TUCUMÃ
Não guardo de minha infância nenhuma memória afetiva
relacionada ao tucumã e imagino que boa parte dos que me leem também
não. Diferente, portanto, de crianças e adultos que conheci em Lábrea, no
Sul do Amazonas, onde estive neste último mês. Por ali, em plena safra,
ele reinava em toda parte - nas bancas do mercado municipal, nas quitandas,
no chão das roças ao redor das palmeiras e até no comércio improvisado em
calçadas pelos moradores. Nos sorrisos infantis, boquinhas amarelas de
tanto comer tucumã descascado no dente e muita história pra contar. Não há
quem não goste naquele canto da Amazônia. Come-se com farinha, companhando de café, no beiju de massa ou na tapioca.
Para mim, foi sabor adquirido mais tarde no auge da
maturidade durante uma viagem à Ilha do Marajó. Só anos depois me deparei com o
fruto na cidade de Manaus. No Mercado, sacas pesadas de tucumãs carnudos
adornavam bancas de iguarias locais e saquinhos com a polpa já
beneficiada, isto é, tirada em lascas, podem ser encontrados em pontos variados pela
cidade e a vantagem é que pode comprar e já sair comendo sem
precisar cozinhar, como é o caso do coquinho da pupunha.
Há duas espécies conhecidas por tucumã, ambas
pertencentes ao gênero Astrocaryum. Em Manaus e arredores predomina a espécie A.
aculeatum ou tucumã-do-amazonas, nativa das terras firmes da Amazônia
incluindo a porção peruana, colombiana, venezuelana e das Guianas. No
Brasil, está presente em toda Amazônia ocidental indo até o oeste do Pará, Mato
Grosso e Roraima.
Palmeira de um só caule cheio de espinhos escuros e
grandes dispostos em anéis, ela tem frutos com polpa mais carnuda que o
tucumã-do-pará (A.vulgare), que cresce em touceira e que tem
provavelmente o Pará como centro de dispersão, ocorrendo também na Guiana Francesa
e Suriname. Ambos têm usos parecidos, com algumas particularidades.
Nas ruas de Manaus desde a década de 1990, o sanduíche
popular “x-caboquinho” é o tipo de fast food que cativa manauaras e
turistas pela simplicidade e delícia. Trata-se de um irresistível
sanduíche com recheio de lascas de tucumã e queijo de coalho. Estas lascas são
retiradas, depois de se descascar o coquinho, rodeando o caroço como se
descascasse uma laranja. Não sei se a comparação se confirma, mas senti que o
tucumã está pra Manaus como o açaí está para Belém. O x-caboquinho está
por toda parte e pode ser incrementado com banana-da-terra frita. Já em
Lábrea, o mais comum é a versão clássica, com tapioca em vez de pão –
irresistível.
Numa das vezes em que estive no Marajó, estava comendo
tapioca com minha amiga Jerônima Brito, dona da Fazenda São Jerônimo, junto
ao Mercado, quando uma moça se aproximou me oferecendo óleo de bicho
numa garrafinha de plástico. Tinha acabado de tirar, dizia. Jerônima,
marajoara experiente, quis abrir e cheirar a gordura feita do bicho do tucumã antes
de dar o veredito: pode comprar, tá excelente. Comprei, claro, e fiquei tão
encantada com o perfume, uma mistura de ghee e coco, que quis saber como era feito
na prática.
Chegando à fazenda, fomos para baixo de um tucumanzeiro
conferir os coquinhos secos caídos da safra anterior. Jerônima
ensinou: escolha coquinhos com um furinho bem pequeno, sinal que tinha
recheio de bicho – este era o bom. Se o buraco fosse maior significava que a
larva já tinha comido toda a amêndoa, crescido e saído pra ser besouro na vida.
Juntamos alguns com furos pequenos e fui quebrando entre duas pedras,
cuidando para não esmagar a criatura. Mais errei que acertei, ora lançando
coquinhos ao longe que escorregavam na pedra, ora achatando a larva, sem
falar nos falsos diagnósticos baseados no tamanho do furo. Mas um
funcionário da fazenda chegou para ajudar e com um facão abriu os coquinhos
duros com delicadeza e alto índice de acerto, deixando os bichos intactos. São
branquinhos, roliços, engordados com o puro coco do tucumã – muito duro, por
sinal. Jerônima agora assumiu a função de levar os bichos ao fogo. Com o
calor, foram soltando um óleo clarinho e perfumado, com sabor
amendoado. Estas larvas podem ser comidas cruas e vivas tais as ostras. Mas,
depois de fritas – e até provei – são gostosas e crocantes como torresmos, pra
comer com farinha. A gordura que restou na frigideira era farta e pode ser
usada para cozinhar ou como remédio para muitos males. Era gordura assim que se
usava antigamente para cozinhar, diz Dona Jerônima. De fato,
antes do óleo de soja e derivados de petróleo, os óleos de cozinha e
combustíveis eram extraídos de várias espécies oleaginosas, animais ou vegetais. Era
óleo de gema de tartaruga e de tracajá, de peixe boi, de frutos de
palmeiras e bichos que se alimentam deles – morotó de licuri, coró do butiazeiro,
gongos de babaçu e tantas outras larvas de besouro que se alimentam Exclusivamente de amêndoas de coquinhos e por isto são ótimas fontes de
óleo de ótima qualidade.
Com a polpa, Dona Jerônima faz vinho de tucumã para comer
com farinha. Basta tirar as lascas e diluir com água – no pilão ou no
liquidificador – e passar por peneira. Este é o vinho que se come com farinha de
mandioca puba. Outro uso para este vinho é no preparo da canhapira, que
Jerônima comia quando era criança e quase não se vê mais. Era simplesmente
carne de caça cozida no vinho de tucumã. Atualmente ela faz com outras carnes
como as de ave, de porco ou búfalo. Outra forma de preparo no Marajó, segundo Jerônima, é
passar os pedacinhos de polpa na máquina de moer e triturar como carne moída
para fazer sanduíches e tortas. Tem ainda o refresco de tucumã e para
isto Jerônima tem uma dica: para evitar que a polpa batida com água fique
viscosa demais, basta bater junto uma goiabinha verde – é como tirar baba de
quiabo. Depois é só peneirar, adoçar a gosto e servir bem gelado. Mas o aproveitamento da espécie não se restringe à polpa
deliciosa. Ela pode ser explorada ou cultivada também pelo palmito, pela
madeira, pelo caroço para fazer biojóias, para óleo da polpa e da sementes,
pela fibra para a confecção de redes e cordas e muitos outros usos.
Enfim, voltando à polpa de tucumã, é bom que se saiba que
é uma iguaria amazônica que teria tudo para ser o novo açaí do mercado
nacional e internacional, mas o deixemos para aqueles que têm com
ele suas histórias e memórias, pois a demanda ainda é maior que a oferta. Vale
lembrar que o tucumã poderia estar na merenda das escolas amazônicas
como um alimento nutritivo com fortes laços identitários com a cultura
local, mas infelizmente isto ainda está longe de ser uma realidade. Mais x-caboquinho
ou tapiocas com castanhas e tucumã e menos bolachas industrializadas
seria um sonho de merenda que fortaleceria o mercado local e ajudaria a
manter a floresta em pé, já que a maior parte do tucumã consumido provém do
extrativismo florestal. Já para aqueles que não conhecem e estão loucos para provar,
e eu dou toda a razão, sugiro que vivenciem o tucumã em seu território.
Fiquemos com nossas pitangas, uvaias e ubajaís da Mata Atlântica - falo aos
que como eu estão em São Paulo e arredores - e viajemos para nos encantar com
tucumãs e outras preciosidades amazônicas. Um pequeno pacote na bagagem de
volta não trará
desequilíbrio ao voo nem a ninguém. Traga, portanto, ao
menos alguns coquinhos para fazer uma canhapira.
Canhapira – ensinada por Jerônima Brito, da Fazenda São
Jerônimo
(Soure, Ilha do Marajó – PA)
1 pedaço de pernil de porco com cerca de 1,5 kg
2 colheres (chá) de sal
1 pitada de pimenta-do-reino
2 dentes de alho socados
3 colheres (sopa) de suco de limão
2 colheres (sopa) de óleo
2 xícaras de vinho de tucumã (lascas de tucumã batidas
com água suficiente
para fazer um suco que deve ser peneirado)
Folhas de ervas – cipó de alho ou manjericão a gosto
Tempere o pernil com sal, pimenta-do-reino, alho e suco
de limão. Coloque dentro de uma vasilha com tampa e deixe pegando o tempero
na geladeira, de um dia para outro. Numa panela, refogue o pernil no óleo,
cubra com água quente e deixe cozinhar em fogo baixo, repondo a água se
for preciso, até a carne ficar macia e a água secar. Deixe dourar dos dois
lados e corte a carne em pedaços. Despeje o vinho de tucumã e as ervas que for
usar e deixe cozinhar em fogo baixo por alguns minutos para incorporar
os sabores. Prove o sal e corrija, se necessário.
Rende: 6 porções


Espero viver o bastante para experimentar todas as novidades com que você aparece. Temos muita coisa boa, não? Que maravilha!
ResponderExcluirQue saudades eu sinto só de lembrar o quanto me deliciei com esta fruta em minha infância... e agora infelizmente estar morando num Estado que quase não existe tucumã. Parabéns pelo relato.
ResponderExcluir
ResponderExcluirTucumã eu comi em miguel pereira. Eu chamava carinhosamente de coquinho, não tinha tanta carne amarela. Não tem a foto do coquinho de dentro para eu ter certeza mas é simplesmente maravilhoso. Sim, comi no verão.
Olá, Neide! Esse comentário não tem a ver com o post, mas estava procurando uma receita com maracujá doce e achei um clone do seu blog. Amo o Come-se, que acompanho há anos!! Beijos!
ResponderExcluirhttp://expresso-se.blogspot.com/2011/08/doce-de-maracuja-doce.html?m=1
Neide, vc é demais! Obrigada por mais essa !!!!
ResponderExcluirMuito bom !
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ResponderExcluirEu ainda me lembro, quando eu descobri que você estava fazendo iniciação científica, foi naquele dia, que você comemorou que o presidente Lula tinha reajustado as bolsas de iniciação científica. Foi então que eu fui pesquisar sobre o que era iniciação científica e eu notei que aquele tempo todo, você estava fazendo iniciação científica e estava escondendo isso de mim. Nesse dia, eu não fiquei com raiva de você, só por você ter me abandonado em orgânica 1. Eu fiquei com raiva de você também por você estar ganhando dinheiro graças ao CR 7 que você conseguiu colando usando o Photomath na prova de cálculo para a farmácia.
ResponderExcluirOlha que eu tentei te perdoar muito mesmo, eu ainda me lembro que quando eu estava fazendo PCI2, eu quase fiquei reprovado, porque você e os outros alunos da turma de PCI2 não queriam fazer trabalho em grupo comigo, mesmo eu fazendo tudo para te perdoar por você ter me abandonado em orgânica 1.
Eu ainda tinha que aguentar você falando, O PROFESSOR DE ORG 2 ISSO, O PROFESSOR DE ORG 2 AQUILO, PROVA DE BIOESTÍSTICA. Eu ainda estava no grupo, eu que não estava fazendo nem org 2 e nem bioestatística por sua culpa.
Eu ainda me lembro aquele dia que eu saí da aula da Lages de orgânica 1 e te vi saindo da aula de orgânica 2 junto com os outros alunos da Fernanda, foi aí que eu notei que aquilo nunca iria acabar, que você não queria ser perdoada. Que no semestre seguinte, você estaria em orgânica 3 e eu não por sua culpa.
Você ainda publicou esse artigo científico:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40875641/
Sim, eu achei o seu perfil no currículo lattes:
http://lattes.cnpq.br/3528188041134518
Eu sei também que a sua orientadora de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) se Chama Helena.
Por causa da queixinha, que você fez na coordenação da farmácia junto com a Ana Carolina Vieira Metello, Gabriel Vasconcelos de Lucena e Julia Tavares de Azevedo, algum FDP da coordenação da farmácia da UFRJ vazou as minhas informações pessoais para uma pessoa que nem me conhece e que nem estuda mais na UFRJ.
Você ainda mora no bairro de Cacuia, que fica na ilha do governador. Será que os seus vizinhos sabem que você passou colando em cálculo para farmácia usando o Photomath?
Você ainda trabalhou na empresa Júnior da faculdade de farmácia, a fórmula consultoria. Será que o pessoal da fórmula consultoria sabe que você passou colando em cálculo para farmácia usando o Photomath?
Você ainda recebeu menção honrosa na 31ª Reunião Anual de Iniciação Científica (RIAC), que aconteceu em julho de 2023 no Instituto Oswaldo Cruz (IOC). Será que o pessoal do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) sabe que você passou colando em cálculo para farmácia usando o Photomath?
Pode mandar o seu amigo, o Guilherme de Sousa Barbosa que ameaçou me bater mesmo sem eu ter feito na contra ele, manda o seu amigo Guilherme de Sousa Barbosa me matar, manda o seu amigo vir na boca de fumo, que tem em cima da minha casa mandar o traficante dar um tiro na minha cabeça, em frente a minha casa tem um ferro velho clandestino, que fornecesse material furtado para os traficantes fazerem barricadas, eu não tem nada a perder. Quem vai se formar como farmacêutica é você e não eu. A vida é boa para quem faz iniciação científica, para quem não faz só resta à morte. EU NÃO VOU PERDER A MINHA BOLSA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA.
Eu nunca tive um problema com você e poderia continuar não tendo. Você deveria não ter praticado linchamento virtual no grupo de toxicologia, igual você não praticou há três anos, quando a Gabriela Santana Andrade mandou a amiga dela do curso de pedagogia chamada Ana Beatriz Procession Guimarães, entrar no grupo de Analítica um se passando por uma tal de Simone. Naquele dia a "Simone", a Gabriela e os amigos dela da atlética de farmácia ficaram me humilhando por causa de IC. Eu perguntei por que ninguém estava me defendendo do linchamento virtual. A Jéssica Mel da Silva Faria respondeu que eu estava no Fundão e a faculdade de direito ficava no centro, ou seja, como vocês faziam farmácia e não direito, vocês não precisavam me defender.
ResponderExcluirSó que dessa vez você resolveu praticar linchamento virtual no grupo de toxicologia, o que aconteceu dessa vez, você perdeu a sua bolsa de IC, ficou com tempo livre para praticar linchamento virtual no grupo de Whatsapp ou o professor Alessandro descobriu que você é um covarde, que pratica linchamento virtual em grupo do Whatsapp?
Para mim você sempre foi um aluno que fez iniciação científica com um professor que explica mal à beça. Você não é capaz de me enfrentar diretamente, você vive correndo para debaixo da saia da Gabriela Santana Andrade, você parece até aquelas crianças pequena, que fazem as coisas de errado e corre para debaixo da saia da mãe. Eu sei tudo sobre você, eu achei o seu perfil no Instagram e no Linkedin:
https://www.instagram.com/c.alves15/
https://br.linkedin.com/in/carlos-alberto-santos-alves-7b0697239
Você é muito corajoso para praticar linchamento virtual em grupo do Whatsapp, mas me vê pessoalmente na faculdade e não fala uma palavra comigo, isso acontece porque você não vai poder se esconder embaixo da saia da Gabriela Santana Andrade no mundo real, igual você fez no grupo de toxicologia. Você ainda vem me ameaçar com cadeia. Aqui no meu bairro, os bandidos roubaram tanto os cabos do semáforo, que a prefeitura desistiu de consertar o semáforo, a prefeitura resolveu desinstalar ele e colocar uma rotatória para substituir o semáforo. Aqui no meu bairro, quem manda é o crime organizado. A polícia que não conseguiu impedir que os bandidos roubassem os cabos do semáforo, também não vai me levar para cadeia, não existe duas policiais, a polícia é uma só. Eu estou esperando um e-mail da coordenação da farmácia e o meu mandado de prisão. Você não procurou a coordenação da farmácia e nem procurou a polícia, porque você não tem nenhuma prova contra mim. Nem você, nem a Gabriela Santana Andrade e nem a Ana Beatriz de Lima. Vocês não passam de um bando covarde.
Mas também você é amigo do Guilherme de Sousa Barbosa. Ano passado, o Guilherme ameaçou me bater mesmo sem eu ter feito nada contra ele. O Guilherme nunca falou comigo na faculdade, a única vez que ele veio falar comigo é para ameaçar me bater. Depois que o Guilherme ameaçou me bater mesmo sem eu ter feito nada contra ele. A Camilly Enes Trindade, a Ana Clara Gomes de Oliveira, a Ana Carolina Vieira Metello, a Bruna Coelho de Almeida, a Giulia Amarante de Almeida Mussi da Silva, o Jakson Barros Bonfim, a Leticia de Sousa Albuquerque, o Nathan Genovez Dias de Fonseca e o Vinicius Gomes Gadini foram fazer queixinha sobre mim na coordenação da farmácia.
Por causa dessa queixinha, algum FDP da coordenação da farmácia da UFRJ vazou as minhas informações pessoais para uma pessoa, que nem me conhece, que nunca fez uma disciplina junto comigo e que já concluiu o curso de farmácia. Se esse FDP achou que iria me calar, ele pode ter certeza que ele não conseguiu, eu nunca vou me calar em frente às injustiças. Se esse FDP morasse aqui na minha rua, os traficantes já mandariam esse FDP subir até a boca de fumo. Os traficantes não gostam nada de gente, que faz as coisas para sacanear os outros. Aqui em frente a minha casa funciona um ferro velho clandestino, que fornece material furtado para os traficantes fazerem barricadas.