580 
www.ciprest.com.br/produtos.htm 
Para comprar polpas e geleias

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Desfazendo as malas de Barcelona e Turim

Por enquanto está tudo junto e misturado. Turim, onde aconteceu o Salone del Gosto e Terra Madre, e Barcelona, para onde dei uma esticadinha depois dos eventos do Slow Food. Levei a mala cheia de polvilhos, farinhas e mandioca,  além de utensílios, e a trouxe lotada de delícias do outro lado do oceano, além de bons livros. No evento do Slow Food encontrei amigos e leitores do blog como o Marcelo, a Gaby, a Mary  Valeriano, brasileiros que vivem na Itália.  Reencontrei a sobrinha Flora, que vive em Paris e trabalhou como voluntária. E amigos do Slow Food de todo canto. Só do Brasil éramos cerca de 100. Eu falo de tudo depois de arrumar as malas, por enquanto fique com a cobertura feita pela Cíntia, para o Paladar. Basta clicar nos links abaixo que o levarão direto para o blog do Paladar.    

SLOW FOOD
Por uma cozinha que nasce no camp
Receita: Passatina di Ceci com Gamberi
Brasil mostra fruta, mandioca e ostra de tomat
Depoimento de Neide Rigo: Dos taxistas ao TreGaline, só se falava naquilo

Em Turim, ficamos no mesmo quarto de hotel, Mara Salles, Ana Soares e eu e aproveitamos não só o Salone e Terra Madre, mas também um pouco da cidade, que conheci há muitos anos. Foi divertido tomar com elas Barolo em copo de plástico, fazer picnic na cama, conhecer restaurantes e passear pela cidade já gelada. 

Aproveitei a viagem para dar uma espichada até Barcelona, onde me encontrei com Marcos e onde estão morando Veronika e Ricardo. E ainda até Terrassa, perto dali, onde vivem agora os amigos gaúchos Rui e Mariângela. E Barcelona não é cidade para uma semana, mas a gente não tem tudo o que quer. 

Ao menos vimos um pouco de Gaudi, comemos panellets caseiros e comprados para a festa da Castañada na noite de Todos os Santos,  acompanhados de moscatel. Descobrimos que há paellas meia boca para turistas desavisados e ótimos pratos do dia em locais escondidos, vimos varandas com os três pezinhos de canabis permitidos a todos cidadãos, passeamos de mãos dadas pela Rambla, passamos por baixo do arco do triunfo, passamos sobrassada no pão que às vezes era esfregado com tomates que são tantos e tão bons. E comemos bichinhos do mar de todo tipo e cogumelos, nem se fala. Fui à montanha com o Rui coletar bolets comestíveis e picantes. Comprei minha bebida preferida - vermute, para imitar o catalão. Fomos ao piquenique de aniversário dos meninos e isto por lá é comum.  E me perdi no bairro gótico, passei horas nos mercados da Boqueria e Santa Catarina, me fartei de jamon, me emocionei com os castellers, vi que os plátanos são podados no outono antes que as folhas caiam no inverno e que a cidade tem muitas magnólias que dão frutos, e que os periquitos americanos fugiram da gaiola e se multiplicam agora soltos à base de tâmaras, madronhos e sementes vermelhas dos frutos de magnólia.  E que outras tantas frutas são vendidas em quitandas dominadas por paquistaneses que não descansam após o almoço nem nos feriados. E aprendi que se você começa qualquer conversa com Sisplau, pode continuá-la em portunhol, que todo catalão vai se esforçar para te entender. Mas vou contando tudo aos poucos, depois de arrumar a mala e separar torinos de torrones. 

Veja só o que me espera na arrumação: 

Araruta e farinha de copioba, da Bahia. Urucum dos índios tupiniquins 

Arrozes italianos - presentes da Mary

Castanhas, pinoles, farinha de castanha, de amêndoas e de trigo de moinho
de pedra  - presentes da Mary

Feijões italianos e espanhois

Pimenton de la Vera e flor de sal

Batatas doces de Barcelona, cogumelos e outras sementes

Coincidência:  Nespras (Mespilus germanica) catalãs e piemontesas -
Marcos trouxe duas das montanhas da Catalunha e eu trouxe duas de Turim
para mostrarmos uns aos outros

Pimenton de La Vera a granel e latinhas.  Devidamente abastecida. 

Sementes 

Sobrassada em tripa de cavalo - do Mercado de Terrassa 

Vermute, que ninguém é de ferro 

Umas suculentas

Umas sementes

Minha mala já estava muito comprometida. Só pra ver como é vendida
legalmente junto às sementes de flores 

A Patrícia, junto com o Eduardo e crianças, amigos do piquenique perto de casa, que estão vivendo em Montpellier, na França, também estavam por lá e postou em seu blog  a viagem que coincide com a nossa. Veja lá algumas fotos com todos nós e o vídeo com os castellers:  http://lagartadalice.blogspot.com.br/