terça-feira, 19 de julho de 2016

Um feijão grandão. Feijão-espada

Já falei sobre este feijão aqui no Come-se. Temos dele plantado em Piracaia e tem se mostrado um ótimo legume quando as vagens ainda estão imaturas. Elas podem ser consumidas integralmente só tirando as bordas e uma película dura que tem em seu miolo. Fora isto, a vagem tem bastante amido e os feijões são como pequenas batatas. O sabor é, digamos, interessante. Não é uma delícia suprema como um mangarito, mas está mais para uma batata amilácea e neutra que aceita bem sabores.

Na foto, veja o tamanho dos grãos frescos em comparação com feijões fradinhos, guandu, bolinha, são benedito. Eles estão com a pele rachada porque foram congelados. Abaixo desta película rosa há uma outra mais firme com a de uma fava verdadeira. E podem ser retiradas facilmente, bastando cortar uma pontinha e espremer como se faz como tremoço.

E agora, copiando aqui o que já disse lá no outro post linkado aí em cima: Muita gente o confunde com feijão de porco (jack bean), que é do mesmo gênero (Canavalia ensiformis), nativo da América do Sul e Central e plantado geralmente como adubo verde. Porém, suas vagens são menores e os feijões, de cor de marfim, também.  Já o feijão-espada (Canavalia gladiata) ou sword bean, em inglês, é originário da Ásia e África tropical e tem sementes rosadas, maiores e mais cilíndricas. As sementes maduras ou secas de ambas são bastante nutritivas mas apresentam componentes tóxicos, como o aminoácido canavanina, e anti-nutricionais como as lectinas, e só podem ser consumidos depois de demolhados em água limpa, fervidos em outra água, escorridos e então finalizados. Mesmo assim, eu não arriscaria comer muito.

Porém, as vagens jovens de ambas espécies, incluindo seus feijões (este que vos apresento), podem ser consumidas como vegetal mais despreocupadamente, como acontece na Ásia tropical e no Japão. Quando bem planas, podem ser cortadas em fatias e preparadas como as vagens comuns.

O prato que aparece inteiro é vagem comum com vagem orelha-de-padre.
Já o que nos interessa no momento só aparece um pedaço - os feijões espadas
foram cozidos, livres da pele e temperados como salada com couve-de-bruxelas,
feijões de orelha-de-padre (lab-lab), tomate, salsinha, vinagre e azeite.

Como se prepara o feijão fresco: tire das vagens e cozinhe com casca em panela com água. Depis de uns 10 minutos já estão macios. Basta esperar esfriar, cortar uma pontinha e apertar para expelir os grãos.  Crus, podem ser congelados sem prejuízo para a textura.

Se o vídeo acima não abrir no seu computador, veja o mesmo no instagram: https://www.instagram.com/p/BH5UjLGDKwC/?taken-by=neiderigo

O feijão ao lado cresceu pouco, mas as vagens podem chegar a quase um
metro. Esta receita está lá no link que dei lá em cima. Com as vagens e feijões

Tudo bem que a panela é pequena. Mas os feijões são realmente grandes

São lindos além de tudo

4 comentários:

analice disse...

Neide eu tenho esse feijão plantado no meu jardim. Na verdade ganhei a semente (na vagem) como se fosse semente de jicama mas nao era. E fiquei sem saber. Tenho um livro da Cida Zurlo que mostra o feijão doce, parecido com o que tenho no jardim, mas estava em dúvida.
Ela chama de canavalia gladiata. Mas acho que é o mesmo que você mostra. Acho que conseguiu explicar o que tenho no jardim. Obrigada

Neide Rigo disse...

Analice,
deve ser o mesmo. Como disse no texto, este meu é o Canavalia gladiata.
Um abraço,n

Carmen disse...

Querida Neide, tiene tiempo que no venía a ver tantas cosas ricas y raras. Esto ha sido un descubrimiento para mí, me voy con la boca abierta. Son enormes y bellos.
Un abrazo

Neide Rigo disse...

Ei, Carmen! Há quanto tempo!
No México não existe deste feijão? Quando vier ao Brasil lhe dou umas sementes para plantar.
Un abrazo,