Hoje é dia de coluna do Paladar.
COGUMELOS YANOMAMI
Aproveito
o assunto abordado pelo colega Roberto Smeraldi em sua última coluna aqui no
Paladar para continuá-lo, já que cogumelo é um tema que me interessa e
especialmente os cogumelos Yanomami que têm frequentado minha cozinha ultimamente
em vários experimentos.
Certa
vez participei de uma expedição para coleta de cogumelos nos arredores de
Barcelona. Foi só uma coincidência ter chegado ali em plena temporada quando
visitava uns amigos. Era um evento cultural gratuito oferecido pela prefeitura,
com zero de afetação e o máximo de seriedade entre os participantes. Para não
perdermos o ônibus, acordamos de
madrugada num sábado nublado, gelado e úmido, confesso que torcendo para que
alguém ligasse dizendo que devido ao mau tempo o programa havia sido suspenso. Sorte
que não, afinal o dia estava lindo para coletar cogumelos e foi uma experiência
sensorial tão marcante se deparar com aquela biodiversidade toda num parque
público e observar como aqueles catalães conheciam bem seus fungos e plantas, que
nunca mais consegui olhar um cogumelo sem curiosidade. Voltei motivada a contar
a experiência nesta coluna e pelo feito levei bronca de um leitor que me chamou
de pedante e incoerente, pois deveria continuar escrevendo sobre produtos
brasileiros genuínos e pronto.
Mas
é justamente experiência como aquela que me dá a rara oportunidade tão
necessária do olhar com distância e que me faz ficar ainda mais inspirada e
interessada pelas nossas próprias riquezas.
É o caso dos cogumelos Yanomami, mencionados por Smeraldi quando falou
em sua coluna sobre o botânico inglês,
Ghillean Tolmie Prance, que em 1968 esteve em Auaris entre os Sanöma, povo Yanomami,
para pesquisar plantas mas se deparou com uma realidade que nem desconfiava
existir. Mulheres coletavam e traziam
cogumelos embrulhados em folhas de
bananeira quando voltavam da roça. No XVI
Congresso da Sociedade Internacional de Etnobiologia que aconteceu em Belém no último
mês de agosto, o pesquisador, hoje com 81 anos e convidado para uma mesa
redonda sobre gastronomia e biodiversidade organizada pelo Instituto
Socioambiental – ISA e Instituto Atá, reencontrou Resende Sanöma, neto de uma
das mulheres fotografadas na época, causando
grande comoção. Na ocasião, foi
apresentado o projeto sobre os cogumelos, uma parceria da comunidade Sanöma com
o Isa e Instituto Atá, para produção e venda de um mix de espécies
desidratadas.
São
cerca de dez tipos diferentes de cogumelos colhidos pelos Sanöma. Para que se
seja viável a comercialização, eles são desidratados e triturados. Em pequenos
pacotes, são vendidos no site do Isa (www.socioambiental.org) e no Boxe
Amazônia/Mata Atlântica do Mercado Municipal de Pinheiros, com renda revertida
integralmente para a comunidade indígena.
Então,
quem pensa que coletar cogumelos espontâneos é coisa de europeu, saiba que este
é também, desde sempre, hábito dos indígenas nativos desta terra, verdadeiros
guardiões do conhecimento sobre plantas,
animais e cogumelos comestíveis da floresta. E não é só entre os Yanomami. No começo do século XIX, por exemplo, o
naturalista Carl Friedrich Philipp von Martius e o zoólogo Johann Baptist von
Spix estiveram entre os Saterés-maués, no Amazonas, e sobre o costume desses
índios os viajantes anotaram que quando a mulher descobre que está grávida o
casal é submetido a um rigoroso jejum à base de formigas, cogumelos e
guaraná. A informação aparece no livro Viagem pelo Brasil (1819-1820). vol. III, de 1938.
Mas,
voltando aos Yanomami, afinal são de sua cultura os cogumelos encontrados no
mercado, são cinco os grupos que formam este
povo. São eles: Sanöma, Ninam, Yanomam,
Yanomami e Yaroamë. Os Sanöma são cerca
de 3.000 pessoas divididas em 19 comunidades na região de Awaris, na Terra
Indígena Yanomami, que fica às margens do rio Ãsikama u, o Rio Auaris, no extremo Oeste de Roraima (na Venezuela
eles são em número parecido). Nesta região, os cogumelos de várias espécies são
coletados em áreas de capoeira, onde antes havia plantação de subsistência. Depois de 2 a 4 anos usada para cultivo, esta terra é deixada em descanso para se
regenerar, restando ali vários restos de troncos de madeira em
decomposição. É neste ambiente que
crescem muitos dos cogumelos cultivados e de onde são colhidos geralmente pelas
mulheres. Alguns, porém, vêm da floresta, coletados pelos homens. Quando
frescos, na época da chuva, são assados embalados em folhas de helicônias,
zingiberáceas e marantáceas, por exemplo, para comer com banana verde também
assada na brasa. Já na época da estiagem, colhem os cogumelos secos e cozinham
em água e pimenta para fazer caldo aromático
engrossado com beiju.
O
livro “Ana Amopö: Cogumelos – Enciclopédia dos Alimentos Yanomami (Sanöma)”, lançado
pelo Instituto Socioambiental em parceria com a Hutukara Associação Yanomami e ganhador
do prêmio 59º Prêmio Jabuti na categoria Gastronomia e Ciências Sociais, é
parte deste projeto de pesquisa e divulgação dos cogumelos Yanomami, com o objetivo de valorizar o conhecimento
indígena e gerar renda para atender as demandas das comunidades, tais como
ferramentas para as roças entre outras.
Entre
os Sanöma, os cogumelos mais apreciados são das espécies Lentinula raphanica, Favolus
brasiliensis e Polyporus
philippinensis. Tentando identificar
os cogumelos que encontro no bairro da Lapa, em São Paulo, onde moro, fiquei
surpresa ao descobrir que temos por aqui o mesmo Favolus brasiliensis, encontrado também em todo litoral do Brasil,
de Norte a Sul, sobre troncos caídos em fase de apodrecimento. Colhidos na horta comunitária, usei para fazer
caldo com pimenta engrossado com beiju de mandioca à moda dos Yanomami. E ficou delicioso, claro.
Sorte
que quando não se tem por perto estes cogumelos frescos, a gente pode recorrer
ao mix comprado. Há deles inteiros e em pó. Eu prefiro comprar em pó, pois mesmo
quando reidratados aqueles inteiros não voltam a ficar tenros – ficam moles e
resistentes. Para quem gosta deles assim, recomendo picar ou quebrar em pedaços
menores antes de hidratar. Mas transformados em pó ou já comprados em pó são
versáteis na cozinha e conferem um sabor umami impressionante a pratos salgados
de toda natureza – o sabor umami é dado pelo ácido L-glutâmico, um dos aminoácidos que
compõe todo tipo de proteína e tem presença livre nos cogumelos secos,
funcionando como um realçador de todos os outros sabores.
Experimente
misturar o pó a sal e pimenta-do-reino e polvilhe em abundância sobre uma carne
de cordeiro a ser assada, por exemplo. Ou
deixe hidratando em um pouco de água por cerca de 1 hora e junte a refogados de
cogumelos frescos ou a cozidos de qualquer carne que leve em seu caldo vinho,
tomates, ervas e alho. Nos risotos, massas e sopas, o pó pode ser usado como funghi
secchi. O processo de secagem dos
cogumelos envolve uso de calor a lenha, por isto o pó tem um sabor defumado
muito bom que pode ser útil para se fazer pratos vegetarianos. Pode ser refogado junto com cebola, cenoura e
salsão para temperar assados e refogados de vegetais como ragu de berinjela, cozido
de lentilhas e o que mais lhe ocorrer.
Gosto
de refogar o pó em manteiga junto com cebola, juntar macarrão de massa curta e
água para cobrir. Em fogo baixo, cozinho até que a massa esteja macia e sobre
um pouco de molho denso. Se precisar, junto mais água quente conforme a massa
vai cozinhando, para que não segue e que fique sempre coberta com o caldo. Por
fim, junto salsa picada e assim tenho um delicioso prato de macarrão com molho
de cogumelos feito numa panela só.
O fato é que não importa o prato salgado que esteja fazendo, não
há outro tempero que se misture tão amigavelmente a vários tipos de
ingredientes ao mesmo tempo que realce o sabor tão complexamente como o pó de
cogumelos. Tenha-o sempre por perto e
nunca mais precisará usar suspeitos caldos em cubos e outros realçadores de sabor
refinados.
Macarrão
de cogumelos Yanomami
20 g de cogumelo Yanomami em pó
2 colheres (sopa) de água
200 g de farinha de trigo
1 colher (chá) de sal
2 ovos
Misture o cogumelo com a água e espere 10 minutos. Enquanto isto, coloque numa tigela a farinha
de trigo (se quiser substitua 35 g por semolina de trigo para que fique mais
firme) misturada com o sal. No centro coloque os ovos e o cogumelo umedecido.
Com as mãos vá misturando os ingredientes até formar uma massa firme. Se
precisar, junte mais água fria ou farinha aos poucos. Sove por cerca de 10
minutos ou até ficar lisa e elástica. Se
preferir, bata todos os ingredientes no processador. Embrulhe a massa em saco plástico e deixe-a em
repouso por 20 minutos. Abra na máquina de macarrão até o nível 4. Corte em talharins
com cerca de 20 centímetros e mantenha as tiras estendidas em varal de macarrão
até o momento de cozinhar. Ou polvilhe bem as tiras com farinha e faça ninhos
sobre um pano. Enquanto isto, faça o
molho – receita abaixo. Por fim, cozinhe
a massa em água fervente abundante por cerca de 2 minutos. Escorra e coloque o
macarrão na frigideira, chacoalhe para incorporar o molho delicadamente e
sirva.
Molho de
cogumelos
½ colher (sopa) de cogumelos Yanomami em pó
4 colheres (sopa) de azeite de oliva
1 cebola média picada
500 g de cogumelos frescos misturados cortados com 1cm de
espessura
300 ml de creme de leite
2 colheres (sopa) de galhinhos de tomilho e folhas inteiras,
extras, para decorar
1 pitada de pimenta jiquitaia ou pimenta seca em flocos
Sal e pimenta-do-reino a gosto
Hidrate o pó de cogumelo com 2 colheres (sopa) de água fervente e deixe
repousar por 15 minutos.
Aqueça o azeite em uma frigideira grande e funda, junte a cebola e cozinhe em fogo baixo por
cerca de 2 minutos, até ficar macia. Aumente o fogo para médio, adicione os
cogumelos frescos e cozinhe, mexendo de
vez em quando, por cerca de 5 minutos ou
até ficarem macios.
Adicione o cogumelo Yanomami hidratado e mexa devagar, mantendo
o cozimento por cerca 1 minuto. Acrescente
o creme e deixe cozinhar por cerca de 5 minutos ou até que o creme tenha
engrossado levemente. Junte o tomilho
e a pimenta jiquitaia e tempere a gosto com sal e pimenta preta moída na hora.
Desligue o fogo e junte ao macarrão bem quente. Use galhinhos de tomilho para
decorar.
Rende: 6
porções





Olá Neide, um dia ouvi de um primo que "todos os cogumelos são comestíveis, embora alguns vc só comerá uma vez na vida". Pergunto: existe algum guia rápido sobre os comestíveis e os venenosos?
ResponderExcluirP/ o Sul do Brasil: livro “Primavera Fungi” guia de fungos de Jeferson Müller Tim.
ExcluirA esquerda diz que os índios estão passando fome!
ResponderExcluirQuem é que está comercializando o alimento dos índios?
ResponderExcluirI’m glad that you simply shared this useful info with us
Eu nunca tive um problema com você e poderia continuar não tendo. Você deveria não ter praticado linchamento virtual no grupo de toxicologia, igual você não praticou há três anos, quando a Gabriela Santana Andrade mandou a amiga dela do curso de pedagogia chamada Ana Beatriz Procession Guimarães, entrar no grupo de Analítica um se passando por uma tal de Simone. Naquele dia a "Simone", a Gabriela e os amigos dela da atlética de farmácia ficaram me humilhando por causa de IC. Eu perguntei por que ninguém estava me defendendo do linchamento virtual. A Jéssica Mel da Silva Faria respondeu que eu estava no Fundão e a faculdade de direito ficava no centro, ou seja, como vocês faziam farmácia e não direito, vocês não precisavam me defender.
ResponderExcluirSó que dessa vez você resolveu praticar linchamento virtual no grupo de toxicologia, o que aconteceu dessa vez, você perdeu a sua bolsa de IC, ficou com tempo livre para praticar linchamento virtual no grupo de Whatsapp ou o professor Alessandro descobriu que você é um covarde, que pratica linchamento virtual em grupo do Whatsapp?
Para mim você sempre foi um aluno que fez iniciação científica com um professor que explica mal à beça. Você não é capaz de me enfrentar diretamente, você vive correndo para debaixo da saia da Gabriela Santana Andrade, você parece até aquelas crianças pequena, que fazem as coisas de errado e corre para debaixo da saia da mãe. Eu sei tudo sobre você, eu achei o seu perfil no Instagram e no Linkedin:
https://www.instagram.com/c.alves15/
https://br.linkedin.com/in/carlos-alberto-santos-alves-7b0697239
Você é muito corajoso para praticar linchamento virtual em grupo do Whatsapp, mas me vê pessoalmente na faculdade e não fala uma palavra comigo, isso acontece porque você não vai poder se esconder embaixo da saia da Gabriela Santana Andrade no mundo real, igual você fez no grupo de toxicologia. Você ainda vem me ameaçar com cadeia. Aqui no meu bairro, os bandidos roubaram tanto os cabos do semáforo, que a prefeitura desistiu de consertar o semáforo, a prefeitura resolveu desinstalar ele e colocar uma rotatória para substituir o semáforo. Aqui no meu bairro, quem manda é o crime organizado. A polícia que não conseguiu impedir que os bandidos roubassem os cabos do semáforo, também não vai me levar para cadeia, não existe duas policiais, a polícia é uma só. Eu estou esperando um e-mail da coordenação da farmácia e o meu mandado de prisão. Você não procurou a coordenação da farmácia e nem procurou a polícia, porque você não tem nenhuma prova contra mim. Nem você, nem a Gabriela Santana Andrade e nem a Ana Beatriz de Lima. Vocês não passam de um bando covarde.
Mas também você é amigo do Guilherme de Sousa Barbosa. Ano passado, o Guilherme ameaçou me bater mesmo sem eu ter feito nada contra ele. O Guilherme nunca falou comigo na faculdade, a única vez que ele veio falar comigo é para ameaçar me bater. Depois que o Guilherme ameaçou me bater mesmo sem eu ter feito nada contra ele. A Camilly Enes Trindade, a Ana Clara Gomes de Oliveira, a Ana Carolina Vieira Metello, a Bruna Coelho de Almeida, a Giulia Amarante de Almeida Mussi da Silva, o Jakson Barros Bonfim, a Leticia de Sousa Albuquerque, o Nathan Genovez Dias de Fonseca e o Vinicius Gomes Gadini foram fazer queixinha sobre mim na coordenação da farmácia.
Por causa dessa queixinha, algum FDP da coordenação da farmácia da UFRJ vazou as minhas informações pessoais para uma pessoa, que nem me conhece, que nunca fez uma disciplina junto comigo e que já concluiu o curso de farmácia. Se esse FDP achou que iria me calar, ele pode ter certeza que ele não conseguiu, eu nunca vou me calar em frente às injustiças. Se esse FDP morasse aqui na minha rua, os traficantes já mandariam esse FDP subir até a boca de fumo. Os traficantes não gostam nada de gente, que faz as coisas para sacanear os outros. Aqui em frente a minha casa funciona um ferro velho clandestino, que fornece material furtado para os traficantes fazerem barricadas.