segunda-feira, 14 de julho de 2014

Vagem de nabo forrageiro. Resposta da charada

Sítio Família Orgânica,  do Pupin, onde está sendo o curso de orgânicos

Com pouca referência de tamanho, teve gente que pensou se tratar de quiabo, maxixe peruano, de vento ou do reino, ou ainda edamame, flor de abobrinha e pimenta. Quem, no entanto, arriscou 'semente de rabanete ou mostarda' chegou bem perto. Parabéns, Natália! 

Bem, se fosse fácil, qual seria a graça da charada, não é mesmo? Mas quem está acostumado com esta cultura forrageira de inverno reconhece imediatamente.

Eu não sabia que era de comer até outro dia. Acontece que faço um curso de olericultura orgânica em Piracaia, oferecido pelo Senar  – um fim de semana inteiro por mês, até o fim do ano. E o nabo forrageiro, junto com girassol, feijão guandus, tremoço,mamona e  crotalária foram plantados na terra onde faríamos os canteiros.  Na época do plantio definitivo da horta, é só cortar a forração, deixando ali as raízes que descompactam a terra e fixam nutrientes, por isto é chamado adubação verde. O nabo forrageiro tem raiz pivotante que vai furando o solo, abrindo brechas para a água. 



As flores lilazes da planta Raphanus sativus L. var. oleiferus Metzg, toda ela comestível mas raramente usada com este fim, são lindas e deu dó cortá-las fora. Mais dó ainda deu de desprezar todas as pequenas vagens verdes e tenras. Mas foi só o professor Sandro dar a dica de que eram comestíveis para eu colher um monte delas antes que os colegas de cursos passassem a enxada.  São deliciosas, picantes como a mostarda e algo adocicadas.  As folhas e as flores também são comestíveis, mas fiquei só com os frutos, pois estava indo viajar e não teria tempo de inventar nada.

Da família das Brássicas, couves, mostardas, nabos e rabanetes, são culturas de inverno e a pungência da maioria dos seus membros combinam com o frio e a necessidade de esquentar o corpo - eu acho.  Além disso, estas plantas são ricas em folatos, vitamina C e compostos sulfurosos, com propriedades anticancerígenas.
Esta picância, mais exacerbada em partes como as sementes da mostarda ou na raíz da raiz forte, por exemplo, é dada por um componente chamado isotiocianato, formado pela hidrólise de uma substância por uma enzima - ambos ficam em compartimentos diferentes na planta e só reagem quando se juntam (na mordida, por exemplo). As vagens frescas de todas estas plantas são comestíveis crus e podem ser mais ou menos picantes. Refogadas rapidamente no óleo (stir-fried) ficam muito mais suaves.  As vagens da mostarda são pequenas, meio amargas e ardidas, meio sem graças. Mas a do nabo forrageiro é graúda, crocante, adocicada e picante ao mesmo tempo.

Plantas da espécie Raphanus sativus, ao qual pertencem as variedades rabanete, nabo branco,  nabo negro e o nabo forrageiro, entre outros, são nativas da região entre o Mediterrâneo e o mar Cáspio e, em diferentes lugares, as pessoas preferem usar diferentes partes a depender do tipo - folhas, brotos, raízes vagens ou sementes.  


Não conheço muito sobre o uso por aqui e em outras culturas, mas parece que são usadas refogadas com outros vegetais e em sopas no sudoeste da China e no Sudoeste da Ásia.  Antes de iniciar qualquer pesquisa (aliás, procure com o termo em inglês e achará muita informação: "oilseed radish seed pods"),  o que as pequenas vagens me inspiraram a fazer foi passar rapidamente no óleo quente e juntar ao arroz já cozido junto com outros temperos. Mas o potencial delas não para por aí. O único problema é encontrá-las, pois mesmo os produtores de orgânicos não fazem uso das vagens frescas. Mesmo para replantá-las não compensa esperar secar e debulhar. Melhor usar folhas, vagens jovens e flores como cobertura de massa verde.  Quem sabe se encomendar um pouco a um produtor que faça adubação verde?  Ou plante você mesmo no jardim ou na praça. Além de tudo as flores são graciosas e atraem abelhas. As sementes são encontradas mais facilmente. 



Arroz com vagens de nabo forrageiro: vendo as fotos, acho que me lembro como fiz - refoguei gengibre e alho picadinhos em gordura de galinha. Juntei um pouco de cominho, grãos de mostarda e pimenta vermelha picada. Juntei das vagens de nabo forrageiro, temperei com sal e cúrcuma em pó e refoguei até que murchassem um pouco. Uma parte comi sobre o arroz branco. O que sobrou misturei com o arroz e assim foi meu preferido.  Mas é só uma ideia.


A de rúcula 
E de mostarda. Também comestíveis, mas as do nabo são melhores 



5 comentários:

Virgílio Moura disse...

Perplexo com o que li...as últimas postagens...maravilhado com o que vi nas fotos...puxa será que podemos em algum momento conversarmos ao vivo ou por telefone? Moro em Belem...Trabalho na Associação dos Produtores Orgânicos do Pará. Penso que é um magnífico espaço para repecurtir ao vivo o que mostras aqui. Meu e-mail é joseforestbelem@gmail.com me passe um e-mail e te passo meu telefoene

Dadivosa disse...

Oi, Neide
Tudo bom?
Estou fazendo sua receita de pão de farinha d'água. A massa é uma delícia de mexer e agora está lá crescendo lindona. Depois te conto como ficou.
Beijos;***

Anônimo disse...

Neide bom dia,Como pode encontrar tanta coisa que pode e deve ser comestível,voçê serve de inspiração para mim e muitos outros(Diulza)

Neide Rigo disse...

Virgílio, já escrevi pro seu email. Que bom que gostou!

Fernanda, estou curiosa pra saber como ficou.

Diulza, são as coisas que me encontram. Obrigada!

Um abraço,n

Dadivosa disse...

Neide, ficou apenasmente espetacular!!!
Muito obrigada por compartilhar essa receita maravilhosa. Adaptei com o que tinha em casa e o resultado está aqui: http://wp.me/p4jBQu-zC
Beijão ;***