quarta-feira, 16 de abril de 2008

Feijão Sopinha


As folhas são de outro feijão. Clique & amplie
Algumas pessoas devem se lembrar que estive no Terra Madre, evento do Slow Food realizado em Brasília em outubro do ano passado. Junto, aconteceu a grande Feira de Agricultura Familiar. E foi lá que comprei um pouco de feijão sopinha, em saquinhos de 50 ou 100 g, não me lembro, pois a comunidade quilombola que estava divulgando e vendendo não tinha produção suficiente para uma feira daquele porte - pelo menos, muita gente pode comprar um pouco. Como podem ver na foto quando postei aqui sobre os produtos que trouxe de lá, o feijão bolinha é o que aparece num potinho em menor quantidade. Para comer ou experimentar era pouco, então segurei a curiosidade e resolvi fazer crescer aquele punhadinho. Levei pra Fartura e meu pai plantou. Da última vez que estive lá, ele veio me mostrando nossa produção – cerca de 1 quilo. Quase pulei de alegria. Compensou a espera.

O mais incrível é que este feijão delicioso, nutritivo, rústico no cultivo, não-perecível, de cozimento rápido e tantas outras virtudes, tenha quase desaparecido. Há só cerca de 8 anos um grupo de estudantes de duas universidades gaúchas começou um trabalho multidisciplinar com o intuito de resgatar a diversidade alimentar de comunidades quilombolas nas cidades de Mostardas e Tavares, no Rio Grande do Sul. Toda a motivação teve início quando um pesquisador local ganhou de uma senhora descendente de escravos um pouco das sementes deste feijão, praticamente extinto na região. Hoje ele já pode ser encontrado na feira ecológica de Porto Alegre. Estarei lá em breve e pretendo trazer mais para comer e plantar, pois virei adepta. Eles foram trazidos ao Brasil pelos africanos e nas senzalas eram preparados pelas escravas com sobras de carne de porco, miúdos de vaca ou mariscos.
Minúsculo em relação aos feijões que conhecemos, o feijão sopinha (Vigna unguiculata (L.) Walp.), pertence ao mesmo gênero do feijão canapu (também conhecido como feijião-de-corda ou caupi). Branquinho, cremoso, ele cozinha rápido, sem se desmanchar nem engrossar o caldo – embora isto possa ser conseguido amassando ou liquidificando um pouco dele.
Em matéria de feijão, no Brasil quem domina o mercado é o carioquinha. E isto não tem muito tempo. Desenvolvido pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC), pelo pesquisador Luiz D’Artagnan e lançado em 1970, o carioquinha sufocou todos os outros comuns na época, como o rosinha, chumbinho, mulatinho, jalo. Ironicamente o Rio de Janeiro resistiu ao assédio e continua com seu feijão preto no dia-a-dia, mas, de modo geral, de norte a sul quem manda é o carioquinha, atingindo cerca de 80% da produção de feijões (95% no estado de São Paulo). Todo mundo sabe os males que a monocultura traz, os impactos ambientais da agricultura industrial, o dano para a biodiversidade - a erosão genética, como se diz. Sem falar na perda da identidade cultural de certas comunidades, como é o caso do sopinha para os quilombolas.

Por isto, fico feliz em saber que várias sementes de leguminosas estejam sendo recuperadas (o próprio IAC vem tentando fazer isto), afinal havia centenas de variedades que, embora não tão caldosas quanto o carioquinha, eram ótimas para saladas, sopas e pratos gostosos.

Bem, se o nome é feijão sopinha, tinha que inventar uma sopinha, é claro. Faltou um marisco, um camarão, uma lagosta – teria ficado melhor, mas, ainda assim, ficou deliciosa.


Sopa de feijão sopinha


1 xícara de feijão sopinha cozido (cozinhei 1 xícara dele, sem remolho, panela normal, por cerca de 20 minutos, em 3 xícaras de água e louro - rendeu o dobro, congelei o resto).
1 colher (sopa) de azeite
2 dentes de alho micropicado
Meia cebola micropicada pra ficar do tamanho do feijão
1 pedaço de pimentão vermelho e 1 do verde micropicado
1 pitada de pimenta vermelha seca em flocos (ou 1 pimenta dedo-de-moça sem sementes micropicada)
Meia cenoura grande micropicada
1 batata grande micropicada
1 tomate sem pele nem sementes micropicado
¼ de xícara de aipo/ salsão micropicado (não coloquei porque não tinha, mas tenho certeza que vai somar sabor)
1 colher (chá) de páprica doce defumada (usei pimenton de la Vera). Se não tiver, use colorau ou páprica comum socados com bacon.
3 xícaras de caldo quente de galinha caseiro e desengordurado ou água
Sal a gosto
2 colheres (sopa) de salsinha picada

Aqueça o azeite e refogue nele o alho e a cebola até começarem a dourar. Junte todos os outros ingredientes, menos a salsinha, e deixe cozinhar em fogo médio até a cenoura ficar macia (cerca de 10 minutos). Prove o sal e a pimenta e junte mais, se necessário. Espalhe por cima a salsinha e sirva. Com pão torrado vai bem.

Rende: 4 porções



Só para ver o tamanho: feijão bolinha, favas e feijão
carioquinha

13 comentários:

  1. Adorei conhecer e saber sobre este feijão sopinha.....
    Bjs.

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  2. Que delícia de sopa Neide. Não conhecia este feijão sopinha.
    Bjs

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  3. o carioquinha é o do dia-a-dia aqui mesmo... antes era o roxinho...
    já confessei que não sou fã de feijões e tals, mas esta sopinha ficou com uma cara tão boa...
    Beijinhos,

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  4. Neide,sábado vou lá atrás deste feijão que à primeira olhada até parece o fradinho(pensei que fosse..). Ficou muito apetitosa a tua sopa,beijo!

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  5. adorei o que aprendi aqui sobre feijões!

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  6. parabéns pelo trabalho e adorei o comentário sobre o feijão sopinha, que conheci no sábado na feira ecológica.

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  7. onde compro este feijão sopinha se alguem souber me envie um email por favor ou poste aqui obrigada meu email é marcelopadilha86@yahoo.com.br

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  8. Este comentário foi removido pelo autor.

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  9. Feijão Sopinha!
    Parabéns pelo blog!sabemos oq ue chegou a ti, já chegou semo crédito!
    O que em causa espanto, como algumas s Universidades e alunos com seus TCC utilizam as pesquisas e resgates que outros fizeram e não colocam o credito ao autor...
    FEijão Sopinha, foi resgatado por LUIS AGNELO CHAVES MARTINS (O GORDO)de Tavares-rs...na sua humildade o "gordo" nunca cobroe seus direitos e olhem muita gente de nome já utilizou os conhecimentos dele ,sem colocar o mérito...nós da ROTA AÇORIANA,(www.rotaacoriana.com.br) o portal que está acentuando o Turismo e a Cultura do Litoral do RS, reconhecemos o fantastico valor cultural de Luis Agnelo Chaves Martins, nosso parceiro e amigo!

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  10. Feijão Sopinha!
    Parabéns pelo blog!sabemos oq ue chegou a ti, já chegou semo crédito!
    O que em causa espanto, como algumas s Universidades e alunos com seus TCC utilizam as pesquisas e resgates que outros fizeram e não colocam o credito ao autor...
    FEijão Sopinha, foi resgatado por LUIS AGNELO CHAVES MARTINS (O GORDO)de Tavares-rs...na sua humildade o "gordo" nunca cobroe seus direitos e olhem muita gente de nome já utilizou os conhecimentos dele ,sem colocar o mérito...nós da ROTA AÇORIANA,(www.rotaacoriana.com.br) o portal que está acentuando o Turismo e a Cultura do Litoral do RS, reconhecemos o fantastico valor cultural de Luis Agnelo Chaves Martins, nosso parceiro e amigo!

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  11. Ivo,
    realmente não sabia. Mas obrigada por deixar o registro aqui. Vou procurar me informar mais.
    Um abraço, N

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  12. Você nem me conhece, você nunca fez uma disciplina junto comigo, você nem estuda mais na UFRJ, você já se formou como farmacêutica, mesmo assim um FDP da coordenação da farmácia vazou as minhas informações pessoais para você.

    Quer dizer, eu faço a vontade da coordenação da farmácia da UFRJ e tenho as minhas informações pessoais vazadas para quem nem me conhece e nem mora mais no Brasil.

    Você mora em Copenhagen que fica na Dinamarca e trabalha na empresa Novonesis, esse FDP não tinha nada que vazar as minhas informações pessoais para você que está morando no exterior. Sim, eu descobri o seu perfil no Instagram e no Linkedin:

    https://www.instagram.com/rafa.rafafa/

     

    https://dk.linkedin.com/in/pharmacist-rafaela-carvalho/pt

    Eu descubro tudo, assim como eu descobri, que um FDP da coordenação da farmácia da UFRJ vazou as minhas informações pessoais para você, que nem sabe quem eu sou.

    Eu acho que o FDP achou que eu não iria descobrir a maldade que ele fez comigo, pode avisar para esse FDP que eu descubro tudo, assim como eu descobri o seu perfil no Instagram e no Linkedin.

    Se esse FDP achou que ele iria me calar ao vazar as minhas informações pessoais para você, pode avisar para ele, que nunca vai me calar, medo é para quem tem algo a perder, eu não tenho nada a perder, não sobrou nada para mim.

    Pode avisar a esse FDP, que o que ele fez comigo vai ter volta, nada fica impune.

    Aposto que esse FDP da coordenação da farmácia faz parte do laboratório de fitoquímica e farmacognosia da faculdade de farmácia (FITOFAR), esse laboratório fica no segundo andar do bloco A do Centro de Ciências da Saúde (CCS), que fica na cidade universitária, que fica dentro da ilha do fundão.

    Você fez estágio nesse laboratório, durante o tempo que ainda estudava na UFRJ e ainda morava no Brasil, então esse FDP da coordenação da farmácia ainda deve manter contato com você, então esse FDP deve ter te enviado no privado as minhas informações sigilosas sem a minha autorização.

    Se esse FDP morasse aqui na minha rua as coisas seriam bem diferentes, em cima da minha rua tem uma boca de fumo, em frente a minha casa funciona um ferro velho clandestino que fornece material furtado para os traficantes fazerem barricadas. Se esse FDP morasse aqui na minha rua, os traficantes já teriam mandado esse FDP subir até a boca de fumo, os traficantes não gostam de gente que faz as coisas para sacanear os outros, igual esse FDP fez comigo.

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