sexta-feira, 22 de julho de 2016

Guamuchil ou matafome na Caatinga


Estou aqui em Uauá, Bahia, de novo. Ontem teve inauguração da nova fábrica da Coopercuc, com as presenças do governador Rui Costa e do ex governador Jaques Wagner. E ainda o lançamento do meu livro junto à Cooperativa. Depois mostro fotos do evento.

Por enquanto, só pra não sumir da cabeça o que venho pesquisando desde ontem, vou falar da minha nova descoberta aqui na cidade. Acho que minhas vindas pra cá nunca coincidiu com a safra das vagens vermelhas da árvore espinhuda que é usada na arborização urbana de Uauá.

Pois ontem fiquei maravilhada ao ver a árvore frutificada. Vagens avermelhadas, gordinhas, acinturadas, retorcidas. Perguntei pra um, perguntei pra outro e nada. Até que alguém disse: ah, não tem nome não, a gente conhece como espinhuda.

Já era uma pista. Leguminosa, estava na cara, mais este nome genérico de espinhuda. Espinhuda mais semiárido mais exótica e dá-lhe google imagens. Não foi difícil chegar ao nome científico. Agora nome científico mais edible e dá-lhe google acadêmico. E com outros nomes, mais informações em português e espanhol.

A falta de intimidade por aqui com a planta é porque é exótica, nativa da América Central e hoje espalhada em várias partes do mundo incluindo o Semiárido, pois é planta resistente, suporta sol e sombra, solo arenoso, seca e umidade. Na arborização urbana em cidades nordestinas é comum encontrar apenas árvores exóticas - flamboyan, chapeu-de-sol, alfarrobas, nins. Que colocam em risco a biodiversidade nativa.

Se bem que flora nativa e espécies de fora estão todas ameaçadas mesmo é pelo trator - basta olhar do avião as margens do São Francisco com monocultura de mamão, laranja, manga, coco e uva. A Caatinga só aparece ali em pequenas manchas.

Mas já que a árvore está por aqui, vamos comer seus frutos. Sim, os arilos das sementes são comestíveis, ricos em fibras, proteínas, carboidratos e vitamina C, conforme concluiu este trabalho da Universidad Autonoma Metropolitana - Xochimilco, México.  


No estilo lembra um pouco o tamarindo, afinal são ambas leguminosas (agora, fabáceas), mas a vantagem do guamuchil é que o arilo não é grudento e as sementes estão sempre prontas para pularem fora, então não há dificuldade em separar a polpa. Quando mais imatura a polpa é branca e conserva ainda uma ligeira adstringência. Mas fica muito vermelha à medida que amadure. E bem docinha. 

Já estou pensando em muitos usos para estes arilos como se fossem passas ou frutas vermelhas secas.

Os nomes por aí são vários. Por aqui, mata-fome. Mas como este nome é muito genérico, prefiro usar "guamuchil" que não causa confusão. É o nome usado no México. Outros nomes usados mundo afora incluem: manila tamarind, blackbead, guayamochil, Madras thorn, camachile, sweet inga; guamúchil, chiminango, payandé, espina de Madras; huamúchil, cuamúchil; yacure; pois sucré, tamarin de Manille, tamarin d'Inde; cuamochitl; kamatsile, kamatsili; opiuma e outros nomes asiáticos impronunciáveis.

As folhas são ótimos alimentos forrageiros, a madeira é dura e boa pra construção e das sementes pode-se extrair óleo comestível. Por enquanto é isto. 



 

9 comentários:

Diego Manoel disse...

Na cidade que nasci, Limoeiro-PE, era bem comum na minha rua, infelizmente a maioria das árvores foram arrancadas para dar mais espaço nas calçadas, na avenida principal ainda é predominante, mas a gestão atual quer arrancar para colocar palmeira imperial, só por questão estética, uma pena.

GA-DE Sweden disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
GA-DE Sweden disse...

Tack för att dela en användbar information.
gade cosmetics

analice disse...

Neide é assim que costumo ir atrás de mais informações de plantas comestíveis novas pra mim. Me vi como você atrás das informações no google e google acadêmico. Não conhecia essa planta, que interessante!

Monica Andrade disse...

OLÁ NEIDE! A TENHO SEGUIDO NAS REDES SOIAIS, ENCANTADA COM SEU TRABALHO! SOU DO INTERIOR DA BAHIA, MONTE SANTO, REGIÃO PRÓXIMA A UAUÁ E GOSTARIA DE SABER COMO POSSO ADQUIRIR MADRA PARA FAZER OS KOMBUCHAS, E O KEFIR... LEMBRO QUE MINHA FAMÍLIA TINHA-OS QUANDO EU ERA CRIANÇA, MAS NAO OS CONHECIA POR ESSES NOMES.FICAREI IMENSAMENTE GRATA POR QUALQUER INFORMAÇÃO!
GRANDE ABRAÇO!

Neide Rigo disse...

Diego, estou passada com esta informação. Não deixem, não.. Pelo menos a mata-fome fornece alimento.

Analice, pois é, tem que ir atrás, né?

Mônica, poxa, estávamos bem perto. Se soubesse, teria levado. Agora, só quando eu for novamente pra estes lados. Mas se quiser comprar pela internet, recomento o www.ciadosfermentados.com.br

Um abraço,n

Monica Andrade disse...

Obrigadissima por responder! Irei a Uauá em sua próxima visita!

Celina disse...

Uia!Que agradável surpresa te ver no Globo Repórter!Finalmente pude saber como é você em movimento e falando!...rs!...Parabéns!

Amara disse...

Neide,

Parabéns por tudo e grata por compartilhar tanto conhecimento.
Essa árvore existia na calçada do outro lado da rua na frente de nossa casa, foi derrubada por uma inundação que aconteceu na cidade em 2010, vou procurar pela cidade e fazer pelo menos uma muda.
Bom conhecer

Assisti o Globo Repórter curiosa por ver Marquinhos e sua horta na laje, qual não foi a surpresa ao te ver mostrando as PANC,s.