quinta-feira, 28 de junho de 2007

Mestiço faz 10 anos - Pho em sua homenagem!

Ina de Abreu nos mostra como lidar com o capim-santo.
Foto: Luiz Horta


Mais um restaurante faz 10 anos em São Paulo (Friccó também comemorou recentemente) e isto é orgulho para nós que vemos a todo o momento casas morrerem ainda na primeira infância. Mas não é espanto nenhum quando se trata do Mestiço, que mantém o mesmo padrão de qualidade desde que abriu. Comida sempre fresca, presença constante da sócia e chef Ina de Abreu na cozinha, preços honestos e serviço atencioso são ingredientes certos para uma receita de sucesso. Prova disso é que a casa está sempre cheia, seja almoço ou jantar. O cardápio é uma viagem. Combina pratos brasileiros com asiáticos, principalmente tailandeses, sem confusão alguma, como se fossem todos de um só berço.


Ontem almocei lá com o Luiz Horta, Sofia Carvalhosa e Luiza Moraes. Já tinha ido algumas vezes, mas não conhecia a Ina pessoalmente. E não bastasse ela despender um tempinho em nossa mesa, ainda nos mostrou o manjericão-anis (fiquei feliz porque é o mesmo que tenho plantado aqui em casa e que uso em doces e infusões) e a forma de separar e usar o miolo do talo de capim-santo (lemongrass, capim-limão, erva-cidreira, capim-cidreira, chá de estrada, como queira), ambos comuns na cozinha tailandesa. Explicou também como usa a folha de limão-cravo: como uma mini-couve, tira o talo central, enrola e corta em fatias finíssimas, como folhinhas de endro. Isto dá aos pratos um aroma refrescante muito bom. Aliás, a comida do Mestiço chega sempre quentinha à mesa exalando aromas do oriente – gengibre, anis-estrelado, capim-santo, limão - como a sopa vietnamita Pho, um caldo de carne límpido, cheio de sabor e perfume cítrico. Veja no site outras inúmeras e deliciosas opções do cardápio (mas já guarde esta dica: o sorvete de limão com baba de moça é divino): http://www.mestico.com.br/.
Costuma lotar, portanto, se quiser curtir melhor o lugar, procure chegar em horário alternativo.

Restaurante Mestiço
Rua Fernando de Albuquerque, 277 - Consolação
Tel: 3256-3165 e 3259-1539

Pho
Há alguns dias havia tentado fazer Pho em casa e também ficou gostosa. No Vietnam é um tipo de comida de rua, com um caldo quente de carne bem concentrado, com especiarias, que é despejado em tigelas com macarrão de arroz, brotos de feijão, cebolas, carne fatiada e bastante cebolinha. Pode ser temperado como suco de limão, molho de pimenta, folhas de manjericão e molho hoisin. O caldo dá um certo trabalho pois deve-se cozinhar a carne, de preferência com osso, longamente e depois desengordurar. Por isto, se não quiser ter trabalho, é melhor ir ao Mestiço, principalmente quando a temperatura caí, como agora em São Paulo, com esta chuvinha boa.

Sou apaixonada pela cozinha oriental. Depois do almoço de ontem, acordei hoje inspirada e não sosseguei enquanto não fui ao bairro da Liberdade me esbaldar com ingredientes tailandeses (molho de ostra e de peixe, pasta de camarão, açúcar de palma, creme de tamarindo, folhas de limão kafir); japoneses (algas, macarrões soba, lamen, harusame, de arroz, massa para guiosa, mistura para missoshiro, hondashi, mirim, kirin, vinagre de arroz, algas kanten, brotos de feijão e de bambu, cogumelos secos e frescos) e chineses (ovos de mil anos, pimenta moída, amido de trigo e de arroz, waterchestnuts – como é mesmo o nome destas nozes em português?).


Aqui uma receita de Pho, diferente da que comemos no Mestiço - há muitas versões, já que é um prato popular. Fiz agora no jantar, adaptada de um livro de cozinha asiática (O Livro Essencial da Cozinha Asiática – Könemann). O caldo já tinha pronto, congelado.


Usei frango no lugar no carne bovina e o manjericão-anis além do roxo e do comum

Pho


Ingredientes
1 kg de carne com osso (usei ponta de agulha)
350 g de patinho ou coxão duro (usei um pedaço de peito de frango)
1 fatia de gengibre cortado em tirinhas
1 colher (chá) de sal
2,5 litros de água
6 grãos de pimenta-do-reino
1 pau de canela
4 cravos-da-Índia
6 sementes de coentro
2 colheres (sopa) de molho de peixe
400 g de massa de arroz grossa, fresca
6 cebolinhas finamente picadas
1 cebola em tiras
Acompamentos
Pimenta-malagueta picada
Brotos de feijão
Folhas de manjericão (usei de 3 tipos: basilicão, roxo e manjericão-anis)
Gomos de limão
Molho Hoisin (opcional)

Preparo
Numa panela grande, coloque a carne com osso picada, o pedaço de carne inteiro (no meu caso, o peito de frango), o gengibre, o sal e a água. Leve ao fogo. Quando começar a ferver, baixe o fogo e deixe cozinhar. Depois de uma hora tire o pedaço de frango, se for esta a sua opção. Caso esteja usando a carne bovina, esqueça esta etapa e continue cozinhando tudo. Cozinhe o caldo, no total, por 3 horas, tirando a espuma que se forma. Junte os grãos de pimenta, canela, cravo, coentro e molho de peixe. Cozinhe mais 40 minutos. No final deverá restar cerca de 1,5 litro de caldo. Se faltar, complete com água quente e corrija o tempero. Escorra. O caldo está pronto.
O pedaço de carne que estava inteiro deve ser separado e cortado em fatias finas. Eu fiz isto com o pedaço de frango. A carne separada do osso pode ser aproveitada outros pratos. Se quiser, espere um pouco e tire a gordura sobrenadante. Se não estiver com pressa, guarde até o outro dia na geladeira e retire facilmente a gordura que estará sólida na superfície. Pode também ser feito em quantidade maior e congelado.
Na hora de servir, o caldo deve estar bem quente. A massa deve ser cozida em água salgada separada por 10 segundos, só para aquecer. Se usar outro tipo de macarrão, cozinhe um pouco mais. Coloque em tigelas a massa, algumas fatias de carne cozida, cebolinhas e cebola. Junte os outros acompanhamentos a gosto e despeje o caldo fervente por cima. Nahm nham.
4 porções

Amanhã, como fazer tofu.

4 comentários:

  1. Queria estar mais desperto para ter aproveitado mais, mas falei bastante, hehehehe.

    ResponderExcluir
  2. eu gosto também da comida oriental, ela é bastante leve e gostosa parabéns, vi tambem que voce participa do slow food brasil, caso voce seja membro me fala, porque estou com interesse de conhecer mais sobre esta organização e estou com vontade de montar um covivium aqui em Anápolis-Goiás, mas não sei por onde começar e quais sao as atividades a serem realizadas.

    Obrigada

    Que Deus te aençoe hoje e sempre

    ResponderExcluir
  3. Kantuta,
    escreva para neide.rigo@gmail.com e eu lhe falo mais sobre o Slow Food e como montar um convívio. um abraço, N

    ResponderExcluir
  4. woooo una delicia! un menú completo para deleitarse! gracias por la publicación!

    ResponderExcluir

Obrigada por comentar. Se você não tem um blog nem um endereço gmail, dá para comentar mesmo assim: É só marcar "comentar como anônimo" logo abaixo da caixa de comentários. Mas, por favor, assine seu nome para eu saber quem você é. Se quiser uma resposta particular, escreva para meu email: neide.rigo@gmail.com. Obrigada, Neide