sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Pancs da periferia - de Curitiba

Abandonei o blog nesta semana porque não tive tempo. Trabalho, trabalho. Mas no final de semana passado pude descansar um pouco na casa dos meus pais, em São José dos Pinhais, município pertencente à Grande Curitiba.  E como um dos meus passatempos é identificar plantas espontâneas, especialmente as de comer, fui dar uma sondada pela redondeza.

No  jardim de dona Olga tem de tudo

Couve, cebolinha, salvia, rosa, alecrim, salsinha, chuchu
Antes, me perdi no jardim da minha mãe, que é como o meu, tudo junto, hortaliças, árvores e flores disputando o mesmo espaço.

Fonte inesgotável e biodiversa de alegrias
Cada um tem o shopping center que merece e lhe faz feliz. Este é o meu e, melhor, não custa nada. Não precisei andar muito e logo encontrei um terreno baldio que chamava a atenção pelo rosado das flores parentes da alcachofra. Entrei arranhando as pernas nos espinhos abundantes desta planta, mas comecei a ficar empolgada ao ver tantas espécies comestíveis num espaço tão pequeno - uns 300 metros, talvez. Eram labaças, dente-de-leão, nabo forrageiro, capuchinha e tantas outras, que você pode ver nas fotos abaixo.

Parente da alcachofra 
A flor de planta espinhenta, logo descobri se tratar de espécie comestível, Cirsium vulgare ou spear thistle, em inglês. Comem-se folhas e talos. As flores são lindas e melíferas e, quando os frutos amadurecem,  têm sementes agarradas a fiapos como leves fios de seda levados pelo vento, ajudando na dispersão.

Companheiro que acompanha, Marcos sempre me ajuda nestas expedições não convencionais e quando vi ele já carregava a cesta na cabeça chamando a atenção na rua de homens que lavavam carros e tomavam cerveja na calçada. A família não convencional ainda resolveu reverenciar as flores em cantos e traços.

Natureza viva: irmã, sobrinhas, cunhado, amigos


As plantas colhidas em fundo nada feliz:

Nothorcordum gracile - alho silvestre
Conyza bonariensis - buva 

Tropaeolum majus - capuchinha
Taraxacum oficinale - dente-de-leão


Galinsoga parviflora - guasca
Rumes obtisifolius - labaça


Raphanus sativus - nabo forrageiro
Sonchus oleraceus - serralha


Hipochaeris radicata - radite peludo
Hipochaeris radicata - come-se a flor
Cirsium vulgare - toda comestível
Lactuca serriola - alface selvagem

Cesta cheia de pancs - pra saladas, refogados, sopas, bolinhos...  Nhac!



13 comentários:

Anônimo disse...

...ÓOOOOOOO...aqui pra você, sou da freguesia... sou Pancs da freguesia.
Muito bom!!! essa composição "Gilneide"
Jardim lindo,de D.Olga.
Aprendi, planta-se um pouco de tudo e deixa-se os bichinhos soltos.
bj ana

Anônimo disse...

Neide, eu conhecia a guasca como "fazendeiro", nem imaginava que era comestível ... Vou experimentar qdo encontrar. Sempre aprendo muito com vc. Abs. Liliana

Anônimo disse...

Olá Neide
Fiquei impressionado em saber que a Cirsium vulgare é comestível...é uma verdadeira praga recém - surgida por estas paragens. Espinhenta que só. Chamamos de "cardo" e é de origem europeia.

Clau Gavioli disse...

Neide, vc não existe! Amo o jeito que vc lida com as plantas.

Neusa Mitsuko disse...

Também conhecia a guasca como "fazendinha"Lembro-me que rolei morro abaixo em cima das "fazendinhas",tinha uns 5,6 anos.Foi bom, ficou na memória .Os porcos gostavam desse matinho.Que lembrança boa vc evocou em mim, obrigada Neide!

Neide Rigo disse...

Obrigada, Ana! Dona Olga vai gostar do elogio ao jardim dela.

Liliana e Neusa, não conhecia este nome. Gostei e vou usar: fazendinha. Sabiam que é uma das pancs mais gostosas de todas? O sabor e o perfume vem depois de cozida. Experimentem fazer um caldo com ela.

Anônimo, pois é, este tipo de cardo é comestível. O difícil é vencer os espinhos.

Obrigada, Clau!

Um abraço,n

analice disse...

Que delicia de passeio hein?

DutchPrincess disse...

Neide, eu sou de Curitiba e esses pancs também estão no meu quintal rsss a tal da guasca/cardo li que se usa para fazer queijo em Portugal, será a mesma??
Amei o seu post! aqui está um link para um blog grego ( em inglês) bem interessante, por lá se compram todos os nossos pancs na feira livre...

Neide Rigo disse...

Dutch, cadê o link?
O cardo é uma coisa, a guasca, outra. Há várias plantas da mesma família (ou não) com o nome de cardo. Não deve ser a mesma, não.

Um abraço,n

Angela Escritora disse...

Tenho tudo isso por aqui, mas não acho saboroso, só a capuchinha, que adoro! Mas neide, fiz geleia de pitanga, ficou maravilhosa, mas quando ferveu e eu tirei os caroços descobr que os caroços são deliciosos! parecem castanhas!

Neide Rigo disse...

Sério, Angela? Já comi as sementes cruas mas não gostei. Cozidas, nunca provei, mas o farei em breve. Beijo,n

Maria Leticia disse...

Adorei, tanto da citação do Punk da Periferia como do monte de informação, com nome e foto,pra ficar mais fácil para identificar. Obrigada Neide!

Debora Sakama Dutra disse...

Delícia de post Neide! Me desculpe a ignorância, mas essa alface selvagem é parente da catalônia? Como se prepara a guasca? Obrigada.
Bjs