quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Caju refogado

Na Ilha do Marajó, os cajus abundam nesta época
Não se trata de recomendar a "carne de caju" como substituto da proteína animal, afinal nutricionalmente falando uma coisa não tem nada que ver com a outra.

Não é dizer também que preparado com sal o caju seja melhor que consumido in natura. O que acontece é que quando é época de caju, cajueiros velhos dão muito fruto. Nem sempre compensa vender, nem sempre tem tanto bicho para comê-lo e ninguém dá conta de chupar tanta fruta ou tomar tanto suco.

Sobra, então, tentar aproveitá-lo de todas as formas. Neste sentido, a "carne de caju" é uma ótima opção. Basta cortar o fruto em fatias ou cubos e espremer bem no espremedor de batatas, restando assim só as fibras temperadas com o adocicado e perfume do fruto que combinam bem com temperos comuns na nossa cozinha: sal, alho, cebola, tomate, pimentão, pimenta, coentro, limão, leite de coco etc. (o suco espremido, você bebe, é claro). Basta fazer um bom refogado, juntar os pedacinhos de caju e deixar cozinhar um pouco, com água ou leite de coco. No final, umas folhas de coentro, umas gotas de limão e vai quentinho pra mesa pra comer com arroz. Mais um alimento proteico - um ovo, um pedaço de carne etc, uma salada de folhas e já está!

Na Ilha do Marajó, improvisei um tipo de moqueca com a carne de caju - não é nenhuma novidade, acho até que já publiquei alguma receita por aqui. Mas é só pra dizer que você pode aproveitar os pedacinhos de caju espremidos em vários pratos com molho. Se fizer um molho de moqueca, vai lembrar peixe. Se fizer um molho de estrogonofe, vai lembrar carne. Se fizer um curry, vai lembrar frango.

Cajuzinho amarelo, no Marajó

A foto está horrível, mas o sabor esteve bom - usei folhas de cipó de alho
 do Marajó picadas finamente com a pimenta.  E pimenta-de-cheiro, coentro,
 leite de coco. 


5 comentários:

adelia sylvia penna ramos disse...

Oi, Neide! Fiquei babando... Quando morei em Salvador, tinha dois cajueiros mas, como ADORO cajú, só comia in natura. Aqui tem um que dá muita flor (ah, o perfume delas!) mas fruto não, talvez pela altura, talvez pelos ventos muito fortes. Mas um dia hei de experimentar um curry, uma moqueca, ou seja, ter tanto cajú que não consiga consumir todo in natura!

beijos,
adelia

Roberta Vasconcelos disse...

Tomando a liberdade de responder, creio que o caju precisa de outro cajueiro próximo para que as flores sejam fertilizadas e consigam gerar o fruto, certo Neide?

adelia sylvia penna ramos disse...

Roberta,

há um outro cajueiro próximo... Pode acontecer de ambos serem "machos"? Ou "fêmeas"? Mas fico muito grata pela dica!

Milla disse...

You have very beautiful pictures. :)

Juju Gago disse...

esteve MUUUITO bom, mesmo!

Queria um cajueiro daqueles aqui na rua <3

beijo